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sábado, 7 de novembro de 2009

"Sequestro estilo Camorra"


Vídeo da manifestação à qual Yoani Sanchez foi impedida de participar.


A filóloga e blogueira cubana Yoani Sanchez foi sequestrada e espancada ao se dirigir para uma marcha contra a violência. Ato infame da polícia política de um regime que está caindo de podre. Recomendo ler a íntegra do texto de Yoani. O início:

Cerca de la calle 23 y justo en la rotonda de la Avenida de los Presidente, fue que vimos llegar en un auto negro –de fabricación china– a tres fornidos desconocidos: “Yoani, móntate en el auto” me dijo uno mientras me aguantaba fuertemente por la muñeca. Los otros dos rodeaban a Claudia Cadelo, Orlando Luís Pardo Lazo y una amiga que nos acompañaba a una marcha contra la violencia. Ironías de la vida, fue una tarde cargada de golpes, gritos y malas palabras la que debió transcurrir como una jornada de paz y concordia. Los mismos “agresores” llamaron a una patrulla que se llevó a mis otras dos acompañantes, Orlando y yo estábamos condenados al auto de matrícula amarilla, al pavoroso terreno de la ilegalidad y la impunidad del Armagedón.

Me negué a subir al brillante Geely y exigimos nos mostraran una identificación o una orden judicial para llevarnos. Claro que no enseñaron ningún papel que probara la legitimidad de nuestro arresto. Los curiosos se agolpaban alrededor y yo gritaba “Auxilio, estos hombres nos quieren secuestrar”, pero ellos pararon a los que querían intervenir con un grito que revelaba todo el trasfondo ideológico de la operación: “No se metan, estos son unos contrarrevolucionarios”. Ante nuestra resistencia verbal, tomaron el teléfono y dijeron a alguien que debió ser su jefe: “¿Qué hacemos? No quieren subir al auto”. Imagino que del otro lado la respuesta fue tajante, porque después vino una andanada de golpes, empujones, me cargaron con la cabeza hacia abajo e intentaron colarme en el carro. Me aguanté de la puerta… golpes en los nudillos… alcancé a quitarle un papel que uno de ellos llevaba en el bolsillo y me lo metí en la boca. Otra andanada de golpes para que les devolviera el documento. (...)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Renato Turnes, "the man"

Este post do Fifo Lima no blog Cine Luz destaca as conquistas do ator Renato Turnes, de quem temos muito orgulho por ter dado voz ao porco em nosso documentário. O cara não para quieto...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Samsara

Uma dica quente do Ulysses: Samsara Blog, com textos sobre budismo tibetano. Há um botão que leva a um post aleatório - gostei disso. O primeiro que me veio foi este:

"Saiba que se você não tiver contentamento com as coisas, irá se tornar um escravo do desejo!"

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Você sabe né?

Minha sobrinha Camilla Sá Freire, jornalista que trabalha na área de saúde, está em missão profissional em São Tomé e Príncipe. Ela participa de um projeto internacional de erradicação da malária nesse país africano onde se fala português. Um relato informal da aventura pode ser acompanhado no recém-criado blog dela, Você sabe né? Sei não, vou acompanhar pra saber. :)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

No escuro

Maíra Spanghero, ex-colega do jornalismo da UFSC que tá morando em Londres, criou um blog que promete: dança, reportagem afetiva, literatura barata. O primeiro texto que li já me fisgou. É sobre a inesquecível experiência sensorial que ela e um amigo tiveram de comer num restaurante totalmente escuro, o Dans Le Noir, servidos por um garçom cego.

sábado, 3 de outubro de 2009

Classe Média Way of Life

Li na tuitada do @doni, conferi e achei muito bom este blog, Classe Média Way of Life. Um trechinho dos textos mais recentes - dei risada e fiquei imaginando várias situações que ele descreve:

dica 031 - Pagar pau pra gringo

Se existe um tipo de pessoa pela qual a Classe Média nutre a mais sincera devoção e idolatria, estes são os gringos. Gringos, para o médio-classista, são como seres de outro mundo, seres iluminados de uma esfera superior, de um planeta onde tudo é ao contrário do Brasil: não há pobres, o trânsito funciona, todo mundo é educado, as ruas são limpas e todo mundo é bonito e veste marcas conhecidas. (...)

