Versão ultra-curta para twitter do meu conto Pura Sorte - que já é bem enxuto:
Matava a tiro. Preso, quebralham-lhe 5 dedos. Fugiu. Menino curioso: - Que foi? Ele: - Acidente de trabalho. Mas sou canhoto.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
#tuiteumcurta
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Grandes autores catarinas
Regininha Carvalho, que dia desses cometeu bloguicídio pra se dedicar mais tempo à literatura, volta a atacar na blogolândia, agora com Grandes autores catarinas, aproveitando material de pesquisa que está fazendo pra um livro sobre seu avô. Diz ela:
Não existe, atualmente, melhor meio pra divulgação que a internet, temos que reconhecer... Colocarei poetas, contistas e cronistas, talvez ensaístas, desde que tenham sido publicados em livro, sem pensar em se estão vivos ou mortos. Basta que sejam bons! Acho que 'cês vão gostar dele!Adorei. Regininha aceita sugestões de autores e textos. E de cara, compartilha um conto belíssimo de Flávio José Cardozo, lido pelo autor durante uma oficina na Academia Catarinense de Letras: Eles apenas saíram, publicado no livro Guatá, de 2005. Sou pai de dois meninos, impossível não chorar. O início:
Eu muitas vezes penso que eles apenas saíram. Foram levar as marmitas e não tiveram vontade de ir para a escola, então saíram para um passeio pelos eucaliptos, por aqueles morros. Saíram por distração, travessura. Foram olhar nossas casas mais do alto e a Serra um pouquinho mais de perto, logo estarão de volta.
Dulcídia não conhece tristes cantares de outras terras, canções para outros meninos. O que sabe, com murmúrios e silêncios, é que seus meninos apenas saíram. Estão por aí, pelos morros, pelos eucaliptos. (...)
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Os 140 caracteres como desafio pros microcontos
Do blog Twitteratura:
Robson
“Pescaria? Como eu fui deixar a Lu me convencer?” Perguntava-se, enquanto esperava que a isca fosse mordida. Mal sabia que o peixe era ele.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Oficina de Conto, primeiro dia
Ontem foi o primeiro dia da Oficina de Conto que a Academia Catarinense de Letras está promovendo no Centro Integrado de Cultura. Achei o formato meio cansativo - a tradicional fórmula de longas exposições, seguidas de debate rápido, que termina rendendo menos do que poderia. Mas sempre se aprende e se revê. O professor Lauro Junkes falou sobre o enredo. A importância do conflito pra mover a história, a tensão que se projeta no leitor. A montagem de ações que forma a sintaxe narrativa. Os princípios de unidade artística: concatenação, verossimilhança, coerência, necessidade. As funções do espaço e da atmosfera na ficção. Cada tópico desses renderia dias inteiros de conversa. Falou também sobre a diluição das fronteiras rígidas entre as diferentes formas de expressão literária: crônica, conto, poema, novela, romance. E fez uma recomendação óbvia, mas muitas vezes esquecida pelos aspirantes a contista: ler os mestres, ler muito. E praticar.
Em seguida os escritores Silveira de Souza e João Nicolau Carvalho falaram sobre seus processos de criação. Gostei especialmente da apresentação de Silveira de Souza, um velhinho simpático e tímido que escreve relatos muito bons. Consultando anotações no papel, ele nos levou ao túnel do tempo de suas memórias de criança, quando descobriu o encantamento da leitura nas obras de Monteiro Lobato, Júlio Verne e depois, Maupassant, Poe, Flaubert, Machado de Assis, Chekov. Lembrou da mesa em que se reunia à noite com os pais e as irmãs pra leituras em voz alta. Contou que dá bastante importância ao ritmo e costuma se inspirar em outras formas de expressão artística, como a música e a pintura. Recordou-nos do ensinamento de Poe, que aponta três características importantes para o conto:
- A narrativa deve provocar no leitor um efeito pré-determinado.
- Deve-se excluir tudo o que não contribui para tal efeito.
- A narrativa deve ser curta, mas não a ponto de impedir que se atinja tal efeito.
p.s.: Ontem fiz um exercício de microconto, mas não sei se me atrevo a mostrá-lo aos acadêmicos. Talvez comentem que "é uma boa idéia a ser desenvolvida"... Enquanto pensam "que sujeito mandrião". Provavelmente têm razão nos dois pontos :)
p.s.2: Falar em mandrião, veja que bela crônica da Regininha!
