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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Augusto Tuyama, um ano de saudade

Ontem fez um ano que Augusto Tuyama nos deixou. Quase tudo o que eu tinha a dizer sobre essa tragédia familiar já está aqui no blog - provavelmente o meu desabafo tenha sido fundamental pra que eu conservasse o equilíbrio. O tempo vai transformando a dor em saudade suave.

Nos primeiros meses eu acordava de madrugada revivendo o acidente e as horas intermináveis do resgate. Cheguei a pensar que iria precisar de ajuda profissional - confesso que ainda não afastei essa ideia de vez, mas tou tentando me curar de outras formas.

Nas horas angustiantes, procuro o sossego das árvores, das plantas que o meu sogro tanto amava. Lembro dele dando risada, contando histórias divertidas ou escutando com gentileza. A maneira livre, desapegada, aventureira e generosa com que Augusto Tuyama viveu é um exemplo que vou guardar pra sempre. Tê-lo conhecido foi uma experiência transformadora.

domingo, 10 de agosto de 2008

Dia dos Pais

Domingo trivial e aconchegante junto com os meninos, a amada e a sogra. Eles me acordaram com uma lembrancinha - caneca de café e um pão de mel. Arranquei mato, plantei, bebi vinho, comemos, brincamos, rimos, dormimos, tomei banho com eles, vimos a chuva pela janela. Vida.
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Passamos ao largo do aspecto consumista da data e nos concentramos no melhor da festa: o imenso prazer da convivência cotidiana num dia dedicado ao ócio amoroso - às vezes até o ócio criativo cansa. Saí de casa só uma vez, rapidinho, pra pegar um DVD do Bob Esponja.
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Miguel, Bruno e eu conversamos bastante com papai por telefone. Papo à toa sobre sapos, cachorros, gatos, natação e fisioterapia, revistas ruins e livros bons, comida, temperaturas no Sul e no Nordeste. Esqueci de lhe perguntar sobre as Olimpíadas. Pra que esgotar o assunto?
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Ando de coração mole. O texto dela sobre o pai me encheu os olhos d'água. O dele, sobre o dia em que chegou seu filho, me lembrou os nascimentos de meus dois meninos e a mudança radical que isso representou ao dar sentido a tudo.
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Há duas semanas, a perda que eles tiveram me apertou o coração. Em Il Morto e Lo Straniero, meu amigo lamenta o sogro recém-partido, e como isso o tornou ainda mais estrangeiro em terras italianas. Sofro junto, mesmo que nunca tenha encontrado esse homem especial.
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Falar em sogros especiais: saudade imensa de meu segundo pai, morto há seis meses. Hoje, debaixo de chuvinha miúda, cavoquei buracos no jardim e no quintal pra plantar palmeiras. Com certeza ele estaria me ajudando e tomaríamos cerveja depois. Estava bem perto, senti.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Casamento, batizado e histórias japonesas

Fim de semana movimentado e emocionante. No sábado a cunhada e comadre Sônia casou com meu compadre Antônio Gerassi Neto, depois de uns 15 anos de união que já geraram uma filha e um filho. A cerimônia foi na capelinha do Campeche, com um pequeno grupo de familiares e amigos. Domingo Laura e eu fomos padrinhos de batizado do Eduardo, filho de 11 anos do irmão dela, Carlos, e da Cristina. No meio de preparativos, idas a aeroporto e rodoviária e comemorações, ainda trabalhei na 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Que teve no sábado um dia inteiro de homenagens ao centenário da imigração japonesa no Brasil. Também no fim de semana o mano Leonardo Camillo ministrou uma oficina de dublagem pra crianças de oito a doze anos. O resultado das atividades da criançada foi exibido ao público ontem à tarde, ficou muito legal.

