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sábado, 5 de dezembro de 2009

Manifestação contra o emissário submarino

Recebi e passo adiante.

CONVITE

Convidamos toda a família para participar de uma ação comunitária por uma praia mais limpa. A CASAN está querendo construir um emissário de esgotos na Praia do Campeche, que receberá os efluentes da Estação de Tratamento do Rio Tavares. O problema é que o tratamento alcançará, segundo a própria CASAN, 80% do total do esgoto recebido. Além disso, receberá esgoto de Sambaqui, Santo Antonio de Lisboa, Cacupé, João Paulo, Saco dos Limões, Costeira do Pirajubaé, Carianos, Tapera, Ribeirão da Ilha, Pântano do Sul, Armação, Campeche, Rio Tavares e Lagoa da Conceição! Sentiu o drama? Então venha participar dessa manifestação em defesa da nossa praia, que consistirá na destruição simbólica de uma réplica de emissário. Este emissário de mentira, construído com material reciclável, sairá de frente da Escola Brigadeiro Eduardo Gomes e será levado até à praia, acompanhado pela população que fará uma espécie de ‘cortejo fúnebre’. Junto com ele, irão as crianças e jovens que simbolizarão os cardumes de peixe que morrerão se não fizermos nada. Cada cardume com sua bandeira e sua cor. Será um evento bem bonito e importante, construído de forma autônoma pela própria comunidade do sul da ilha que deseja buscar outras alternativas ao projeto do emissário.

Quando: domingo, dia 06/12, as 10 horas

Onde: em frente à escola Brigadeiro Eduardo Gomes, no final da Av. Pequeno Príncipe

Participe, manifeste-se!

sábado, 28 de novembro de 2009

Fosfateira de SC na mídia norueguesa

Santa Catarina foi objeto de reportagem do jornalista Erik Hagen, da ong Norwatch - organização que monitora as atividades das corporações norueguesas pelo mundo -, exibida ontem na tevê nacional da Noruega. A Bunge (americana) e Yara (norueguesa), com apoio do governo do estado de SC, planejam construir uma mina de fosfato que pode detonar a Mata Atlântica em Anitápolis, a 100km de Floripa. O projeto ameaça animais em risco de extinção, mananciais e a segurança da população da região. É tão temerário que foi congelado em liminar concedida pela Justiça Federal e confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região. As empresas recorreram.

Uma versão escrita da reportagem está no site da Norwatch. O bicho vai pegar no país escandinavo, pois a Yara, por ser parcialmente estatal, é de grande interesse público. E o governo norueguês fica de saia justa, pois no ano passado anunciou a doação de um bilhão de dólares até 2015 para um fundo de conservação da Amazônia. Imagino - talvez esteja sendo otimista em excesso? - que a pressão dos contribuintes vai terminar levando a Yara a rever seu projeto predatório. Quanto à Bunge, até agora, repercussão zero nos Estados Unidos. Alguém aí chama o Michael Moore?

p.s.: Dica pra ler reportagem em norueguês, em tradução automática imperfeita, mas aceitável: abrir o http://translate.google.com e colar no formulário o endereço do site. O resultado está aqui. Dá pra fazer o mesmo com as duas outras partes do texto (1 e 2).

sábado, 7 de novembro de 2009

"Sequestro estilo Camorra"


Vídeo da manifestação à qual Yoani Sanchez foi impedida de participar.


A filóloga e blogueira cubana Yoani Sanchez foi sequestrada e espancada ao se dirigir para uma marcha contra a violência. Ato infame da polícia política de um regime que está caindo de podre. Recomendo ler a íntegra do texto de Yoani. O início:

Cerca de la calle 23 y justo en la rotonda de la Avenida de los Presidente, fue que vimos llegar en un auto negro –de fabricación china– a tres fornidos desconocidos: “Yoani, móntate en el auto” me dijo uno mientras me aguantaba fuertemente por la muñeca. Los otros dos rodeaban a Claudia Cadelo, Orlando Luís Pardo Lazo y una amiga que nos acompañaba a una marcha contra la violencia. Ironías de la vida, fue una tarde cargada de golpes, gritos y malas palabras la que debió transcurrir como una jornada de paz y concordia. Los mismos “agresores” llamaron a una patrulla que se llevó a mis otras dos acompañantes, Orlando y yo estábamos condenados al auto de matrícula amarilla, al pavoroso terreno de la ilegalidad y la impunidad del Armagedón.

Me negué a subir al brillante Geely y exigimos nos mostraran una identificación o una orden judicial para llevarnos. Claro que no enseñaron ningún papel que probara la legitimidad de nuestro arresto. Los curiosos se agolpaban alrededor y yo gritaba “Auxilio, estos hombres nos quieren secuestrar”, pero ellos pararon a los que querían intervenir con un grito que revelaba todo el trasfondo ideológico de la operación: “No se metan, estos son unos contrarrevolucionarios”. Ante nuestra resistencia verbal, tomaron el teléfono y dijeron a alguien que debió ser su jefe: “¿Qué hacemos? No quieren subir al auto”. Imagino que del otro lado la respuesta fue tajante, porque después vino una andanada de golpes, empujones, me cargaron con la cabeza hacia abajo e intentaron colarme en el carro. Me aguanté de la puerta… golpes en los nudillos… alcancé a quitarle un papel que uno de ellos llevaba en el bolsillo y me lo metí en la boca. Otra andanada de golpes para que les devolviera el documento. (...)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Paisagem Especulada

Domingo estarei lá.


