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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Espírito de Porco estreia em Seara



É hoje. Como tenho compromisso inadiável aqui na Ilha, não posso ir à estreia em Seara - o Chico está lá. Devemos lançar o filme em setembro em Floripa. Segue release que enviei à imprensa.
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Espírito de Porco estreia dia 1º de julho no Oeste de SC
Documentário de 52 minutos aborda os impactos da suinocultura industrial no meio ambiente por um ponto de vista ‘suinocêntrico’.

Espírito de Porco, documentário dirigido por Chico Faganello e Dauro Veras, estreia nesta quarta-feira, 1º de julho, em Seara, município do Oeste de Santa Catarina onde está uma das maiores concentrações de suínos do planeta. O filme aborda o impacto da suinocultura industrial no meio ambiente e no bem-estar animal, a partir de um ponto de vista inusitado: a história é narrada por um porco. Grande parte das cenas foi realizada em Seara, com ajuda da população e da prefeitura do município, que agora se empenha em debater o assunto com a comunidade.

O filme foi produzido com um prêmio de R$ 60 mil do edital de apoio à produção da Cinemateca Catarinense / Fundação Catarinense de Cultura. Uma equipe de 20 pessoas se envolveu na pesquisa e produção do média-metragem, que já estreia reconhecido pelo meio cinematográfico: foi selecionado entre 556 obras de 51 países para exibição no XI Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, realizado em junho na cidade de Goiás (GO). Renato Turnes, que faz a voz do porco-protagonista, recentemente ganhou o prêmio de melhor ator na edição 2009 do FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul (com o filme Ângelo, o coveiro).

O título do documentário se refere a um “espírito” suíno que volta ao mundo dos vivos para defender sua espécie das calúnias que sofre há milênios. O porco se irrita porque o acusam da poluição de rios, solo e ar. Com a participação franca de produtores, consumidores, pesquisadores e trabalhadores ligados à suinocultura industrial, o filme mostra, nestes tempos de gripe suína, que a relação entre os humanos e os animais da criação industrial tem que mudar, para o bem da saúde do planeta.

Sessões em escolas - Depois do lançamento no dia 1º, o filme será exibido em diversas sessões nos dias 2 e 3 para alunos da rede pública de ensino em Seara e para o público em geral. A temática desperta forte interesse no Oeste Catarinense, pois a criação de suínos faz parte da história e da cultura da região – gerou prosperidade e alavancou o crescimento de grandes agroindústrias, mas tem provocado graves desequilíbrios ambientais, como a poluição dos rios.

Nascido em Seara, Chico Faganello conhece a suinocultura desde criança. O cineasta espera contribuir para uma reflexão madura sobre o tema: “O porco do filme não pede que as pessoas vejam as coisas como ele vê, apenas quer que o seu ponto de vista seja respeitado”, diz. “Às vezes tentamos um tom de comédia, porque tanto humanos como porcos são bichos engraçados”. Dauro Veras, jornalista e roteirista em sua primeira experiência de co-direção, lembra que a cadeia de responsabilidades na atividade produtiva gera consequências: “O consumidor também faz parte da história, mesmo que não tenha consciência de seu papel e da sua força”.

Espírito de Porco tem estreia prevista em Florianópolis para o segundo semestre de 2009. Os diretores também pretendem exibi-lo na televisão e distribuí-lo para estimular o debate em escolas, universidades e centros de pesquisa.

Mais informações (projeto, fotos, trailer etc.): www.faganello.com

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Renato Turnes, a voz do porco

A "voz certa" para o nosso protagonista-porco foi muito debatida durante a gestação do filme. Da força dessa interpretação dependeria em grande parte uma narrativa verossímil. Apostávamos no recurso que, no meio dramatúrgico, se conhece como suspensão da descrença: o público se dispõe a aceitar a implausibilidade de uma situação (no caso, o espírito de um porco que conta uma história), em troca da premissa de entretenimento. E a escolha do ator Renato Turnes (à esquerda, junto comigo e com o Chico, na foto de Lucas Barros) revelou-se uma opção feliz. Pedi a ele que descrevesse a experiência.