dica 030 - Praticar o "cada um por si" no trânsito 
Para quem quer se comportar como a Classe Média brasileira, um ótimo ambiente de observação é o trânsito de nossas grandes cidades. Ali podemos estudar, por imersão total e com riqueza de detalhes, os valores deste peculiar grupo social.

O médio-classista encara o trânsito como se fosse uma grande batalha em defesa do seu direito individualprioritário de ir e vir, o que significa que cada indivíduo da Classe, no trânsito, tem prioridade um sobre o outro e vice-versa (numa estranha equação ainda não resolvida pela matemática). E todos têm prioridade sobre os pedestres (este ponto já é bem mais fácil de entender). (...)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Drops da semana

Semana corridaça. Então, ao estilo twitter, vamos aos drops.
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Recebi, via www.trocandolivros.com.br, Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa. Preciosidade.
~
Lendo a 3a. parte da trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson: A rainha do castelo de ar.
~
Artigo de Vargas Llosa em El País elogiando a trilogia Millenium: "Lisbeth Salander debe vivir".
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O escritor da vez em Grandes autores catarinenses, blog da Regininha, é Godofredo O. Neto.
~
Festival Internacional de Mágica em Floripa. Ganha quem fizer sumir o engarrafamento.
~
Revendo um ótimo e despretensioso filme romântico: Before Sunrise (Richard Linklater, 1995).
~
Contagem regressiva: faltam três dias para a Primavera. Chega de chuva e lama, quero praia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Grandes autores catarinas

Regininha Carvalho, que dia desses cometeu bloguicídio pra se dedicar mais tempo à literatura, volta a atacar na blogolândia, agora com Grandes autores catarinas, aproveitando material de pesquisa que está fazendo pra um livro sobre seu avô. Diz ela:

Não existe, atualmente, melhor meio pra divulgação que a internet, temos que reconhecer... Colocarei poetas, contistas e cronistas, talvez ensaístas, desde que tenham sido publicados em livro, sem pensar em se estão vivos ou mortos. Basta que sejam bons! Acho que 'cês vão gostar dele!
Adorei. Regininha aceita sugestões de autores e textos. E de cara, compartilha um conto belíssimo de Flávio José Cardozo, lido pelo autor durante uma oficina na Academia Catarinense de Letras: Eles apenas saíram, publicado no livro Guatá, de 2005. Sou pai de dois meninos, impossível não chorar. O início:
Eu muitas vezes penso que eles apenas saíram. Foram levar as marmitas e não tiveram vontade de ir para a escola, então saíram para um passeio pelos eucaliptos, por aqueles morros. Saíram por distração, travessura. Foram olhar nossas casas mais do alto e a Serra um pouquinho mais de perto, logo estarão de volta.

Dulcídia não conhece tristes cantares de outras terras, canções para outros meninos. O que sabe, com murmúrios e silêncios, é que seus meninos apenas saíram. Estão por aí, pelos morros, pelos eucaliptos. (...)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Puxadinho voltou

O Puxadinho do Raulzinho tá de volta.

Escreverei o necessário e quando tiver precisão. ... Farei o possível. My best sem ser besta!

sábado, 11 de julho de 2009

Entrevista sobre o AI-5 Digital


Lúcida, contundente, libertária. Recomendo com ênfase esta entrevista que o professor Idelber Avelar, autor do blog O biscoito fino e a massa, concedeu à TV Assembleia de Minas Gerais. Ele denuncia o 'AI-5 Digital', projeto do senador tucano Eduardo Azeredo que criminaliza diversas práticas comuns na internet.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Kommbo Express Floripa


Amigos das antigas, agora tuitando. Da esquerda pra direita: @frankmaia, @rogeriomosimann, @esquerdafestiva (Ulysses Dutra) e eu. Foto de @danielguilhamet.
Mais fotos do Kommbo aqui.