Um ponto alto foi a presença das tias Maria e Cecília Tuyama, que vieram de ônibus de Santo André/SP depois de muita insistência minha. Elas são irmãs do querido Augusto, pai da Laura e meu segundo pai, que nos deixou em fevereiro. Conversar com elas era quase como revê-lo. São muito parecidas com ele, não só na fisionomia como no jeito de encarar a vida, com humor e tranquilidade. Tia Maria, a mais velhinha, sempre serena, contou várias histórias da infância dela em Nagasaki - ela veio do Japão com cinco anos de idade, num navio que o pai dela, Shungiro, ajudou a construir. Falou sobre a mãe, Ito, que teve uma premonição sobre a bomba atômica e insistiu pra emigrar. Lembrou da dificuldade dos primeiros tempos, da dureza que foi se alfabetizar em outra língua, de Augusto pequeninho que não queria dormir sozinho.

Tia Cecília, sorridente e doce, estava sempre se oferecendo pra fazer massagem em todos da família: "Deixa eu fazer um carinho em você". Sua intuição lhe dizia o que o corpo da pessoa precisava, onde estavam as dores, as articulações travadas. Minha tensão nos ombros se evaporou. Tia Cecília é herdeira dos dons especiais da mãe - consegue antever situações que ainda não ocorreram. Quando isso acontece e a previsão é trágica, reza muito e às vezes a tragédia é evitada. Ela nos contou isso com naturalidade e lembrou que todas as pessoas têm esse poder, só que algumas aprendem a desenvolvê-lo e outras não. Foi um fim de semana muito especial mesmo, cheio de risadas, amor e amizade.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Centenário da imigração japonesa no Brasil

Sou muito feliz em fazer parte dessa história da imigração japonesa no Brasil, como pai cabeça-chata de dois Tuyamas catarinenses. Quando crescerem, eles vão poder olhar pra trás e se orgulhar de serem netos de Augusto/Hideharu, homem sábio a quem honro com minha lembrança todos os dias. E bisnetos de Shungiro e Ito Tsuyama, que atravessaram o mundo por um sonho.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Dois blogs de olhos puxados

Dia quase todo offline. E no retorno, 50 e-mails me esperando, alguns com uns trabalhinhos urgentes pra atacar. Mas não podia deixar de dar um toque sobre um blog e um texto da vez.

Minha cunhada Ana Tuyama criou ontem um blog onde vai contar a viagem de férias dela com o marido Luimar e os filhotes Amanda, Pedro e João aos Estados Unidos.

E Alexandre Inagaki escreveu um belo texto em que conta como, apesar de pouco ligado às origens, deve muito do que é aos ancestrais: Um japaraguaio nos 100 anos da imigração japonesa.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Artesanato e entrevista

A cunhada Ana Tuyama, artesã de mão cheia, é a entrevistada da vez no Banana Craft.

Você pode conferir as fotos do trabalho dela no flickr e encomendar produtos na loja virtual.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ana Tuyama Crafts

Minha cunhada Ana Tuyama, que há mais de dez anos trocou a carreira de bancária pela de artesã (sábia decisão), acaba de inaugurar sua loja virtual. Tem coisas lindas lá. Veja também as fotos no Flickr.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Os provedores de asas

Bonita despedida de um amigo do jornalista Sérgio de Souza - editor da revista Caros Amigos -, que morreu no dia 25.

(...) Sem essa do “descanse em paz”. Ele era calmo e tranqüilo. Mas por dentro um vulcão. Porém sempre sereno. Gente como ele finge que morre, mas deixa suas extensões. Que se libertam e assumem vôos próprios, imaginários ou reais. Sérgio de Souza, mais que o jornalista, foi o provedor de asas, o cara que veio e disse: vai em frente. Abriu caminhos e ensinou os atalhos para vencer as veredas (...)
JÚLIO CHIAVENATO
[via Fernando Evangelista]
~
Não consigo deixar de lembrar do meu sogro ao ler essas palavras. Augusto Tuyama também foi um provedor de asas. Um mestre que chamava os outros de mestre - tava sempre aprendendo enquanto nos ensinava com o exemplo. Tem dias que a presença da ausência bate forte. Fico lembrando o assobio de duas notas que anunciava a sua chegada pra tomar um cafezinho no meio da tarde. Imagino o que ele diria da grama esmeralda que escolhemos pro jardim - o fornecedor, do município de Antônio Carlos, nos foi indicado por ele. Quais seriam seus comentários sobre a ciclovia que estão construindo no Campeche, a chegada do outono e do inverno ("me disseram que aqui fazia frio, mas ainda não vi", disse no inverno passado), o noticiário político na tevê ("sem Lula o Brasil estaria pior"), o conserto de algum equipamento elétrico ou hidráulico ("noventa por cento é pensamento lógico, dez por cento é técnica"), a árvore nim que deu uma esticada no verão, os meninos que estão esticando todo dia... ("eu gosto tanto do vô, e você?"). É bem como disse a Ana no comentário sobre a andiroba. Quando vejo as obras dele, fico cheio de saudade e de orgulho.

