Mostrando postagens com marcador histórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador histórias. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de novembro de 2009

A cobertura jornalística da Novembrada

Recebi da Zeca Baldessar e passo adiante na íntegra. Vale conferir a aula de história e de jornalismo.
Na próxima segunda-feira, 30, o site www.cotidiano.ufsc.br  trará um especial multimídia sobre a cobertura jornalística realizada durante a Novembrada, revolta popular ocorrida em Florianópolis em novembro de 1979. Produzido pelos bolsistas e coordenadores do site, o especial relata o episódio e a apuração dos fatos a partir do ponto de vista de doze jornalistas que estiveram diretamente envolvidos na cobertura da manifestação.

Os Entrevistados
Impresso:
Carlos Damião  
Laudelino Sardá 
Moacir Loth 
Nelson Rolim  
Osmar Teixeira
Sérgio Rubim  

TV:

Aderbal Machado 
Aldo Grangeiro
Roberto Alves
Valter Souza

Rádio:

Antunes Severo
Valter Souza

Foto

Orestes Araújo
Dario de Almeida Prado
Jones Jõao Bastos

Acesse e confira.

Um abraço, Maria José Baldessar e  equipe Cotidiano

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Documentário sobre imigrantes teuto-russos

Recebi e passo adiante.

TV UFSC conta história de teuto-russos que fugiram da ditadura stalinista

A vida dos remanescentes alemães que viviam na Rússia e imigraram ao sul do Brasil foi resgatada pelas jornalistas Débora Tozzo e Leyla Spada no documentário ‘Sem Deus, Sem Imperador, Nós por Nós Mesmos - Da Rússia ao Brasil: A Trajetória dos Teuto-russos’. A TV UFSC o exibe com exclusividade quinta e sexta-feira (29 e 30/10), às 20 e 21 horas, respectivamente. O cenário da grande reportagem são os municípios de Riqueza e São Carlos no extremo-oeste de Santa Catarina, além de Porto Alegre (RS), locais onde ainda vivem alguns dos imigrantes que fugiram da ditadura do russo Josef Stalin no final dos anos 30. Confira a programação completa no site www.tv.ufsc.br e acompanhe tudo no canal 15 da NET.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Muito obrigado, Marcelo

Recebi do Raulzito e publico na íntegra.

Uma lição tripartida de perseverança, honradez e cidadania! Muita gente nas planícies e Planaltos Centrais deveriam aprender com eles. Como é bom ler uma notícia desta e chorar por uma emoção boa. Leia quem tiver tempo para uma reflexão nestes tempos de Sarneys, Renans e United Collors of Senado.

Enviado por Mauro Ventura
no Blog Dizventura do O Globo

Agradecimento a Marcelo Fonseca

No começo de maio fiz uma coluna Dois Cafés e a Conta com Marcelo Fonseca, dentista das estrelas, que tem um trabalho social. Entre as várias cartas que recebi estava a de Neide Maria da Silva Suzano, moradora de Bangu.

Era um berro visual. Vinha em maiúsculas e fazia um pedido a mim: que entrasse em contato com Marcelo. Repassei para ele a mensagem. Leiam trechos abaixo:

"FUI CRIADA PELA MINHA MÃE QUE ERA DOENTE MENTAL, POR ESSE MOTIVO NÃO NOS ENSINOU A TERMOS HABITOS DE HIGIENE EM TODOS SENTIDOS. AOS 11 ANOS MEU PAI TENTOU ABUSAR DE MIM SENTI QUE ERA ERRADO, MAIS NÃO PODIA IR DE ENCONTRO AO QUE ELE QUISESSE POIS ELE NOS BATIA DE+ PRINCIPALMENTE NA MINHA MÃE, POR ISSO RESOLVI IR MORAR NA RUA E NÃO ME DEIXAR USAR POR ELE. VIVI POR 8 ANOS NO MEIO DE: TRAFICANTES, ASSALTANTES, ETC SEM ESCOVAR DENTES,TOMAR BANHO, COMER DIREITO, ETC. ACABEI SENDO ESTRUPADA POR UM DOS BANDIDOS E TENDO UMA FILHA AOS 14 ANOS, QUE MORREU AOS 28 DIAS DE NASCIDA. MESMO ESTANDO NO MEIO DELES NÃO ME PROSTITUI, NÃO USEI DROGAS E NEM ASSALTEI NINGUÉM, GRÇAS A DEUS. DA RUA SÓ TROUXE DE RUIM O VICIUO DO CIGARRO QUE AOS 43 ANOS DEIXEI.