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Oficina de conto
Regininha dá o toque e passo adiante. A partir de amanhã, em quatro encontros às quintas-feiras das 17h às 19h30, no auditório da Academia Catarinense de Letras, vai se realizar uma oficina de contos. Oportunidade boa pra quem se interessa por literatura e quer ampliar os horizontes trocando idéias com profissionais do ofício e fazendo exercícios práticos.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Segundeiras
Coisas do jornalismo: passei metade da tarde numa interessante conversa sobre polímeros e reciclagem, com um especialista da Engenharia de Materiais da UFSC.
~
Descobri hoje o blog do Zeca Camargo, aquele do Fantástico. Escreve bem o rapaz. Bem articulado, viajado, culto. Um tanto verborrágico pro meu gosto, mas tem o que dizer.
~
O DVD Bob Esponja - O Filme, está passando uma temporada de quatro dias aqui em casa. Repetições incansáveis, entretenimento garantido.
~
No fim de semana vimos Um Bonde Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire, de Elia Kazan, 1951), adaptação da peça de Tennessee Williams. Marlon Brando arrebenta.
~
Terminei de ler Contos de Crime (PocketOuro, 2008), coletânea de Flávio Moreira da Costa. Muita coisa boa. Gostei muito de Marjorie Daw, de Thomas Bailey Aldrich (EUA, 1835-1907).
~
Costa da Lagoa no domingo, com Miguel e com meu sobrinho Érico. Sol e vento sul, anchovinha grelhada no Bela Ilha. Caminhada curta, 40 min, e o restante de barco.
~
Amar é... se molhar todo com um jato de vômito do filho e não sentir um pingo de nojo.
E vamos em frente, que a semana só começou.
O novo conto catarina em Brusque
O novo conto catarina, coletânea organizada pela professora Regina Carvalho da qual tenho a honra de fazer parte com o conto Pura sorte, vai ser relançado em Brusque nesta quinta, dia 7, às 20 horas na Fundação Cultural do município.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Vai-e-vem de livros
Na viagem, li Dias e noites de amor e de guerra, de Eduardo Galeano. Textos curtos com recordações agridoces dos tempos da ditadura no Uruguai, Argentina e Brasil. Estou lendo Contos de crime - clássicos escolhidos, uma coletânea organizada por Flávio Moreira da Costa. Entre os selecionados, contos de Machado de Assis, Maupassant, Poe, Dostoievski, O. Henry, Robert Louis Stevenson, Conan Doyle... Só filé.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
O novo conto catarina: minha colaboração
Meu conto na antologia é este aqui:
--
Pura sorte
1.
Chega a pé. Sol quente, uma e meia da tarde. Casas geminadas sem jardim. Ninguém por ali, só o menino brincando com bolas de gude na calçada.
- Seu pai tá em casa?
- Tá.
Mão no bolso. Nota de cinco.
- Tome. Pra comprar de bala.
O garoto pega o dinheiro, corre para a venda e some de vista.
Sobe o degrau e empurra devagar a porta da frente, entreaberta. Na sala, um homem vê tevê sentado numa cadeira de balanço de plástico trançado. Sorri para o desconhecido, meio sem saber por quê, e se levanta.
- 'Dia. Posso ajudar?
- Licença. O senhor é Joaquim dos Prazeres, do sindicato?
- Eu mesmo.
- Vim lhe trazer uma encomenda.
Dois tiros certeiros. Um no coração, outro na cabeça. Guarda o revólver e sai caminhando sem pressa.
2.
Demorou, mas um dia falhou. Munição velha. O sujeito reagiu, foi preciso usar arma branca. Confusão, gritaria, fuga rápida. Levou rasteira na esquina e foi algemado pelos soldados de polícia. Na prisão, o pão que o diabo. Quebraram-lhe os dedos da mão direita com cabo de fuzil, um a um. Meses depois, grade serrada e rua.
3.
Sol quente, duas da tarde. Dois meninos batem bola no campinho. Faz sinal e eles vêm.
- Conhecem Mané das Dores?
- É meu pai. Tá em casa, aquela verde ali, ó.
Duas cédulas de cinco, eles pegam rápido. O mais novo aponta a atadura na mão do homem:
- Que foi isso?
- Acidente de trabalho. Mas dei sorte. Sou canhoto.
