Santa Catarina foi objeto de reportagem do jornalista Erik Hagen, da ong Norwatch - organização que monitora as atividades das corporações norueguesas pelo mundo -, exibida ontem na tevê nacional da Noruega. A Bunge (americana) e Yara (norueguesa), com apoio do governo do estado de SC, planejam construir uma mina de fosfato que pode detonar a Mata Atlântica em Anitápolis, a 100km de Floripa. O projeto ameaça animais em risco de extinção, mananciais e a segurança da população da região. É tão temerário que foi congelado em liminar concedida pela Justiça Federal e confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região. As empresas recorreram.
Uma versão escrita da reportagem está no site da Norwatch. O bicho vai pegar no país escandinavo, pois a Yara, por ser parcialmente estatal, é de grande interesse público. E o governo norueguês fica de saia justa, pois no ano passado anunciou a doação de um bilhão de dólares até 2015 para um fundo de conservação da Amazônia. Imagino - talvez esteja sendo otimista em excesso? - que a pressão dos contribuintes vai terminar levando a Yara a rever seu projeto predatório. Quanto à Bunge, até agora, repercussão zero nos Estados Unidos. Alguém aí chama o Michael Moore?
p.s.: Dica pra ler reportagem em norueguês, em tradução automática imperfeita, mas aceitável: abrir o http://translate.google.com e colar no formulário o endereço do site. O resultado está aqui. Dá pra fazer o mesmo com as duas outras partes do texto (1 e 2).
sábado, 28 de novembro de 2009
Fosfateira de SC na mídia norueguesa
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Liminar impede construção da fosfateira de Anitápolis
Uma liminar concedida ontem pela juíza federal substituta Marjôrie Cristina Freiberger Ribeiro da Silva suspende os efeitos da Licença Ambiental concecida pela Fatma (Fundação do Meio Ambiente) e impede a construção da fosfateira das transnacionais Bunge e Yara no município de Anitápolis. A juíza determina que a Fatma "se abstenha de expedir a Autorização de Corte e às empresas rés de qualquer ato tendente à supressão de vegetação ou início das obras, até decisão final nesta ação". Importante conquista para os moradores dessa linda região de Mata Atlântica na encosta da serra catarinense, rica em nascentes, flora e fauna ameaçadas de extinção. Recomendo a leitura da íntegra da decisão judicial, sábia e bem fundamentada. Ainda há muita água pra correr neste caso, mas é uma vitória inicial a comemorar.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
The fool on the pier

Esta bela foto (clique pra ampliar) foi feita pelo meu amigo Henio Bezerra na Fazenda Graúna, em Monte Alegre, a meia hora de Natal. Pedi e Henio me contou, passo a passo, como chegou ao resultado. A explicação é uma aula de fotografia e ciências.
Inauguro aqui a série Humanos, sobre pessoas admiráveis - do meu ponto de vista como ditador benevolente deste blog, claro. Assim, de vez em quando dou um refresco a vocês, que podem descansar das minhas divagações umbigais. :)
~
Henio: - O que você acha que está vendo?
Eu: - O universo em movimento.
Henio: - Perfeito.
Para tirar uma foto destas a primeira condição sine qua non é utilizar um tripé, pois o obturador ficará aberto por algumas horas, e a câmera tem que ficar estática, absolutamente imóvel. Na realidade eu fiz uma adaptação para a fotografia digital dessa técnica para filme, que não é nova.
Certa vez eu vi em uma revista de fotografia uma foto semelhante: o céu à noite riscado e o chão iluminado. foram duas exposições do mesmo quadro em horas diferentes: na primeira exposição, durante o dia, o fotógrafo cobriu, olhando através do visor, a lente na parte do quadro que aparecia o céu com um cartão preto, de tal forma que aquela parte da película (o céu) não foi exposta à luz. Após o anoitecer, veio a segunda parte quando ele, sem deixar a película avançar para o próximo quadro, efetuou a segunda exposição sobre o mesmo pedaço de filme. Essa segunda exposição durou horas para poder registrar o movimento das estrelas no céu. E assim você tem a foto. Basicamente é esse o conceito.