Convite para evento cultural Paisagem Especulada, Pântano do Sul

CHAMADA GERAL PARA UM DIA INESQUECÍVEL NA BEIRA DO MAR, NA PRAIA DO PÂNTANO DO SUL

Florianópolis, 20 de outubro de 2009.

Caros amigos e interessados!

Convido-os a participar do evento Paisagem Especulada que acontecerá no dia 25 de outubro de 2009, às 10h, na praia do Pântano do Sul, sul da Ilha de Santa Catarina. 

Vamos nos reunir para escrever na areia as palavras “PAISAGEM ESPECULADA”, num esforço conjunto para uma bela vista aérea de nossa obra.  Para isso vamos precisar de muitas pessoas bem dispostas, equipadas com pás de todos os tamanhos e formas, enxadas, ancinhos, baldes e latas, enfim qualquer ferramenta boa para cavar os traços das letras na areia.

A escolha deste local foi baseada na tensão entre a especulação imobiliária e os anseios de boa parte da comunidade desta região para se preservar a Planície do Pântano do Sul, transformando-a em um parque natural protegido.

Ficará visualmente ainda mais interessante se as pessoas puderem vestir roupas amarelas (calça, ou camiseta, vestido, boné, etc).

Esperamos contar com suas presenças!!!

PROMOTORES:

Núcleo Gestor Distrital do Pântano do Sul do PDP
Cine-clube Armação.
INMMAR- Instituto para o Desenvolvimento de Mentalidade Marítima
ABA Associação do Bairro dos Açores
Rádio Campeche

Apoio: Restaurante Pedacinho do Céu (fará a "sopa de letrinhas" para todos os participantes)

Fones para contato: Silvana Macedo (48) 3233 0083
Gert Schinke: 8424-3060, Raquel Macruz: 84555932

O quê? Evento Cultural Paisagem Especulada, Pântano do Sul
Como? De ônibus até praia do Pântano do Sul, ponto de encontro em frente ao Restaurante Pedacinho do Céu
Quando? Dia 25/10/09 (domingo)
Horário: 10:00 da manhã


~

p.s.: Tempo ruim. Não fui.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Partidas: Maurice Bazin

Recebo agora de Jadna Pizzolotto, via lista Campeche, mensagem contando sobre a morte de Maurice Bazin, ocorrida ontem. Ele havia sofrido um infarto há cerca de um mês e precisou fazer cirurgia pra colocar uma ponte de safena. Mas teve complicações renais, ficou em coma induzido por uma semana e não resistiu. Parisiense nascido em 1934, físico, astrônomo e educador, Maurice era isso tudo e muito mais. Um cidadão do mundo que respeitava profundamente a cultura local dos cantos por onde viveu - entre eles, o Sul da Ilha de Santa Catarina, que muito deve ao seu trabalho. Nas palavras de uma reportagem da revista Galileu, era um "inconformista, um intelectual que demole os muros entre a população carente e o conhecimento".

Tive a oportunidade de conviver com Maurice há uns dez anos, quando ele morava no Campeche. O agitador de Maio de 68 e das passeatas de Berkeley dedicava-se com energia a mais uma causa: a defesa do pacato bairro à beira-mar na capital de Santa Catarina, ameçado pelas ideias megalômanas dos governantes da época. Formávamos um pequeno grupo de editores voluntários do Fala Campeche, jornal comunitário  que defendia a participação democrática na construção do Plano Diretor. Nosso ativista francês dava contribuições preciosas. Inquieto, criativo, provocador, tinha uma atitude de permanente desafio ao lugar comum. Seu exemplo é uma herança importante. Ele deixa muita saudade, como acontece quando os homens sábios e generosos se despedem da vida. Espero que um dia o nome de Maurice Bazin batize uma praça, um observatório astronômico ou alguma outra instalação onde as pessoas do bairro possam se encontrar pra conviver, aprender e crescer juntas. Adeus, Maurice.

Detalhe de foto publicada no site da revista Galileu.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Castelo dos Sonhos: entrevista com Tatiana Cardeal

Há poucas semanas contei sobre um prêmio que minha amiga Tatiana Cardeal, fotógrafa documentarista, foi receber na China. Pois mal retornou ao Brasil, ela já recebeu outro: o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em parceria com Marques Casara, com a reportagem Castelo dos Sonhos [pdf], sobre exploração sexual de crianças e adolescentes ao longo da BR-163. Nesta entrevista, Tatiana conta como foram os bastidores dessa apuração.

DVeras em Rede - Como foi o desafio de fazer uma reportagem fotográfica sobre um tema que envolve tantos aspectos delicados do ponto de vista psicológico, legal e de segurança?


