É uma missão impossível apontar os três "melhores" livros que li em 2009. Qualquer que fosse a lista, ela seria injusta com alguns que ficam de fora. Este foi um ano em que li, por exemplo, três excelentes biografias - as de Paulo Coelho, Rubem Braga e (com atraso de uma década e meia, mas sempre em tempo) Nelson Rodrigues. Então tá, não tem essa de melhor. Vou apontar "três livros marcantes" e dizer por que vão para o pódio.
3. Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa.
Linda e triste história de amor entre um homem romântico e uma mulher ambiciosa, situada ao longo de vários anos em diversas cidades do mundo. Vargas Llosa tem domínio pleno da arte da narrativa. O romance mergulha com intensidade e fluidez, mas sem pieguismo, nas contradições insanas do bem-querer. Delícia.
2. Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson.
O primeiro livro da trilogia de suspense escrita pelo jornalista sueco (que morreu pouco antes da publicação) é de arrebatar. Uma página puxa outra. Na curiosidade de saber mais sobre a punk-hacker Lisbeth Salander, a gente devora 600 e tantas páginas brincando. E em seguida pula pro segundo e pro terceiro volume. Vai que é coisa de primeira (aliás o Vargas Llosa escreveu artigo no El Pais dizendo isso).
E na categoria Livros, o DVeras Awards 2009 vai para...
1. O filho eterno, de Cristovão Tezza.
Esse romance lindo (e multipremiado) de inspiração autobiográfica que li em janeiro evocou tantas referências da minha memória afetiva... Uma obra-prima, lapidada com arte e coragem. Recomendo.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
DVeras Awards 2009: livros
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Boa notícia sobre a Barca dos Livros
A Bel Humenhuk (no twitter, @humenhuk) e seus colegas de jornalismo da turma do Paulinho Scarduelli na Estácio estão fazendo assessoria de imprensa para a Barca dos Livros. Ela acaba de me enviar mensagem com uma boa notícia: saiu parte da verba prometida pelo Estado de SC para a manutenção da biblioteca.
O Estado de SC, através da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte, liberou parte da verba solicitada pelo Projeto Barca dos Livros no FUNCULTURAL 2009-segundo semestre. A segunda parcela do Projeto 2009 deverá ser repassada no início de 2010. A verba total é de 200 mil reais, e o FUNCULTURAL só tinha liberado metade. O aprovado agora foram 50 mil reais, ou seja, ainda falta 1/4 do total. Ainda assim, com isso a Barca dos Livros pode manter o programa de incentivo à leitura por alguns meses e poderá continuar pagando a manutenção do Projeto (despesas fixas) e suas atividades. O horário e a programação deverão continuar reduzidos pois a verba do município ainda não foi liberada. O Projeto FUNCULTURAL para 2010 já foi enviado para a Secretaria.
Além disso, a Barca dos Livros é uma das entidades que serão homenageadas pelo Estado de Santa Catarina com a Medalha Cultural Cruz e Souza. A entrega será no dia 24, às 20h, no Teatro Álvaro de Carvalho.As próximas atividades da Barca são essas:Sábado de Prosa e VersoUm dia especial para vivenciar a literatura, compartilhar emoções, impressões e novas descobertas. Participação especial de Maria Aparecida Barbosa e Dirce Amarante, tradutoras de "Feitiço de Amor e Outros Contos" e " Contos de Ionesco para Crianças", respectivamente.Dia 21 (sábado), às 18h, gratuitoTerças em ContosEncontros quinzenais do Grupo Permanente de Formação de Contadores de Histórias.Coordenação de Ingo Vargas.Dia 24/11 (terça-feira), às 19h, gratuitoSarau de Histórias – Contos de IlhasVenha compartilhar das mais curiosas e belas histórias de ilhas de todo o mundo. Coordenação: Sergio BelloDia 28/11, 20h, R$ 5,00
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Literatura em Joinville
Joinville Literária - autores contemporâneos joinvilenses e suas obras.