Nunca imaginei que eu tivesse voz de porco. Mas um dia o Faganello pediu pra eu gravar um áudio, lendo um poema do Walt Whitman. Gravei um trecho das Folhas de Relva num tom meio Pereio e mandei. Achei canastrão. Mas acho que ele gostou porque depois de alguns dias eu tinha em mãos o texto de Espírito de Porco e um DVD demo do documentário. Depois do impacto inicial com a força visceral das imagens percebi a idéia: o  texto na voz antropóide do porco deveria relacionar-se com o que se via, gerando uma tensão poética e irônica. Imaginei essa voz sem mimetismos suínos, uma voz inteligente e altiva. Um porco - rei da pocilga - orgulhoso de sua linhagem limpa, olha os humanos do alto de sua sabedoria animal e descreve seus vícios, aponta suas falhas. Denuncia a sujeira da civilização e clama por justiça para sua espécie. Porco morto, ele é espírito com voz, e seu discurso é uma espécie de metafísica da porcaria.  Durante as leituras os diretores foram  indicando passagens importantes, clareando intenções e descrevendo curvas e pontos de virada. No estúdio enfim, o porco falou. Acho que o resultado soa humano, ainda que porco. Quem assistir o filme deverá reparar no perturbador close up no olho de um porco. A imagem não me sai da cabeça. Esse plano revela a estranha ligação porco-homem. Parece que ele pensa. Certamente ele sente. Nesse olho está o personagem. Ou seu espírito.
Renato Turnes

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Acompanhe o blog de lançamento do filme.

terça-feira, 17 de março de 2009

Espírito de Porco

Está quase pronto o Espírito de Porco, minha primeira experiência autoral atrás das câmeras. É um videodocumentário de 52 minutos sobre os impactos da suinocultura industrial em Santa Catarina, do ponto de vista "suinocêntrico" - a história é narrada por um porco que já morreu. Divido a direção com Chico Faganello e o roteiro com ele e a irmã, Eliane Faganello de Som. Lícia Brancher fez a produção executiva e musical e Cíntia Bittar, a edição. O projeto ganhou o prêmio Cinemateca Catarinense de 2005 e foi filmado entre 2006 e 2008, com 60 mil reais. Estamos finalizando os letreiros e a mixagem do som. Hoje o Diário Catarinense publicou uma reportagem da jornalista Alícia Alão sobre o filme.

Mergulhar no universuíno e no fazer cinematográfico documental foi uma experiência marcante. Construímos um roteiro aberto - redigido à medida que filmávamos -, a partir de algumas premissas básicas: a de que o porco é um injustiçado por atribuírem a ele responsabilidade sobre a poluição provocada pelos humanos; e que é preciso repensar essa atividade, considerando o bem-estar animal, o respeito ao meio ambiente e as técnicas adequadas de manejo, desde a alimentação e o espaço adequado até a destinação dos dejetos. Na verdade, essa transformação já está em curso, com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público e os produtores, mas ainda há muito o que fazer para que o porco possa voltar a ser feliz.

Nosso filme não tem a pretensão de ser um panfleto, nem de discutir com profundidade todos os complexos aspectos da suinocultura. A intenção é jogar uma luz sobre uma atividade que pouca gente conhece e mostar que o porco está presente na vida de boa parte das pessoas - do presunto ao aglutinador de cabeças de palitos de fósforo, da insulina à feijoada, da gelatina às válvulas cardíacas, o animal é utilizado para fabricar mais de cem produtos. É uma reflexão filosófica, com pitadas de humor, sobre a vida e a morte. E sobre a "coisificação" de gentes e bichos. Pelo caminho, abordamos de passagem a relação entre a grande indústria e os pequenos produtores, a mudança nos hábitos alimentares, o forte vínculo cultural dos catarinenses do Oeste com a suinocultura. A estréia vai ser ainda este semestre.

Arte: Frank Maia, da série de ilustrações para a coluna Fala Mané, de Aldírio Simões.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Entrevista sobre 'Espírito de Porco' no Mídia Mais

A repórter Gina Pontes, do jornal Mídia Mais, de Concórdia (SC), publicou entrevista comigo e o Chico Faganello sobre o documentário Espírito de Porco, que finalizamos agora e devemos lançar em junho. Saiu dia 8 na edição impressa e hoje no site. Um trecho:



(...)
MM - O porco (seus dejetos) é visto como o grande causador da poluição dos rios na região. O filme quer mostrar que a culpa não é só dele e sim dos humanos?
Chico: Não existe uma idéia de culpa, mas de responsabilidade direta, uma vez que o homem controla o porco. O porco faz o que deve ser feito na suinocultura industrial.
Dauro: Existe uma cadeia de responsabilidades neste modelo de atividade produtiva, e ela gera consequências. O consumidor final também faz parte da história, mesmo que não tenha consciência clara de seu papel e da sua força.
MM - Afinal, o documentário quer fazer com que as pessoas reflitam sobre a causa porco-poluição-desastre ambiental? Ou quer apenas divertir e mostrar o outro lado?
Chico: Os dois. O porco do filme não pede que as pessoas vejam as coisas como ele vê, apenas quer que o seu ponto de vista seja respeitado. E às vezes tentamos um tom de comédia, porque tanto humanos como porcos são bichos engraçados.
Dauro: O protagonista sintetiza essa dupla abordagem quando se refere a um chiste popular: "Se não fosse o porco não haveria merda nenhuma na região".
MM - O documentário foi selecionado entre 556 obras de 51 países para estar na mostra oficial do Festival Internacional de Cinema Ambiental, que acontecerá em Goiás entre 21 e 26 de junho. Como é já começar a ter o reconhecimento de um trabalho bem feito?
Chico: Ficamos felizes por acreditar que, finalmente, o porco será ouvido.
Dauro: É uma rica oportunidade de debater o tema por diversos ângulos, como o bem-estar animal e a proteção dos mananciais.
(...)

A íntegra

sábado, 28 de novembro de 2009

O porco na UFSC

Se você perdeu o lançamento de Espírito de Porco em Florianópolis, tem nova oportunidade de vê-lo. O filme vai ser exibido às 16h de segunda-feira, 30/11, durante o Encontro Arte e Animalidade, promovido pelo Curso de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Veja a programação.

9h30 - Abertura
Mesa 1
O corpo-roupa de El Astronauta Paraguayo - Evandro Rodrigues
Entre a família e a construção cênica do eu: notas preliminares sobre os animais em biografias e nos auto-retratos de Frida Kahlo - Ana Maria Alves de Souza
“Hermanos” em guerra em El Baldio, de Augusto Roa Bastos - Lênia Pisani Gleize

10h45
Mesa 2
Sociedade de pedras - Caroline Gonzatto
Algumas representações do carbúnculo na literatura platina - Elisângela Aparecida Zaboroski de Paula
O devir-lugar da onça: entre rastros e sobrevivências - Ana Paula Pizzi

14h
Mesa 3
Animan ou lembrança do abraço de Nietzsche - Mª Eleuda de Carvalho
O elefante é outra coisa … - André do Amaral
Os limites do homem e o Outro: por um encontro ético com o inumano - Ana Carolina Cernicchiaro

15h15
Llansol com Viveiros de Castro - Sérgio Medeiros

16h00
Apresentação do filme Espírito de Porco - Piggish Spirit, seguido de debate com o diretor Chico Faganello.

p.s.: O horário é complicado? Seus problemas acabaram! Clique aqui pra comprar o DVD de Espírito de Porco por apenas 15 reais, recebê-lo pelo correio e ver o filme na poltrona da sua casa.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ó o Doc aí

Começa hoje a I Mostra de Documentários de Chapecó, com o filme "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho. No sábado 26 vai ser exibido nosso documentário Espírito de Porco, sobre o impacto da suinocultura industrial. O Chico Faganello e eu estaremos lá pra debater com o público. Segue release que recebi dos organizadores.