terça-feira, 18 de março de 2008

Relato de Anitápolis

O ótimo relato de Giorgia sobre sua visita a Anitápolis - sucursal do paraíso na subida da serra, a 100 km de Floripa - me enche de saudade e boas lembranças. Ela conta sua viagem em três partes. Na segunda, visita a Pousada Passárgada, de Fernando e Regina, onde há poucos meses passei momentos felizes com a família e os amigos. Fico feliz que Augusto tenha vivido o bastante pra curtir com a gente aquele lugar e aquelas pessoas especiais.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Um momento especial em Pasárgada


Pousada Sítio Pasárgada, em Anitápolis, serra catarinense, 18 de agosto de 2007. Sopinha de legumes, vinho tinto e risadas. Meu pai, 82 anos de piadismo, diz: "Gosto muito de Santa Catarina; aqui as mulheres dão sopa!" Ali perto, o rio da Prata borbulha. Cheiro bom de comida caseira no fogão a lenha. Estou sentado ao lado dos dois homens com quem mais aprendi na vida. Na sala inteira, calor de gente amada. O tempo flui leve como uma pena de passarinho.

Da esquerda pra direita: Augusto, eu, Camillo, Laura, Bruno e Maria Rosa. Foto de Leonardo Camillo.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Footprints In Your Heart

Enviado do Japão pelo amigo australiano Aidan Doyle.

Many people will walk in and out of your life,
But only true friends will leave footprints in your heart.

To handle yourself, use your head;
To handle others, use your heart.

Anger is only one letter short of danger.

If someone betrays you once, it is his fault;
If he betrays you twice, it is your fault.

Great minds discuss ideas,
Average minds discuss events,
Small minds discuss people.

He who loses money, loses much;
He who loses a friend, loses much more;
He who loses faith, loses all.

Beautiful young people are accidents of nature,
But beautiful old people are works of art.

Learn from the mistakes of others.
You can't live long enough to make them all yourself.

Friends, you and me.
You brought another friend,
And then there were three.

We started our group,
Our circle of friends,
And like that circle -
There is no beginning or end.

Yesterday is history.
Tomorrow is mystery.
Today is a gift.

That's why it's called the present.

- Eleanor Roosevelt

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Nim, uma árvore multiuso

Em dois meses, a nim plantada em nosso quintal passou do meu tamanho [p.s.: antes ela chegava à altura do meu ombro]. Essa árvore de origem indiana foi presente do meu sogro Augusto, que adorava falar das suas propriedades. Em poucos anos ela atinge dez metros de altura. A nim (muitos dizem "o", mas prefiro chamá-la no feminino, lembra Anaïs Nin) produz um extrato que é defensivo natural contra pragas em plantas e animais: combate carrapatos, fungos, bicheiras e outras tranqueiras. É repelente de 120 espécies de insetos. Seu óleo serve pra fabricar xampu, sabonete, pasta de dente, desinfetante e até tônico capilar. As folhas, maceradas em água, produzem um caldo amargo que alivia mal-estar de estômago e ressaca (testei pessoalmente e aprovei). Pesquisadores da Embrapa já identificaram mais de 150 substâncias de uso comercial que podem ser retiradas da Azadirachta indica A. Juss, também conhecida como amargosa. Engov, nunca mais.

p.s.: O Planeta Orgânico traz mais informações interessantes sobre o uso da nim em propriedades agroecológicas.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Deve haver um lugar bem distante

Reproduzo mensagem que a família Tuyama recebeu de Hugo, amigo de Augusto há longa data.