Tatiana Cardeal - Foi difícil, mas desafiador, e eu gosto muito dos desafios que me trazem um sentido. Não sou exatamente uma fotojornalista, meu trabalho é mais documental e bem mais lento, então, em no início achei que poderia não funcionar bem, mas acabei me surpreendendo bastante com minhas próprias reações. Fotografar escondida ou em risco não é a minha rotina, nem algo que eu tenha prazer em fazer. Houve momentos em que tive muito medo e outros em que surpreendemente me vi coordenando a situação com certa excitação para obter a melhor momento/ângulo de uma foto. Havia uma série de cuidados sobre o que fotografar e quando fotografar, não dava pra chegar clicando. Também havia o desafio de encontrar imagens fortes e/ou sensíveis que contassem a história e que fossem publicáveis, já que não se pode expor as imagens das vítimas da exploração sexual.

O que mais a impressionou? Houve momentos em que você hesitou em clicar?

Tatiana - Muitas coisas me impressionaram. Como cena, uma das mais impressionantes foi quando chegamos e passamos pela "avenida principal" de Castelo. Um grupo de cerca de sete meninas, muito novas (acho que entre 12 e 15 anos), semivestidas, sentadas na mesa de bilhar da varanda do boteco/bordel. A ausência do poder público alí impressiona, assim como as péssimas condições da estrada de terra (foram 6 horas para cobrir os 200 km), que separa Castelo da "civilização", uma área erma onde praticamente não se encontra nada. Como referência, a região é próxima de onde caiu o Boeing da Gol em 2006, e que foi uma enorme dificuldade de mobilidade para o próprio exército. Também me impressionou muito a cena de uma garota franzina de 12 anos amamentando seu bebê; e em especial a "normalidade cultural" com que o sexo com menores é tratado, ao mesmo tempo em que provoca vergonha e receio nas famílias da vítimas.

O momento em que hesitei não foi pela imagem da foto em si, mas pela pressão psicológica em que estava. A gente já sabia da fama violenta da cidade... um conselheiro tutelar de outra cidade entrou em pânico quando o Marques decidiu que precisávamos ir lá. Mas já em Castelo, depois de entrevistar o jornalista que estava ameaçado de morte, e ele mostrar uma série bizarra de fotos que fez dos assassinatos da região (que não aguentei ficar vendo, porque não eram somente corpos assassinados, mas mortes decorrentes de violência bizarra e brutal, com técnicas de tortura requintadas e sádicas, que expunham os corpos posteriormente como "mensagem" para a população local), e eu ainda precisava fazer duas últimas fotos, em público, na avenida principal e na delegacia. Eu estava tão chocada com o depoimento e a brutalidade das imagens do jornalista, que o Marques praticamente me empurrou pra fora do carro para fotografar.

Pode contar um pouco sobre o lado técnico de fazer uma cobertura fotográfica na umidade amazônica? Como você lida com o dilema entre a necessidade de carregar equipamento pesado e a de ser discreta?

Tatiana - Bom, a Amazônia é gigantesca, e oferece condições climáticas variadas. No caso dessa região no norte do Mato Grosso, não fomos na época das chuvas, então eu tinha mais preocupação com o poeirão vermelho da estrada de terra do que com a umidade, vivia protegendo a câmera e limpando. Já no Amazonas, em São Gabriel da Cachoeira encontramos temperaturas altíssimas com extrema umidade, a ponto de a cola do espelho da minha câmera derreter (e da filmadora parar de funcionar subitamente algumas vezes). Consegui colar novamente o espelho com uma versão enigmática de SuperBonder, a TreeBonder, única alternativa disponível na cidade indígena... por sorte colou e resolveu. Outra coisa que ajudou é ter uma mochila tropicalizada, que veda 100% contra chuva, e até protege na queda do equipamento na água (a mochila fica boiando no caso de uma voadeira virar...).

Normalmente não carrego muito equipamento. De mais pesado são duas cameras, três lentes médias e um flash. Se não ía muito longe, só uma camêra. Mas nada que não caiba em uma mochila média e que eu não possa levar.

Admiro a maneira como você reorientou a carreira bem-sucedida de diretora de arte para recomeçar - e obter reconhecimento internacional - na fotografia de temas sociais. O que moveu você nessa mudança e como ela se deu?

Tatiana - Obrigada, Dauro, mas saiba que essa mudança de carreira não foi nada muito planejado. Acho que tive uma boa dose de sorte, pois ao sair da Editora Abril eu já sabia que queria continuar na área social e não queria mais fazer revista puramente comercial. Estava fazendo uma pós graduação em Mídias Interativas, algo meio novo e experimental na época, e que me deixou bastante antenada com as possibilidades da internet. Fui publicando imagens de temas que me interessavam e pesquisas visuais que eu fazia como estudo e hobby. Aí fui recebendo um grande feedback que me encorajou a continuar produzindo mais e que aos poucos tornou-se trabalho. Ainda naquele período, algumas redes que eu frequentava e publicava só falavam em inglês, e acredito que foi aí que o trabalho ganhou alguma projeção fora daqui.

~

Leia também a entrevista com Marques Casara.