Cinelo realiza Ó o Doc Aí: I Mostra de Documentários de Chapecó

     Pela primeira vez será realizada em Chapecó uma mostra que envolve uns dos melhores filmes do gênero documentário do país. O evento foi organizado pela Associação de Cinema e Vídeo de Chapecó e Região – Cinelo, em parceria com outras entidades. A Mostra, que acontece de 22 a 26 de setembro, com início sempre às 19h30min, no Teatro do Sesc Chapecó, conta com a exibição de seis filmes, cujos direitos autorais de exibição das obras foram liberados pelos diretores.
     A Mostra inicia no dia 22, com a exibição do documentário “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho, considerado um dois maiores  documentaristas brasileiros em atividade. Jogo de Cena é o décimo longa-metragem do diretor.
     Na quarta, dia 23 é a vez do filme “Jesus no mundo maravilha” dirigido por Newton Cannito que, além de produção documental tem vasta experiência em roteiro. Seu filme “Jesus no mundo maravilha” foi contemplado com o Edital DOCTV, um dos mais importantes prêmios nacionais.
     Dando seqüência à mostra, no dia 24 será exibido “Serras da Desordem”, direção de Andréa Antonacci. Nascido em Roma, na Itália, em 1944, transferiu-se para São Paulo (onde reside até hoje) em 1953.  Realiza ampla documentação de culturas indígenas das Américas, que é também o tema do documentário exibido.
     Na sexta-feira, 25, a Mostra exibe o filme “Nelson Freire” de João Moreira Salles, que conta a história do pianista Nelson Freire. É importante ressaltar que esta é a segunda vez que o diretor João Moreira Salles cede os direitos autorais de um de seus filmes para exibição da Cinelo. No ano passado, foi exibido Santiago no evento que marcou o início das atividades da Associação.
     Finalizando a Mostra, no dia 26 dois filmes serão exibidos. O primeiro deles, “Faltam 5 minutos”, do gaúcho Luiz Alberto Cassol. O documentário narra a final de uma partida de futebol a partir da visão dos narradores esportivos das rádios da cidade de Santa Maria – RS. Na seqüência, ocorre o lançamento oficial do documentário catarinense “Espírito de porco” de Chico Faganello e Dauro Veras. Os dois diretores estarão presentes no evento para um bate-papo com o público.

     Sobre a Cinelo
     Em atividade há pouco mais de um ano, a Associação de Cinema de Chapecó e Região – Cinelo veio suprir uma carência regional tanto no incentivo à produção de filmes, quanto na formação de público para a sétima arte. Um dos grandes objetivos da Cinelo é tornar acessível grandes filmes que geralmente ficam restritos aos grandes centros. Um exemplo disso é a Mostra Ó o Doc Aí.
     Além do evento em questão, a Cinelo mantém diálogo com setores públicos e privados a fim de buscar parcerias para o desenvolvimento de um cenário cinematográfico forte e de qualidade. Fazem parte da associação pessoas que produzem filmes, mas sobretudo amantes da sétima arte. A Cinelo está aberta a quem quiser pensar e fazer cinema. Para tornar-se sócio ou obter mais informações sobre a entidade basta entrar em contato através do e-mail contato@cinelo.com.br, ou entre no site www.cinelo.com.br  e saiba um pouco mais sobre a Associação.

     Informações: contato@cinelo.com.br
     Telefone: 9979 8275 - Daniela

domingo, 20 de dezembro de 2009

DVeras Awards 2009: cinema

Tudo que não conheço é novidade. Então, talvez minha lista de destaques cinematográficos de 2009 seja irrelevante pra quem se liga nos lançamentos. Dos três nominados, há só um novo. Assim como minha lista de livros, estes não são necessariamente os "melhores" que vi no ano, e sim os mais marcantes.

3. A zori zdes tikhie [O amanhecer aqui é quieto] (Stanislav Rostotsky, 1972)
Este filme soviético pouco conhecido retrata um grupo de mulheres-soldados durante a Segunda Guerra Mundial, na Finlândia. A narrativa alterna o preto-e-branco do presente com as cores fortes das lembranças delas. O passado ultracolorido do pré-guerra é representado como num palco de teatro, apenas com elementos básicos (semelhante a Dogville de Lars von Trier); cenas curtas, mas suficientes pra delinear as características das personagens, seus traumas, desejos e carências. Comandadas por um sargento, as protagonistas enfrentam um grupo de paraquedistas alemães, mais numerosos e bem armados, numa guerrilha de emboscadas na floresta.

2. A Streetcar Named Desire [Um bonde chamado desejo] (Elia Kazan, 1951)
Adaptação da peça de Tennessee Williams com impecável atuação de Marlon Brando, o filme mergulha fundo nas contradições, tabus, desejos reprimidos e conflitos familiares. Magistral, um must-see movie.

E o DVeras Awards de Cinema 2009 vai para...

1. Inglorious Basterds (Quentin Tarantino, 2009)
O novo filme do diretor de Pulp Fiction é uma engenhosa trama ambientada na França durante a 2a. Guerra Mundial. Tem roteiro primoroso, com diálogos afiados, referências pop, trilha surpreendente e releitura de clássicos, como observou a Jade Martins nesta ótima resenha. Jade destaca - e concordo: "Os primeiros 20 minutos do filme já compõem o rol das melhores aberturas da história do cinema". Outra cena que eu pretendo rever é a do porão, construída com uma coreografia impecável de violência "tarantinesca", digna dos grandes mestres do suspense.