Amigos,

Acompanhei a angústia de vocês, que também foi minha, pelo blog do Dauro, que ainda não tive a oportunidade de conhecer, mas a quem passei a admirar pelo que li, pelo conteúdo das suas palavras, pela sua cultura...

Vi na lista das 67 lembranças que a música que ele lembrava “ Deve haver um lugar bem distante...” me trouxe à luz o dia em que ele deixou Mauá para ir para Rolim de Moura. Não o dia da mudança mas um dia em que ele havia retornado para cá e em seguida retornaria para ficar em definitivo. Ele retornou de ônibus.

Gravamos uma fita com várias mensagens dos amigos que ficaram e gravamos essa música ( o Cláudio no violão e nós dois cantando). Entregamos a fita com a condição de que ele deveria ouvir já na viagem de retorno a Rolim de Moura.

Nesse dia ele assistiu conosco, na minha casa, ao filme Gritos do Silêncio. Esse filme termina com a música Imagine, de Lenon ( que o Dauro disse ser uma das suas preferidas – minha também!). Mas a mensagem maior do filme era e a ligação de amizade profunda e irrestrita do repórter americano, com o vietnamita, seu amigo, por quem ele tanto fez para resgatar do Vietnã. Ele chorou junto com a gente porque entendeu a mensagem. Ele estava deixando amigos de verdade por aqui... e nós nos distanciando de um amigo irmão.

A música se chama BALADA DE UM HOMEM SEM DESTINO – cantor: Sérgio Murilo.

Deve haver um lugar bem distante
Outro céu, outra terra, outro mar,
Onde possa viver sem sofrer, sem chorar
Onde a paz e o amor eu consiga encontrar
Caminhando, sem rumo, eu vou sem destino
Procurando encontrar um mundo melhor.
Onde possa viver, sem sofrer, sem chorar.
Onde a paz e o amor eu consiga encontrar.

Durante todos esses dias de angústia eu toquei essa música no teclado. Parecia que ele iria ouvir. Quem sabe...

Embora distantes, estou com vocês em meus pensamentos e sofrendo também com a nossa perda.

Hugo Antonio Suffredini

Mauá, SP

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A presença da ausência

Ontem, 25 de fevereiro, Augusto estaria completando 68 anos.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Em casa

Depois de nove semanas, 9.497 km percorridos de um canto a outro do Brasil e um acidente fatal na família, voltamos pra casa. A vida segue.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Quase em casa

Chuva forte por horas seguidas. Na descida da serra entre PR e SC, o trânsito ficou interrompido um tempão por causa de um acidente. Anoitecia e o aguaceiro não parava, então resolvemos passar a noite em Joinville. Jantamos num restaurante chinês na esquina do hotel.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A caminho de casa

Dia 5 (22/fev): MS-SP-PR. Estradas razoáveis/boas e tranqüilas. Rodamos 740 km, parte em rodovia duplicada (a Rondon em SP). Miguel teve um pouco de febre, medicamos e melhorou.

Almoço em Birigüi, no oeste paulista; depois os meninos brincaram num parquinho da loja da Klin, fábrica de calçados infantis com sede no município. Passamos ao largo de Ourinhos, onde dormimos na ida - muitas lembranças recentes. Pernoite em Santo Antônio da Platina, PR.

Neste sábado vamos à reta final de uma longa viagem - ao outro canto do país e a regiões inesperadas das nossas almas. Sobre essa jornada interior de dor, perplexidade, saudade e busca da aceitação, ainda não tenho muito o que dizer. Por enquanto meus relatos só arranharam a superfície. Talvez as palavras venham com o tempo, mas vão ser sempre traduções imperfeitas do que vivi e vivemos.