CONSEGUI SER UMA MULHER HONESTA E DIGNA MAIS MESMO TRABALHANDO MUITO, NÃO CONSIGO PAGAR UM TRATAMENTO DENTARIO COMPLETO COM UM PROFISSIONAL DEBOM CORAÇÃO, PARA DEIXAR EU PAGAR COMO EU POSSO. HOJE OS MEDICOS DIZEM QUE PERDI MUITA MASSA OSSEA E PERDI 6 DENTES SEM UMA CARIE POR TER PROBLEMAS DE GENGIVAS, E AGORA OS DENTES QQUE SOBRARAM EM CIMA QUE SÃO16 DESCERAM E MACHUCA MUITO A PARTE DE BAIXO QUE AINDA TEM 10 DENTES.

TENHO IDO A DENTISTAS PARA TENTAR RESOLVER ESSE PROBBLEMA MAIS ELES NÃO TEM PAPO É PAGAR OU NÃO TEM ARGUMENTO. ME AJUDE POR FAVOR ESTOU DENTUÇA DE+, OS DENTES SEPARARAM D+, MORDO A MINHA BOCHECHA E MEUS LABIOS, ESCUTO ESTALOS NO MEU OUVIDO TODA HORA E SINTO DORES D+. HOJE TENHO 49 ANOS ACABEI O MEU ESTUDO O ANO PASSADO POIS MAL E PORCAMENTE SABIA LER E ESTOU TENTANDO FAZER UMA FACULDADE DE PEDAGOGIA PELO GOVERNO, FAREI O VESTIBULAR AGORA EM JULHO.

ESTOU APRENDENDO A USAR O COMPUTADOR COM MINHA NORA; JÁ TENHO ATÉ EMAIL VIU QUE CHIC QUE ESTOU? DEUS O ABENÇOE GRANDIOSAMENTE."

Não tive mais retorno do caso, até que há poucos dias recebi nova mensagem de Neide. Selecionei alguns trechos:

"HOJE EU TENHO QUE AGRADECER PRIMEIRO A DEUS E DEPOIS AO SR. QUE FOI MEU ANJO DA GUARDA EM MANDAR AO DR. MARCELO O MEU EMAIL. PELA PRIMEIRA VEZ EU TIVE UM PISTOLÃO POR MIM. O DR. MARCELO JÁ ME ATENDEU E JÁ COMEÇOU OS PRIMEIROS PASSOS PARA RESOLVER OS MEUS PROBLEMAS DENTAIS, FUI TRATADA COMO UMA MADAME TAMANHA DEDICAÇÃO DE SUA EQUIPE. FIQUEI TÃO FELIZ QUE CHOREI DE ALEGRIA AO VER PESSOAS QUE NUNCA ME VIRAM ME TRATAREM COM TANTO CARINHO."

O que posso dizer? Muito obrigado, Marcelo.

domingo, 3 de maio de 2009

Ditaduras, feminismos e relações de gênero

A amiga Juliana Kroeger faz parte da organização deste colóquio na UFSC que pode render boas pautas aos colegas antenados na história recente da América do Sul.

Evento na UFSC reúne pesquisadores do Cone Sul

Colóquio aborda ditaduras, feminismos e relações de gênero

Começa na segunda-feira, 4 de maio, o primeiro Colóquio Internacional Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul. Durante quatro dias, serão discutidos temas como a trajetória de mulheres na luta contra as ditaduras no Cone Sul e o gênero da esquerda em tempos de ditadura.

As palestras e mesas redondas, abertas ao público, serão realizadas no auditório da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina. Além disso, há 138 comunicações de pesquisa que serão apresentados em diversos grupos de trabalho.

Segundo Joana Maria Pedro, professora do departamento de História da UFSC e uma das organizadoras do evento, o Colóquio “pretende constituir uma rede de pesquisadores envolvidos com pesquisa e recuperação da história recente no Cone Sul sobre a temática gênero, feminismos e ditaduras, produzindo, na troca e exposição dos trabalhos, um momento de debate e de produção original de conhecimentos sobre a temática”.

Entre os palestrantes convidados estão a pesquisadora argentina Elizabeth Jelin, o médico paraguaio Alfredo Boccia Paz, a historiadora chilena Margarita Iglesias, a professora uruguaia Graciela Sapriza e a professora da Universidade Federal Fluminense Rachel Soihet.