No meu caso eu fiz uma adaptação dessa técnica, pois a fotografia digital não permite, diretamente na câmera, registrar uma foto sobre a outra:
(1) Primeiramente posicionei a câmera com tripé e utilizei uma bússola para verificar a direção exata do sul e posicionei essa direção em um dos terços do quadro, ficando o outro terço para o píer. O centro de todos os círculos do movimento das estrelas está na mesma direção do eixo sobre o qual a terra gira. Portanto, você pode escolher tanto a direção norte quanto a sul. Quanto mais próximo do equador você estiver, mais baixo esse círculo vai estar. Essa direção tem uma margem de erro de alguns graus (pode chegar até dezenas de graus, dependendo do local) pois nem sempre o norte magnético é igual ao norte geográfico, mas essa variação é desprezível para o nosso propósito. Tirei a primeira foto ao entardecer, quando a luz está mais suave, registrando o quadro completo, inclusive o céu;
(2) esperei anoitecer e iniciei uma seqüencia de fotos, cada uma com uma duração de 3,5 minutos que foi das 18h20 até às 0h20 - hora em que chegaram algumas nuvens e o céu ficou opaco, então decidi interromper. Além disso, a lua começou a nascer e isso acaba com tudo pois esse tipo de foto requer um céu sem lua para dar um bom contraste entre o céu e as estrelas. Com a fotografia digital, não dá para você efetuar uma exposição única de 6 horas, por duas razões: (a) o digital tem uma sensibilidade à luz muito maior que o filme, quando se trata de exposições longas, e um tempo muito longo vai “inundar” sua câmera com muita luz e depois de algum tempo sua foto vai ficar completamente branca; (b) quanto mais tempo você fica, mais “ruído” (noise) é introduzido na imagem. O ruído é toda informação que não faz parte do conteúdo principal e é criada pela imperfeição do circuito elétrico de um sistema. No caso da fotografia isso ocorre pelo aquecimento do sensor em longas exposições ou pelo uso de alto ISO. A seqüência de fotos foi efetuada com a ajuda de um disparador remoto, onde você pode definir quantas fotos quer tirar, e a duração de cada uma;
(3) Então, ao final da exposição, você fica com centenas de fotos de momentos diferentes do céu e com a parte do chão totalmente escura, pois não há luz alguma por perto exceto as luzes dos carros que passaram pela estrada. Então, utilizando o Photoshop, você superpõe todas essas imagens noturnas com uma opção chamada “lighten” onde ele vai pegar a parte mais iluminada de cada quadro e fundir aos outros quadros, permitindo a visualização contígua do movimento das estrelas no céu, resultando em uma única imagem, mas ainda sem a parte de baixo;
(4) por fim, com a primeira foto que tirada durante o dia e, ainda utilizando o Photoshop “cobri” o céu com preto, escurecendo digitalmente essa parte da fotografia; e
(5) finalmente fundi novamente as duas utilizando novamente a opção “lighten” do photoshop.
O resultado é esse que você viu. Quando explico isso algumas pessoas elas dizem: “Ah! Então é uma montagem o que você fez!”. Pessoalmente, eu não gosto de chamar de montagem. Montagem para mim é quando você forja uma imagem inexistente. Com fotografia digital o conceito de montagem pode parecer tênue. Há coisas que são aceitas e outras não.
Olhando assim para a foto eu me lembro de Galileu Galilei que não precisou dessa tecnologia para perceber que não é o universo que gira em torno da terra.
Um abração
segunda-feira, 6 de julho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Lagoinha do Leste no feriado
Depois de quatro meses de ensaios e cancelamentos, ontem (re)fiz a trilha da Lagoinha do Leste pelo costão, junto com a seleta companhia dos blogueiros Maurício "Vida de Frila" Oliveira, Laurinho "Meleca Verde" e Carlito "O Blog C" Costa. Ligeiros no teclado, Carlito e Laurinho já blogaram seus relatos - tem até mapa do trajeto. Andamos mais ou menos dez quilômetros entre a praia do Matadeiro, a Lagoinha e a praia do Pântano do Sul, incluindo um trecho pela estrada até passar um ônibus que nos levou ao carro do Carlito na Armação.
