Começa hoje em Porto Velho a sétima edição do Fest Cine Amazônia. Espírito de Porco está na programação. O evento visa "divulgar, integrar e promover discussões em torno da produção de cinema e vídeos nacionais e internacionais, legendados ou narrados na língua portuguesa, em especial, que tenham como temática central o meio ambiente". No último fim de semana de novembro o porco esteve no festival Ventana Sur, em Buenos Aires, voltado para produtores e distribuidores de cinema da América Latina.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
O porco na Amazônia e na Argentina
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Devastação S/A é finalista do Prêmio Esso
A reportagem Quem se beneficia com a devastação da Amazônia, que fiz junto com os colegas Marques Casara, André Campos, Carlos Juliano Barros, Leonardo Sakamoto, Paola Bello e Sérgio Vignes, é finalista do Prêmio Esso de Jornalismo 2009! Para apontar os 38 trabalhos finalistas, as comissões examinaram 520 reportagens, séries de reportagens ou artigos. Estamos entre os três selecionados na categoria Informação Científica, Tecnológica e Ecológica. A reportagem investigativa, publicada na revista do Instituto Observatório Social, mostrou como funciona o esquema de "esquentamento" de madeira extraída ilegalmente da floresta amazônica. Também revelou os nomes de várias empresas brasileiras e estrangeiras que ganham com o negócio da madeira ilegal. O Esso é o mais importante e tradicional prêmio de reconhecimento do mérito jornalístico no Brasil, com 54 anos de existência. Os resultados vão ser anunciados pela comissão julgadora no dia 8 de dezembro no Rio de Janeiro.
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Em 2003, a reportagem Mineração predatória na Amazônia Brasileira, de autoria de Marques Casara, que editei para a revista do Observatório Social, ganhou o Esso na mesma categoria em que concorremos agora.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Castelo dos Sonhos: entrevista com Tatiana Cardeal
Há poucas semanas contei sobre um prêmio que minha amiga Tatiana Cardeal, fotógrafa documentarista, foi receber na China. Pois mal retornou ao Brasil, ela já recebeu outro: o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em parceria com Marques Casara, com a reportagem Castelo dos Sonhos [pdf], sobre exploração sexual de crianças e adolescentes ao longo da BR-163. Nesta entrevista, Tatiana conta como foram os bastidores dessa apuração.
DVeras em Rede - Como foi o desafio de fazer uma reportagem fotográfica sobre um tema que envolve tantos aspectos delicados do ponto de vista psicológico, legal e de segurança?
Tatiana Cardeal - Foi difícil, mas desafiador, e eu gosto muito dos desafios que me trazem um sentido. Não sou exatamente uma fotojornalista, meu trabalho é mais documental e bem mais lento, então, em no início achei que poderia não funcionar bem, mas acabei me surpreendendo bastante com minhas próprias reações. Fotografar escondida ou em risco não é a minha rotina, nem algo que eu tenha prazer em fazer. Houve momentos em que tive muito medo e outros em que surpreendemente me vi coordenando a situação com certa excitação para obter a melhor momento/ângulo de uma foto. Havia uma série de cuidados sobre o que fotografar e quando fotografar, não dava pra chegar clicando. Também havia o desafio de encontrar imagens fortes e/ou sensíveis que contassem a história e que fossem publicáveis, já que não se pode expor as imagens das vítimas da exploração sexual.
O que mais a impressionou? Houve momentos em que você hesitou em clicar?
Tatiana - Muitas coisas me impressionaram. Como cena, uma das mais impressionantes foi quando chegamos e passamos pela "avenida principal" de Castelo. Um grupo de cerca de sete meninas, muito novas (acho que entre 12 e 15 anos), semivestidas, sentadas na mesa de bilhar da varanda do boteco/bordel. A ausência do poder público alí impressiona, assim como as péssimas condições da estrada de terra (foram 6 horas para cobrir os 200 km), que separa Castelo da "civilização", uma área erma onde praticamente não se encontra nada. Como referência, a região é próxima de onde caiu o Boeing da Gol em 2006, e que foi uma enorme dificuldade de mobilidade para o próprio exército. Também me impressionou muito a cena de uma garota franzina de 12 anos amamentando seu bebê; e em especial a "normalidade cultural" com que o sexo com menores é tratado, ao mesmo tempo em que provoca vergonha e receio nas famílias da vítimas.
O momento em que hesitei não foi pela imagem da foto em si, mas pela pressão psicológica em que estava. A gente já sabia da fama violenta da cidade... um conselheiro tutelar de outra cidade entrou em pânico quando o Marques decidiu que precisávamos ir lá. Mas já em Castelo, depois de entrevistar o jornalista que estava ameaçado de morte, e ele mostrar uma série bizarra de fotos que fez dos assassinatos da região (que não aguentei ficar vendo, porque não eram somente corpos assassinados, mas mortes decorrentes de violência bizarra e brutal, com técnicas de tortura requintadas e sádicas, que expunham os corpos posteriormente como "mensagem" para a população local), e eu ainda precisava fazer duas últimas fotos, em público, na avenida principal e na delegacia. Eu estava tão chocada com o depoimento e a brutalidade das imagens do jornalista, que o Marques praticamente me empurrou pra fora do carro para fotografar.