Os meninos saem correndo para a venda. Ele caminha em direção à casa verde e empurra a porta em silêncio.
O novo conto catarina: lançamento
Foi bem legal o lançamento do livro com a coletânea de novos contistas de Santa Catarina. O hall da reitoria da UFSC tava cheio de gente bacana que foi gostoso reencontrar. Conheci alguns companheiros da antologia, como o simpático Charles Silva. Me dei conta de que uma das autoras, a Clarmi, é a mesma com quem estudei francês na Aliança. Combinei com o Marco Vasquez mais uma anchova assada pra breve. Tinha um vinho tinto danado de bom, adequado pra noite gelada de vento sul - nesta madrugada o termômetro chegou a 11 graus em Floripa.
A jornalista Maria Odete, da TV Barriga Verde, me entrevistou e fez uma boa pergunta, embora recorrente em eventos do gênero: por que se lê tão pouco no Brasil? Não me atrevi a buscar uma resposta-síntese de 30 segundos pra uma questão de cinco séculos. Saí-me com um comentário sobre o analfabetismo funcional e sobre a importância da educação em casa. Meu recado pros telespectadores: - Pai, mãe, leiam pros seus filhos. É um presente inestimável que vocês dão pra eles.
Regininha contou algumas histórias curiosas sobre o processo de garimpagem e edição dos textos. Como a do "misterioso" Werner Neuert, de Indaial, que ela teve enorme dificuldade de localizar, inclusive tendo encontrado um homônimo que nada tinha a ver com o escritor. Até que finalmente conseguiu conversar com ele por telefone. Werner se mostrou gentil, mas como não conseguia escolher o conto, enviou um livro inteiro pra ela selecionar. Depois sumiu de novo. Rubens Lunge também enviou um livro inédito sem indicar o conto, mas por outro motivo: tinha acabado de sofrer um acidente de carro. Uma pane no computador fez metade do conto de Moacir Loth desaparecer, problema resolvido a tempo. Outro contista não teve tanta sorte: seu texto evaporou-se e a ausência só foi percebida quando o material já tinha ido pra gráfica.
Fiquei contente em estar nesse livro, principalmente porque não é uma antologia qualquer - é a escolha DA REGININHA, e quem a conhece sabe o que quero dizer.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Livro reúne 31 contos de novos autores catarinenses
Amanhã às 19h, no hall da Reitoria da UFSC, vai ser lançado o livro O novo conto catarina, antologia organizada pela professora Regina Carvalho para fechar as comemorações dos 25 anos da Editora da UFSC. Tive a honra de ter um conto meu selecionado junto aos de outros trinta autores. Os termos "novo" e "catarina" envaidecem este pernambucano quarentão que há 22 anos adotou Santa Catarina como amado porto seguro.
Muitos dos meus companheiros de antologia eu ainda não conheço, ou posso ter encontrado por aí, já que estamos numa ilha. Uns, conheço de nome ou de ler - Dennis Radünz, Maicon Tenfen, Aleph Ozuas. Com outros convivi em situações profissionais e sociais: Raquel Wandelli, Moacir Loth, Rubens Lunge, Marco Vasquez... O Marco é um contato recente: dia desses almoçou na minha casa e fizemos uma fogueirona no quintal pra assar tainha enquanto falávamos de literatura e da vida. Estar ao lado de tantos feras é um grande estímulo pra que eu me dedique mais à ficção. É um desejo muitas vezes colocado em segundo plano por causa das correrias do jornalismo. (p.s.: será? Anotação mental: escrever sobre isso).
Meu conto nesta coletânea se chama Pura sorte e foi publicado aqui no blog em julho de 2002. É inspirado num personagem real que viveu no interior do Ceará - com boas pitadas de invencionice pra temperar o enredo. A narrativa de aldeia aborda um tema universal sempre presente nas histórias sertanejas que eu ouvia na infância: a violência e seus agentes, com todas as contradições que carregam. O protagonista é um humano da pior espécie, pistoleiro de aluguel, mas tem uma "ética" profissional - que o impede, por exemplo, de matar as vítimas na presença de crianças. Se você encontrou semelhanças de forma com Dalton Trevisan e Eduardo Galeano, não é coincidência. Sou grande admirador da prosa sintética, despojada e forte dos dois escritores, e este conto foi um exercício de aprendiz.