A programação completa do evento está disponível em www.coloquioconesul.ufsc.br

As conferências de abertura e encerramento serão transmitidas ao vivo pela internet.

Para marcar entrevistas: Juliana Kroeger (48) 9911-1177
julianakroeger [ at ] yahoo com br

sábado, 18 de abril de 2009

Dois jingles do tempo da República Velha

Florianópolis, cidade linda, de nome tão feio, como quem mora aqui já sabe (ou devia), foi batizada assim em 1894 como homenagem de um deputado puxa-saco ao presidente Floriano Peixoto - então ainda bem vivo -, depois que ele mandou abafar a Revolução Federalista ao custo de quase 200 fuzilamentos na Fortaleza de Anhatomirim. Li hoje uma historinha jocosa também ligada ao nome do marechal. A fonte é a biografia Rubem Braga: um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho. Braga a ouviu na infância, de um parente mais velho, e anos depois contou ao sobrinho Edson, que a revelou ao biógrafo:

Na campanha presidencial que colocou Floriano contra Custódio de Melo, em 1890, os partidários de Melo cantavam, nas ruas: "Floriano, Floriano, que nome horrendo/ começa cheirando, acaba fedendo". Mas seus adversários respondiam no mesmo tom: "Custódio, Custódio, que nome tens tu! / Acaba com ódio, começa com cu!"

terça-feira, 7 de abril de 2009

A elegância da imperfeição

There is an anecdote, told and retold through translated Japanese literature, of a Zen master who is staying with a priest at a temple close to Kyoto. The priest is having guests over that evening, and he has spent much of the day in the garden—shaping the moss, plucking weeds, and gathering up the leaves in tidy arrangements, all in order to achieve the state of perfection the temple builders had originally designed.

“Isn’t it beautiful,” the priest asked the master…

The master nodded. “Yes…your garden is beautiful; but there is something missing…”

The old gentleman walked slowly to a tree growing in the center of a harmonious rock and moss combination. It was autumn and the leaves were dying. All the master had to do was shake the tree a little and the garden was full of leaves again, spread out in haphazard patterns.

“That’s what it needed,” the master said.
Janwillem van de Wetering, The Empty Mirror

[via A List Apart, dica de Fabrício]

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Uma historinha de Realidade

Mylton Severiano (Myltainho), colunista da Caros Amigos, já integrou a redação de Realidade, revista que nos anos 60 fez história no jornalismo brasileiro. Pesquei de uma entrevista dele a Luiz Maklouf Carvalho (Profissão Repórter) esta historinha saborosa.

"O Narciso [Kalili] foi ao Nordeste fazer reportagem sobre uma vila de pescadores miserável. Chega lá, pega a verba de viagem, compra comida pra todo o mundo, distribui dinheiro. Manda pelo malote da Abril da capital daquele Estado, não sei se Salvador, Recife, bilhete mais ou menos nestes termos: 'Paulinho, seu viado, me manda mais dinheiro que estourei a verba com os pescadores. Dá um jeito aí, pau no seu cu', aquele jeito 'delicado' que o Narciso tinha de ser terno com os amigos, e o Paulo rasgou o bilhete, escreveu outro à máquina em nome do Narciso, dizendo que havia alugado um jipe para chegar à vila, o jipe atolou, tiveram de alugar trator para puxar, e tal, imitou a assinatura do Narciso, passou ao Roberto Civita, que autorizou mais verba."
p.s.: Meus pais colecionavam Realidade. Rasguei algumas quando era bebê. Depois, aos oito, nove anos, "redescobri" suas reportagens maravilhosas, ao mesmo tempo em que curtia, fascinado, aqueles fotões lindos de página inteira. Ainda não sonhava em ser jornalista, mas a semente foi bem plantada.

O OVNI do Morro das Pedras

Pedi e Maurício compartilhou o relato sobre o OVNI no Vida de Frila. Acredite se quiser.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Botelheco: Ciro Gomes e um cigarro

Historinha muito boa sobre Ciro Gomes e um cigarro, no Botelheco - blog que o amigo Diógenes Botelho, nosso correspondente para asssuntos aleatórios em Brasília, resolveu ressuscitar, pra alegria dos leitores.