Pode contar um pouco sobre o lado técnico de fazer uma cobertura fotográfica na umidade amazônica? Como você lida com o dilema entre a necessidade de carregar equipamento pesado e a de ser discreta?
Tatiana - Bom, a Amazônia é gigantesca, e oferece condições climáticas variadas. No caso dessa região no norte do Mato Grosso, não fomos na época das chuvas, então eu tinha mais preocupação com o poeirão vermelho da estrada de terra do que com a umidade, vivia protegendo a câmera e limpando. Já no Amazonas, em São Gabriel da Cachoeira encontramos temperaturas altíssimas com extrema umidade, a ponto de a cola do espelho da minha câmera derreter (e da filmadora parar de funcionar subitamente algumas vezes). Consegui colar novamente o espelho com uma versão enigmática de SuperBonder, a TreeBonder, única alternativa disponível na cidade indígena... por sorte colou e resolveu. Outra coisa que ajudou é ter uma mochila tropicalizada, que veda 100% contra chuva, e até protege na queda do equipamento na água (a mochila fica boiando no caso de uma voadeira virar...).
Normalmente não carrego muito equipamento. De mais pesado são duas cameras, três lentes médias e um flash. Se não ía muito longe, só uma camêra. Mas nada que não caiba em uma mochila média e que eu não possa levar.
Admiro a maneira como você reorientou a carreira bem-sucedida de diretora de arte para recomeçar - e obter reconhecimento internacional - na fotografia de temas sociais. O que moveu você nessa mudança e como ela se deu?
Tatiana - Obrigada, Dauro, mas saiba que essa mudança de carreira não foi nada muito planejado. Acho que tive uma boa dose de sorte, pois ao sair da Editora Abril eu já sabia que queria continuar na área social e não queria mais fazer revista puramente comercial. Estava fazendo uma pós graduação em Mídias Interativas, algo meio novo e experimental na época, e que me deixou bastante antenada com as possibilidades da internet. Fui publicando imagens de temas que me interessavam e pesquisas visuais que eu fazia como estudo e hobby. Aí fui recebendo um grande feedback que me encorajou a continuar produzindo mais e que aos poucos tornou-se trabalho. Ainda naquele período, algumas redes que eu frequentava e publicava só falavam em inglês, e acredito que foi aí que o trabalho ganhou alguma projeção fora daqui.
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Leia também a entrevista com Marques Casara.
Por Dauro Veras às 16:08 |
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Castelo dos Sonhos: entrevista com Marques Casara
Meus amigos Marques Casara e Tatiana Cardeal ganharam menção honrosa na trigésima-primeira edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais conceituados do Brasil. A reportagem deles, Castelo dos Sonhos [pdf], publicada na revista da ong Childhood Brasil, desvenda uma rede criminosa de exploração sexual de crianças de adolescentes na BR 163. Nos últimos anos, Marques tem faturado vários prêmios "correndo por fora" da grande mídia. Suas reportagens investigativas bancadas por organizações do terceiro setor são um grande incentivo para quem acredita que é possível fazer jornalismo independente com qualidade. Fiz esta entrevista com ele por e-mail.
DVeras - Sobre o que é a reportagem Castelo dos Sonhos e o que ela traz de novo?
Marques Casara - A pauta foi proposta para a revista da organização não governamental Childhood Brasil, que desenvolve projetos ligados ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O objetivo seria percorrer a BR 163 e identificar locais de exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas, em postos de combustível e prostíbulos. O projeto foi aceito e financiado pela ONG.
Ao chegar na região Norte do Mato Grosso, a reportagem tomou outra proporção, pois identificou uma rede criminosa organizada de aliciamento de crianças e adolescentes nas cidades de Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto Azevedo, todas localizadas próximas à divisa com o Pará. Os aliciadores levavam as adolescentes para a cidade de Castelo de Sonhos, um distrito de Altamira localizado a 1.200 km da sede do município. O lugar é de difícil acesso, o que facilita o trabalho das redes de exploração. Tem apenas 3 policiais militares e um delegado que anda a pé por falta de viatura. Uma região sem lei e onde a exploração sexual de crianças e adolescentes acontece a céu aberto. O único jornalista da cidade passou 10 dias escondido no forro de uma casa para não ser morto e hoje recebe proteção especial do governo. A reportagem serviu para alertar as autoridades e mobilizar o governo do estado a tomar providências em relação ao problema das adolescentes. Uma reportagem como essa sempre muda o cenário, alerta as autoridades e outros jornalistas.
Conte um pouco sobre como foi a apuração. Durou quanto tempo? Quais foram as principais dificuldades e surpresas?