Castelo dos Sonhos: entrevista com Marques Casara

Meus amigos Marques Casara e Tatiana Cardeal ganharam menção honrosa na trigésima-primeira edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais conceituados do Brasil. A reportagem deles, Castelo dos Sonhos [pdf], publicada na revista da ong Childhood Brasil, desvenda uma rede criminosa de exploração sexual de crianças de adolescentes na BR 163. Nos últimos anos, Marques tem faturado vários prêmios "correndo por fora" da grande mídia. Suas reportagens investigativas bancadas por organizações do terceiro setor são um grande incentivo para quem acredita que é possível fazer jornalismo independente com qualidade. Fiz esta entrevista com ele por e-mail.


DVeras - Sobre o que é a reportagem Castelo dos Sonhos e o que ela traz de novo?

Marques Casara - A pauta foi proposta para a revista da organização não governamental Childhood Brasil, que desenvolve projetos ligados ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O objetivo seria percorrer a BR 163 e identificar locais de exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas, em postos de combustível e prostíbulos. O projeto foi aceito e financiado pela ONG.

Ao chegar na região Norte do Mato Grosso, a reportagem tomou outra proporção, pois identificou uma rede criminosa organizada de aliciamento de crianças e adolescentes nas cidades de Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto Azevedo, todas localizadas próximas à divisa com o Pará. Os aliciadores levavam as adolescentes para a cidade de Castelo de Sonhos, um distrito de Altamira localizado a 1.200 km da sede do município. O lugar é de difícil acesso, o que facilita o trabalho das redes de exploração. Tem apenas 3 policiais militares e um delegado que anda a pé por falta de viatura. Uma região sem lei e onde a exploração sexual de crianças e adolescentes acontece a céu aberto. O único jornalista da cidade passou 10 dias escondido no forro de uma casa para não ser morto e hoje recebe proteção especial do governo. A reportagem serviu para alertar as autoridades e mobilizar o governo do estado a tomar providências em relação ao problema das adolescentes. Uma reportagem como essa sempre muda o cenário, alerta as autoridades e outros jornalistas.


Conte um pouco sobre como foi a apuração. Durou quanto tempo? Quais foram as principais dificuldades e surpresas?

Casara - O assunto veio à tona em conversa com uma fonte na região. A apuração durou duas semanas. Foi trabalhoso localizar as famílias das adolescentes e mais trabalhoso ainda convencer mães e avós a contar o problema. Além do medo de represálias, sempre há um certo constrangimento em admitir que uma ou mais filhas foram aliciadas por redes que lucram com a exploração sexual. As famílias moram em cidades na divisa do Mato Grosso com o Pará. Chegar a Castelo de Sonhos também foi muito trabalhoso. São 200 km de uma estrada praticamente intransponível a partir da divisa. Cerca de 40 quilômetros após a partida, estourou o amortecedor dianteiro direito. A opção era desistir ou seguir em frente. Fomos em frente, arriscamos.

Castelo de Sonhos é um lugar sem Lei, sem Poder Público, sem força policial. O lugar é muito violento. Chegamos disfarçados e passamos uma noite. Na manhã seguinte, tivemos a sorte de encontrar uma amortecedor da mesma marca e modelo do carro. Só então revelamos nossa condição de jornalistas. A partir dai, foi uma corrida contra o tempo. Em três horas visitamos os locais onde ocorrem a exploração e fizemos as entrevistas e as fotos. Precisávamos sair da cidade antes de qualquer reação. No caminho de volta fomos seguidos por cerca de 80 quilômetros por uma caminhonete ocupada por três homens. A perseguição parou quando entramos em um canteiro de obras de uma barragem que está sendo erguida na região da Serra do Navio. Paramos em frente a um restaurante. A caminhonete nos seguiu e parou a menos de 30 metros. Após alguns minutos, deu meia volta e retornou a Castelo de Sonhos. Sem sair do carro, comemos duas latas de atum com pão e guaraná. Pegamos a estrada e chegamos a Guarantã do Norte sem maiores problemas. Se não tivessemos encontrado o amortecedor certo, teríamos um pouco mais de trabalho.


Como é a logística de fazer uma reportagem investigativa na Amazônia, lidando com um tema delicado e potencialmente arriscado tanto para vítimas quanto para repórteres?

Casara - A logística é imitada pelos recursos. A apuração é limitada pelos riscos. Estávamos com um carro de passeio quando deveríamos estar em um 4x4. Isso aumenta os riscos de quebrar o carro. Também dificulta uma saída rápida em caso de necessidade. A reportagem também é limitada pelas distâncias e pelas condições das estradas, o que torna tudo mais caro e trabalhoso. O assunto é complexo, as famílias não gostam de falar sobre isso. A corrupção também dificulta a apuração e aumenta os riscos, pois autoridades ganham dinheiro acobertando criminosos.

É preciso jogar com todos esses fatores. É preciso também antever os riscos, estar sempre um passo à frente. É necessário jogar com o fator surpresa, com a rapidez e com toda a experiência acumulada. Os principais erros acontecem por causa da afobação e do medo. Os três segredos da reportagem de risco são os seguintes: 1) Mantenha a calma; 2) Mantenha a calma; 3) Mantenha a calma.


