O Alexandre Gonçalves trouxe do fundo do baú dois vídeos que marcam os 30 anos do curso de Jornalismo da UFSC. Muito bom rever aqueles momentos, muito bom mesmo! Foram anos intensos e tenho certeza que as pessoas que compartilharam essa experiência comigo também vão sentir umas pontadas de saudade. O primeiro vídeo foi produzido pelos alunos Júlio Ettore Suriano e Laís Mezzari pra marcar os 30 anos de fundação do curso, comemorados em 2009. O outro, que copio abaixo, é de autoria dos então estudantes Felipe Seffrin e Dirceu Neto e foi exibido na abertura da 5a. Semana do Jornalismo, em julho de 2006. Agradeço a eles pela oportunidade de fazer esse mergulho na memória afetiva.
Era um tempo de privações quanto a equipamentos e espaço, mas a gente conseguia driblar a escassez e se divertia muito. Nesses corredores e salas se deu uma parte importante da formação de toda uma geração de jornalistas: debates intensos, festas loucas, experimentações de linguagem, protestos bem-humorados, risadas de corredor, descobertas de livros, filmes, sons, imagens, histórias... Contestador por natureza, o curso de Jornalismo exalava um permanente clima de paixão, que favorecia a criatividade e às vezes descambava pra brigas. Mas o que gosto de lembrar é dos momentos de alto astral coletivo, da sensação de pertencermos todos ao mesmo barco, mesmo que às vezes polarizados entre "comunicação" e "jornalismo" (um debate meio perdido no contexto de hoje, me parece). Frequentei formalmente o curso de 1986 a 1991 - e depois informalmente até 96, acompanhando a galera da Laura. Lá fiz amizades eternas com colegas e professores. Essa é a herança mais preciosa daqueles anos.
p.s.: Não faço ideia de como é o atual clima do curso, nem sou chegado a saudosismos do tipo "no meu tempo era melhor". Cada grupo faz o seu tempo do seu jeito. Mas acho legal que o pessoal que está no Jornalismo da UFSC agora conheça um pouco dessa história, pra valorizar o presente que tem nas mãos.
Jornalismo UFSC - Viagem no Tempo from DEJOR UFSC on Vimeo.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Viagens no tempo: o curso de Jornalismo da UFSC
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
EaD e discriminação
Recebi do Rubinho Chaves Vargas, assessor de imprensa da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, uma notícia que dá no que pensar: foi aprovado um projeto de lei [pdf] do deputado-professor Sérgio Grando (PPS) punindo a discriminação contra pessoas formadas por meio de ensino a distância. Incrível que, em plena "sociedade da informação", ainda seja preciso estabelecer em lei que ninguém pode ser excluído por causa da maneira como aprende. "Na real é uma posição de protesto de SC contra uma onda nacional de discriminação", comenta o amigo João Vianney, que atua na área há bastante tempo.
Quem já fez cursos a distância de qualidade sabe que é uma grande bobagem achar que essa modalidade de ensino é menos efetiva que a presencial. Banda larga, por si só, não transforma jumento em dotô, mas potencializa coisas incríveis se usada com inteligência e criatividade. A tal "inclusão digital" (quando escuto o termo, me encosto na parede) precisa chegar também às cabeças que tomam as grandes decisões que influenciam a todos. Não com uma abordagem utilitarista rasa, mas com insights que as ajudem a descobrir os saltos evolutivos que podem dar ao se abrir pro mundo.
domingo, 22 de novembro de 2009
O dia-a-dia da educação miguelesca
Surpresa boa: ontem fui explicar pro Miguel (sete anos) o que era um gráfico e ele já sabia. Pegou um papel, traçou linhas e colunas e desenhou pra mim o da produção semanal de lixo reciclável na escola. Palmas pra professora Sara e pra Escola Engenho.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Marshmallows e sucesso: um experimento
Um experimento realizado por psicólogos da Universidade de Stanford com crianças indica que aquelas que conseguem adiar a gratificação imediata tendem a ser mais bem sucedidas no futuro. A criança era colocada na sala diante de um marshmallow. O adulto lhe dizia que iria sair da sala por 15 minutos e que, ao retornar, se o marshmallow ainda estivesse ali, ela ganharia mais um. Dois terços das crianças não resistiram à tentação e comeram a guloseima. Este artigo em The New Yorker traz mais informações.
[via Eirik Eng]
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
The fool on the pier

Esta bela foto (clique pra ampliar) foi feita pelo meu amigo Henio Bezerra na Fazenda Graúna, em Monte Alegre, a meia hora de Natal. Pedi e Henio me contou, passo a passo, como chegou ao resultado. A explicação é uma aula de fotografia e ciências.
Inauguro aqui a série Humanos, sobre pessoas admiráveis - do meu ponto de vista como ditador benevolente deste blog, claro. Assim, de vez em quando dou um refresco a vocês, que podem descansar das minhas divagações umbigais. :)
~
Henio: - O que você acha que está vendo?