Seus comentários são bem-vindos. E se estiver em Floripa nesta terça, venha tomar um vinho com a gente.
Contatos com a organizadora do livro, Regina Carvalho, podem ser feitos pelos telefones (48) 3225-9706 e 9976-7567 ou pelo e-mail regininha_carvalho@yahoo.com.br. Conheça também o blog dela, Coisas de Regininha. O número da Editora da UFSC é (48) 3721-9408.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Meias vermelhas & histórias inteiras
Li de uma só tacada Meias vermelhas & histórias inteiras, de Marcos Donizetti. Em 73 páginas, o autor do blog Hedonismos demonstra - sem se exibir - que tem domínio sobre a narrativa curta, aquela em que o escritor precisa vencer por nocaute, como lembra o Inagaki na introdução, citando Cortázar. As histórias fluem como conversas ao som de música. Júlia, Lurdinha, Laura, Fernanda, Débora, Ana Lúcia... Lucas, Júlio, Rodolfo, Jorge, João, Álvaro. Os personagens podiam ser nossos vizinhos, namoradas, maridos. Podiam ser nós mesmos em nossas vidas banais ou extraordinárias, dependendo do ângulo em que se veja.
Doni conhece o ofício. Ele lida bem com a passagem do tempo e com a reversão de expectativas - às vezes só pra confirmar o que o leitor já intuía. As histórias são temperadas com humor discreto, fetiches e sexo gostoso, mas o mote mesmo é amor. Com suas possibilidades e impossibilidades, palpitações, euforias e, quando acaba, seus efeitos devastadores. Quem já deu ou levou pé na bunda, quem guarda recordações agridoces de paixões da infância e adolescência vai se identificar. O livro também é flecha certeira pros que descobriram a mulher ou o homem de suas vidas.
Gostei muito do primeiro e do último conto, Júlia e A estrela é morta, que a gente lê ouvindo na cabeça a linda música de Lennon. Débora, com as pausas do narrador pra encher o copo, tá redondinho e divertido. A menina aborda a paixão platônica de uma maneira inusitada; tem uns ecos de Allan Poe. Vingança quente, conto de cinco parágrafos, é muito engraçado; pras mulheres captarem a essência, precisam se imaginar homens. Beijos foi esculpido com memória e arte; é talvez o meu favorito. Umas poucas histórias eu achei dispensáveis, dão a impressão de terem saído da incubadora antes do tempo. Mas elas não prejudicam o todo.
Guarde o nome de Marcos Donizetti. Ele ainda vai mostrar belas surpresas em forma de letra impressa (enquanto isso, dá pra apreciar o estilo do cara no seu ótimo blog). Meias vermelhas & histórias inteiras pode ser comprado pela internet na Editora Os Viralata, de literatura independente. Custa 19,90 dinheiros, já incluído o frete do correio. Você pode conferir aqui outras opiniões sobre o livro. Tem também uma comunidade no Orkut.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Você precisava ver como ela tremia
Bom demais acordar dando risada. Quem me ajudou nisso hoje foi o blog de Rafael Galvão e sua enciclopédica série As alegrias que o Google me dá. Ele comenta as frases que aparecem nas estatísticas de busca (cheguei via Inagaki, que escreve aqui sobre os caça pára-quedistas do Google). Uma pequena amostra:
simpatias para homem ser só seu
Arranje um homem feio, burro e pobre. Você deve ser do tipo que prefere comer um prato de bofe sozinha a dividir uma porção de caviar.por que o brasileiro não reconhece suas qualidades
Porque passa tanto tempo sem ver as coitadas, sem ligar para elas, sem nem saber que existem, que quando as encontra por acaso na rua não sabe mais quem são.sorte de hoje com o amor
A sua, minha filha? Nenhuma. Nenhuma, mesmo. Jogue no bicho que você ganha mais.manual do suicídio
Juro que se tivesse um eu te dava. Te mandava por Sedex, até entregava pessoalmente. Porque se até para se matar você precisa de um manual, a coisa está realmente feia e você não tem mais jeito.frases no preterito mais que perfeito
eu quero ver fotos de goiania
O pretérito mais que perfeito é um absurdo da língua portuguesa que deveria ser imediatamente extinto. Porque não existe um passado perfeito, muito menos um "mais que perfeito": todos eles são imperfeitos, em todos mudaríamos alguma coisa, de todos nos arrependemos.
