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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Histórias do Brasil Caipira

Em homenagem ao amigo Marques Casara, aniversariante do Dia da Criança, aí vai uma crônica dele de 2000. É o piloto de uma série que se chamaria Histórias do Brasil Caipira, a ser publicada na revista digital Guru de Viagem - projeto que terminou não saindo da prancheta, por conta do estouro da bolha da internet. Fica a esperança de que essas histórias ressurjam num blog do Casara ou em outro lugar qualquer. Com certeza ele tem muito o que contar.

p.s.: Esta crônica sai do fundo do baú pelas mãos do Rogério Mosimann, pai da ideia do Guru de Viagem e de outras tantas, meu companheiro de aventuras digitais e etílicas no Rio, no Chile e em Floripa.

Viagem sem fim
Coloquei na mochila duas calças, uns três shorts, camisas, um pacote de maços de cigarro, um canivete e fui pra rodoviária começar a viagem mais longa da minha vida. A idéia era sair de Chapecó, interior de Santa Catarina, passar por São Paulo, Mato Grosso, Rondônia, conhecer a Amazônia, ver o encontro das águas no Rio Negro, visitar Belém, tomar umas cervejas em Goiás e estar de volta em 30 dias. Contornar o Brasil, encontrar pessoas, pegar muita carona e gastar o mínimo possível. Nunca mais parei de viajar desde então, 13 anos atrás. Conheci tanta gente que as agendas se perderam pelo caminho. Sobraram recordações, amores, medos e algumas alegrias.
Viajar é percorrer a estrada da vida que risca o horizonte das incertezas. Pra onde vou? Sei lá... Outro dia eu estava sentado na beira de um rio no Vale do Curuçá, interiorzão da Amazônia. O barco que nos levava jazia emborcado no leito lamacento, abatido por um tronco que chegou sem anunciar-se. Eu esperava o resgate, carona que me levasse de volta pra casa. Pensava, olhando as lontras que reclamavam aos gritos da minha presença em seu mundo, que aquela viagem, iniciada há 13 anos, ainda não chegara ao fim. Nunca mais fui o mesmo depois que ajustei as cordas da mochila e dei adeus à namorada, que ficou com o coração na mão e a certeza de que eu nunca voltaria.
As estrelas de leite que iluminam a noite da floresta me tornaram contemplativo e questionador. Quando essas árvores forem devoradas pelos monstros de lata, derem lugar aos arranha-céus do apocalipse, o mundo vai virar de ponta cabeça e a dor do índio será soterrada pelo entulho concreto dos edifícios de areia. Triste sina de nosso povo, que cresceu em tecnologia mas não aprende a respeitar diferenças étnicas e culturais.
O dia clareava sobre a rodoviária quando embarcamos, eu e meu amigo, para essa viagem de um mês que ainda não acabou. O ronco do Scânia de 38 lugares ainda ressoa em algum ponto perdido da memória. Fica mais forte na medida em que puxo pela recordação, recomeço essa viagem pelo Brasil.Se quiser, venha comigo nessa boléia. Troque idéias sobre os temas que vamos encontrar pelo caminho. Uma viagem sem cinto de segurança, repleta de muita aventura e histórias curiosas. Vamos nessa! (05.12.2000)

Marques Casara é jornalista e diretor de documentários. Acha que o Brasil é bem maior do que a gente pensa e por isso, sempre que pode, sai em busca de boas histórias para compartilhar com seus conterrâneos. Trabalhou para grandes revistas e emissoras de televisão. Atualmente, atua na área de projetos da Editora Abril.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Você sabe né?