http://www.joinvilleliteraria.com.br/
Uma dica do Norberto Hoff.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
S.O.S. Barca dos Livros
Se você ainda não conhece a Barca dos Livros, um projeto maravilhoso que fica na Lagoa da Conceição, dê uma passadinha por lá (se tiver filhos, leve as crianças!) pra tomar um café, folhear ou levar emprestadas algumas publicações e fazer um passeio no barco de contação de histórias. Enquanto é tempo. Este texto da professora Tânia, coordenadora da Barca, me comove pelo idealismo e garra do pessoal que faz a Sociedade Amantes da Leitura. Ao mesmo tempo, causa indignação constatar a pequenez dos gestores públicos. Santa Catarina é um estado rico e sua capital se vangloria pela alta qualidade de vida. Num contexto desses, quando uma biblioteca premiada por sua proposta inovadora corre o risco de fechar, é porque alguma coisa vai mal, muito mal.
S.O.S. Barca dos LivrosClique aqui para ler o texto na íntegra.
Tânia Piacentini
“Um país se constrói com homens e livros”. Lobato, em tempos politicamente corretos, acrescentaria, talvez, “mulheres” – homens, mulheres e livros. Mas certamente manteria o cerne de sua afirmação e crença: livros são essenciais para a formação e desenvolvimento das pessoas. Nisso também acreditamos, nós, os membros da Sociedade Amantes da Leitura, a organização não governamental, sem fins econômicos e de utilidade pública municipal e estadual, responsável pela criação e funcionamento da biblioteca comunitária Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.
Inaugurada em 02 de fevereiro de 2007, a Biblioteca possui hoje um acervo de mais de 8.000 livros já catalogados e 3.000 em fase de catalogação, e desenvolve um programa mensal de incentivo à leitura, recebendo escolares e comunidade em geral, diária e gratuitamente. Desde a abertura temos mantido uma média de 1.800 visitantes/mês, provenientes não só da Lagoa da Conceição e região leste, mas de todo o município, da Grande Florianópolis e também do interior do Estado. Temos 2.300 leitores cadastrados a partir de outubro de 2007, 18.261 livros foram emprestados desde então, e 21.805 pessoas estiveram na biblioteca em 2008, participando de pelo menos uma das muitas atividades que oferecemos de terça-feira a domingo. Agora em 2009, já registramos a presença de 13.605 pessoas, até agosto.
Nesses dois anos e meio de atividade, nossa biblioteca é referência na área do livro e da leitura, e presença constante na mídia local e nacional, por ser um projeto que já nasceu com a qualidade, o trabalho e o reconhecimento de especialistas. (...)
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
'Lisbeth Salander debe vivir' (Vargas Llosa)
Artigo de Mario Vargas Llosa em El País sobre a trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson:
Comencé a leer novelas a los 10 años y ahora tengo 73. En todo ese tiempo debo haber leído centenares, acaso millares de novelas, releído un buen número de ellas y algunas, además, las he estudiado y enseñado. Sin jactancia puedo decir que toda esta experiencia me ha hecho capaz de saber cuándo una novela es buena, mala o pésima y, también, que ella ha envenenado a menudo mi placer de lector al hacerme descubrir a poco de comenzar una novela sus costuras, incoherencias, fallas en los puntos de vista, la invención del narrador y del tiempo, todo aquello que el lector inocente (el "lector-hembra" lo llamaba Cortázar para escándalo de las feministas) no percibe, lo que le permite disfrutar más y mejor que el lector-crítico de la ilusión narrativa.
¿A qué viene este preámbulo? A que acabo de pasar unas semanas, con todas mis defensas críticas de lector arrasadas por la fuerza ciclónica de una historia, leyendo los tres voluminosos tomos de Millennium, unas 2.100 páginas, la trilogía de Stieg Larsson, con la felicidad y la excitación febril con que de niño y adolescente leí la serie de Dumas sobre los mosqueteros o las novelas de Dickens y de Victor Hugo, preguntándome a cada vuelta de página "¿Y ahora qué, qué va a pasar?" (...)