Você acredita que a reportagem de vocês pode transformar a realidade dessas adolescentes? Já transformou desde que foi publicada?

Casara - Reportagens como essa sempre mudam o cenário. Servem de alerta, inspiram novas matérias. Uma violência como essa, quando vem a tona, atrapalha a vida dos criminosos e estimula as autoridades. Algumas autoridades são estimuladas a aumentar o valor da propina, outras, honestas, são estimuladas a resolver o problema.


Este é o seu segundo prêmio Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O que isso representa para você como jornalista que atua com entidades do terceiro setor, sem o apoio da grande mídia?

Casara - Não me interesso mais pela grande mídia. Desde o ano 2001 atuo exclusivamente para organizações que não estão vinculadas ao jornalismo industrial. Posso fazer um jornalismo mais libertário e revolucionário. Não estou limitado pelos interesses comerciais das empresas de comunicação. Hoje, o que dá lucro para essas empresas é o jornalismo de entretenimento, mesmo quando disfarçado de "investigativo". Desde que sai desse circuito ganhei um Prêmio Esso e dois Herzog. É um bom referencial. Estou construíndo um caminho próprio, sem holofotes mas com muita realização pessoal. Uma dica pra quem tá começando na profissão: todo jornalismo é investigativo. Se não é investigativo, não é jornalismo.

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Leia também a entrevista com Tatiana Cardeal.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

S.O.S. Barca dos Livros

Se você ainda não conhece a Barca dos Livros, um projeto maravilhoso que fica na Lagoa da Conceição, dê uma passadinha por lá (se tiver filhos, leve as crianças!) pra tomar um café, folhear ou levar emprestadas algumas publicações e fazer um passeio no barco de contação de histórias. Enquanto é tempo. Este texto da professora Tânia, coordenadora da Barca, me comove pelo idealismo e garra do pessoal que faz a Sociedade Amantes da Leitura. Ao mesmo tempo, causa indignação constatar a pequenez dos gestores públicos. Santa Catarina é um estado rico e sua capital se vangloria pela alta qualidade de vida. Num contexto desses, quando uma biblioteca premiada por sua proposta inovadora corre o risco de fechar, é porque alguma coisa vai mal, muito mal.

S.O.S. Barca dos Livros

Tânia Piacentini

“Um país se constrói com homens e livros”. Lobato, em tempos politicamente corretos, acrescentaria, talvez, “mulheres” – homens, mulheres e livros. Mas certamente manteria o cerne de sua afirmação e crença: livros são essenciais para a formação e desenvolvimento das pessoas. Nisso também acreditamos, nós, os membros da Sociedade Amantes da Leitura, a organização não governamental, sem fins econômicos e de utilidade pública municipal e estadual, responsável pela criação e funcionamento da biblioteca comunitária Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.
Inaugurada em 02 de fevereiro de 2007, a Biblioteca possui hoje um acervo de mais de 8.000 livros já catalogados e 3.000 em fase de catalogação, e desenvolve um programa mensal de incentivo à leitura, recebendo escolares e comunidade em geral, diária e gratuitamente. Desde a abertura temos mantido uma média de 1.800 visitantes/mês, provenientes não só da Lagoa da Conceição e região leste, mas de todo o município, da Grande Florianópolis e também do interior do Estado. Temos 2.300 leitores cadastrados a partir de outubro de 2007, 18.261 livros foram emprestados desde então, e 21.805 pessoas estiveram na biblioteca em 2008, participando de pelo menos uma das muitas atividades que oferecemos de terça-feira a domingo. Agora em 2009, já registramos a presença de 13.605 pessoas, até agosto.
Nesses dois anos e meio de atividade, nossa biblioteca é referência na área do livro e da leitura, e presença constante na mídia local e nacional, por ser um projeto que já nasceu com a qualidade, o trabalho e o reconhecimento de especialistas. (...)
Clique aqui para ler o texto na íntegra.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Liminar impede construção da fosfateira de Anitápolis

Uma liminar concedida ontem pela juíza federal substituta Marjôrie Cristina Freiberger Ribeiro da Silva suspende os efeitos da Licença Ambiental concecida pela Fatma (Fundação do Meio Ambiente) e impede a construção da fosfateira das transnacionais Bunge e Yara no município de Anitápolis. A juíza determina que a Fatma "se abstenha de expedir a Autorização de Corte e às empresas rés de qualquer ato tendente à supressão de vegetação ou início das obras, até decisão final nesta ação". Importante conquista para os moradores dessa linda região de Mata Atlântica na encosta da serra catarinense, rica em nascentes, flora e fauna ameaçadas de extinção. Recomendo a leitura da íntegra da decisão judicial, sábia e bem fundamentada. Ainda há muita água pra correr neste caso, mas é uma vitória inicial a comemorar.

domingo, 20 de setembro de 2009

Mina vira alvo de protestos em SC

Matéria de alta relevância no Estadão de hoje. Um paraíso de mata atlântica e nascentes está ameaçado pela estupidez corporativa. O Fernando e a Regina, citados no texto, foram nossos anfitriões no sítio Pasárgada, em Anitápolis.