Casara - O assunto veio à tona em conversa com uma fonte na região. A apuração durou duas semanas. Foi trabalhoso localizar as famílias das adolescentes e mais trabalhoso ainda convencer mães e avós a contar o problema. Além do medo de represálias, sempre há um certo constrangimento em admitir que uma ou mais filhas foram aliciadas por redes que lucram com a exploração sexual. As famílias moram em cidades na divisa do Mato Grosso com o Pará. Chegar a Castelo de Sonhos também foi muito trabalhoso. São 200 km de uma estrada praticamente intransponível a partir da divisa. Cerca de 40 quilômetros após a partida, estourou o amortecedor dianteiro direito. A opção era desistir ou seguir em frente. Fomos em frente, arriscamos.
Castelo de Sonhos é um lugar sem Lei, sem Poder Público, sem força policial. O lugar é muito violento. Chegamos disfarçados e passamos uma noite. Na manhã seguinte, tivemos a sorte de encontrar uma amortecedor da mesma marca e modelo do carro. Só então revelamos nossa condição de jornalistas. A partir dai, foi uma corrida contra o tempo. Em três horas visitamos os locais onde ocorrem a exploração e fizemos as entrevistas e as fotos. Precisávamos sair da cidade antes de qualquer reação. No caminho de volta fomos seguidos por cerca de 80 quilômetros por uma caminhonete ocupada por três homens. A perseguição parou quando entramos em um canteiro de obras de uma barragem que está sendo erguida na região da Serra do Navio. Paramos em frente a um restaurante. A caminhonete nos seguiu e parou a menos de 30 metros. Após alguns minutos, deu meia volta e retornou a Castelo de Sonhos. Sem sair do carro, comemos duas latas de atum com pão e guaraná. Pegamos a estrada e chegamos a Guarantã do Norte sem maiores problemas. Se não tivessemos encontrado o amortecedor certo, teríamos um pouco mais de trabalho.
Como é a logística de fazer uma reportagem investigativa na Amazônia, lidando com um tema delicado e potencialmente arriscado tanto para vítimas quanto para repórteres?
Casara - A logística é imitada pelos recursos. A apuração é limitada pelos riscos. Estávamos com um carro de passeio quando deveríamos estar em um 4x4. Isso aumenta os riscos de quebrar o carro. Também dificulta uma saída rápida em caso de necessidade. A reportagem também é limitada pelas distâncias e pelas condições das estradas, o que torna tudo mais caro e trabalhoso. O assunto é complexo, as famílias não gostam de falar sobre isso. A corrupção também dificulta a apuração e aumenta os riscos, pois autoridades ganham dinheiro acobertando criminosos.
É preciso jogar com todos esses fatores. É preciso também antever os riscos, estar sempre um passo à frente. É necessário jogar com o fator surpresa, com a rapidez e com toda a experiência acumulada. Os principais erros acontecem por causa da afobação e do medo. Os três segredos da reportagem de risco são os seguintes: 1) Mantenha a calma; 2) Mantenha a calma; 3) Mantenha a calma.
Você acredita que a reportagem de vocês pode transformar a realidade dessas adolescentes? Já transformou desde que foi publicada?
Casara - Reportagens como essa sempre mudam o cenário. Servem de alerta, inspiram novas matérias. Uma violência como essa, quando vem a tona, atrapalha a vida dos criminosos e estimula as autoridades. Algumas autoridades são estimuladas a aumentar o valor da propina, outras, honestas, são estimuladas a resolver o problema.
Este é o seu segundo prêmio Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O que isso representa para você como jornalista que atua com entidades do terceiro setor, sem o apoio da grande mídia?
Casara - Não me interesso mais pela grande mídia. Desde o ano 2001 atuo exclusivamente para organizações que não estão vinculadas ao jornalismo industrial. Posso fazer um jornalismo mais libertário e revolucionário. Não estou limitado pelos interesses comerciais das empresas de comunicação. Hoje, o que dá lucro para essas empresas é o jornalismo de entretenimento, mesmo quando disfarçado de "investigativo". Desde que sai desse circuito ganhei um Prêmio Esso e dois Herzog. É um bom referencial. Estou construíndo um caminho próprio, sem holofotes mas com muita realização pessoal. Uma dica pra quem tá começando na profissão: todo jornalismo é investigativo. Se não é investigativo, não é jornalismo.
Por Dauro Veras às 15:21 |
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
Banho
Esta foto foi tirada em 1970 nos arredores de Manaus, que na época tinha uns 100 mil habitantes (hoje tem 1,7 milhão). Um passeio frequente que fazíamos era ir aos "banhos", lugares onde passam igarapés, pra assar peixe e curtir o mato. Boa parte desses riachos cor de mel se transformaram em esgotos fétidos no entorno da metrópole inchada. Mas no momento em que esse instantâneo foi tirado, tudo isso era só o futuro imprevisível.
Tenho quatro anos e estou sentado ao lado de minha mãe Sara. Meu mano André, com dois anos, está no colo da nossa babá Inês - cearense que ajudou a nos criar e, encantada com Manaus, terminou ficando por lá, onde vive até hoje, trabalhando para uma congregação de padres (um dia conto mais sobre as histórias fantásticas que ela contava pra gente dormir). No fundo, de pé, à esquerda está meu pai Camillo e à direita meu cunhado Pedrão, que na época ainda era namorado da minha irmã Lubélia - provavelmente ela é a autora da foto.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Webleituras
A World of Risk for a New Brand of Journalist
"As the journalists Laura Ling and Euna Lee complete their third month of detainment in North Korea, it remains rather astonishing that they were there in the first place to report for a fledgling cable channel. But their path there may explain in part why they remain in custody".