A viagem continua.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Diário de viagem: RO-SC

Dia 1 (18/fev): Rolim de Moura (RO)-Cáceres (MT). Uma provação pra cabeça. Escala em Pontes e Lacerda pra pegar documentos tristes. Dois meses depois do acidente (e dez dias da morte de Augusto), as lembranças nos apertam quando passamos por ali de novo. Eu choro ao volante; Bruninho, inocente, ri e canta. Algumas músicas foram ensinadas pelo avô. Em Cáceres pernoitamos na casa de dr. Jefferson e d. Gleide, a generosa família que adotou os Tuyama em Mato Grosso.

Dia 2 (19/fev): Ainda em Cáceres, troca de óleo, lavanderia, comprinhas e mais papelada burocrática. Saímos 15h. À noite, hotel na Serra de São Vicente, em Águas Quentes (MT). No meio da mata, com termas a céu aberto, riacho, banho de cachoeira. Lugar especial. Dormimos numa casa de pedra, ouvindo água corrente.

Dia 3 (20/fev): de manhã, termas e sossego. Vimos um macaco na floresta. À tarde muita chuva, buracos na estrada, caminhões. Hotel em Rondonópolis, a capital do agronegócio. Pregados de cansaço, ignoramos o eclipse da lua e a renúncia de Fidel.

Dia 4 (21/fev): neblina, depois sol forte, mais caminhões e buracos. Retões com soja dos dois lados. Avestruzes, silos, colheitadeiras. Nuvens enormes. Em MS o asfalto melhora muito. Chuva forte no fim de tarde, ficamos parados quase 1h num posto. Hotel em Ribas do Rio Pardo (MS). Pizza no quarto.

Na seqüência: SP

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Mais lembranças de Augusto (82-95)

82. Ele usava boina portuguesa, presente dos amigos. Era muito interessante ver um japonês com uma boina portuguesa, que figura! (Sônia)
83. Augusto pergunta ao Estéfano: você é meu neto? Estéfano responde: Não, Neto é o meu pai. (Sônia)
84. Augusto vai procurar remédio para matar pulgas do Fanto, a atendente informa que há dois tipos de remédio e ele responde: "Pode ser daqueles que mata a pulga uma vez só..." (Sônia)
85. Ele benzia a bebida dizendo umas palavras em latim, terminava com saravá... e estalava os dedos... você lembra da frase, Dauro, será que a mãe lembra? (Sônia)
86. A Laura lembra que era mais ou menos assim: "Saúde, implórivus, anticolórivus"
87. "Como vão os movimentos parados da nação?" (Sônia, Ana, Laura)
88. "Fique com os anjos, arcanjos, querubins, serafins e .... não me amole!". (Sônia, Ana, Laura, Nilza)
89. Dica para não enjoar em alto mar: amarrar um saco plástico em volta de toda barriga. (Sônia)
90. Uma piadinha de mineiro que ele gostava de contar: "- Cumpadi, o que ocê acha de nudez? - Mió nu deis que no nosso..." (Ana)
91. Uma história do tempo da floricultura: o homem encomendou um buquê de flores pra amante, mas por engano deu o endereço da própria casa. Augusto foi entregar as flores e quando chegou, viu o homem desesperado fazendo sinais de não pela janela. (Laura)
92. Ele tinha costume de trazer animais doentes e feridos pra tratar em casa. (Nilza)
93. Abrigava em casa, às vezes por meses, pessoas que não tinham pra onde ir. (Nilza, Ana, Laura)
94. Assinou uma autorização pra Ana, então menor de dezoito, viajar pra assistir ao primeiro Rock in Rio. (Nilza)
95. Quando a Laura se mudou de Rondônia pra São Paulo, fez um discurso na festa de despedida no Banco do Brasil em que todos choraram. (Carlota)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Mais lembranças de Augusto (68-81)

O tempo é santo remédio pra aliviar a dor, mas o preço disso é uma parcela da nossa memória. Talvez só assim a gente consiga tocar a vida: graças à abençoada proteção de uma névoa que, com o passar dos meses e anos, suaviza os contornos do que se foi e nos ajuda a ver o presente.