Minha sobrinha Camilla Sá Freire, jornalista que trabalha na área de saúde, está em missão profissional em São Tomé e Príncipe. Ela participa de um projeto internacional de erradicação da malária nesse país africano onde se fala português. Um relato informal da aventura pode ser acompanhado no recém-criado blog dela, Você sabe né? Sei não, vou acompanhar pra saber. :)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cartas da China: tufão, chá e revolução

Marques Casara manda mais novidades de sua aventura no sul da China:

Ontem, depois do jantar, no caminho de volta ao hotel, ficamos nos perguntando por que os pássaros estavam voando à noite. Coisa esquisitíssima.
Chegando no hotel, no canal em Inglês falaram que aqui no Sul estávamos em alerta máximo de tufão e que algumas comunidades tinham sido deslocadas na China e no Vietnam. Os vôos na região estão cancelados.
Temos Internet, água quente e um ventinho leve. Ninguém tá esquentando a cabeça. Tá todo mundo se preparando para as festividades de 60 anos da revolução, dia 01.
A China tá um caos por causa dessa festa. Vai ser uma semana inteira de feriado nacional. As ruas estão enfeitadas e o povo já tá soltando rojão.
A China é proprietária da tua ciência, da tua consciência e do teu corpo. De resto, é uma maravilha.
As pessoas riem o tempo todo e todo, te cumprimentam na rua e te convidam pra tomar um chá na casa delas.
E cospem e peidam o tempo todo e não estão bem ai.
Só não temos café.
Chá, chá e mais chá.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

De Dubai via SMS

Marques Casara está viajando para a China com sua mulher Tatiana Cardeal, que vai receber um prêmio internacional de fotografia. Na escala de oito horas em Dubai - onde estão neste instante - ele conversou comigo via mensagem de texto de celular.

Eu:
- Conta alguma coisa daí.


Marques Casara: - Fizemos um táxi tur das 2 às 4 da manhã. No mar ilhas artificiais gigantes construídas com pedras importadas do Egito. Milhares de obras tocadas por imigrantes indianos. Palácios riquíssimos. Obras, obras, obras. Paraíso da desigualdade. Indianos erguem a cidade no deserto a 300 dólares por mês. No hotel aqui perto, diárias a 2.500, jantares a mil dólares.

- Paraíso da desigualdade? Então cês tão se sentindo quase em casa. Tou vendo Dubai no mapa. Do ladim do Irã, Arábia Saudita, Iraque, Paquistão, Índia... Nada mal pruma outra viagem.

- Cruzamos o Golfo Pérsico no início da noite de domingo. A poltrona da Emirates é uma plataforma interativa com quatro câmeras do lado de fora do avião. Centenas de filmes, música, jogos e até telefone e e-mail com cartão de crédito pra quem tem bala.

- Você compraria um terreninho em Dubai?

-
Pra comprar um terreno entra na lista. A cada 17 anos escolhem os felizardos. Ap de 1 quarto em algumas ilhas a US$ 4 milhões. Para abrir um negócio, só com sócio local.

- Choque cultural?

- Aqui é cosmopolita. Miami árabe. Cidades islâmicas ao redor são hipertradicionais. Essas eu queria ver. Recebeu a foto?

- Ainda não. Tuitei: de Dubai via SMS. Um papo entrevista com Marques Casara acontecendo agora.

- Os jornais impressos vão acabar. Vi o papel digital, fosco, lindo, não cansa a vista, toca música e interage com você.

- Hahahaha. Recebi a foto. Já tá no blog.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Alasca de carro

Gabi Veras e Mike Smele se preparam pra ir de Calgary (Canadá) ao Alasca de carro. Minhas partidas de xadrez online com o Mike (e minhas sucessivas derrotas) vão ter um intervalo por um tempo. No retorno eles trocam a petrolífera Calgary - onde passaram os últimos dois anos - pela cosmopolita Toronto, onde viviam antes. Ela vai registrar a aventura num blog. O cartaz acima foi feito pelo irmão dela, Juca, nosso vizinho de bairro no Campeche. Só pra ver os pinguins é que eles vão precisar dirigir beem mais. Boa viagem!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ulan Bator e Transiberiana

Ulan Bator. Nos tempos de escola, quando eu e o colega Francisco Carlos nos desafiávamos pra ver quem acertava mais capitais de países, o nome da capital da Mongólia era um dos que eu achava mais curiosos. Evocava camelos, nômades, céu estrelado, mistérios do deserto. Tempos depois, lendo sobre a Rússia, a ferrovia Transiberiana também mexeu com minhas fantasias. Pois meu amigo australiano Aidan Doyle está prestes a começar uma aventura de três meses por aquelas bandas, começando em Osaka, Japão - onde ele já morou -, e percorrendo toda a Ásia Central até chegar à Europa do Leste em São Petersburgo. Ele vai publicar fotos e relatos em seu blog. Have fun, Aidan!