sábado, 9 de agosto de 2008

Da série Mais Sorte que Juízo: fogo é notícia

Floripa, 1987. Eu fazia reportagem de polícia pro jornal O Estado. Certa vez, estava no centro quando percebi que havia um princípio de incêndio no prédio de um hotel na rua Felipe Schmidt. No auge da impulsividade insana dos vinte anos, num só fôlego subi doze andares pelas escadas até o foco da fumaça negra. Cheguei antes dos bombeiros. Pra minha sorte e dos demais ocupantes do hotel, o princípio de fogo havia sido dominado sem maiores danos. Ninguém me pediu respiração boca a boca. O episódio rendeu só uma notinha de pé de página.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

The bridge


Esta ponte, na rodovia CE-105, tem história. Ela foi construída anos antes da estrada e ficou parada um tempão como elefante branco. Depois fizeram a estrada, mas tiveram que ajustar o trajeto porque não encaixava na ponte...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Ciclista na boca da noite


O local desta foto, no centro de Russas, tem história. Imagine-se caminhando até o fim da rua e dobrando a esquina à direita. Bem ali defronte à igreja, neste mesmo horário, na década de 30 - meu pai era menino quando ocorreu o fato - um juiz de direito natural de Alagoas estava sentado na cadeira de balanço em frente à sua casa, esta que aparece à direita da imagem. Dois homens saltaram o muro dos fundos e avançaram por dentro da casa até a porta. Um deles passou um pano pelo pescoço do juiz, puxando-o para trás, e outro o matou com um punhal. Pouco depois, suspeitou-se de um sujeito que apareceu com o pé ferido - havia farpas afiadas de metal no muro que os assassinos saltaram. Quando a polícia o procurou, ele já havia desaparecido da cidade. Dizem que passou anos no Norte do país, até que o homicídio prescreveu e ele voltou. O crime nunca foi solucionado.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O aprendiz de criminoso

Aconteceu faz anos, num tempo em que até a criminalidade era mais ingênua. Conheci o personagem, mas nomes, lugares e datas não importam. No início o negócio parecia bom. Venda de comida congelada no varejo. Começou a ganhar dinheiro e o olho cresceu. Pegou empréstimo em banco, investiu pesado, ampliou o estoque. Mas logo passou a sofrer com a concorrência numerosa e hábil. Quebrou. Endividado, teve a idéia de aplicar sozinho um golpe que viria a ser conhecido como o seqüestro mais burro da crônica policial do estado.

A primeira etapa correu bem. Arrumou uma arma, rendeu um ricaço local e o levou para o cativeiro numa casa dos arredores. A partir daí as trapalhadas se sucederam. Ele escrevia bilhetes de próprio punho nas negociações. Ligava para a família do refém sempre do mesmo telefone público e ficava um tempão conversando - era um sujeito vaidoso e loquaz, não gostava que o interrompessem quando estava falando. Detalhe: o orelhão ficava pertinho do lugar do cativeiro. E mais: estacionou o carro do sequestrado no pátio da frente da casa, com a placa visível a quem passasse pela rua e desse uma olhada pelo portão gradeado.

Chegou o momento decisivo, o pagamento do resgate. Por comodidade, combinou um lugar prático para a entrega do dinheiro: um latão de lixo na calçada da casa da mãe dele. O resultado foi previsível. A polícia o pegou em flagrante. Preso, teve a sorte de não ir direto para a penitenciária, que estava lotada até a tampa. Ficou aguardando julgamento numa casa de detenção provisória, até que um dia conseguiu fugir pela porta da frente - possivelmente depois de generosa doação de sua família aos carcereiros, pois é improvável que um plano de fuga de sua lavra tivesse qualquer chance de êxito.

Livre, num raro lampejo de inteligência, intuiu que sua carreira criminosa não teria futuro. Zarpou para o exterior, onde vive até hoje, casado e com filhos. Se colocar de novo os pés no Brasil, imagino que será condenado a ver filmes policiais e ler romances de Agatha Christie por dez anos até deixar de ser burro. Woody Allen adoraria filmar a vida desse cara.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A China pelo olhar de Sônia Bridi

Minha ex-colega de curso na UFSC, Sônia Bridi, hoje correspondente da TV Globo em Paris, está lançando pela editora Letras Brasileiras o livro Laowai (Estrangeiro). Numa mistura de reportagem e diário de viagem, Sônia conta das experiências que ela mais o marido, o cinegrafista Paulo Zero, e um filho de três anos viveram em 2005 e 2006 na China, onde montaram a primeira base da emissora na Ásia.