Eu: - O universo em movimento.
Henio: - Perfeito.
Para tirar uma foto destas a primeira condição sine qua non é utilizar um tripé, pois o obturador ficará aberto por algumas horas, e a câmera tem que ficar estática, absolutamente imóvel. Na realidade eu fiz uma adaptação para a fotografia digital dessa técnica para filme, que não é nova.
Certa vez eu vi em uma revista de fotografia uma foto semelhante: o céu à noite riscado e o chão iluminado. foram duas exposições do mesmo quadro em horas diferentes: na primeira exposição, durante o dia, o fotógrafo cobriu, olhando através do visor, a lente na parte do quadro que aparecia o céu com um cartão preto, de tal forma que aquela parte da película (o céu) não foi exposta à luz. Após o anoitecer, veio a segunda parte quando ele, sem deixar a película avançar para o próximo quadro, efetuou a segunda exposição sobre o mesmo pedaço de filme. Essa segunda exposição durou horas para poder registrar o movimento das estrelas no céu. E assim você tem a foto. Basicamente é esse o conceito.
No meu caso eu fiz uma adaptação dessa técnica, pois a fotografia digital não permite, diretamente na câmera, registrar uma foto sobre a outra:
(1) Primeiramente posicionei a câmera com tripé e utilizei uma bússola para verificar a direção exata do sul e posicionei essa direção em um dos terços do quadro, ficando o outro terço para o píer. O centro de todos os círculos do movimento das estrelas está na mesma direção do eixo sobre o qual a terra gira. Portanto, você pode escolher tanto a direção norte quanto a sul. Quanto mais próximo do equador você estiver, mais baixo esse círculo vai estar. Essa direção tem uma margem de erro de alguns graus (pode chegar até dezenas de graus, dependendo do local) pois nem sempre o norte magnético é igual ao norte geográfico, mas essa variação é desprezível para o nosso propósito. Tirei a primeira foto ao entardecer, quando a luz está mais suave, registrando o quadro completo, inclusive o céu;
(2) esperei anoitecer e iniciei uma seqüencia de fotos, cada uma com uma duração de 3,5 minutos que foi das 18h20 até às 0h20 - hora em que chegaram algumas nuvens e o céu ficou opaco, então decidi interromper. Além disso, a lua começou a nascer e isso acaba com tudo pois esse tipo de foto requer um céu sem lua para dar um bom contraste entre o céu e as estrelas. Com a fotografia digital, não dá para você efetuar uma exposição única de 6 horas, por duas razões: (a) o digital tem uma sensibilidade à luz muito maior que o filme, quando se trata de exposições longas, e um tempo muito longo vai “inundar” sua câmera com muita luz e depois de algum tempo sua foto vai ficar completamente branca; (b) quanto mais tempo você fica, mais “ruído” (noise) é introduzido na imagem. O ruído é toda informação que não faz parte do conteúdo principal e é criada pela imperfeição do circuito elétrico de um sistema. No caso da fotografia isso ocorre pelo aquecimento do sensor em longas exposições ou pelo uso de alto ISO. A seqüência de fotos foi efetuada com a ajuda de um disparador remoto, onde você pode definir quantas fotos quer tirar, e a duração de cada uma;
(3) Então, ao final da exposição, você fica com centenas de fotos de momentos diferentes do céu e com a parte do chão totalmente escura, pois não há luz alguma por perto exceto as luzes dos carros que passaram pela estrada. Então, utilizando o Photoshop, você superpõe todas essas imagens noturnas com uma opção chamada “lighten” onde ele vai pegar a parte mais iluminada de cada quadro e fundir aos outros quadros, permitindo a visualização contígua do movimento das estrelas no céu, resultando em uma única imagem, mas ainda sem a parte de baixo;
(4) por fim, com a primeira foto que tirada durante o dia e, ainda utilizando o Photoshop “cobri” o céu com preto, escurecendo digitalmente essa parte da fotografia; e
(5) finalmente fundi novamente as duas utilizando novamente a opção “lighten” do photoshop.
O resultado é esse que você viu. Quando explico isso algumas pessoas elas dizem: “Ah! Então é uma montagem o que você fez!”. Pessoalmente, eu não gosto de chamar de montagem. Montagem para mim é quando você forja uma imagem inexistente. Com fotografia digital o conceito de montagem pode parecer tênue. Há coisas que são aceitas e outras não.
Olhando assim para a foto eu me lembro de Galileu Galilei que não precisou dessa tecnologia para perceber que não é o universo que gira em torno da terra.