A trilha começou em torno das 9h30 com uma cerveja estupidamente gelada num barzinho na praia do Matadeiro, enquanto esperávamos o retardatário do Blog C (e outra gelada quando ele chegou). Pelo caminho, mato fechado, depois costão rochoso e descampado, plantas espinhentas, fontes dágua e o visual estupefaciante do mar. Pudemos ver que a parte leste da Ilha do Campeche tava coalhada de barquinhos de pesca, uns 29 ou 30 - há controvérsias pois não houve avaliação oficial da PM. À medida que avançávamos, o papo animado, cheio de tiradas maldosas ("uma vez vi o Fernando Marcondes de Mattos rondando por aqui, fiquei apavorado"; "o Frank não quis vir, vamos chamar ele pra jogar dominó"), trocadilhos infames ("pra fazer essa trilha tem que ser cabrito, o Carlito tá quase lá") e imitações grotescas de aves da floresta foi cedendo espaço pro silêncio contemplativo e ofegante. Laurinho, que agora é escoteiro, liderou a fila boa parte do tempo.
O tempo nublado, com temperatura amena e sem vento, nos favoreceu bastante, exceto na hora das fotos, que perderam muito do colorido, e do mergulho na lagoinha - Carlito e eu ficamos de espectadores e tirei uma boa soneca enquanto Maurício e Laurinho agitavam na água fria. A Lagoinha do Leste continua confirmando a fama. Recentemente foi incluída com justiça pelo Guardian na lista das 10 praias mais bonitas do Brasil. Pena que esse lindo presente da natureza seja tão maltratado por alguns visitantes estúpidos, que deixam garrafas e sacos plásticos, embalagens de biscoito e outras sujeiras. Encerramos a aventura com uma deliciosa tainha assada no restaurante Mandala, no Pântano. Cansaço gostoso e uma noite de sono das mais tranquilas dos últimos tempos. Hora dessas tem mais.
Alguns cliques
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
O desafio ambiental em Santa Catarina
Cesar Valente chama a atenção em seu blog para o artigo O desafio ambiental, publicado sábado por um grupo de especialistas que integram o Comitê do Itajaí. É uma reflexão importante para os parlamentares que vão votar o novo Código Ambiental de Santa Catarina. Este trecho do artigo é uma boa síntese:
... Precisamos evoluir muito na forma de gestão urbana e rural e encontrar mecanismos e instrumentos que permitam a convivência entre cidade, rios e encostas. ... Não adianta reconstruir o que foi destruído, sem considerar o equívoco do paradigma que está por trás desse modelo de ocupação. É necessário pensar soluções sustentáveis. O desafio é reduzir a vulnerabilidade.Sobre o polêmico projeto de lei e as questões ambientais e políticas, sugiro ainda a leitura do Eco Flora. E do texto Governos adoram tragédias, no Blogue do Brüggemann:
... Se não é possível fazer parar de chover, é bem mais possível ensinar as pessoas a conviverem com o risco, para que estejam capacitadas a enfrentar desastres, sejam os provocados pela natureza, sejam os provocados pelo próprio ser humano. ...
domingo, 2 de novembro de 2008
Trilha de um casamento druídico
Os amigos J.P. e Ju casaram no dia 18 de outubro, em Santo Amaro da Imperatriz, SC, numa bela cerimônia druídica. Cada detalhe do ritual de origem celta tinha significados profundos de amor, alegria de viver, reverência aos ancestrais, aos espíritos e às forças da natureza. Gravei (toscamente) este vídeo da trilha sonora do casório. Infelizmente não sei o nome do gaiteiro, se alguém souber informe aí nos comentários. O druidismo é uma religião pagã, politeísta e animista que tem como princípio básico a sacralidade da natureza.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
A destruição da Amazônia: nome aos bois
Vou lhe passar o link pra um estudo que dificilmente terá o espaço que merece na grande mídia, por um motivo simples: suas conclusões são incômodas, contrariam interesses comerciais milionários. As 43 páginas de Quem se beneficia com a destruição da Amazônia (pdf, 9,35 MB), divulgadas hoje à tarde em São Paulo no seminário Conexões Sustentáveis, trazem informações estarrecedoras sobre a voracidade predatória das corporações. Também nos fazem refletir sobre nossa responsabilidade como consumidores. Várias dessas empresas que lucram fortunas às custas do desmatamento ilegal fabricam produtos que provavelmente usamos no cotidiano.
O estudo é iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo. Foi realizado pela ong Repórter Brasil, coordenada pelo jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, e pela Papel Social Comunicação, do amigo jornalista Marques Casara. Eles e uma equipe de colaboradores fizeram uma minuciosa investigação de meses para desvendar alguns elos de diversas cadeias produtivas, que na ponta amazônica têm atividades ilegais em Mato Grosso e no Pará. Esse processo de ocupação predatória, que desrespeita a legislação trabalhista e ambiental e em muitos casos viola direitos humanos, também tem sido financiado pelo Estado brasileiro - por exemplo, através de empréstimos do BNDES.