Brian Stelter, NY Times, sobre os perigos do jornalismo freelance.
Every news organisation should have a data store
"Is this a natural extension of the blogging culture of linking to your sources? I think it is. And the more journalists get used to publishing their work on the likes of Google Spreadsheets, the better journalism we will get".
Paul Bradshaw, no Online Journalism Blog, sobre o uso de bancos de dados para contar histórias.
Banco Mundial rescinde contrato com a Bertin e exige dinheiro de volta: Amigos da Terra pede que o BNDES faça o mesmo
"Amigos da Terra - Amazônia Brasileira anuncia que, após três anos de acompanhamento, conseguiu confirmar, na noite de ontem [12.6], um importante objetivo de campanha: fazer com que a International Finance Corporation (IFC), braço para setor privado do Banco Mundial, voltasse atrás em sua decisão de financiar a expansão na Amazônia do frigorífico Bertin..."
Essa decisão deve ter muitas repercussões.
Exclusif : nous avons retrouvé le tome 4 de "Millénium"
"Cette fois, c'est certain : il existe bien un tome 4 de « Millénium ». Trois Suédois, fans du polar posthume de Stieg Larsson, sont parvenus à s'introduire dans l'ordinateur de l'auteur, alors entre les mains de sa compagne, Eva Gabrielsson".
Reportagem de Rue 89 sobre a invasão, por hackers, do computador da viúva de Larsson e o vazamento do quarto volume que dá sequência à trilogia noir.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Devastação S/A
Quem se beneficia com a destruição da Amazônia?
A 15ª edição de Observatório Social Em Revista é resultado de nove meses de investigação jornalística que mostraram como funcionam redes de negócios implicadas em crimes ambientais e trabalhistas na Amazônia. As informações colhidas permitiram fechar os elos de uma corrente perversa, que começa no interior da floresta e termina na casa de consumidores em todos os continentes. Organizada em duas partes, a revista mostra as fraudes e os esquemas de desrespeito ao meio ambiente e aos trabalhadores dentro e fora do Brasil. Na primeira parte, é revelado um esquema milionário de exportação de madeira retirada ilegalmente da Floresta Amazônica, envolvendo as maiores empresas mundiais dos setores de pisos e móveis. A segunda parte mostra como funciona o comércio interno da devastação florestal, detalhando as irregularidades relacionadas aos mercados de madeira, soja e pecuária no Brasil.
Por André Campos, Carlos Juliano Barros, Dauro Veras, Leonardo Sakamoto, Marques Casara, Paola Bello e Sérgio Vignes.
Para fazer o download da versão completa da revista, clique aqui. [pdf, 1,67 MB]
Para fazer o download da revista em resolução mais alta, ideal para impressões destinadas a jornais murais e demais exposições públicas, clique aqui. [pdf, 4,84 MB]
Para baixar partes específicas, clique no link correspondente, no sumário a seguir:
Editorial
Quem se beneficia com a destruição da Amazônia
Devastação S/A
Entrevista: Valmir Ortega
Conexão São Paulo-Amazônia
Quem ganha com a devastação
São Paulo, consumidor voraz
Pecuária é setor problemático
Mais boi que gente
Soja avança sobre Amazônia Legal
Povos indígenas ameaçados
Financiamento: investimento de risco
Notas institucionais
Para solicitar a revista impressa, clique aqui.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Devastação S/A
Estou em "semiférias" de uma semana no Ceará, onde vim pro casamento da minha irmã. Antes de viajar, deixei uns posts pré-agendados pra distrair vocês e pretendia sumir do blog por uns dias, mas volto em edição extraordinária com este press-release:
Observatório Social revela esquema de exportação de madeira do desmatamento
Reportagem publicada pela revista do Observatório Social mostra como funciona a exportação de madeira oriunda de áreas desmatadas. Funcionários públicos corruptos e grandes empresas de exportação estão envolvidas no esquema. Gigantes do setor, sediadas nos Estados Unidos, Ásia e Europa, compram a madeira da devastação.
Gigantes internacionais dos ramos de beneficiamento e de comercialização de madeira estão ligados a um esquema milionário que transforma madeira retirada ilegalmente da Floresta Amazônica em produtos legalizados. Entre os envolvidos estão órgãos ambientais e grandes exportadoras. A madeira é vendida para as maiores cadeias de vendas de pisos e móveis nos Estados Unidos, Europa e Ásia, muitas delas detentoras de selos de certificação de madeira. A reportagem completa está na próxima edição da revista do Observatório Social, que será lançada no próximo dia 10, em São Paulo. A revista vai revelar quais são as empresas envolvidas, tanto no Brasil quanto no exterior.