Drops da semana
Semana corridaça. Então, ao estilo twitter, vamos aos drops.
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Recebi, via www.trocandolivros.com.br, Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa. Preciosidade.
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Lendo a 3a. parte da trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson: A rainha do castelo de ar.
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Artigo de Vargas Llosa em El País elogiando a trilogia Millenium: "Lisbeth Salander debe vivir".
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O escritor da vez em Grandes autores catarinenses, blog da Regininha, é Godofredo O. Neto.
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Festival Internacional de Mágica em Floripa. Ganha quem fizer sumir o engarrafamento.
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Revendo um ótimo e despretensioso filme romântico: Before Sunrise (Richard Linklater, 1995).
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Contagem regressiva: faltam três dias para a Primavera. Chega de chuva e lama, quero praia.
sábado, 12 de setembro de 2009
Anotação de leitura: Primeiras Estórias
Tudo se amaciava na tristeza. Até o dia; isto era: já o vir da noite. Porém, o subir da noitinha é sempre e sofrido assim, em toda a parte. O silêncio saía de seus guardados. O Menino, timorato, aquietava-se com o próprio quebranto: alguma força, nele, trabalhava por arraigar raízes, aumentar-lhe alma.Guimarães Rosa, As margens da alegria, conto publicado em Primeiras Estórias.
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O subir da noitinha me traz lembranças de infância semelhantes ao que Rosa descreve no trecho acima. Um quê de tristeza no mundão enquanto esperava o pai e a mãe chegarem do trabalho; aves voando no horizonte, a "hora do anjo" às seis horas na rádio. A literatura é maravilhosa quando desperta coisas assim, ecos da nossa própria vida.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Grandes autores catarinas
Regininha Carvalho, que dia desses cometeu bloguicídio pra se dedicar mais tempo à literatura, volta a atacar na blogolândia, agora com Grandes autores catarinas, aproveitando material de pesquisa que está fazendo pra um livro sobre seu avô. Diz ela:
Não existe, atualmente, melhor meio pra divulgação que a internet, temos que reconhecer... Colocarei poetas, contistas e cronistas, talvez ensaístas, desde que tenham sido publicados em livro, sem pensar em se estão vivos ou mortos. Basta que sejam bons! Acho que 'cês vão gostar dele!Adorei. Regininha aceita sugestões de autores e textos. E de cara, compartilha um conto belíssimo de Flávio José Cardozo, lido pelo autor durante uma oficina na Academia Catarinense de Letras: Eles apenas saíram, publicado no livro Guatá, de 2005. Sou pai de dois meninos, impossível não chorar. O início:
Eu muitas vezes penso que eles apenas saíram. Foram levar as marmitas e não tiveram vontade de ir para a escola, então saíram para um passeio pelos eucaliptos, por aqueles morros. Saíram por distração, travessura. Foram olhar nossas casas mais do alto e a Serra um pouquinho mais de perto, logo estarão de volta.
Dulcídia não conhece tristes cantares de outras terras, canções para outros meninos. O que sabe, com murmúrios e silêncios, é que seus meninos apenas saíram. Estão por aí, pelos morros, pelos eucaliptos. (...)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
A vida dos animais
Esses dias li A vida dos animais, do sul-africano J.M. Coetzee. Bela história metalínguística. Ele fez duas palestras numa universidade apresentando a história de uma escritora vegetariana que faz duas palestras numa universidade sobre questões éticas da relação dos humanos com os (outros) animais. Foi inspirador pro debate que tive com os participantes da Mostra de Curitiba.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Lido & Leno: Superinteressante; A vida como ela é
Gosto de revistas, aprendi a ler com a ajuda delas. Mas ultimamente quase não compro, por causa da abordagem rasa e da recorrente impressão de déjà-vu que despertam. Entre as poucas que me atraem pela criatividade de algumas pautas estão a Wired, a Trip, a piauí e a Superinteressante. Ontem comprei a Super que traz reportagem de capa tratando de revisões históricas sobre a Segunda Guerra Mundial. Muito legal a matéria - destruidora de mitos. Pena que é curta demais. Matéria de revista brasileira é que nem ejaculação precoce: quando a coisa começa a ficar boa, acaba. Bem que podiam ser um pouco como a New Yorker, que não se acanha em publicar bons textos longos, às vezes em páginas inteiras sem ilustrações. Mas devo ser um leitor das antigas mesmo. Nada contra os infográficos, bem pelo contrário. Mas eles não têm a função de substituir o texto de qualidade.