Hors concours:

Espírito de Porco (Chico Faganello e Dauro Veras, 2009)
Minha primeira experiência de direção resultou neste documentário de 52 minutos sobre os impactos da suinocultura industrial em Santa Catarina, narrado por um porco. Levamos três anos pra concluir o filme, com orçamento apertado e dolorosas perdas familiares pelo caminho. Gostei do resultado, embora, a cada vez que assista, pense que podíamos ter feito diferente aqui ou ali (mas chega uma hora em que é preciso entregar o "filho" ao mundo). Espírito de Porco recebeu dois prêmios internacionais, um em Curitiba e outro em Portugal. Mais que um aprendizado técnico, foi uma rica experiência que envolveu vinte profissionais, dezenas de entrevistados e centenas de animais. Ver o porco pronto foi ótimo, mas melhor ainda foi o fazer. O DVD pode ser encomendado aqui.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Repórter Brasil resenha 'Espírito de Porco'

A ong Repórter Brasil, coordenada por Leonardo Sakamoto, publicou ontem uma boa resenha sobre o documentário que codirigi com o Chico Faganello.

"Espírito de Porco" disseca
suinocultura industrial catarinense


Documentário busca mostrar a "cadeia de responsabilidade" que molda o setor de criação de porcos, que envolve produtores, governos e consumidores, nem sempre conscientes do papel que desempenham neste processo

Por Maurício Reimberg
Apontada como responsável por diversos danos ambientais, a suinocultura industrial no Oeste de Santa Catarina reúne uma das maiores concentrações de porcos do mundo. Confinados em pequenos espaços, eles já somam 50 milhões - numa proporção de 10 suínos para cada humano. O controle da atividade econômica é restrito: sete em cada dez porcos da região pertencem a cinco grandes agroindústrias. Enquanto impulsionam seus lucros, as empresas assumem um discurso vagamente humanitário.

Essas contradições, bem como os impactos ambientais, sociais e econômicos desse modelo, são os temas analisados pelo documentário "Espírito de Porco" (Brasil, 2009), dos jornalistas Chico Faganello e Dauro Veras. Em tom didático e irônico, a obra busca mostrar a "cadeia de responsabilidade" que molda o setor, envolvendo produtores, governos e consumidores, nem sempre conscientes do papel que desempenham neste processo. Santa Catarina possui o maior rebanho do país, com cerca de 17,5% da produção nacional. Boa parte desses estabelecimentos desrespeita normas ambientais básicas. (...)
Mais

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Espírito de Porco selecionado pro XI FICA

Espírito de Porco, documentário dirigido por mim e pelo Chico Faganello, acaba de ser selecionado pro XI Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, entre 556 obras de 51 países. Vamos lançar o filme em junho no Alto Uruguai, região do Oeste de Santa Catarina onde está uma das maiores concentrações de suínos do planeta. A ideia é fomentar um debate sobre meio ambiente que leve em conta o ponto de vista do porco.

O título do filme se refere a um "espírito" suíno que volta ao mundo dos vivos pra defender sua espécie das calúnias que sofre há milênios. O porco se irrita porque o acusam da poluição de rios, solo e ar. Com a participação de produtores, consumidores, pesquisadores e trabalhadores ligados à suinocultura industrial, o documentário mostra, nestes tempos de gripe suína, que a relação entre os humanos e os animais da criação industrial tem que mudar, para o bem da saúde do planeta.


Veja a lista das obras selecionadas para o XI FICA.

Mais informações sobre o projeto, em português e inglês.

p.s.: A exibição do filme no XI FICA está marcada pro dia 18 de junho.

domingo, 18 de outubro de 2009

Espírito de Porco esta semana em Floripa

Espírito de Porco, o doc sobre os impactos da suinocultura industrial que dirigi junto com Chico Faganello, estreia esta semana em Floripa, em três sessões gratuitas na Fundação Cultural Badesc. Reserve seu ingresso enviando um e-mail para espiritodeporcofilme [arroba] gmail.com , informando seu nome e a data escolhida. Você vai receber uma resposta confirmando a solicitação com o envio de um ingresso virtual. Não é preciso imprimir o ingresso - seu nome vai ficar numa lista na entrada. A gente se vê lá.

Quinta, 22/10 às 19h
Sexta, 23/10 às 19h
Sábado, 24/10 às 17h

No blog de lançamento você encontra mais informações sobre Espírito de Porco.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A gripe suína e o poder da indústria pecuária


Estátua na entrada da cidade de Xavantina (SC), que se orgulha de ter a maior concentração de suínos per capita do mundo. Foto: Chico Faganello.