Mina vira alvo de protestos em SC

Empreendimento para explorar fosfato obteve aval de órgão de licenciamento, mas moradores são contra atividade

Eduardo Nunomura


Há sete anos, Fernando Monteiro decidiu ir embora para sua Pasárgada, e assim batizou o sítio que escolheu, no meio da mata atlântica de Santa Catarina. Hoje, ele está triste, triste de não ter jeito, com a história da construção de uma mineradora perto de seu quintal. Mas, ao contrário do que imaginava o poeta Manuel Bandeira, Monteiro não é amigo do rei nem da Indústria de Fosfatos Catarinense (IFC), dona do projeto Anitápolis. A IFC quer explorar a maior jazida ainda intacta no País em uma área de 300 hectares, cercada de florestas, rios e pequenas comunidades. Monteiro e outros tantos lutam para barrar a obra.

Duas multinacionais, a Bunge e a Yara Brasil Fertilizantes, formaram a IFC e compraram 1,8 mil hectares na pacata cidade de Anitápolis. Há décadas sabe-se que naquele chão há o minério vital para o agronegócio. É o fósforo, identificado pela letra química P. Com o nitrogênio (N) e o potássio (K), forma o fertilizante NPK. O Brasil importa a maior parte do fósforo, porque é mais barato. Explorar jazidas como a de Anitápolis reduziria a dependência externa.

Monteiro é um paulistano que se refugiou na montanha. Casou-se com Regina Capistrano, mãe de Miguel, de 11 anos, e com ela teve duas filhas, as pequenas Mariana e Ana Clara. Eles compraram 5,5 hectares cortados por dois rios e nove nascentes d"água. Plantaram uma horta e construíram três cabanas para receber hóspedes. A pousada Sítio Pasárgada faz parte de um programa de inspiração francesa, a Acolhida na Colônia, onde turistas experimentam a vida no campo sem televisão, telefone ou internet. "Falo de rios limpos, rãs e matas intactas. As multinacionais dizem que vão preservar, mas a lógica delas é de quem só pensa em produzir", diz ele. (...)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Repórter Brasil, 8 anos

A ong Repórter Brasil, especializada em reportagens sobre direitos humanos (com foco em trabalho escravo), está completando oito anos de serviços preciosos ao jornalismo e ao país. Recebi convite de seu coordenador, Leonardo Sakamoto, pra festa de comemoração e passo adiante a quem estiver em São Paulo no dia 21.

Festa Repórter Brasil, 8 anos
Quando: 21 de setembro (segunda-feira), a partir das 21h.
Local: Fun House (uma das melhores baladas de São Paulo) - Rua Bela Cintra, 567.
Há dois convites: um de R$ 10 e outro de R$ 20. O de R$ 20 dá direito ao sorteio a uma passagem de ida e volta para qualquer lugar do país (exceto Fernando de Noronha - não perguntem o porquê). Podem ser comprados com antecedência ou na porta.

Os recursos arrecadados ajudarão a bancar o 1º Encontro Nacional do "Escravo, Nem Pensar!", que será realizado durante o feriado de 12 de outubro. Trata-se de um evento, organizado pela Repórter Brasil, que reunirá centenas de professores e lideranças populares de diversas regiões do país em Açailândia, no Maranhão.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Nane e as mulheres que dizem 'sim' pra si mesmas

Dou continuidade à série Humanos com minha amiga Eliane (Nane) Faganello de Som, catarinense de Seara que vive em Stuttgart, Alemanha, com o marido e a filha. Nane é psicóloga e faz um bonito trabalho com mulheres em situação de vulnerabilidade - principalmente as de origem turca e de outros países muçulmanos. Ao mesmo tempo em que as ajuda a se alfabetizarem em alemão, ela estimula o fortalecimento da autoestima dessas imigrantes, para que enfrentem o machismo e conquistem seu lugar no mundo. Não por acaso, usa o método Paulo Freire.

Propus entrevistá-la e ela concordou. Antes que eu fizesse as perguntas, me enviou como introdução um relato tão rico, tão impregnado de força e generosidade, que achei melhor publicar assim mesmo, em primeira pessoa. O depoimento que se segue está praticamente na íntegra. Suprimi só um ou outro detalhe agora irrelevante, como a proposta de que fizéssemos a entrevista pelo skype e a referência a férias no Brasil. "Dauro, eu não sei escrever curto e bonito, como os bons jornalistas", me disse ela. "Também não sei pôr as vírgulas nos lugares certos e me perco em análises". Pois eu discordo, Nane. Adorei seu texto.

p.s.: a Nane é parceirona no filme Espírito de Porco desde os primeiros passos, quando fez uma ampla pesquisa em bibliotecas alemãs. Coautora do roteiro, deu sugestões sempre pertinentes durante toda a produção e edição do documentário.