Segue um brevíssimo resumo com alguns nomes que pincei do texto (a íntegra dos estudos de caso traz preciosas informações de contexto e também as versões das empresas que quiseram se manifestar):
Quatro Marcos. Com sede em MT, é um dos maiores frigoríficos do Brasil. Um terço de sua receita vem das exportações.
O problema: Unidades de abate apresentaram graves problemas ambientais e trabalhistas. A empresa comprou gado de empregador que figura na “lista suja” do trabalho escravo. Por fim, o nono maior desmatador da Amazônia, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, pertence à família que controla o frigorífico.
Friboi. Com sede em São Paulo, é o maior frigorífico do mundo. Tem cerca de 40 mil empregados e faturou R$ 4,7 bilhões no ano passado.
O problema: A unidade do Friboi de Barra do Garças (MT) adquiriu gado de um pecuarista que teve área de sua fazenda embargada pelo Ibama por desmatamento ilegal.
Tramontina. Nascida no RS, fabrica utilidades domésticas. Tem dez fábricas no Brasil e centros de distribuição em cinco países.
O problema: A Tramontina manteve relações comerciais com empresas multadas diversas vezes por beneficiamento e transporte de madeira ilegal.
Sincol. Com matriz em Santa Catarina e filiais em São Paulo, Paraná, Miami (EUA) e Porto Rico, está entre as maiores empresas do setor madeireiro no país.
O problema: A empresa controla a madeireira Sulmap Sul Amazônia Madeiras e Agropecuária, com sede em Várzea Grande (MT), autuada por crimes ambientais e acusada de envolvimento em “grilagem” de terras.
Mahle. Multinacional de origem alemã com sede em Mogi-Guaçu (SP), desenvolve e fabrica peças para a indústria automotiva.
O problema: Um de seus fornecedores utiliza matéria-prima oriunda de garimpos localizados em Altamira (PA) que funcionam sem licença ambiental e não respeitam a legislação trabalhista.
Bunge. Multinacional holandesa, atua no Brasil na produção de insumos e na fabricação de produtos para consumo final na indústria alimentícia. Também fabrica fertilizantes.
O problema: A Bunge adquiriu soja de fazenda com área embargada pelo Ibama.
ADM do Brasil. Terceira maior trading de soja em atuação no Brasil, a Archer Daniels Midland Company exporta grãos e farelo de soja, fabrica biodiesel e produtos alimentícios.
O problema: A empresa manteve relações comerciais com produtor autuado por crimes ambientais na Floresta Amazônica.
Caramuru. Maior empresa no setor graneleiro no país com capital 100% brasileiro.
O problema: Foi identificada adquirindo girassol de produtor autuado por desmatamento em diferentes propriedades.
Esse estudo terá continuidade e trará surpresas nos próximos meses.
Por Dauro Veras às 21:39 |
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Quem se beneficia com a destruição da Amazônia
Um estudo inédito que será divulgado amanhã mostra como a cidade de
São Paulo, principal mercado consumidor brasileiro, também é
responsável pela destruição da Amazônia. A iniciativa é do Fórum
Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo, realizadores do
seminário "Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia", que ocorre
nesta terça (14) e quarta-feira (15).
Realizada pela ONG Repórter Brasil e pela Papel Social Comunicação, a
pesquisa constatou a existência de uma grande rede de "lavagem de
produtos" da Amazônia, que transforma produtos ilegais em legais para
serem comprados por grandes empresas, pelo poder público e financiados
pelo sistema financeiro. Os setores produtivos analisados são pecuária
bovina, plantio de soja e outros grãos, extrativismo vegetal e
políticas de financiamento para atividades produtivas.
Essas matérias-primas chegam a grandes redes varejistas, indústrias
automobilísticas e à construção civil. "O objetivo não é apontar
culpados, pois estes são muitos e incluem todos nós, consumidores",
ressalta Marques Casara, da Papel Social Comunicação. "O objetivo é
relacionar exemplos que sirvam de referência para aprofundar o
conhecimento sobre o tema e a busca de soluções".