Pra quem tem interesse em saber o que está por trás da origem da gripe suína, recomendo a leitura de um artigo de Mike Davis, professor no departamento de História da Universidade da Califórnia e especialista nas relações entre urbanismo e meio ambiente. O texto foi publicado dia 27 no Guardian e sua tradução em português, por Katarina Peixoto, está no Carta Maior. Davis alerta para os riscos da industrialização empresarial da pecuária:
Em 1965, havia nos EUA 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos debilitados. Cientistas advertem sobre o perigo das granjas industriais: a contínua circulação de vírus nestes ambientes aumenta as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. (...)
Coincidentemente, esta semana o videodocumentário Espírito de Porco, que Chico Faganello e eu dirigimos (com recursos do Prêmio Cinemateca Catarinense), foi finalizado e entregue à Fundação Catarinense de Cultura. Entre as questões levantadas pelo filme está o confinamento na criação industrial, que tem reflexos no bem-estar dos suínos e, por tabela, dos humanos, na água, no solo e no ar ("é o cheiro do dinheiro", brincam alguns moradores do Oeste do estado, naqueles dias quentes em que a merda de porco é captada pelo olfato a quilômetros de distância).

Santa Catarina tem uma das maiores concentrações de suínos do mundo - o rebanho supera as 50 milhões de cabeças, ou dez porcos para cada habitante. Por motivos econômicos, governo e indústria têm se esforçado em disseminar a ideia de que o problema não tem nada a ver conosco. Mas os alertas vindos de todo o planeta indicam que seria sensato pensar grande e com visão de longo prazo, isto é, fazer uma reflexão profunda sobre a validade do atual modelo de produção de carne. Nosso documentário não tem respostas prontas, quer mesmo é estimular o debate. Em breve vamos exibi-lo ao público, primeiro no oeste de Santa Catarina e depois em Florianópolis e festivais.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Nane e as mulheres que dizem 'sim' pra si mesmas

Dou continuidade à série Humanos com minha amiga Eliane (Nane) Faganello de Som, catarinense de Seara que vive em Stuttgart, Alemanha, com o marido e a filha. Nane é psicóloga e faz um bonito trabalho com mulheres em situação de vulnerabilidade - principalmente as de origem turca e de outros países muçulmanos. Ao mesmo tempo em que as ajuda a se alfabetizarem em alemão, ela estimula o fortalecimento da autoestima dessas imigrantes, para que enfrentem o machismo e conquistem seu lugar no mundo. Não por acaso, usa o método Paulo Freire.

Propus entrevistá-la e ela concordou. Antes que eu fizesse as perguntas, me enviou como introdução um relato tão rico, tão impregnado de força e generosidade, que achei melhor publicar assim mesmo, em primeira pessoa. O depoimento que se segue está praticamente na íntegra. Suprimi só um ou outro detalhe agora irrelevante, como a proposta de que fizéssemos a entrevista pelo skype e a referência a férias no Brasil. "Dauro, eu não sei escrever curto e bonito, como os bons jornalistas", me disse ela. "Também não sei pôr as vírgulas nos lugares certos e me perco em análises". Pois eu discordo, Nane. Adorei seu texto.

p.s.: a Nane é parceirona no filme Espírito de Porco desde os primeiros passos, quando fez uma ampla pesquisa em bibliotecas alemãs. Coautora do roteiro, deu sugestões sempre pertinentes durante toda a produção e edição do documentário.

Devo dizer que não sou tão interessante como tu pensas, nem o meu trabalho tem dimensões tão grandes a ponto de eu imaginar que possa vir a melhorar o mundo. Dentro deste microuniverso em que estou envolvida faço coisas simples, que me permitem uma certa movimentação intelectual e me dão muita alegria. Sei que ajudo essas pessoas e isso me faz bem. Também eu me defronto com o novo, aprendo e me transformo. E é legal assim.

Trabalho em vários lugares, ou seja, em instituições certificadas que recebem dinheiro público para projetos sociais, sobretudo na área de política de integração, que é um dos temas centrais dos últimos dez anos. O governo e a União Européia repassam o dinheiro dos projetos sociais e interculturais para essas instituições, que se encarregam de contratar pessoas e instrumentálizá-las para o trabalho. Tudo é com certificação e qualificação e acompanhado de cursos de aperfeiçoamento, certificados e coisa e tal.