Ontem à noite fui conferir o Kommbo Express, evento promovido na Art Chopp da Lagoa da Conceição pela ZeroTrack Inteligência Digital. A divulgação, feita basicamente via twitter, blogs, e-mails e boca-a-boca, garantiu casa lotada. Duas palestras rápidas sobre criatividade no meio digital abriram a noite, seguidas de música dançante e muita networking tuiteira - pululavam pessoas com crachás iniciando em @. Não usei crachá, mas foi engraçado ter sido reconhecido pelo @geraldoprotta, que, assim como outras pessoas, transmitiu imagens do evento ao vivo pelo qik. Pra molhar o bico, chope e cervejas da Eisenbahn, com preço salgado, mas deliciosas.

Gostei da minipalestra do @tiagomx ("Construindo o Digital"). Em 20 minutos ele resumiu ideias interessantes e casos de sucesso/fracasso em intervenções digitais, falou de amizades, sanduíches e rizomas de maneira informal e divertida (confesso que pouco captei da segunda palestra, exceto a observação de alguém de que não é bom negócio a profissão de barbeiro na Argentina, mas àquela altura já eram várias cervejas na cabeça). Mas senti falta da boa e velha interatividade, com perguntas, interrupções e questionamentos. Bom, essa é uma observação limitada ao presencial, pois enquanto as coisas aconteciam na choperia, um monte de gente participava de outras formas, tuitando, fotografando e filmando, o que permitiu ampla participação virtual. Depois das palestras rolou som com os DJs Ulysses Dutra (@esquerdafestiva), @fabiobianchini, Marquinhos Espíndola (@marquinhose), Jhon (@joaomdm), Tiago Franco (Blog da Devassa) e Victor A.

Conheci gente legal com quem só tinha trocado ideia virtualmente, como o próprio Tiago, o Marquinhos e o Alexandre Silva (@trektrek). E encontrei uma cambada de broders de longa data: Frank Maia (@frankmaia), Caio Cezar (@cambalhota), Rogério "Magrão" Mosimann (@rogeriomosimann), Ulysses Dutra (@esquerdafestiva), Zé Dassilva (@zedassilva, de passagem pela Ilha), Vincent Pasquier (@vinzbrazil, firme e forte, se recuperando de uma queda de moto), Alexandre Gonçalves (@agenteinforma) e o recente amigo Rodrigo Lóssio (@lossio). Cumprimentei a Dora (@dora_), o Felipe (@obrer) e outras pessoas de passagem, não deu tempo de conversar. Em resumo, foi uma noite bem divertida. Gosto dessa combinação informal de palestra+festa. Sugestões pros próximos: mais estímulo à participação das pessoas no debate; foco em temas menos genéricos e mais polêmicos; espaço físico maior e mais arejado. Fecho com comentário do amigo @johnniezanatta, que não pôde ir e foi conferir as fotos: "Nem só de nerds vive a rede social". :)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ulan Bator e Transiberiana

Ulan Bator. Nos tempos de escola, quando eu e o colega Francisco Carlos nos desafiávamos pra ver quem acertava mais capitais de países, o nome da capital da Mongólia era um dos que eu achava mais curiosos. Evocava camelos, nômades, céu estrelado, mistérios do deserto. Tempos depois, lendo sobre a Rússia, a ferrovia Transiberiana também mexeu com minhas fantasias. Pois meu amigo australiano Aidan Doyle está prestes a começar uma aventura de três meses por aquelas bandas, começando em Osaka, Japão - onde ele já morou -, e percorrendo toda a Ásia Central até chegar à Europa do Leste em São Petersburgo. Ele vai publicar fotos e relatos em seu blog. Have fun, Aidan!

I’m staying in Osaka for a week and then taking a ferry to Shanghai.
One of my friends from Australia is staying in Shanghai at the moment,
so I'm going to visit him.