~
Lendo A vida como ela é, do grande Nelson Rodrigues.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Lido & Releno: Salim Miguel e Rubem Fonseca
Terminei Nur na escuridão, de Salim Miguel. O romance conta a trajetória de sua família, que saiu do Líbano em busca de vida melhor nos Estados Unidos e, pelas artimanhas do destino, veio parar no Brasil. Gostei muito e me identifiquei. Minha família, embora não tenha vindo do exterior, foi meio nômade durante boa parte de minha infância e adolescência. Mudanças de cidade e de casa, readaptações e choques culturais, com todo o difícil aprendizado que envolvem, fizeram parte da vida do escritor (e da minha). Sua obra está impregnada de carinho pelos personagens que habitam a memória desses tempos. A narrativa do patriarca libanês, pai dele, é fragmentada, com lacunas, elipses, contradições e reiterações como costumam ser as boas histórias orais que prendem os ouvintes. Recomendo! (peguei emprestado na biblioteca Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição). Ah, Felipe Lenhart publicou na revista Cult de julho um ótimo perfil de Salim Miguel. O escritor "líbano-biguaçuense", como ele gosta dizer, recebeu há pouco da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra.
Também peguei na Barca dos Livros a excelente compilação 64 contos de Rubem Fonseca. Já havia lido praticamente todos, mas foi com prazer que pude voltar a algumas joias, como Passeio Noturno - parte I, A força humana, Feliz ano novo, O balão fantasma e O cobrador ("Estão me devendo comida, boceta, cobertor, sapato, casa, automóvel, relógio, dentes, estão me devendo"). Uma vez eu disse aqui que, quando crescesse, queria escrever que nem o cronista Rubem Braga. Posso dizer o mesmo sobre o contista Fonseca (como romancista, acho que tem altos e baixos). É um doutor na arte das histórias curtas, com domínio absoluto da linguagem e do ritmo. Seus temas, fascinantes e às vezes inverossímeis como a própria realidade, abordam os escaninhos nebulosos e violentos da alma humana nas grandes cidades. Invoco os itens 2, 3 e 4 dos direitos inalienáveis do leitor pra não repassar todas 799 páginas deste livro. Tenho folheado aleatoriamente suas delícias.
domingo, 16 de agosto de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Barca dos Livros, agora com lanche e buscador
Vai passar pela Lagoa da Conceição (#floripa)? Uma opção legal é dar uma paradinha na biblioteca Barca dos Livros, onde agora funciona também um café com petiscos mineiros. Antes de sair de casa, dá pra fazer a busca de livros aqui. Já são 8.267 obras cadastradas. A Barca fica perto da pontezinha da Lagoa, perto do atracadouro.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Lido & Lido: Millenium 2 e O silêncio da chuva
As leituras recentes são do gênero noir/policial: O silêncio da chuva, de Luiz Alfredo Garcia-Roza, e A menina que brincava com fogo, de Stieg Larssen. O primeiro é bem escrito, mas definitivamente não me fisgou. Achei os personagens rasos. É exatamente o oposto do que ocorre com os livros de Stieg Larssen, o sueco que escreveu a trilogia Millenium e morreu pouco antes de ver seus livros virarem best-sellers internacionais. Os protagonistas das histórias de Larsson são densos, complexos, contraditórios. Este segundo livro da série não chega a ser tão espetacular quanto o primeiro (Os homens que não amavam as mulheres, que já virou filme) e tem algumas cenas francamente inverossímeis, mas é daquele tipo de romance que prende a gente até a última página. O jornalista Mikael Blomkvist e a hacker Lisbeth Salander vivem mais uma vez uma aventura cheia de reviravoltas, em que ela é procurada pela polícia por triplo assassinato e ele tenta ajudá-la investigando pistas sobre uma quadrilha de tráfico de mulheres. E mais não conto, pra não tirar o prazer da sua leitura.