Um abração
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Narração do Desenvolvimento de Florianópolis
Peguei emprestado esse vídeo sensacional no blog Pensamentos Públicos, da Aline. O cunhado dela (irmão do Gustavo), Marcelo Cabral, professor do Departamento de Arquitetura da UFSC, faz a narração do desenvolvimento de Floripa em ritmo de partida de futebol. Ele está acompanhado dos alunos da turma de Introdução ao Planejamento Urbano e Regional da Engenharia Sanitária, num boteco ao lado da universidade. Isso é que é aula!
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

African Bambi, um dos filmes da Mostra.
Começa sexta-feira a 8a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que durante três semanas vai trazer à criançada as novidades mais interessantes produzidas nessa área no Brasil e em outros países. Em 2008 tive a oportunidade de fazer parte da assessoria de comunicação da Mostra. Foi uma experiência preciosa do ponto de vista profissional e humano. Vivi momentos emocionantes, como as entrevistas com crianças da Palhoça (município vizinho a Floripa) que percorreram vários quilômetros a pé pra ver uma sessão. Muitas estavam indo ao cinema pela primeira vez na vida. Este ano, por motivo de agenda, não pude participar da equipe de imprensa - que tá em ótimas mãos, com Kátia Klock, Adri Canan, Fifo Lima e outros feras. Por outro lado, volto à privilegiada condição de espectador e vou poder acompanhar mais de perto a programação junto com os meninos.
Uma das grandes novidades é o Bloguinho da Mostra, publicado pela Amanda Canan Campos, filha da Adri. No ano passado, Amandinha fez parte do júri infantil e agora dá um passo a mais. Fiquei muito contente e orgulhoso dela. Nada mais coerente que uma mostra de cinema pra crianças seja comentada e criticada por crianças. Ela se apresenta:
Oi, pessoal!p.s.: Comentário de tio-coruja: minha sobrinha Maria Rosa Schultz e Silva, filha de ator-dublador (Leonardo Camillo) e de artista gráfica (Vanessa Schultz), também tá contribuindo com a Mostra. Ela faz narração de vinhetas.
Eu sou Amanda Canan Campos, tenho 8 anos e esse é o Bloguinho da Mostra de Cinema Infantil.
Aqui vou criticar, opinar, postar fotos, vou entrevistar pessoas e falar sobre os filmes da Mostra....
E vocês podem dar suas opiniões! Deixem um comentário dizendo coisas que vocês gostaram, que não gostaram ou de alguma coisa legal! Sejam seguidores deste blog que estará cheio de surpresas!
Vamos nos divertir e aprender com o cinema!
Atenciosamente,
Amanda :)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Liga, roda, clica
Da Laura, no blog Leiturama:
Fazia um tempinho que eu não lia nada muito acadêmico e em fevereiro peguei para ler o livro Liga, roda, clica, organizado pelas amigas Gilka Girardello e Monica Fantim.
São 12 artigos que tratam das relações entre a criança e as novas tecnologias. O que me chamou atenção foi:
- Estação Memória: projeto interessante em SP, em que em entrevistas idosos contam a história do bairro e de sua infância, compartilhando com as novas gerações.
- Como todos nós, os educadores estão um pouco perplexos e não sabem direito o que fazer e como entender sobre a relação das crianças com o computador.
- Fiquei um pouco perturbada com a declaração da Bebel de que a escola, que antes era o espaço do saber, luta para manter um espaço de relevância.
- Gilka nos lembra: jogos violentos e muito realistas não ajudam a estimular a imaginação.
- Em um artigo sobre como as crianças retratam o corpo, Ingrid conta de uma menina que tinha fixação em se manter magra. Detalhe: a menina não era gorda e tinha apenas 5 anos.
O livro não se propõe a oferecer respostas prontas. Não é nada do tipo o que fazer, como fazer. Mas vez ou outra dá para pescar recados interessantes, do tipo: mediar a relação das crianças com a tecnologia é uma tarefa de todos - da escola, da família, de todos nós. Para isso, é preciso que a gente mesmo comece a usar e descobrir coisas legais. Outro recado: vale muito a pena procurar experiências off-line, que ampliem cada vez mais a diversidade cultural das crianças.
Para finalizar, aí vai um vídeo bem bacana do TED "Escolas matam a criatividade?":
quinta-feira, 26 de março de 2009
A nova escola britânica em construção
Proposta de revisão no currículo das escolas primárias do Reino Unido dá mais liberdade aos professores para ensinar sobre Twitter, blogs, podcasts e Wikipedia, conta The Guardian. Até 11 anos as crianças devem adquirir fluência na escrita a mão e no uso do teclado; aprender a escrever corretamente e usar o corretor ortográfico. A proposta também prevê o reforço no ensino da cronologia dos fatos, mudanças e períodos históricos; e mais ênfase em saúde, dieta e atividade física. O período vitoriano e a Segunda Guerra Mundial não são mais obrigatórios, pois fazem parte do currículo curso médio. Enquanto isso, aqui no Brasil, o Congresso discute a proibição de celulares nas escolas.
[ via @belcolucci e @garotasemfio ]