A íntegra da pesquisa e os nomes das empresas serão divulgados amanhã
às 14h. Mais informações:
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/1487
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Trezentas árvores
Eu caminhava pelo quintal com Miguel. Comentei que lá nos fundos nós vamos, um dia, construir uma edícula pra instalar um pequeno escritório e uma área de serviço. Pra isso, íamos ter que sacrificar duas ou três árvores do nosso bosquezinho. Ele olhou pra elas e começou a chorar.
Por um instante me senti um ser abominável. A vontade que me deu foi dar um abraço apertado nele e dizer "é mesmo, filho, quem precisa de escritório e de área de serviço?" Mas segui com minha lógica de adulto utilitarista.
Expliquei que às vezes é preciso derrubar árvores pra usar a madeira ou construir. E que podíamos compensar replantando. Ali mesmo já tínhamos plantado várias, como o nim e o pé de araçá. Mas ele não se convenceu. Aí eu disse que, pra cada árvore derrubada, vamos plantar dez.
- Dez não. Cem!
- Tá bom. Cem.
Ele enxugou as lágrimas e continuamos o passeio. A conversa reforçou meu sentimento de que há esperança pra humanidade. Quem virá depois será muito melhor que nós. Então deixo registrado aqui o meu compromisso com o planeta e com meu fiote: plantar no mínimo trezentas árvores.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Rio Madeira Vivo
Recebi do amigo João Alberto, de Porto Velho, a dica pra conferir esse infográfico animado com recursos do Google Earth. Realizado pelo movimento ativista Viva o Rio Madeira Vivo, mostra o cenário tendencial do efeito das hidrelétricas de Samuel e Girau sobre os rios Jamari e Madeira, em Rondônia. Em resumo, é uma catástrofe ambiental anunciada, inclusive com a possível inundação de áreas bolivianas e terras de índios isolados. Independente de sua opinião sobre o assunto, vale conferir.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 22 de julho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Impressões do Norte

A amiga (e possivelmente prima) Gabriela Veras, manezinha da Ilha que emigrou pro Canadá há alguns anos, relata a inusitada experiência que está vivendo numa temporada de trabalho no norte do país, região que conheceu agora. Pelo que ela conta, deve ser desses lugares que parecem de documentário da National Geographic.
Ola pessoal...Para quem nao sabe, estou em Yellowknife trabalhando num contrato de 4 semanas para a CBC (televisao). E para quem nao sabe, Yellowknife is a capital do Northwest Territories, e fica bem no norte do pais, a 400 quilometros ao sul do circulo polar artico. Tou adorando a experiencia e gostaria de compartilhar com voces um pouco de fatos e das minhas primeiras impressoes... Jah que esse lugar parece um outro planeta!!!- os tres territorios canadenses (Northwest Territories, Yukon e Nunavut) juntos sao quase a metade do Canada, mas tem um populacao de apenas 100 mil pessoas.- os territorios estao para o Canada assim como a Amazonia estah para o Brasil.- a cidade de yellowknife tem menos de 20 mil pessoas e parece que todo mundo tem um cachorro peludao, do tipo husky.- metade da populacao do territorio aqui eh aborigena.- nesta epoca do ano nunca escurece, de fato, na semana que vem (dia 21) vai ser o solsticio de verao, quando eh o dia mais longo do ano e acontece o sol da meia noite.- eu tou tao fascinada, que nas minhas primeiras noites aqui eu acordei a cada uma hora soh para checar se estava escuro lah fora. E nunca estava...- parece meio dia quando vou dormir, e parece meio dia quando acordo as 5:40 da manha. O sol estah sempre brilhando.- o povo aqui eh super relax. As mulheres nao usam maquiagem, salto alto ou cabelo alisado. Os homens parecem que acabam de voltar de um fim de semana de acampamento. Eh interessante ver as pessoas sem os difarces de super herois que normalmente a gente ve nas grandes cidades.- aqui tem de tudo, mas apenas um: um wallmart, um banco de cada, uma televisao (CBC), uma radio (CBC) e um jornal.- a estrada para o norte de Alberta (olhem no mapa) acaba aqui em Yellowknife. Existem outras comunidades mais ao norte, mas soh dah para chegar lah de aviao. Eh comum ver aqueles avioes que posam na agua. No inverno, quando tudo congela, dah para ir de carro a alguns lugares.- as pessoas andam aqui com spray para urso, em caso de um encontro inesperado pelo caminho.- o lugar eh rochoso e existem poucas arvores. Nada dah aqui. Tudo tem que ser trazido do "sul".- a economia eh baseada na mineracao de ouro e mais recentemente, de diamantes. Yellowknife eh a "Capital do Diamante da America do Norte".- dah para circular a cidade de carro em menos de 10 minutos- ninguem usa endereco para nada, nem nos press releases...eh o predio tal, que fica do lado da loja tal, em frente do restaurante tal... assim que todo mundo se acha.- o suburbio fica a tres quadras do centro da cidade.- e o melhor: no meu trabalho, todo mundo tira uma hora de almoco. Fazia um tempao que eu nao deixava a minha mesa para almocar...Mesmo com tantas diferencas, jah estou me apaixonando pelo lugar!Beijos a todos,gabi
terça-feira, 20 de maio de 2008
Estado está ausente em região que desmata
Um dos grandes nós do desmatamento da Amazônia é abordado nesta ótima reportagem de Yan Boechat que saiu ontem e hoje no Valor Econômico: a ausência do Estado. Ele esteve em Rondônia e entrevistou diversos atores sociais da atividade madeireira, entre eles as famílias de colonos que prosseguem com a derrubada ilegal da floresta por falta de opções.