Segundo a revista, de 70% de toda a madeira comercializada no estado do Pará, maior vendedor de madeira amazônica no Brasil, tem origem ilegal. Essa madeira passa por um processo de “esquentamento” que funciona dentro de órgãos do governo. Autoridades do Ministério Público Federal e do Ibama confirmam o esquema e apontam o envolvimento da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Ao lado de empresas fantasmas, de empresas que devem milhões em multas ambientais e de empresários que respondem por falsidade ideológica e escravidão de trabalhadores, grupos internacionais se beneficiam com o esquema. Entre os maiores, a dinamarquesa DLH Nordisk, o grupo europeu Kingfisher, das marcas Castorama e Brico Dépôt, e a norte-americana Lumber Liquidators, do milionário Tom Sullivan, patrocinador de programas como Dream Home, do canal Home and Garden Television, e Extreme Makeover: Home Edition, do canal People+Arts.
Serviço
Lançamento de Observatório Social em Revista, edição 15
Data: 10 de junho de 2009
Horário: 10h
Local: Auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Rua Libero Badaró, 158. Centro. São Paulo
Mais informações
Paola Bello
Editora-assistente
paola [arroba] os.org.br
(11) 8559 6758
Marques Casara
Editor
marques [arroba] os.org.br
(11) 9353 2311
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Anotação de leitura: a Amazônia é o homem
Do excelente blog do fotógrafo Pedro Martinelli:
... Nossas crianças aprendem sobre a fauna e flora como se todos os bichos estivessem num zoológico distante como a Disney. Falamos sobre os índios, nosso clichê exótico favorito, mas não é legal dizer que as crianças foram criadas comendo tartaruga e veadinhos. Que as araras são flexadas na asa para não morrer e virar uma fornecedora de penas para fazer cocás magníficos que a gente fotografa sem cansar.É uma pena porque são belas histórias, verdadeiras, que ajudariam muito a entender melhor aquele mundo pouco compreendido. Se as crianças desde lado do país soubessem que indiozinhos e caboclinhos não tem padaria, supermercado ou açougue para comprar seus alimentos estariamos garantindo, pelo menos, encontros e conversas sem discriminação no futuro.
sexta-feira, 20 de março de 2009
As marolas do jornalismo alternativo
Recebi hoje uma mensagem do amigo Marques Casara que me deixou muito contente. Não sou de ficar relembrando sucessos passados, mas, mesmo correndo o risco de me acharem cabotino, quero compartilhar esta memória aqui - em especial com quem está começando como repórter e sente desânimo com as perspectivas da profissão.
Quase cinco anos depois, é um registro de que o jornalismo pode contribuir pra um mundo melhor. Neste caso, correndo por fora da mídia hegemônica, numa publicação de terceiro setor que teve tiragem de apenas 4 mil exemplares. Às vezes uma marolinha faz coisas que a gente nem imagina. O e-mail foi dirigido a mim e ao repórter fotográfico Sérgio Vignes, parceiro meu e do Marques nessa reportagem.
Caríssimos,p.s.: A "marolinha" foi a reportagem Escravos do Aço, [revista em pdf, 2,9 MB] que publicamos em junho de 2004, mostrando como as siderúrgicas se beneficiam do trabalho escravo em carvoarias da Amazônia.
um registro para vossas memórias:
Quarta-feira, auditório da Bolsa de Valores de São Paulo. Todas as poltronas ocupadas, engravatados se espremem na porta. A estimativa era a de que 20% do PIB brasileiro estava presente. Tema do encontro: erradicação do trabalho escravo na cadeia produtiva das empresas. Atualmente, 160 grandes empresas são signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Abertura do evento: Caio Magri - Instituto Ethos.
Faz a apresentação e avisa que diversas empresas vão apresentar "cases" sobre como estão enfrentando o problema na cadeia produtiva. Última fala de Caio Magri:
"É necessário fazer um registro. Tudo isso está acontecendo e nós todos só estamos aqui hoje porque, em 2004, o Instituto Observatório Social publicou uma corajosa reportagem sobre o trabalho escravo na cadeia produtiva do aço. A partir daquela reportagem houve uma grande mobilização, houve o lançamento de um primeiro Pacto em Brasilia e que culminou com o Pacto que hoje está em vigor e que nós vamos conhecer aqui na Bovespa".
Na platéia, Paulo Vanucci, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, a cúpula da Bovespa, direção da Petrobrás, grandes siderúrgicas, as maiores cadeias varejistas do país.
Contem para seus netinhos porque vocês merecem.
abraços
Marques Casara
Papel Social Comunicação
p.s.2: Mais sobre trabalho escravo (e links pra outras fontes) aqui no blog.
Por Dauro Veras às 10:30 |
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sexta-feira, 6 de março de 2009
Os cliques de Pedro Martinelli
Pra quem gosta de Amazônia, futebol, viagens e boas histórias, chegou o blog do fotógrafo Pedro Martinelli, um mestre do fotojornalismo. Ouro puro!