~
Agora resta aguardar a parte 3 de Millenium em português - e quem sabe a 4, que, segundo reportagem de Rue 59, foi hackeada do computador da viúva de Larssen.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Webleituras
A World of Risk for a New Brand of Journalist
"As the journalists Laura Ling and Euna Lee complete their third month of detainment in North Korea, it remains rather astonishing that they were there in the first place to report for a fledgling cable channel. But their path there may explain in part why they remain in custody".
Brian Stelter, NY Times, sobre os perigos do jornalismo freelance.
Every news organisation should have a data store
"Is this a natural extension of the blogging culture of linking to your sources? I think it is. And the more journalists get used to publishing their work on the likes of Google Spreadsheets, the better journalism we will get".
Paul Bradshaw, no Online Journalism Blog, sobre o uso de bancos de dados para contar histórias.
Banco Mundial rescinde contrato com a Bertin e exige dinheiro de volta: Amigos da Terra pede que o BNDES faça o mesmo
"Amigos da Terra - Amazônia Brasileira anuncia que, após três anos de acompanhamento, conseguiu confirmar, na noite de ontem [12.6], um importante objetivo de campanha: fazer com que a International Finance Corporation (IFC), braço para setor privado do Banco Mundial, voltasse atrás em sua decisão de financiar a expansão na Amazônia do frigorífico Bertin..."
Essa decisão deve ter muitas repercussões.
Exclusif : nous avons retrouvé le tome 4 de "Millénium"
"Cette fois, c'est certain : il existe bien un tome 4 de « Millénium ». Trois Suédois, fans du polar posthume de Stieg Larsson, sont parvenus à s'introduire dans l'ordinateur de l'auteur, alors entre les mains de sa compagne, Eva Gabrielsson".
Reportagem de Rue 89 sobre a invasão, por hackers, do computador da viúva de Larsson e o vazamento do quarto volume que dá sequência à trilogia noir.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Os homens que não amavam as mulheres
Mikael Blomkvist é jornalista de economia em Estocolmo, quarentão, coproprietário da revista Millenium e especialista em reportagens investigativas sobre crimes financeiros. Lisbeth Salander é uma punk de vinte e poucos anos, exímia hacker, que trabalha como araponga freelancer. Esses dois personagens são protagonistas do primeiro livro da trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson. Os homens que não amavam as mulheres (Companhia das Letras, 2008) é um romance de suspense de qualidade excepcional. Suas 522 páginas conduzem o leitor por uma trama de investigação do desaparecimento de uma adolescente, integrante de uma dinastia industrial sueca, ocorrido em 1966. A missão, que transforma os dois personagens em aliados, é desvendar uma intrincada rede de conexões que envolvem violência contra mulheres, lavagem de dinheiro, conflitos familiares e bizarrices sexuais.
Questões éticas do jornalismo investigativo associadas aos meandros dos crimes financeiros e das novas tecnologias estão na pauta do romance. O principal dilema enfrentado pelo protagonista é: até que ponto uma informação socialmente relevante deve ser levada a público, quando se sabe que essa revelação pode prejudicar a vida de muitas pessoas? Outra questão que ele enfrenta é sobre o uso de práticas ilegais pra levantar informações que vão embasar uma reportagem sobre um criminoso. Lamentavelmente, a trilogia não vai ter continuação. Larsson, um influente jornalista e ativista político sueco, morreu de ataque cardíaco em 2004 aos 50 anos, pouco depois de entregar os originais aos seus editores. A segunda parte da trilogia, A menina que brincava com fogo, foi lançada em português em abril.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Anotação de leitura: da impossibilidade de escrever
Quando lhe perguntavam por que não escrevia mais, Rulfo costumava responder:Bartleby e companhia, Enrique Vila-Matas.