I have two weeks in China and then I'm joining up with a tour that
leaves from Beijing.
It's a 3-week tour and goes from Beijing to St. Petersburg. We take the
Trans-Mongolian train to Mongolia and stay in Ulan Bator for a couple of
days and then take the train into Russia. We join up with the
Trans-Siberian railway at Irkustk. The tour stops at a couple places on
the way to Moscow and St. Petersburg.

There are some maps at: http://www.aidandoyle.net/?page_id=338

I fly back to Australia from Frankfurt on October 10.

Then I'm planning on going back to Melbourne and looking for some work.

While I'm travelling, I'll be updating my home page.
http://www.aidandoyle.net
I've also updated it to include photo galleries from some of my past
trips.

Have fun,

Aidan

domingo, 28 de junho de 2009

A volta ao mundo sem sair da poltrona

Duas historinhas que podem parecer banais pra quem vive no mundo conectado desde criança, mas que me maravilham pelo potencial extraordinário da internet pra aproximar as pessoas:

1.
Na noite da morte de Michael Jackson, o broder Hélio Matosinho, editor da TV Record News em São Paulo, me ligou pelo Skype pra perguntar se eu tinha o telefone da 'Megui' - como é mais conhecida minha amiga Gisele Losso, que mora em Los Angeles. Ele queria oferecer a ela um frila - boletins ao vivo - e precisava fazer contato urgente. Eu não tinha o número, apesar de termos estado juntos numa jam session campechana poucos dias antes, no fim das férias dela. Entrei no Facebook, Megui tava offline e deixei mensagem. Como imaginei que ela não voltaria a tempo, perguntei no twitter se alguém conhecia quem fizesse um frila em L.A. Em menos de 2 minutos, @riqfreire (Ricardo Freire, blogueiro do excelente Viaje na Viagem) me disse que @pedrotourinho tava tuitando direto do hospital. Consegui teclar com Pedro (até aquele instante, um completo desconhecido pra mim) e fiz a ponte. Quase ao mesmo tempo a Megui entrou no Facebook e passei o celular dela pro Matosinho. Conexões feitas, fui dormir. Como de hábito, não vi TV no dia seguinte, mas acho que tudo se arrumou. E pensar que, quando comecei a trocar correspondência com pen-friends pra aprender inglês, uma carta levava sete dias pra chegar...

2.
Escrevo a segunda historinha ouvindo na web o uruguaio Jorge Drexler pela Rádio Latina, um programa da rádio comunitária australiana Bay FM. Agora é madrugada de domingo no Sul do Brasil, início da tarde de domingo na costa leste da Austrália - é como se o futuro estivesse chegando até meus ouvidos por um portal mágico. Como cheguei a essa estação? O Celso Martins (que bloga no Sambaqui na Rede 2) me deu um toque agora há pouco, via GTalk, que a filha dele, Anita, está com um programa de música brasileira nessa rádio australiana. Sintonizei a tempo de ouvir a voz de Anita ao vivo, num inglês fluente e agradável, abrir o programa tentando explicar o que é boi-de-mamão pra apresentar uma música típica da tradição açoriana de Floripa. E na sequência colocando uma série de músicas super bacanas do sul da América: Brasil, Peru, Paraguai, Argentina, Uruguai... Enquanto escuto o programa aqui no Campeche, Celso, lá no Sambaqui, também acompanha a filha e me conta que ajudou a Anita a fazer a seleção musical. Neste exato instante, do outro lado do mundo, toca o clássico da banda Dazaranha, Vagabundo Confesso. Que viagem!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Music and Me - Michael Jackson


Uma das minhas preferidas de Michael. Trilha internacional da novela Carinhoso, em 1973.
[via Coluna Extra. Foi a primeira de MJ que o Alexandre Gonçalves ouviu. Eu também.]