[dica da Tati Cardeal, uma fera em fotografia social]
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
UFSC vai ao Pará com o Projeto Rondon
Estudantes de jornalismo, medicina e serviço social da UFSC começaram esta semana a Operação Centro-Norte - nome com o qual foi batizada a missão do Projeto Rondon no município de Monte Alegre, no Pará. O projeto, coordenado pelos professores Sérgio Mattos e Clóvis Geyer, prevê uma série de ações sociais envolvendo crianças, adolescentes, idosos, mulheres em amamentação, educadores, agentes comunitários e a população em geral. É a primeira vez que uma turma do jornalismo da UFSC participa dessa experiência transformadora de conhecer e informar sobre um Brasil que a maioria dos brasileiros desconhece. Tiro o chapéu pro Projeto Rondon, uma das raras iniciativas em que a universidade pública é colocada a serviço do povão. Dá pra acompanhar de perto o trabalho da moçada pela internet, em textos, fotos e, em breve, também em vídeo. Monte Alegre fica perto de Santarém, a 623 km em linha reta de Belém. O Projeto Rondon é promovido pelo Ministério da Defesa com apoio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.
p.s.: O professor @clovisgeyer é tuiteiro. Se tiver tempo, vai enviar alguns dropes de viagem em 140 caracteres.
Por Dauro Veras às 19:54 |
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domingo, 23 de novembro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Amazônia, nome aos bois: vídeo
O caso da madeira é semelhante. Madeireiras sistematicamente multadas por fazer derrubada ilegal de árvores vendem madeira "esquentada" para grandes empresas como a Tramontina e lojas de alto padrão como Louis Vuitton e Empório Armani. O produto chega ao consumidor final, no Brasil e em outros países, como "madeira certificada". A Sincol, com sede em Caçador, Santa Catarina, é a maior exportadora de portas e janelas da América Latina. Embora afirme em seu site que vende madeira certificada, ela é dona de uma madeireira no MT que está sendo processada por invasão de terra indígena, grilagem de terras, derrubada e armazenamento ilegal de árvores. Procurada pelos repórteres, a empresa preferiu não se manifestar. Uma informação que causou surpresa no público: a Pampa Exportações, uma das grandes compradoras de madeira ilegal no Pará, é presidida por um membro do Conselho de Sustentabilidade do Banco Real.
Chamam a atenção na palestra as desculpas para justificar a participação nessas cadeias predatórias. Algumas empresas alegaram que não tinham conhecimento sobre a conduta de seus fornecedores, embora as informações sobre autuações do Ibama e a "lista suja" do trabalho escravo estejam disponíveis ao acesso público. Houve caso em que os repórteres constataram informação falsa no balanço social. Casara exortou o governo a assumir seu papel fiscalizador e as empresas citadas a romper relações com os fornecedores de produtos ilegais. Sakamoto chamou a atenção para a responsabilidade dos consumidores: "Comprar algo é um ato político". Depois da palestra deles, o gerente do Ibama em Altamira (PA), Roberto Scarpari, explicou como funcionam os processos de esquentamento de madeira.
Pacto pela Amazônia
Entre os signatários, informa o Valor Econômico, estão o Pão de Açúcar e o Wal-Mart, a Léo Madeiras, os frigoríficos Friboi e Marfrig, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o Instituto Socioambiental, a Amigos da Terra-amazônia Brasileira, o Greenpeace e o Instituto Ethos. A Febraban foi procurada, mas não respondeu ao convite para aderir.
Ao contrário do que eu imaginava e escrevi ontem, houve boa cobertura da mídia para o estudo sobre empresas que se beneficiam com a destruição da Amazônia. Meu comentário sobre o incômodo que o assunto representa para os grupos de comunicação continua válido. Só que, nas circunstâncias em que foi articulado e divulgado, seria impossível ignorá-lo.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
A destruição da Amazônia: nome aos bois
Vou lhe passar o link pra um estudo que dificilmente terá o espaço que merece na grande mídia, por um motivo simples: suas conclusões são incômodas, contrariam interesses comerciais milionários. As 43 páginas de Quem se beneficia com a destruição da Amazônia (pdf, 9,35 MB), divulgadas hoje à tarde em São Paulo no seminário Conexões Sustentáveis, trazem informações estarrecedoras sobre a voracidade predatória das corporações. Também nos fazem refletir sobre nossa responsabilidade como consumidores. Várias dessas empresas que lucram fortunas às custas do desmatamento ilegal fabricam produtos que provavelmente usamos no cotidiano.
O estudo é iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo. Foi realizado pela ong Repórter Brasil, coordenada pelo jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, e pela Papel Social Comunicação, do amigo jornalista Marques Casara. Eles e uma equipe de colaboradores fizeram uma minuciosa investigação de meses para desvendar alguns elos de diversas cadeias produtivas, que na ponta amazônica têm atividades ilegais em Mato Grosso e no Pará. Esse processo de ocupação predatória, que desrespeita a legislação trabalhista e ambiental e em muitos casos viola direitos humanos, também tem sido financiado pelo Estado brasileiro - por exemplo, através de empréstimos do BNDES.
Segue um brevíssimo resumo com alguns nomes que pincei do texto (a íntegra dos estudos de caso traz preciosas informações de contexto e também as versões das empresas que quiseram se manifestar):
Quatro Marcos. Com sede em MT, é um dos maiores frigoríficos do Brasil. Um terço de sua receita vem das exportações.