Num desses lugares, trabalho com um grupo de mulheres de várias nacionalidades e religiões, como turcas muçulmanas, curdas alevitas, albanesas desorientadas e até uma brasileira mal-tratada pelo marido. São mulheres que precisam de uma certa estabilidade emocional e que ninguém, na verdade, sabe o que fazer com elas. A forma de conseguir fazer com que elas saíssem de casa foi criando um grupo de alfabetização, o que é aceito pelas famílias e legitimado pelo governo. Assim, o espaço de alfabetização é a possibilidade de sair de casa, de se defrontar com outros valores e realidades e de questionar a sua própria.

Tenho plena consciência de que muitas delas jamais abandonarão seus véus, mas também não precisam, nem essa é a proposta. O fato delas se sentirem respeitadas em sua cultura, língua e religião, faz com que aprendam a aceitar as outras culturas ao seu lado. Elas se tornam mais conscientes, tolerantes e capazes de dizer: " Ich bin ok, wie ich bin. Du bist ok, wie du bist." O que quer dizer: "Eu sou legal como eu sou. Você é legal como é."

A questão central do trabalho é a alfabetização e a manutenção destas mulheres num curso ou em algum lugar onde possam se defrontar com seus próprios valores. Eu ajudo elas a pensar sobre a língua, sobre o processo de alfabetização, sobre problemas nunca tematizados e a resgatar um pouco da sua identidade.

Não posso dizer que sou alfabetizadora, porque são elas mesmas que se alfabetizam, através da leitura do seu mundo e da sua posição na história. Eu ajudo elas a se manterem no grupo, a pensarem sobre temas difíceis e complexos, como sua própria família e a realidade onde vivem. Também não posso dizer que sou psicóloga, nos modelos tradicionais. Sou uma psicóloga que trabalha com pessoas em processo de alfabetização, de aprendizagem e de reestruturação da sua própria identidade.

O grupo é bem heterogêneo e da análise da realidade individual e grupal surgem palavras para escrever (e elas escrevem desesperadamente, Dauro!). As palavras selecionadas, resultantes de nossas conversas são escritas e trabalhadas, como no método Paulo Freire e aos poucos elas conseguem ler cartazes, livros e a sua própria vida.

Normalmente surgem temas pesados para conversas, tais como Gewalt (violência), Wut (raiva), schlagen (bater) e nas últimas semanas surgiram questões belíssimas: - por que só as mulheres muçulmanas não podem casar quando o marido morre? Ou ainda, por que os homens podem casar de novo, mas as mulheres não? Por que as mulheres muçulmanas não podem freqüentar piscinas mistas, mas os homens sim?

Trabalho com este grupo duas vezes por semana e muitas das mulheres têm "desabrochado", dia por dia, como diria o padre Pinto. Festejamos o carnaval com música árabe e saí cambaleando de tanto comer daqueles charutinhos de folha de parreira recheados com carne de ovelha, mas confesso que nunca vi aquelas mulheres tão felizes.

Uma delas perdeu a família no Iraque, trata um câncer de mama e é tiranizada pelo marido, que a controla pelo celular, chamando-a para preparar chás e coisas a fins. Na semana passada ela conseguiu dizer "não" a ele, pelo telefone, de uma forma tão serena e educada que as outras aplaudiram. Eu sinalizei, no final, que ela estava dizendo "sim" para ela mesma. Daí elas escolheram uma palavra bem bonita para trabalhar nos próximos dias: respeito.

Um abraço bem grande,

nane

domingo, 25 de outubro de 2009

Espírito de Porco ganha prêmio em Portugal

Uma ótima notícia d'além-mar: Espírito de Porco ganhou um prêmio especial do Júri Internacional no Cine'Eco 2009 - Festival Internacional de Cinema Ambiental de Seia, Portugal. Nosso doc tinha sido um dos 50 selecionados pra exibição entre os mais de 300 enviados por realizadores de 30 países. Mais detalhes no blog do porco.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Espírito de Porco na Mostra de Curitiba

Mostra de Cinema de CuritibaO documentário Espírito de Porco, que codirigi com o Chico Faganello, vai participar em Curitiba da 1a. Mostra Internacional de Cinema pelos Direitos dos Animais. Exibição neste sábado, 29, a partir das 15h, seguida de debate dos realizadores com o público. No domingo a programação prossegue com mais filmes, debate sobre ética, cidadania e sustentabilidade e exibição do filme Terráqueos (Earthlings).