Devo dizer que não sou tão interessante como tu pensas, nem o meu trabalho tem dimensões tão grandes a ponto de eu imaginar que possa vir a melhorar o mundo. Dentro deste microuniverso em que estou envolvida faço coisas simples, que me permitem uma certa movimentação intelectual e me dão muita alegria. Sei que ajudo essas pessoas e isso me faz bem. Também eu me defronto com o novo, aprendo e me transformo. E é legal assim.

Trabalho em vários lugares, ou seja, em instituições certificadas que recebem dinheiro público para projetos sociais, sobretudo na área de política de integração, que é um dos temas centrais dos últimos dez anos. O governo e a União Européia repassam o dinheiro dos projetos sociais e interculturais para essas instituições, que se encarregam de contratar pessoas e instrumentálizá-las para o trabalho. Tudo é com certificação e qualificação e acompanhado de cursos de aperfeiçoamento, certificados e coisa e tal.

Num desses lugares, trabalho com um grupo de mulheres de várias nacionalidades e religiões, como turcas muçulmanas, curdas alevitas, albanesas desorientadas e até uma brasileira mal-tratada pelo marido. São mulheres que precisam de uma certa estabilidade emocional e que ninguém, na verdade, sabe o que fazer com elas. A forma de conseguir fazer com que elas saíssem de casa foi criando um grupo de alfabetização, o que é aceito pelas famílias e legitimado pelo governo. Assim, o espaço de alfabetização é a possibilidade de sair de casa, de se defrontar com outros valores e realidades e de questionar a sua própria.

Tenho plena consciência de que muitas delas jamais abandonarão seus véus, mas também não precisam, nem essa é a proposta. O fato delas se sentirem respeitadas em sua cultura, língua e religião, faz com que aprendam a aceitar as outras culturas ao seu lado. Elas se tornam mais conscientes, tolerantes e capazes de dizer: " Ich bin ok, wie ich bin. Du bist ok, wie du bist." O que quer dizer: "Eu sou legal como eu sou. Você é legal como é."

A questão central do trabalho é a alfabetização e a manutenção destas mulheres num curso ou em algum lugar onde possam se defrontar com seus próprios valores. Eu ajudo elas a pensar sobre a língua, sobre o processo de alfabetização, sobre problemas nunca tematizados e a resgatar um pouco da sua identidade.

Não posso dizer que sou alfabetizadora, porque são elas mesmas que se alfabetizam, através da leitura do seu mundo e da sua posição na história. Eu ajudo elas a se manterem no grupo, a pensarem sobre temas difíceis e complexos, como sua própria família e a realidade onde vivem. Também não posso dizer que sou psicóloga, nos modelos tradicionais. Sou uma psicóloga que trabalha com pessoas em processo de alfabetização, de aprendizagem e de reestruturação da sua própria identidade.

O grupo é bem heterogêneo e da análise da realidade individual e grupal surgem palavras para escrever (e elas escrevem desesperadamente, Dauro!). As palavras selecionadas, resultantes de nossas conversas são escritas e trabalhadas, como no método Paulo Freire e aos poucos elas conseguem ler cartazes, livros e a sua própria vida.

Normalmente surgem temas pesados para conversas, tais como Gewalt (violência), Wut (raiva), schlagen (bater) e nas últimas semanas surgiram questões belíssimas: - por que só as mulheres muçulmanas não podem casar quando o marido morre? Ou ainda, por que os homens podem casar de novo, mas as mulheres não? Por que as mulheres muçulmanas não podem freqüentar piscinas mistas, mas os homens sim?

Trabalho com este grupo duas vezes por semana e muitas das mulheres têm "desabrochado", dia por dia, como diria o padre Pinto. Festejamos o carnaval com música árabe e saí cambaleando de tanto comer daqueles charutinhos de folha de parreira recheados com carne de ovelha, mas confesso que nunca vi aquelas mulheres tão felizes.

Uma delas perdeu a família no Iraque, trata um câncer de mama e é tiranizada pelo marido, que a controla pelo celular, chamando-a para preparar chás e coisas a fins. Na semana passada ela conseguiu dizer "não" a ele, pelo telefone, de uma forma tão serena e educada que as outras aplaudiram. Eu sinalizei, no final, que ela estava dizendo "sim" para ela mesma. Daí elas escolheram uma palavra bem bonita para trabalhar nos próximos dias: respeito.

Um abraço bem grande,

nane

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"Vida a qualquer preço? Não vale pra mim"

Um belo perfil de uma ciclista que morreu atropelada na avenida Paulista no dia 14 de janeiro. O autor é o jornalista Fausto Salvadori Filho. Seu blog Boteco Sujo traz a versão integral do texto que saiu condensado na revista Criativa.

[ dica do @inagaki ]

UPDATE 8/4: Fausto faz uma retificação:

Na verdade, o post não é "a versão integral que saiu condensada na revista", é o texto da revista com alguns acréscimos pessoais. Eu sei que parece a mesma coisa, mas só não quero dar a impressão de que usei o blog para "vazar" uma versão não editada da matéria.
Ok, Fausto, tá feito o registro. Parabéns pelo texto.

sexta-feira, 20 de março de 2009

As marolas do jornalismo alternativo

Recebi hoje uma mensagem do amigo Marques Casara que me deixou muito contente. Não sou de ficar relembrando sucessos passados, mas, mesmo correndo o risco de me acharem cabotino, quero compartilhar esta memória aqui - em especial com quem está começando como repórter e sente desânimo com as perspectivas da profissão.