O problema: Unidades de abate apresentaram graves problemas ambientais e trabalhistas. A empresa comprou gado de empregador que figura na “lista suja” do trabalho escravo. Por fim, o nono maior desmatador da Amazônia, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, pertence à família que controla o frigorífico.
Friboi. Com sede em São Paulo, é o maior frigorífico do mundo. Tem cerca de 40 mil empregados e faturou R$ 4,7 bilhões no ano passado.
O problema: A unidade do Friboi de Barra do Garças (MT) adquiriu gado de um pecuarista que teve área de sua fazenda embargada pelo Ibama por desmatamento ilegal.
Tramontina. Nascida no RS, fabrica utilidades domésticas. Tem dez fábricas no Brasil e centros de distribuição em cinco países.
O problema: A Tramontina manteve relações comerciais com empresas multadas diversas vezes por beneficiamento e transporte de madeira ilegal.
Sincol. Com matriz em Santa Catarina e filiais em São Paulo, Paraná, Miami (EUA) e Porto Rico, está entre as maiores empresas do setor madeireiro no país.
O problema: A empresa controla a madeireira Sulmap Sul Amazônia Madeiras e Agropecuária, com sede em Várzea Grande (MT), autuada por crimes ambientais e acusada de envolvimento em “grilagem” de terras.
Mahle. Multinacional de origem alemã com sede em Mogi-Guaçu (SP), desenvolve e fabrica peças para a indústria automotiva.
O problema: Um de seus fornecedores utiliza matéria-prima oriunda de garimpos localizados em Altamira (PA) que funcionam sem licença ambiental e não respeitam a legislação trabalhista.
Bunge. Multinacional holandesa, atua no Brasil na produção de insumos e na fabricação de produtos para consumo final na indústria alimentícia. Também fabrica fertilizantes.
O problema: A Bunge adquiriu soja de fazenda com área embargada pelo Ibama.
ADM do Brasil. Terceira maior trading de soja em atuação no Brasil, a Archer Daniels Midland Company exporta grãos e farelo de soja, fabrica biodiesel e produtos alimentícios.
O problema: A empresa manteve relações comerciais com produtor autuado por crimes ambientais na Floresta Amazônica.
Caramuru. Maior empresa no setor graneleiro no país com capital 100% brasileiro.
O problema: Foi identificada adquirindo girassol de produtor autuado por desmatamento em diferentes propriedades.
Esse estudo terá continuidade e trará surpresas nos próximos meses.
Por Dauro Veras às 21:39 |
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Quem se beneficia com a destruição da Amazônia
Um estudo inédito que será divulgado amanhã mostra como a cidade de
São Paulo, principal mercado consumidor brasileiro, também é
responsável pela destruição da Amazônia. A iniciativa é do Fórum
Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo, realizadores do
seminário "Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia", que ocorre
nesta terça (14) e quarta-feira (15).
Realizada pela ONG Repórter Brasil e pela Papel Social Comunicação, a
pesquisa constatou a existência de uma grande rede de "lavagem de
produtos" da Amazônia, que transforma produtos ilegais em legais para
serem comprados por grandes empresas, pelo poder público e financiados
pelo sistema financeiro. Os setores produtivos analisados são pecuária
bovina, plantio de soja e outros grãos, extrativismo vegetal e
políticas de financiamento para atividades produtivas.
Essas matérias-primas chegam a grandes redes varejistas, indústrias
automobilísticas e à construção civil. "O objetivo não é apontar
culpados, pois estes são muitos e incluem todos nós, consumidores",
ressalta Marques Casara, da Papel Social Comunicação. "O objetivo é
relacionar exemplos que sirvam de referência para aprofundar o
conhecimento sobre o tema e a busca de soluções".
A íntegra da pesquisa e os nomes das empresas serão divulgados amanhã
às 14h. Mais informações:
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/1487
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Trabalho escravo e prêmio internacional
Dois grandes ícones da luta contra o trabalho escravo - a Comissão Pastoral da Terra , vinculada à Igreja Católica, e a ong Repórter Brasil - vão receber o prêmio internacional concedido pela Free The Slaves - The Heroes. Reconhecimento merecido pro trabalho do jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, que coordena a Repórter Brasil.
O Saka nos prestou apoio fundamental em 2004 quando Marques Casara e eu fizemos a reportagem Escravos do Aço, sobre siderúrgicas que se beneficiam com o trabalho escravo em carvoarias da Amazônia. A atuação da ong tem contribuído para a libertação de muitos trabalhadores que viviam confinados nos confins da floresta, e também pra prevenção do crime, reabilitação dessas pessoas e punição dos culpados - o que tem ocorrido mais na esfera civil que na criminal. Mais recentemente, uma série de reportagens dele denunciou o crime no Paquistão.
Outro papel importante da Repórter Brasil tem sido o de articulação política para pressionar pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo (proposta de emenda constitucional 438/2001), que prevê a expropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores escravizados. A PEC tramita há sete anos no Congresso e sofre forte oposição da bancada ruralista.