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Anotações de leitura: da liberdade de blogar

Alex Castro no Liberal, Libertário, Libertino, afiadíssimo como sempre, comenta uma coisa que costumo pensar (vale ler o texto na íntegra):

... No blog, eu não preciso me preocupar com padronização nem com Manual de Redação: escrevo internet às vezes em minúsculas, às vezes Internet em maiúsculas, dez por extenso ou 10 em numerais. E daí? (Um dia preciso escrever mais sobre a imbecilidade do culto à padronização nas editoras e jornais. Digamos que um colunista escreva "século XIX" e o outro "século 19". E daí? O que, de fato, o leitor perde com isso? O que, de fato, o leitor ganha com a imposição de uma convenção aleatória sobre outra?)... A única coisa que justifica ter um blog é poder escrever sobre o que quero, na hora que eu quero, do jeito que eu quero. Essa liberdade não tem preço e não tem substituto. ...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Resgate da memória catarinense

O Bonassoli dá uma boa notícia no blog dele, em referência à luta pra evitar o desaparecimento do arquivo fotográfico do falido jornal O Estado:

(...) O Grupo de História e Patrimônio da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e um grupo de jornalistas independentes se uniram para ir atrás de amparo legal e de tornarem público o que restou do outrora melhor periódico catarinense. (...)
~
Miguel, acordado aqui do meu lado, escolheu a cor do destaque acima.

Sessão Extra


A amiga Jô Laps tá com um blog no Jornal de Santa Catarina. Texto leve e informativo sobre cinema, tevê e afins. Pesquei esse cartaz lá. É do novo filme de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas, com lançamento previsto pra março de 2010.

http://santa.com.br/sessaoextra

terça-feira, 9 de junho de 2009

Anotação de leitura: LLL e a notícia do acidente

De Alex Castro, um dos grandes textos da internet brasileira.

Vida Que Segue

Liberal, Libertário, Libertino

Ontem de manhã, extraordinariamente, comprei o jornal. Estou procurando um apartamento pra alugar e queria ver os classificados. Em outro caderno, petrificados em fotos e condensados em resumos biográficos, estavam os mortos do acidente aéreo: o casal de noivos de Niterói, o maestro e o príncipe, a família que viajava separada justamente para que todos não morressem juntos, a mãe que perdeu a chance de ver a filha pela última vez pois ficou presa no trânsito. Li tudo aquilo com a curiosidade mórbida que caracteriza os humanos, me emocionei, considerei minha própria mortalidade, etc etc, e deixei o jornal respeitosamente à beira da cama, talvez para ler de novo. Mais tarde, houve sexo, com sua costumeira desordem viscosa. Já de madrugada, antes de dormir, fui arrumar o quarto. Em cima do jornal, tinha caído uma camisinha usada: gotas esparsas de porra e de KY manchavam o rosto do dinâmico chefe de gabinite de um jovem prefeito. Dobrei o jornal em volta da camisinha, joguei tudo fora e fui dormir.

sábado, 30 de maio de 2009

Zé Rodrix e a crítica aos especialistas medíocres

No blog do Ulysses, esbarrei neste belo depoimento de Lázaro Freire sobre o músico e compositor Zé Rodrix, que partiu há poucos dias. Trechinho:

(...)
O primo Zé, um generalista genial por definição, e que em muitos aspectos sempre foi um "pai" e exemplo para mim, fez um breve porém cirúrgico discurso a favor do generalismo inteligente que contrabalance e lance voz crítica a uma sociedade de especialistas medíocres. E me disse algo que JAMAIS esqueci, quase um pedido, um legado, que no dia soou para mim quase como uma daquelas frases que pais entregam para seus filhos no leito de morte:

"Primo, nunca se esqueça, esse discurso de 'foco' (numa atividade só) é para os medíocres. Nunca, nunca, nunca, mas nunca mesmo, permita que a mediocridade dos demais lhe roube NENHUM de seus talentos"
(...)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Autores de romances policiais