Por quê? Tanta coisa bonita por aí -- Paris, Roma, Praga, Salvador ou Rio -- e você quer ver fotos de Goiânia. Já sei: você é michê, né?
putaria com velho
A única putaria que se pode fazer com velho é tirar a roupa na frente dele e cantar: "A pipa do vovô não sobe mais..."pensamentos pequenos
É.você precisava ver como ela tremia
Pois é. É nisso que dá comer velhinhas com Mal de Parkinson.omenagem amae
O melhor presente que você pode dar a sua mãe neste Dia das Mães é tão simples, meu filho: um diploma do Mobral. Ela vai chorar de emoção, você vai ver.basicamente o que é o racismo brasileiro
Basicamente é o seguinte: branco sacaneando preto. E se você não percebe nem isso, você está basicamente com um sério problema.como o capitalismo influencia na minha vida?
Para que eu explique isso, é preciso que antes você faça um depósito na minha conta.posição sexual melhor para mulher gorda
No escuro.mulheres reclamam penis pequeno
É uma medida extremamente válida de proteção feminina contra a canalhice masculina. É usada como último recurso. Se você a tratar bem, ela vai relevar essas miudezas. Mas não apronte com ela. Porque você dificilmente sobreviverá à crueldade de uma mulher magoada.qual o tamanho do pinto de um japones
É maior que o seu. Ou seja: nem isso você vai ter como consolo. Conforme-se.bater punheta cresce o penis?
Diz aí: se aumentasse você hoje seria um sujeito feliz e enooooorme, não é?como é uma vagina fotos
Quando eu parar de rir, te explico.
A diversão de Rafael também rende contos hilários, como Branca de Neve, baseado nas palavras-chave historia branca de neve contada pelo anao.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Túnel do tempo: 25 de agosto de 2006
Anotações para um conto erótico de ficção científica
A lenta resposta do corpo em relação à velocidade do pensamento é frustrante para muitas pessoas, em especial os escritores. Esse descompasso aumentou em meados do século 21, quando o ato de blogar já havia se tornado compulsão mundial e o pensamento ganhara o aditivo das hipervitaminas - sem que, no entanto, houvesse ganho substancial na qualidade das cousas pensadas.
Foi aí que um cientista, associando a biotecnologia ao princípio das redes neurais, inventou o revolucionário Think-Blog. O pequeno aparelho, conectado por um sistema wireless ao cérebro do indivíduo, possibilitava blogar de imediato o que passasse pela cachola. E ainda projetar textos e imagens em superfícies planas, côncavas ou convexas.
Palmira foi uma das primeiras a comprar o aparelho, ainda em fase beta - sem corretor ortográfico nem editor de desejos reprimidos. Mal imaginava ela o arranca-rabo que seu holoblog iria provocar com o marido Pandolfo, com o personal-trainer Ricardito e com a sogra, dona Matilde...
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Túnel do tempo: 6 de dezembro de 2002
Argumento de um conto
Inverno rigoroso, escala de vôo numa capital do Leste Europeu. O avião não pode decolar por causa da neve. A contragosto, os passageiros precisam esperar e são levados a um hotel, pago pela companhia aérea. O homem aproveita para lembrar da família, mulher e filho pequeno que estão em Montevidéu. No dia seguinte, vai ao aeroporto e tenta embarcar, mas a tempestade de neve continua forte. Retorna ao hotel. A noite transcorre parecida com a anterior: banho, jantar e cama. De manhã cedo ele tenta mais uma vez. Novo adiamento. A rotina se repete, como num limbo. Na manhã seguinte ele retorna ao aeroporto e finalmente o informam que seu vôo vai partir. No saguão, fica próximo de um casal de adolescentes de seus 17 anos e escuta a conversa deles. Aparentemente, conheceram-se na viagem e se sentem atraídos um pelo outro. Contam suas vidas. O rapaz diz que é uruguaio e comenta: "Neste mesmo aeroporto, há muitos anos, meu pai morreu de acidente aéreo durante uma tempestade de neve". O homem olha bem para o rosto do rapaz e toma um susto: é seu próprio filho!
O autor do conto (que é bem melhor que meu resumo) é Mário Benedetti, grande poeta e dramaturgo uruguaio. Li há seis anos, durante uma longa viagem de ônibus à Patagônia, e fiquei bastante impressionado.