Ainda bem que a escrita e as conversas ajudam a guardar pequenos tesouros de quem nos deixou marcas. Fico contente que as pessoas estão contando aqui suas lembranças de Augusto Tuyama. Elas se somam às primeiras 67 que escrevi.

Passo longe da pretensão de fazer uma biografia ou lista de "melhores momentos". Muitas dessas lembranças são só pedacinhos do cotidiano, anedotas, fatos curiosos. Algumas podem depois ser desenvolvidas em boas histórias ou melhor contadas, por mim ou por vocês.

Se você o conhecia, seu tributo neste memorial coletivo é muito bem-vindo. Se não teve a sorte de conhecê-lo, pode ter uma idéia de quem foi este homem especial. Imagine que estamos numa mesa de bar em frente ao mar, num papo descontraído, e vamos recordar juntos.
...
68. "Sabon ou saboa?" - perguntando como estávamos. (Fátima Simãozinho)
69. "Este Gurgel é como coração de mãe, sempre cabe mais um." - Quando ia recolhendo a garotada ao longo do caminho da escola, pra dar carona. (Fátima Simãozinho)
70. O estalar de dedos acompanhado de uma gargalhada, quando ouvia o final de uma história que gostasse muito. (Neto)
71. "Desculpe por tudo. Da próxima vez boto só a metade". Estas foram as últimas palavras que ouvi dele, em janeiro de 2005, no Campeche. Um dia vamos nos encontrar outra vez, e eu vou poder contar as piadas que guardava para a minha próxima viagem ao Sul e para ouvir mais um pouco da sua sabedoria. (Camillo)
72. Eu ia la no viveiro dele tirar foto das flores e ele me ajudava e mostrava as melhores flores e tal... Depois descobri que o sacana ainda falava: "Um homem daquele tamanho tirando foto de flor" hauhahauhahauah (Paulinho)
73. "De longe é uma grande distância" (ele falava coisas assim com um tom de conversa séria, rindo com os olhos).
74. "Capital das Reservas Futuras" (sobre Novo Horizonte, lugarejo que praticamente só tinha mato, caçoando dessa história de os os municípios pequenos adotarem títulos de capital de alguma coisa).
75. "É poco, né?" (imitando sotaque japonês pra brincar com o nome da cidade matogrossense que pretendíamos conhecer juntos).
76. Ele nunca tirava acessórios antes de vender carros. E quando ia comprar, desistia de imediato do negócio se o vendedor quisesse fazer isso.
77. Quando ia comprar qualquer coisa, jamais botava defeito pra melhorar a oferta. "Se eu não puder elogiar eu fico calado", era um de seus bordões favoritos.
78. Quando era rapaz, tinha uma namorada cujo pai só deixava ir ao cinema se fosse acompanhada dos irmãos. Pra não ter que pagar a entrada de todos, combinava com a moça: "Eu vou chegar um pouco atrasado, me espere na terceira fila".
79. Na infância, tinha um cachorro chamado Sil, homenagem ao cantor Sil Farney. O cão o acompanhava no escuro até o lugar onde ele pegava o ônibus pra escola. Na volta ele descia do ônibus, dava um assobio e Sil aparecia.
80. Quando menino, caminhava levando as alpercatas nas mãos pra não gastarem. Um dia levou uma topada no dedão e comemorou: "Ainda bem que estou descalço!"
81. Dona Nilza conta que, quando eram namorados, passeavam na rua no interior de Minas Gerais quando viram uma banquinha de rapadura. Ele perguntou: "O que é isso?" Ela: "Nunca viu rapadura?" Ele: "Não". Tempos depois ela estava na cidade dele em São Paulo e viu o doce: "Uai, tem rapadura aqui?" "Sim, tem muita". Aquela pergunta tinha sido só pra puxar assunto.