I’m staying in Osaka for a week and then taking a ferry to Shanghai.
One of my friends from Australia is staying in Shanghai at the moment,
so I'm going to visit him.

I have two weeks in China and then I'm joining up with a tour that
leaves from Beijing.
It's a 3-week tour and goes from Beijing to St. Petersburg. We take the
Trans-Mongolian train to Mongolia and stay in Ulan Bator for a couple of
days and then take the train into Russia. We join up with the
Trans-Siberian railway at Irkustk. The tour stops at a couple places on
the way to Moscow and St. Petersburg.

There are some maps at: http://www.aidandoyle.net/?page_id=338

I fly back to Australia from Frankfurt on October 10.

Then I'm planning on going back to Melbourne and looking for some work.

While I'm travelling, I'll be updating my home page.
http://www.aidandoyle.net
I've also updated it to include photo galleries from some of my past
trips.

Have fun,

Aidan

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Blog da vez: Rota Hot Dog

O Rota Hot Dog é um blog coletivo que se propõe a ser um guia gastronômico para os apreciadores dessa iguaria em Floripa e região. Seus colaboradores são "um grupo de amigos que busca bom atendimento e qualidade na hora de fazer um lanche". As opções são avaliadas com notas que vão de zero a cinco salsichas. O blog também conta com georreferenciamento, indicando os locais em um mapa do Googlemaps. Confira um trecho da avaliação sobre o Cachorro Quente do Silva, que recebeu três salsichas:

(...) O dog é do jeito que eu gosto: simples, duas salsichas e prensado. E tem um ingrediente que não é muito comum aqui em Florianópolis: o purê de batata. Confesso que fiquei receoso, porque minhas experiências anteriores de dogs com purê não tinham sido muito boas, mas nesse cachorro quente mudei de opinião. Outra coisa que gostei é o fato de usarem queijo parmesão, que para mim é melhor queijo para acompanhar um bom cachorro quente.
...
curiosamente eles têm QUATRO telefones celulares pra receber as ligações com os pedidos, um da Claro, um da Tim, um da BrTel e outro da Vivo. Presumo que seja para beneficiar os clientes que tenham preços de tarifas especiais pra cada uma das operadoras; e se for isso mesmo, estão de parabéns! Ninguém tem desculpa pra dizer que ligar pra pedir um dog sai muito caro. (...)
p.s.: Incluí neste post as tags floripa, comida, blogosfera e, naturalmente, aventura.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Lagoinha do Leste no feriado


Depois de quatro meses de ensaios e cancelamentos, ontem (re)fiz a trilha da Lagoinha do Leste pelo costão, junto com a seleta companhia dos blogueiros Maurício "Vida de Frila" Oliveira, Laurinho "Meleca Verde" e Carlito "O Blog C" Costa. Ligeiros no teclado, Carlito e Laurinho já blogaram seus relatos - tem até mapa do trajeto. Andamos mais ou menos dez quilômetros entre a praia do Matadeiro, a Lagoinha e a praia do Pântano do Sul, incluindo um trecho pela estrada até passar um ônibus que nos levou ao carro do Carlito na Armação.

A trilha começou em torno das 9h30 com uma cerveja estupidamente gelada num barzinho na praia do Matadeiro, enquanto esperávamos o retardatário do Blog C (e outra gelada quando ele chegou). Pelo caminho, mato fechado, depois costão rochoso e descampado, plantas espinhentas, fontes dágua e o visual estupefaciante do mar. Pudemos ver que a parte leste da Ilha do Campeche tava coalhada de barquinhos de pesca, uns 29 ou 30 - há controvérsias pois não houve avaliação oficial da PM. À medida que avançávamos, o papo animado, cheio de tiradas maldosas ("uma vez vi o Fernando Marcondes de Mattos rondando por aqui, fiquei apavorado"; "o Frank não quis vir, vamos chamar ele pra jogar dominó"), trocadilhos infames ("pra fazer essa trilha tem que ser cabrito, o Carlito tá quase lá") e imitações grotescas de aves da floresta foi cedendo espaço pro silêncio contemplativo e ofegante. Laurinho, que agora é escoteiro, liderou a fila boa parte do tempo.