- É que morreu meu tio Celerino, que era quem me contava as histórias.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Autores de romances policiais
Hoje deixei um comentário no blog da Regininha pedindo que ela citasse seus autores favoritos de romances ou contos policiais/detetivescos. Poucas horas depois ela respondeu. A lista dela tem duas categorias: brasileiros e estrangeiros. Presentão, pois a maioria eu não conhecia ou só tinha ouvido falar. Acho que vou começar pelo sueco Stieg Larsson. Gosto bastante do gênero, mas conheço mais os "clássicos". Minha lista de 8+:
- Edgar Allan Poe. O gênio delirante de Boston/Baltimore conseguia ser ao mesmo tempo cerebral e mexer com os terrores atávicos dos leitores. Sou fãzaço. Pai do conto policial moderno, criou o detetive Auguste Dupin e uma série de "histórias extraordinárias" que pendem mais pro gênero da literatura fantástica.
- Arthur Conan Doyle. Pai de Sherlock Holmes, o detetive mais famoso do mundo, excêntrico fumador de cachimbo, cheirador de cocaína e hábil em disfarces, que resolve casos por deduções lógicas de seu intelecto afiado. O parceiro doutor Watson é um figuraço, perfeita "escada" pro protagonista exibir seus dotes mentais. Dizem que Doyle resolveu vários casos reais usando os métodos de seu detetive fictício. Algumas das soluções de Holmes me parecem meio inverossímeis.
- Agatha Christie. Mãe do detetive belga Hercule Poirot e da velhinha esperta Miss Marple, a dama britânica era uma usina criativa. Escreveu mais de 80 obras de ficção, a maioria sobre crimes misteriosos, mas também alguns romances e peças ótimas com outros temas. Dos 50 e poucos livros que li dela, só adivinhei o assassino em três, embora ela recheasse as histórias com dicas. Meus favoritos são Cai o pano (o último caso de Poirot) e seu primeiro sucesso, O assassinato de Roger Ackroyd, de 1926 - em que ela usou um recurso narrativo inovador para a época, desprezando as convenções do romance policial (com essa dica você tem tudo pra descobrir o criminoso).
- Rubem Fonseca. Contista brilhante e mestre da palavra. Gostei muito de A grande arte. Também curti Bufo e Spallanzani, mas não tanto. Pai do detetive Mandrake, advogado carioca namorador e conhecedor do submundo do Rio. Seu livro de contos Feliz ano novo é espetacular. Não gostei do romance Agosto, mas, em se tratando de Rubem Fonseca, mesmo quando ele é ruim, é bom.
- Raymond Chandler. Suas histórias são cinematográficas e cheias de atmosfera noir, lembram um pouco os personagens de Humphrey Bogart. Um dos romances mais conhecidos de Chandler é Adeus, minha adorada.
- Patricia Highsmith. Gostei muito de O amigo americano e de O talentoso Ripley. Em ambos, o protagonista Ripley é um criminoso discreto cujas características são a extrema inteligência, a empatia e a amoralidade.
- Philip Kerr. Desse escritor escocês li somente a trilogia Berlim Noir (Violetas de Março, O assassino branco e Réquiem alemão), que se passa no início da ascensão do nazismo, durante a Segunda Guerra e no pós-guerra. Ixpetáclo!, a gente mergulha junto com os personagens naquele ambiente da História recente. O detetive é um cara durão e dono de um senso de humor peculiar, com frases boas que às vezes lhe custam umas porradas.