Por Dauro Veras às 10:03 |
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
Índios isolados são fotografados no Acre (2)
O amigo Hélio Matosinho comenta a notícia que reproduzi no post anterior. Ele chama atenção pro gilete press (ou, atualizando, Control C + Control V) cometido pela BBC Brasil e reproduzido pelo UOL:
Camarada Dauro,Fui conferir no blog do Altino Machado. O acreano é ex-repórter de O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo. Em sua trajetória, já andou na mira do ex-deputado Hildebrando Pascoal (o da motosserra) e teve que sair do Acre algumas vezes pra não morrer. Altino conta que o caso dos índios isolados não é o primeiro em que suas reportagens foram copiadas e reproduzidas sem o devido crédito da autoria (as fotos são de Gleilson Miranda/Funai). Seu furo sobre as fotos dos índios isolados foi publicado dia 23 de maio na Terra Magazine. O curioso é que, depois da repercussão do gilete press, até jornais do Acre passaram a dar crédito da matéria à BBC Brasil. Conta Altino:
mesmo nesses tempos de blogs em alta, é incrível a força de alguns meios de comunicação tradicionais como o UOL. A notícia dos índios está há uma semana no blog do Altino, http://altino.blogspot.com/, foi publicada no Terra Magazine, pelo próprio Altino, mas só ganhou o mundo quandoo Uol deu a matéria. De toda forma, se quiser ver mais algumas fotos deste registro sensacional, vá até o blog do Edwaldo... http://www.aleac.ac.gov.br/aleac...id=709& Itemid=2
Êta racinha miserável. Espera passar um tempo (cinco dias) e depois publica como se fosse furo deles. Seguem tratando a Amazônia como uma terra exótica, pois não aprofundam na questão que mais preocupa ao sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, que é "O começo do fim da Amazônia peruana", publicado por Terra Magazine antes do furo internacional de sua reportagem.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Estado está ausente em região que desmata
Um dos grandes nós do desmatamento da Amazônia é abordado nesta ótima reportagem de Yan Boechat que saiu ontem e hoje no Valor Econômico: a ausência do Estado. Ele esteve em Rondônia e entrevistou diversos atores sociais da atividade madeireira, entre eles as famílias de colonos que prosseguem com a derrubada ilegal da floresta por falta de opções.
Em Rondônia, um terço da cobertura de florestas já desapareceu. Em 1983, pouco depois de ser transformada de território em estado, a área desmatada era de 5,7%. Em 2004, já eram 31,2%, contando apenas as indústrias de transformação de madeira. Rondônia é o estado amazônico que desmatou em maior velocidade e intensidade. Com a bênção do Estado, que nos anos setenta estimulou a derrubada como parte da política de ocupação da região.
Pra quem está num grande centro urbano (às vezes sentado num sofá de mogno sob um telhado de angelim-pedra), não é fácil compreender a complexidade do tema. Há a tendência de rotular de vilão todos os que derrubam árvores e exigir soluções à la Capitão Nascimento. Uma questão levantada durante reunião de representantes do governo com os agricultores sintetiza o dilema:
No turbilhão de comentários desencontrados, Delano pediu a palavra e fez uma pergunta quase inocente, quase sarcástica: 'O doutor pode explicar como vamos viver da terra com as árvores em pé?'. Não teve resposta."Enquanto o Estado não conseguir dar reposta adequada a isso, a derrubada continua, e não adianta chegar de metralhadora naquelas operações espalhafatosas que a mídia tanto gosta de mostrar. Em recente entrevista à BBC (reproduzo aqui citação do boletim eletrônico Alerta Científico e Ambiental), o ministro Mangabeira Unger foi questionado sobre o que o desenvolvimento sustentável realmente significa e do que necessita. A resposta dele vai ao encontro dos anseios identificados na reportagem do Valor. Mas do diagnóstico à solução dos problemas - entre os quais a complicadíssima questão fundiária - há uma distância amazônica:
Há três pré-condições fundamentais. A primeira é a questão da propriedade da terra. Temos que esclarecer a titulação e a posse da terra. O segundo pré-requisito é que se faça um zoneamento ecológico e econômico da Amazônia, que possa definir uma estratégia para a Amazônia sem floresta, não só a que foi desflorestada, mas também aquela parte que nunca teve floresta, e outra para a Amazônia com floresta. A terceira pré-condição é a construção de um regime regulatório e fiscal que garanta que a floresta em pé valha mais do que a floresta cortada. Uma vez que essas pré-condições estejam satisfeitas, podemos tocar os quatro principais pontos de trabalho que nos foram dados para dar um conteúdo prático à idéia de desenvolvimento sustentável. (...)Ele prossegue falando dos quatro pontos: a tecnologia apropriada para a floresta tropical; a organização de serviços ambientais avançados na Amazônia; o regime de propriedade sob o qual a floresta será gerida, e o desenvolvimento da ligação entre a floresta e as indústrias. Como o próprio ministro reconhece, é mais fácil falar do que fazer.
Por Dauro Veras às 08:10 |
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