Clique pra ver o cartaz ampliado.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Espírito de Porco em Floripa dias 22, 23 e 24

Dias 22, 23 e 24 no Centro Cultural Badesc, Chico Faganello e eu vamos mostrar em Floripa o doc que dirigimos, Espírito de Porco. Três sessões únicas, grátis. A estudante de cinema e publicidade Mariana Coelho, junto com o jornalista Fifo Lima - colega de longa data nas redações da vida -, estão dando uma forçona fazendo uma campanha especial de divulgação, com o mínimo de papel possível e reciclando materiais. Veja como receber o seu ingresso virtual e leia mais sobre os bastidores do filme neste blog.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Espírito de Porco ganha Mostra de Curitiba

Nosso documentário Espírito de Porco ganhou o prêmio de melhor filme na Mostra Internacional de Cinema pelos Direitos dos Animais, que encerrou neste domingo em Curitiba. Estou no ônibus a caminho de casa, com o 'Oscow' na bagagem.
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UPDATE 12h: Escrevi este release com mais informações

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Espírito de Porco, ficha técnica


Foto: Chico Faganello

Assim como o jornalismo, cinema é trabalho coletivo. O filme é resultado do esforço dessa moçada toda:

FICHA TÉCNICA
Espírito de Porco [documentário, 52 min, HD, 2009]

Direção: Chico Faganello, Dauro Veras
Produção Executiva: Chico Faganello, Lícia Brancher
Roteiro: Chico Faganello, Dauro Veras, Eliane Faganello de Som
Pesquisa: Chico Faganello, Dauro Veras, Eliane Faganello de Som, Lícia Brancher
Fotografia e Câmera: Chico Faganello
Assistentes de Fotografia: Vinícius Lopes Muniz, Ivan Lohmann Soares, Tcharles Barbosa
Produção de Campo: Cássio Benatti, Ramirez Tapia
Edição: Cíntia Domit Bittar, Chico Faganello
Narração: Renato Turnes
Trilha Sonora: Chico Faganello
Produção Musical: Lícia Brancher
Pós Produção Som: Jorge Gómez – Studio 33; Douglas Narciso e Mateus Mira Bittencourt – Onda Sonora
Ilustração: Leandro Lopes
Designer Gráfica: Vanessa Schultz
Tradução: Regiane Capalbo; Jeffrey Hoff
Colorista: Lucas Barros

sábado, 26 de setembro de 2009

Espírito de Porco em Chapecó hoje

Post pré-programado.

Enquanto você me lê, tou dirigindo com o Chico Faganello de Floripa a Chapecó. Vamos exibir às 19h30 no Sesc o nosso documentário Espírito de Porco, sobre os impactos da suinocultura industrial no Oeste de Santa Catarina. Na sequência, bate-papo com o público da mostra Ó o Doc Aí, que encerra hoje. Tou curioso pra ouvir as opiniões das pessoas sobre esse tema, que é diretamente ligado à realidade delas. São espectadores com perfil diferente dos que, em Curitiba, elegeram nosso documentário o melhor filme da 1a. Mostra Internacional de Cinema pelos Direitos dos Animais. Lá, muitos vegetarianos e foco em questões éticas envolvendo o bem-estar animal. No Oeste, muitos carnívoros. Gente pra quem a criação de porcos faz parte do cotidiano, direta ou indiretamente. As questões ambientais e econômicas talvez ganhem mais mais peso. Depois conto mais.
~
É muito bom pegar a estrada.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Espírito de Porco na rádio CBN

Entrevista de Chico Faganello à rádio CBN - 19out2009 by dauroveras
O radialista Luiz Carlos Prates, da rádio CBN de Florianópolis, entrevista no programa Notícia na Tarde o  Chico Faganello sobre o documentário Espírito de Porco, que dirigimos juntos e vamos mostrar em Florianópolis a partir de hoje na Fundação Cultural Badesc.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Espírito de Porco news - primeira sessão lotada

A sessão de quinta-feira 22 do nosso documentário Espírito de Porco já tá lotada. Se você ainda não reservou seu lugar, ainda restam as sessões de sexta 23 (19h) e sábado 24 (17h). É só enviar e-mail para espiritodeporcofilme@gmail.com informando o nome completo e a data preferida.