O tempo nublado, com temperatura amena e sem vento, nos favoreceu bastante, exceto na hora das fotos, que perderam muito do colorido, e do mergulho na lagoinha - Carlito e eu ficamos de espectadores e tirei uma boa soneca enquanto Maurício e Laurinho agitavam na água fria. A Lagoinha do Leste continua confirmando a fama. Recentemente foi incluída com justiça pelo Guardian na lista das 10 praias mais bonitas do Brasil. Pena que esse lindo presente da natureza seja tão maltratado por alguns visitantes estúpidos, que deixam garrafas e sacos plásticos, embalagens de biscoito e outras sujeiras. Encerramos a aventura com uma deliciosa tainha assada no restaurante Mandala, no Pântano. Cansaço gostoso e uma noite de sono das mais tranquilas dos últimos tempos. Hora dessas tem mais.

Alguns cliques

terça-feira, 21 de abril de 2009

Na corda bamba

Man on Wire é um relato extraordinário sobre um homem estraordinário: o filme conta a história do francês Philippe Petit, que em agosto de 1974 atravessou o topo das torres gêmeas do World Trade Center numa corda bamba. Lindo, arrepiante e comovente. Os bastidores dos seis anos de preparação são recontados pelos parceiros na aventura, por testemunhas e pelo próprio Petit, de maneira expressiva e apaixonada. Man on Wire ganhou o Oscar de melhor documentário em 2008.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Duas Motos

Lígia Fascioni e o marido Conrado Seibel acabam de inaugurar Duas Motos, um saite + blog sobre suas aventuras de moto pela América do Sul. Relatos de viagem, mapas, roteiros, dicas, fotos... Material de primeira.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Fiordes com emoção


wingsuit base jumping from Ali on Vimeo.
Um jeito inesquecível de conhecer os fiordes da Noruega.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

UFSC vai ao Pará com o Projeto Rondon



Estudantes de jornalismo, medicina e serviço social da UFSC começaram esta semana a Operação Centro-Norte - nome com o qual foi batizada a missão do Projeto Rondon no município de Monte Alegre, no Pará. O projeto, coordenado pelos professores Sérgio Mattos e Clóvis Geyer, prevê uma série de ações sociais envolvendo crianças, adolescentes, idosos, mulheres em amamentação, educadores, agentes comunitários e a população em geral. É a primeira vez que uma turma do jornalismo da UFSC participa dessa experiência transformadora de conhecer e informar sobre um Brasil que a maioria dos brasileiros desconhece. Tiro o chapéu pro Projeto Rondon, uma das raras iniciativas em que a universidade pública é colocada a serviço do povão. Dá pra acompanhar de perto o trabalho da moçada pela internet, em textos, fotos e, em breve, também em vídeo. Monte Alegre fica perto de Santarém, a 623 km em linha reta de Belém. O Projeto Rondon é promovido pelo Ministério da Defesa com apoio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.

p.s.: O professor @clovisgeyer é tuiteiro. Se tiver tempo, vai enviar alguns dropes de viagem em 140 caracteres.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Notícias do Caribe

O amigo Marcelo Spina, que já foi correspondente de guerra e ultimamente trabalhava nas Nações Unidas, me manda e-mail com uma bela notícia. Depois de um tempo na Coreia do Norte e em Uganda, pediu demissão da ONU e saiu velejando com a mulher, Marina. No momento eles estão em St. Thomas, no Caribe, recém-grávidos e felizes da vida com a visita da mãe dele e da mãe dela. O veleiro se chama MarMar e eles mantêm um blog em inglês. A próxima parada será Cuba e, em breve, algum porto seguro na América Central para a chegada do bebê.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O OVNI do Morro das Pedras