Hoje deixei um comentário no blog da Regininha pedindo que ela citasse seus autores favoritos de romances ou contos policiais/detetivescos. Poucas horas depois ela respondeu. A lista dela tem duas categorias: brasileiros e estrangeiros. Presentão, pois a maioria eu não conhecia ou só tinha ouvido falar. Acho que vou começar pelo sueco Stieg Larsson. Gosto bastante do gênero, mas conheço mais os "clássicos". Minha lista de 8+:

  1. Edgar Allan Poe. O gênio delirante de Boston/Baltimore conseguia ser ao mesmo tempo cerebral e mexer com os terrores atávicos dos leitores. Sou fãzaço. Pai do conto policial moderno, criou o detetive Auguste Dupin e uma série de "histórias extraordinárias" que pendem mais pro gênero da literatura fantástica.
  2. Arthur Conan Doyle. Pai de Sherlock Holmes, o detetive mais famoso do mundo, excêntrico fumador de cachimbo, cheirador de cocaína e hábil em disfarces, que resolve casos por deduções lógicas de seu intelecto afiado. O parceiro doutor Watson é um figuraço, perfeita "escada" pro protagonista exibir seus dotes mentais. Dizem que Doyle resolveu vários casos reais usando os métodos de seu detetive fictício. Algumas das soluções de Holmes me parecem meio inverossímeis.
  3. Agatha Christie. Mãe do detetive belga Hercule Poirot e da velhinha esperta Miss Marple, a dama britânica era uma usina criativa. Escreveu mais de 80 obras de ficção, a maioria sobre crimes misteriosos, mas também alguns romances e peças ótimas com outros temas. Dos 50 e poucos livros que li dela, só adivinhei o assassino em três, embora ela recheasse as histórias com dicas. Meus favoritos são Cai o pano (o último caso de Poirot) e seu primeiro sucesso, O assassinato de Roger Ackroyd, de 1926 - em que ela usou um recurso narrativo inovador para a época, desprezando as convenções do romance policial (com essa dica você tem tudo pra descobrir o criminoso).
  4. Rubem Fonseca. Contista brilhante e mestre da palavra. Gostei muito de A grande arte. Também curti Bufo e Spallanzani, mas não tanto. Pai do detetive Mandrake, advogado carioca namorador e conhecedor do submundo do Rio. Seu livro de contos Feliz ano novo é espetacular. Não gostei do romance Agosto, mas, em se tratando de Rubem Fonseca, mesmo quando ele é ruim, é bom.
  5. Raymond Chandler. Suas histórias são cinematográficas e cheias de atmosfera noir, lembram um pouco os personagens de Humphrey Bogart. Um dos romances mais conhecidos de Chandler é Adeus, minha adorada.
  6. Patricia Highsmith. Gostei muito de O amigo americano e de O talentoso Ripley. Em ambos, o protagonista Ripley é um criminoso discreto cujas características são a extrema inteligência, a empatia e a amoralidade.
  7. Philip Kerr. Desse escritor escocês li somente a trilogia Berlim Noir (Violetas de Março, O assassino branco e Réquiem alemão), que se passa no início da ascensão do nazismo, durante a Segunda Guerra e no pós-guerra. Ixpetáclo!, a gente mergulha junto com os personagens naquele ambiente da História recente. O detetive é um cara durão e dono de um senso de humor peculiar, com frases boas que às vezes lhe custam umas porradas.
  8. Peter Hoeg. Conheço só um livro desse escritor dinamarquês: Miss Smilla's feeling for snow (não sei como traduziram pro português, é algo como "o sentido da senhorita Smilla para a neve"). Em Copenhague, uma filha de groenlandeses decide fazer uma investigação amadora sobre a morte de um menino que caiu do telhado de seu prédio. As pegadas na neve são a chave que a leva a uma aventura na terra de sua mãe. Muito bom! Virou filme com Julia Ormond, mas na tela a história perdeu as sutilezas sobre diferenças culturais.
p.s.: Os links nos nomes dos autores remetem à Wikipedia (em português ou inglês), mas nem sempre os verbetes são muito esclarecedores. Pra ir mais fundo sugiro googlear em outras fontes.