Quase cinco anos depois, é um registro de que o jornalismo pode contribuir pra um mundo melhor. Neste caso, correndo por fora da mídia hegemônica, numa publicação de terceiro setor que teve tiragem de apenas 4 mil exemplares. Às vezes uma marolinha faz coisas que a gente nem imagina. O e-mail foi dirigido a mim e ao repórter fotográfico Sérgio Vignes, parceiro meu e do Marques nessa reportagem.

Caríssimos,
um registro para vossas memórias:

Quarta-feira, auditório da Bolsa de Valores de São Paulo. Todas as poltronas ocupadas, engravatados se espremem na porta. A estimativa era a de que 20% do PIB brasileiro estava presente. Tema do encontro: erradicação do trabalho escravo na cadeia produtiva das empresas. Atualmente, 160 grandes empresas são signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

Abertura do evento: Caio Magri - Instituto Ethos.

Faz a apresentação e avisa que diversas empresas vão apresentar "cases" sobre como estão enfrentando o problema na cadeia produtiva. Última fala de Caio Magri:

"É necessário fazer um registro. Tudo isso está acontecendo e nós todos só estamos aqui hoje porque, em 2004, o Instituto Observatório Social publicou uma corajosa reportagem sobre o trabalho escravo na cadeia produtiva do aço. A partir daquela reportagem houve uma grande mobilização, houve o lançamento de um primeiro Pacto em Brasilia e que culminou com o Pacto que hoje está em vigor e que nós vamos conhecer aqui na Bovespa".

Na platéia, Paulo Vanucci, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, a cúpula da Bovespa, direção da Petrobrás, grandes siderúrgicas, as maiores cadeias varejistas do país.

Contem para seus netinhos porque vocês merecem.

abraços

Marques Casara
Papel Social Comunicação
p.s.: A "marolinha" foi a reportagem Escravos do Aço, [revista em pdf, 2,9 MB] que publicamos em junho de 2004, mostrando como as siderúrgicas se beneficiam do trabalho escravo em carvoarias da Amazônia.

p.s.2: Mais sobre trabalho escravo (e links pra outras fontes) aqui no blog.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Doações à Biblioteca Leia o Mundo

Utilidade pública: mudou o endereço para a remessa de doações à Biblioteca Leia o Mundo, de Rondônia. Agora é

Av. Florianópolis, 4882 Centro, Rolim de Moura-RO
CEP 76940-000
Para Valdete Silveira Baldo ou Ivone de Moraes Kerber

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

UFSC vai ao Pará com o Projeto Rondon



Estudantes de jornalismo, medicina e serviço social da UFSC começaram esta semana a Operação Centro-Norte - nome com o qual foi batizada a missão do Projeto Rondon no município de Monte Alegre, no Pará. O projeto, coordenado pelos professores Sérgio Mattos e Clóvis Geyer, prevê uma série de ações sociais envolvendo crianças, adolescentes, idosos, mulheres em amamentação, educadores, agentes comunitários e a população em geral. É a primeira vez que uma turma do jornalismo da UFSC participa dessa experiência transformadora de conhecer e informar sobre um Brasil que a maioria dos brasileiros desconhece. Tiro o chapéu pro Projeto Rondon, uma das raras iniciativas em que a universidade pública é colocada a serviço do povão. Dá pra acompanhar de perto o trabalho da moçada pela internet, em textos, fotos e, em breve, também em vídeo. Monte Alegre fica perto de Santarém, a 623 km em linha reta de Belém. O Projeto Rondon é promovido pelo Ministério da Defesa com apoio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.

p.s.: O professor @clovisgeyer é tuiteiro. Se tiver tempo, vai enviar alguns dropes de viagem em 140 caracteres.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Em Gaza

Dois links pra entender o conflito e acompanhá-lo pelo ponto de vista de quem está preso no gueto:

http://ingaza.wordpress.com
Blog de um palestino que está em Gaza. Histórias e fotos fortes. Em inglês [dica do Yan].

O Biscoito Fino e a Massa
Blog de Idelber Avelar. Ele convida os interessados em acompanhar os testemunhos dos palestinos no Facebook a entrar em contato e pedir para ser adicionado na comunidade do Biscoito.

p.s.: G1 com agências, 11h17, atualizada 11h27:
Israel e palestinos aceitam proposta franco-egípcia de cessar-fogo

domingo, 7 de dezembro de 2008

Voluntários








Voluntários embalam doações no Sesc da Prainha. Floripa, 29 de novembro, 2008.

sábado, 29 de novembro de 2008

Precisa-se de roupas para crianças grandes

Laura e eu chegamos agora há pouco do Sesc da Prainha, onde uma equipe de voluntários embala as doações que não param de chegar aos desabrigados. Um dos pedidos prioritários do momento é de roupas e calçados para crianças entre 7 e 14 anos.