- Peter Hoeg. Conheço só um livro desse escritor dinamarquês: Miss Smilla's feeling for snow (não sei como traduziram pro português, é algo como "o sentido da senhorita Smilla para a neve"). Em Copenhague, uma filha de groenlandeses decide fazer uma investigação amadora sobre a morte de um menino que caiu do telhado de seu prédio. As pegadas na neve são a chave que a leva a uma aventura na terra de sua mãe. Muito bom! Virou filme com Julia Ormond, mas na tela a história perdeu as sutilezas sobre diferenças culturais.
sábado, 23 de maio de 2009
Lido & Leno: Single&Single e Bartleby e companhia
Single&Single não é dos meus livros favoritos de John Le Carré, mas prende do início ao fim. É um thriller de suspense sobre lealdade versus traição - tema recorrente na obra do escritor. Os cenários são a Inglaterra, a Turquia mediterrânea, a Rússia e a Geórgia. Sai de cena a guerra fria de seus primeiros romances, entra o crime organizado em tempos de desarticulação da União Soviética. Um escritório de advogados britânicos, especializado em lavar dinheiro, passa a fazer grandes negócios com parceiros da máfia georgiana, mas em certo momento as coisas desandam. Pontos altos pra densidade psicológica do protagonista, sócio do pai na firma que dá título ao livro, e pra verossimilhança da história. Ponto negativo pro ritmo desigual -tive a impressão que deu uma acelerada excessiva no fim. Se você ainda não conhece Le Carré, sugiro começar por O espião que saiu do frio ou O jardineiro fiel. Mas se já conheceu e gostou, recomendo. O homem domina o ofício.
~
Comecei a ler Bartleby e companhia, de Enrique Vila-Matas. É sobre a impossibilidade de escrever, com muitas histórias curiosas sobre pessoas que escreveram um ou dois livros - ou nenhum, apesar da vontade ou vocação - e se afastaram pra sempre da literatura. Melville, Rimbaud, Salinger, Rulfo e muitos outros. Depois escrevo sobre o livro... se conseguir.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Os direitos inalienáveis do leitor
O prazer da leitura é um tema que me interessa muito. E devia interessar também a todos os pais e professores, que, muitas vezes, na maior das boas intenções, terminam criando aversão nos filhos/estudantes ao obrigá-los a certas coisas, como ler O Guarani sem preparação e estímulo prévios. A propósito, encontrei essa lista bacana e divido com vocês: Os direitos inalienáveis do leitor, por Daniel Pennac, em "Como um Romance" (citado em Peciscas, onde cheguei pela dica de Lady Rasta). Comentei abaixo de cada tópico.
1 - O direito de não ler
Não li Ulysses nem O monge o e executivo. Nem a maioria dos livros escritos pela humanidade, aliás. Minhas Mil e uma noites não chegam a um trimestre.
2 - O direito de saltar páginas
Gosto de abrir um livro novo pelo meio e bisuiar umas linhas antes de começar pelo começo. Amei Rayuela, do maluco do Cortázar.
3 - O direito de não acabar um livro
Pode me xingar, mas parei no primeiro capítulo de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Dizem que a partir do segundo a coisa engrena.
4 - O direito de reler
Releituras recentes: Os vagabundos iluminados (Kerouac), Sagarana (Guimarães Rosa), Cai o pano (Agatha Christie).
5 - O direito de ler não importa o quê
Bula de remédio, rótulo de caixas de sucrilhos, Tex, pulp fiction...
6 - O direito de amar os "heróis" dos romances
Larry de O fio da navalha (Somerset Maughan); Bandini, de Pergunte ao pó (John Fante); Tarzan, de E. R. Burroughs; Huckleberry Finn, de Mark Twain.
7 - O direito de ler não importa onde
No ônibus; na praia; comendo (se tou sozinho) e descomendo. Meu lugar preferido é a rede embaixo das árvores. E um dos mais desconfortáveis é a tela do computador.
8 - O direito de saltar de livro em livro
8b: e o direito de espalhar livros não lidos pela casa toda, pra esbarrar neles por acaso.
9 - O direito de ler em voz alta
Pros meninos antes de dormir. Monteiro Lobato em voz alta é uma delícia. Imito as vozes de Emília, do Visconde, de Pedrinho, de Dona Benta...
10-O direito de não falar do que se leu.
Comentar livro erótico é que nem sair contando como foi a transa.