Diz o texto do convite da Letras Brasileiras: "Uma história divertida, intensa e delicada, que provoca risos e lágrimas, sem apelações ou pieguices. ... Um retrato pitoresco, emocionado e extremamente requintado da sociedade chinesa,...com olhar perspicaz de repórter e viajante experiente e uma perspectiva feminina que dá ao relato um sabor especialíssimo".

Um livro de reportagem e histórias sobre a China, por si só, já me deixaria curioso (em 93 estive em Taiwan e Hong-Kong, o que me deixou com água na boca pra conhecer melhor essa cultura fantástica). Escrito pela Sônia, então - uma das repórteres de tevê mais brilhantes que conheço -, não dá pra deixar de ler. O lançamento com presença da autora vai ser no dia 10 de julho às 19h na Livraria Cultura de São Paulo (Conjunto Nacional); 15 de julho às 19h na Livraria da Travessa em Ipanema, Rio de Janeiro; e 17 de julho às 19h na Livraria Saraiva, em Floripa. Pena que estarei viajando, mas vou reservar meu exemplar.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Cochilos nas nuvens

Deu na AFP: Pilotos dormem e avião vai parar em outra cidade na Índia. Meu amigo Marques Casara, na lista Salinha do C.A., aproveitou pra contar outra:

Essa matéria me fez lembrar de uma história de avião.

Em 2002, peguei um monomotor em Macapá com destino a uma aldeia no Oiapoque. Fui sentado ao lado do piloto e os quatro caras da equipe de filmagem nos bancos de trás.

Decolamos ao amanhecer. A equipe pegou no sono em menos de 10 minutos. Também resolvi cochilar. O piloto tinha colocado o avião no automático e abriu uma revista. Quando acordei, o piloto tava babando em cima da revista, dormindo sono solto. Avião no automático. A equipe, de ressaca, roncando na parte de trás.

Olhei pela janela, um oceano verde do lado de baixo, um mar azul do lado de cima, tempo bom, sol no horizonte. O avião tava nivelado no rumo Norte. Encostei a cabeça na vidraça e continuei a soneca.

Acordei com o piloto fazendo uma curva à esquerda, posicionando para pouso. Deu um rasante e arremeteu. O avião tremeu todo, parecia que ia desmontar.

O que houve? - perguntei.

Antes de pousar em pista perto de aldeia, a primeira vez a gente dá um rasante, pros índios se assustarem e saírem do meio da pista - explicou o comandante, ainda com cara de sono.

Deu a volta e pousou. Os índios cercaram o avião. O cinegrafista acordou com a algazarra das crianças querendo entrar na cabine. “Nossa! Já chegamos? Que rápido!”, disse ele. O resto da equipe continuava dormindo.

domingo, 15 de junho de 2008

Vida de frila

Maurício Oliveira dá adeus definitivo ao finado blog Fogo-Fátuo e abre o blog temático Vida de frila, em que vai contar as aventuras e desventuras de seu dia-a-dia de repórter. Bem-vindo de volta.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Ambulantes no trem

André de Abreu, no Intermezzo, comenta sobre a reportagem multimídia Ambulantes no trem, um trabalho de conclusão de curso de alunos de graduação da faculdade Anhembi-Morumbi, orientado por Fábio Cardoso. Narrativas hipertextuais como esta são um exemplo do que pode se tornar o jornalismo daqui a alguns anos. Dá pra ser profundo e criativo sem ser chato. Construída em flash, a reportagem usa a metáfora do próprio trem como estrutura de navegação. Vídeos apoiados por textos curtos mostram o cotidiano dos "marrereiros", o conflito com os seguranças de empresas privadas que apreendem suas mercadorias e às vezes os agridem, as expectativas desses vendedores, as opiniões dos usuários do transporte. Há também um mapa clicável da rede ferroviária de São Paulo com informações sobre as principais estações.

Naveguei pela reportagem de maneira não-linear e transversal, como acho que a maioria do público fará. Também dá pra seguir o caminho convencional. Parece que esta é uma forte tendência nesse tipo de narrativa: traçar a rota de começo, meio e fim - o que gera segurança - e ao mesmo tempo permitir que o navegante mais destemido ou impaciente crie seus próprios. Os pequenos problemas, pelo que conta André, estão sendo corrigidos: faltam os créditos e há excesso de pop-ups: quando naveguei na parte dos usuários do trem, o vídeo travou algumas vezes. Nada que ofusque a alta qualidade do trabalho de pesquisa e de execução prática da idéia. Parabéns aos autores e ao orientador.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Domingo na Lagoa com a Barca dos Livros