Em Rondônia, um terço da cobertura de florestas já desapareceu. Em 1983, pouco depois de ser transformada de território em estado, a área desmatada era de 5,7%. Em 2004, já eram 31,2%, contando apenas as indústrias de transformação de madeira. Rondônia é o estado amazônico que desmatou em maior velocidade e intensidade. Com a bênção do Estado, que nos anos setenta estimulou a derrubada como parte da política de ocupação da região.
Pra quem está num grande centro urbano (às vezes sentado num sofá de mogno sob um telhado de angelim-pedra), não é fácil compreender a complexidade do tema. Há a tendência de rotular de vilão todos os que derrubam árvores e exigir soluções à la Capitão Nascimento. Uma questão levantada durante reunião de representantes do governo com os agricultores sintetiza o dilema:
No turbilhão de comentários desencontrados, Delano pediu a palavra e fez uma pergunta quase inocente, quase sarcástica: 'O doutor pode explicar como vamos viver da terra com as árvores em pé?'. Não teve resposta."Enquanto o Estado não conseguir dar reposta adequada a isso, a derrubada continua, e não adianta chegar de metralhadora naquelas operações espalhafatosas que a mídia tanto gosta de mostrar. Em recente entrevista à BBC (reproduzo aqui citação do boletim eletrônico Alerta Científico e Ambiental), o ministro Mangabeira Unger foi questionado sobre o que o desenvolvimento sustentável realmente significa e do que necessita. A resposta dele vai ao encontro dos anseios identificados na reportagem do Valor. Mas do diagnóstico à solução dos problemas - entre os quais a complicadíssima questão fundiária - há uma distância amazônica:
Há três pré-condições fundamentais. A primeira é a questão da propriedade da terra. Temos que esclarecer a titulação e a posse da terra. O segundo pré-requisito é que se faça um zoneamento ecológico e econômico da Amazônia, que possa definir uma estratégia para a Amazônia sem floresta, não só a que foi desflorestada, mas também aquela parte que nunca teve floresta, e outra para a Amazônia com floresta. A terceira pré-condição é a construção de um regime regulatório e fiscal que garanta que a floresta em pé valha mais do que a floresta cortada. Uma vez que essas pré-condições estejam satisfeitas, podemos tocar os quatro principais pontos de trabalho que nos foram dados para dar um conteúdo prático à idéia de desenvolvimento sustentável. (...)Ele prossegue falando dos quatro pontos: a tecnologia apropriada para a floresta tropical; a organização de serviços ambientais avançados na Amazônia; o regime de propriedade sob o qual a floresta será gerida, e o desenvolvimento da ligação entre a floresta e as indústrias. Como o próprio ministro reconhece, é mais fácil falar do que fazer.
Por Dauro Veras às 08:10 |
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
Sobre a saída da Marina
No blog de Marcelo Tas:
(...)
A saída espetacular da ministra, criticada por Lula, talvez tenha sido o gesto mais eloquente para denunciar o flagrante blablablá do PAC e a incompetência dessa administração para lidar com crescimento sustentável. Quem tem Ciro Gomes e Mangabeira Unger como oráculos merecia essa porrada.
(...)