Pedi e Maurício compartilhou o relato sobre o OVNI no Vida de Frila. Acredite se quiser.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

De ônibus, táxi alternativo, mototáxi e carona

Saí de Natal às 7 horas, debaixo de chuva fina. Foi só o ônibus pegar a estrada e ferrei no sono. Quatro horas depois, chegamos à rodoviária de Mossoró. Segunda cidade do Rio Grande do Norte e arqui-rival da capital potiguar (o que rende um monte de piadas entre os natalenses), a cidade é rica em petróleo e está perto do belo litoral norte do estado, embora fique no interior e tenha clima de sertão. Um dos marcos da história mossoroense é ter repelido à bala o bando de Lampião no tempo do cangaço. Sol de fritar ovo em calçada. Fui me informar sobre as opções de transporte até Russas passando pela nova estrada asfaltada que vai por Baraúna, o que poupa uns 80 km de percurso. Pesado como um jumento de carga - uma mochila nas costas, uma mochilinha de ataque na frente e uma bolsa de pano nos ombros -, andei até o trevo pra Baraúna.

Num boteco da beira da estrada, dois papudinhos mamavam suas doses diárias da branquinha. Me abriguei sob o puxadinho (compreendendo até o fundo da alma o dito popular que se fala aqui quando alguém se despede: "Vá pela sombra"). Um velho simpático com fratura exposta mal curada numa perna me informou que a última van do dia já tinha passado e deu a dica dos carros de aluguel. Então peguei um "táxi alternativo", a gás. Primeiro o lotação deixou duas "moças" no centro de Mossoró. Depois pegamos a estrada: no banco da frente, uma mulher com um bebê; atrás eu e uma senhora, todos sem cinto de segurança e ouvindo um CD de forró. Trinta quilômetros e cinco reais depois, eu estava no mercado público de Baraúna, cidadezinha modorrenta que nem parecia fazer jus à fama de terra de pistolagem. Não havia mais transporte pra Russas.

Depois de assuntar um pouco e tomar um suco de macarujá ultra-açucarado, paguei cinco pilas a um mototáxi pra me levar por 7 km até o posto fiscal na divisa entre Rio Grande do Norte e o Ceará, onde, segundo ele, as chances de uma carona eram maiores. Fomos ambos sem capacete - ele me explicou que a polícia local é altamente desconfiada com motoqueiros que não mostram o rosto. Perguntei sobre os episódios mais recentes de violência em sua simpática cidade. Ele disse que ultimamente estava tudo tranquilo. O último caso tinha ocorrido há três meses, quando a polícia matou quatro assaltantes que fugiam do Ceará num carro roubado. A emboscada fora armada a 200 metros do posto fiscal pra onde estávamos indo. Hmm, lugarzinho animado. Cabelos grisalhos ao vento, com a bagagem precariamente equilibrada na moto, seguimos pelo retão pelo meio da caatinga verde (sim, no tempo das chuvas a caatinga fica linda).

O posto fiscal, no meio do nada, tinha dois pequenos restaurantes ao lado. Num deles comi um prato feito de galinha frita e tomei uma skol gelada enquanto uma senhora e uma mulher se dividiam entre o atendimento à mesa - eu era o único cliente - e um programa de tevê em volume bem alto, em que um cara tentava bater o recorde de segurar motocicletas com cordas, duas motos de cada lado, acelerando pra valer. Moscas, mormaço. Dois gatos magros ficaram me rondando e miando até ganharem restos da galinha. Peguei as mochilas e fui pra beira da estrada pedir carona. Sol assassino, uns 38 graus. Minhas chances de caminhar 45 km com aquele peso e chegar ao destino sem desidratar eram remotas, pensei.