No domingo fomos conhecer melhor a Barca dos Livros. É um lindo projeto da Sociedade Amantes da Leitura, que criou uma biblioteca na Lagoa da Conceição e, no segundo domingo de cada mês, promove passeios de barco com contadores de histórias. Uma das contadoras é a amiga Gilka Girardello, que foi minha professora do curso de jornalismo. Tem também o Sérgio Bello, o Polo com seu acordeon e outras pessoas que não conheço. Um barco cheio de livros sai com a criançada, pára no meio da Lagoa e começam as histórias entremeadas de música. Ao final, sorteiam um livro infantil.
Lanchamos no café da biblioteca com o Tomate, a Nega, a Isa e a Fernanda. Depois fomos ao Cineclube Sal da Terra conferir de novo À luz de Schwanke, curta-metragem dos amigos Ivaldo Brasil e Maurício Venturi, com roteiro de Ivi e da Katia Klock, que foi exibido sábado no Centro Integrado de Cultura durante o FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul.

Muita gente conhecida teve a mesma idéia. E a maioria resolveu levar os filhos. A criançada tomou conta do centro cultural com suas correrias e brincadeira de se esconder - acho salutar uma boa dose de irreverência em centros culturais. Quase todas as crianças também viram o documentário, embora esperassem um desenho animado ou coisa parecida. Dia divertido. Clique nas fotos pra ampliar.

terça-feira, 13 de maio de 2008

O velho tio

Uma historinha que meu pai costuma contar. Certa vez ele recebeu a visita, por alguns dias, de um velho tio do interior. O hóspede gostava de ficar na cadeira de balanço pitando o cigarro de palha. De vez em quando limpava a garganta e dava uma cusparada grossa no chão. A empregada chegou pra ele, com todo o jeito, e disse:

- Seu fulano, não leve a mal, mas tem criança pequena engatinhando pela casa. O senhor podia evitar de cuspir no chão?

Ele pediu desculpa e concordou de imediato. Passou a cuspir na parede.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Livro reúne 31 contos de novos autores catarinenses

Amanhã às 19h, no hall da Reitoria da UFSC, vai ser lançado o livro O novo conto catarina, antologia organizada pela professora Regina Carvalho para fechar as comemorações dos 25 anos da Editora da UFSC. Tive a honra de ter um conto meu selecionado junto aos de outros trinta autores. Os termos "novo" e "catarina" envaidecem este pernambucano quarentão que há 22 anos adotou Santa Catarina como amado porto seguro.

Muitos dos meus companheiros de antologia eu ainda não conheço, ou posso ter encontrado por aí, já que estamos numa ilha. Uns, conheço de nome ou de ler - Dennis Radünz, Maicon Tenfen, Aleph Ozuas. Com outros convivi em situações profissionais e sociais: Raquel Wandelli, Moacir Loth, Rubens Lunge, Marco Vasquez... O Marco é um contato recente: dia desses almoçou na minha casa e fizemos uma fogueirona no quintal pra assar tainha enquanto falávamos de literatura e da vida. Estar ao lado de tantos feras é um grande estímulo pra que eu me dedique mais à ficção. É um desejo muitas vezes colocado em segundo plano por causa das correrias do jornalismo. (p.s.: será? Anotação mental: escrever sobre isso).

Meu conto nesta coletânea se chama Pura sorte e foi publicado aqui no blog em julho de 2002. É inspirado num personagem real que viveu no interior do Ceará - com boas pitadas de invencionice pra temperar o enredo. A narrativa de aldeia aborda um tema universal sempre presente nas histórias sertanejas que eu ouvia na infância: a violência e seus agentes, com todas as contradições que carregam. O protagonista é um humano da pior espécie, pistoleiro de aluguel, mas tem uma "ética" profissional - que o impede, por exemplo, de matar as vítimas na presença de crianças. Se você encontrou semelhanças de forma com Dalton Trevisan e Eduardo Galeano, não é coincidência. Sou grande admirador da prosa sintética, despojada e forte dos dois escritores, e este conto foi um exercício de aprendiz.

Seus comentários são bem-vindos. E se estiver em Floripa nesta terça, venha tomar um vinho com a gente.

Contatos com a organizadora do livro, Regina Carvalho, podem ser feitos pelos telefones (48) 3225-9706 e 9976-7567 ou pelo e-mail regininha_carvalho@yahoo.com.br. Conheça também o blog dela, Coisas de Regininha. O número da Editora da UFSC é (48) 3721-9408.