Com os lábios já meio ressecados, continuei estendendo o dedo por uns 20 minutos, até que um caminhoneiro que tinha estacionado pra carimbar os papéis no posto fiscal resolveu me levar. Ele ia no rumo noroeste pra depois pegar a BR-116 rumo sul. Falamos de filhos, lugares, fretes. Do asfalto fino e ruim daquela estrada. Contamos causos, ficamos em silêncio olhando a paisagem e as nuvens enormes em forma de flocos. Me disse que era separado e seus dois meninos moravam com a mãe no Rio de Janeiro. Tentou pegar frete pro Rio e assim visitá-los, mas só tinha pra São Paulo, pra onde estava indo. Contou sobre a pressão dos prazos: tinha vindo de São Paulo a Natal com uma carga de verduras e deram a ele 48 horas pra chegar. Fez em 46, sem dormir. Nos despedimos e desci em frente à pracinha de Russas. Na casa do meu pai, depois de muitos copos de água gelada e um banho gostoso pra tirar a poeira, caí na rede e apaguei por horas.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Aventura indoors em Natal

Acabo de escapar de uma armadilha no apê do meu irmão. Eu tinha entrado na área de serviço pra lavar roupa quando o vento bateu a porta, que não tem trinco por dentro. Fiquei 40 minutos trancado junto com a cachorrinha salsicha deles. Ninguém em casa, celular inacessível, não havia como chamar ajuda. Tive que arrombar a janela basculante do banheiro da sala que dá pra área, usando um pedaço de madeira como alavanca. Depois sustentei aberta a armação de alumínio com um pequeno quadro negro, subi num cercadinho de criança apoiado por vassouras (o quarto de brinquedos foi bem útil), consegui enfiar uma perna e fui descendo devagar, de costas, até passar o corpo todo. Fora alguns arranhões na armação da janela, saí intacto. Agradeço às aulas de yoga (preciso voltar) e ao seriado McGyver pela minha fuga perfeita.

terça-feira, 11 de março de 2008

Viagem pela História: Panamá

Os jornalistas mochileiros Silvia e Eumano, de algum lugar das Américas, dão este toque por e-mail:

O Correio Braziliense publica amanhã a sétima reportagem da série Viagem pela História. Mostramos as belezas do arquipelago de San Blas, no litoral caribenho do Panamá, onde vivem os indios Kuna Ayla e muito mais.

segunda-feira, 3 de março de 2008

A incrível viagem de Shackleton

Lendo A incrível viagem de Shackleton, de Alfred Lansing (Sextante, 2004). O livro, escrito em 1959, conta uma história real ocorrida em 1914, quando um aventureiro britânico partiu com sua equipe para a Antártica. Sua a meta era atravessar pela primeira vez o continente gelado, usando trenós puxados por cães. Mas o navio ficou preso, foi esmagado pela pressão do gelo e os homens tiveram que passar por uma grande provação pra sobreviver.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Dica on the road

O Google Earth traz agora informações detalhadas sobre estradas de 26 novos países: Rússia, Malásia, Tailândia, Aruba, Bahamas, Belize, Bermudas, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, St. Kitts e Nevis, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela. Foram acrescentados nomes de lugares em Taiwan, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Brasil e Turquia.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Epifania na lama amazônica

Essa historinha é do início dos anos oitenta, tempo em que meu sogro Hideharu (Augusto) Tuyama fazia fretes na sua Toyota entre Rondônia, Amazonas e Acre. Na época das águas, muitas estradas da região ficam intransitáveis. As pessoas se sentem pequenas diante da força bruta da natureza e tendem a se irmanar no aperto. Nem todas. Algumas continuam se achando o máximo. Havia um caminhoneiro antipático, daqueles tipos que ignoram os outros e só querem levar vantagem. Ninguém gostava dele. Um dia o sujeito entrou num atoleiro fundo, achando que conseguia passar sozinho, mas ficou preso com lama até o eixo.

Os outros profissionais da estrada foram chegando e o comentário geral era mais ou menos nesses termos: - Deixa esse filhadaputa se lascar pra aprender. Augusto retrucou: - Vamos ajudar! Logo convenceu outras pessoas, arrumaram umas cordas e com esforço conseguiram rebocar o caminhão pra fora. O homem ficou tão agradecido e envergonhado que passou por uma transformação radical. A partir daquele dia ele se tornou um dos viajantes mais solidários, um dos que mais ajudavam os outros. Às vezes é preciso afundar na lama pra se limpar.

~

Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. (...)
Wikipedia