Nuvens avançando rápido sobre Floripa hoje à tarde, em foto de Marli Henicka. Um pouco antes, por volta das duas, vi um termômetro no centro marcando 42 graus. Tava um calor quase insuportável. De repente tudo virou. O vento veio forte (89 km por hora, segundo o Ciram), tive que correr pra fechar todas as janelas de casa. Pelo twitter - mais uma vez, informação imediata - pessoas em Floripa contavam o que estavam vendo:
16:29 @agenteinforma - No Saco dos Limões, nada de vento. Mas as nuvens escuras já tão dominando a parada.
16:30 @agenteinforma - Atualizando: ventania chegou por aqui.
16:32 @juantunes - RT @PRF191SC Em função dos fortes ventos, 2 caminhões tombaram na BR101 em Laguna. Não houve vítimas. Trânsito flui em meia-pista no local.
16:42 @humenhuck - ventania chegando em são josé também. escureceu tudo de repente.
16:45 @rockarei ouco diversos alarmes de carro na rua. as pessoas olham ressabiadas pelas janelas.
16:46 @anapaulag - a orla de Coqueiros tb já tem tudo revirado.
16:52 @agenteinforma - Bateu o vento e luz foi embora aqui no bairro. Ainda não voltou.
16:57 @rockarei - a criancada se amarra nessas mudancas de clima. na vizinhanca ela se aboletam nas janelas pra ver.
17:08 @juantunes - 89 [km/h], de acordo com a Ciram
17:17 @neiducca - Tive q me agarrar num poste pro furacão não me carregar vindo p a rodo.
17:28 @neiducca - Foi punk. Lojas fechando portas, gente caindo, gritedo, um curta d terror. Agora, na estrada, só chuva.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Tempestade em Floripa e o twitter
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
#tuiteumcurta
Versão ultra-curta para twitter do meu conto Pura Sorte - que já é bem enxuto:
Matava a tiro. Preso, quebralham-lhe 5 dedos. Fugiu. Menino curioso: - Que foi? Ele: - Acidente de trabalho. Mas sou canhoto.
domingo, 16 de agosto de 2009
Túnel do tempo: dois anos usando o twitter
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
Agora com Twitter
Resisti um tempo, parte por birra, parte por preguiça. Mas finalmente hoje recebi um convite do Nando e resolvi testar o tal do Twitter, espécie de mini-blog e comunidade em que você conta aos amigos (ou ao mundo) em poucas palavras o que está fazendo ou pensando ou deixando de fazer. É a febre do momento entre os conectados. Dá pra atualizar de três maneiras - pelo saite do Twitter na web, por mensagem de texto no celular ou mensagem instantânea no Jabber ou GTalk. Também dá pra inserir um código pra mostrar as atualizações no blog, como fiz aí na coluna ao lado (Curtas). Minha primeira impressão é que o grande barato do Twitter é a mobilidade associada à facilidade de comunicação em comunidades. Me atrái isso do minimalismo das mensagens. Mas como eu uso pouco o celular e gosto de escrever posts telegráficos no blog, talvez seja pouco aproveitado e mesmo redundante. A ver.
~
UPDATE 16.08.2009
Quando comecei a usar, era "coisa de geek". Agora o twitter já é capa de revista, tititi de tevê, moda entre os descolados, ferramenta jornalística e publicitária, passatempo no ônibus e nas filas, instrumento de trabalho colaborativo, palco pra performances poético-literárias e o que mais passar pela cabeça dos usuários. Conheci gente muito legal por meio das mensagens de 140 caracteres e passei a trocar mais ideias com vários amigos. Aparentemente o twitter tem grande potencial dispersivo, mas não acho que seja a ferramenta em si, e sim a necessidade humana de buscar experiências gregárias (e se expressar, obter reconhecimento etc.). Se vira compulsão, vai da pessoa se autoexaminar ou buscar ajuda pra ver o que tá ocorrendo. Nesses dois anos testei várias outras traquitanas na internet, mas a maioria passou batida e caiu no esquecimento. O twitter mostrou seu valor e tá aí, no cotidiano meu e de tanta gente. Pros novatos, minhas dicas básicas:
- Selecionar as pessoas que você deseja seguir. A qualidade da experiência depende em grande parte disso. Arrisque e petisque, mas não hesite em dar unfollow sem qualquer sentimento de culpa.
- Priorizar qualidade, não quantidade. É um complemento óbvio da dica anterior. Esqueça essa bobagem de popularidade.
- Ser você mesmo/a. Um dos piores tipos de chatos é o que quer parecer mais ixperrto do que é ou assume uma personalidade distinta da própria.
- Compreender o fluxo. Gosto da metáfora do rio. Os twits são as águas correndo. Impossível abraçar tudo. Deixe fluir, sem estresse pelo que "perdeu". Se for importante mesmo, você vai terminar sabendo.
- "Escutar" mais, "falar" menos & melhor. Autoexplicativo.
- Experimentar. E ver se essas dicas são válidas mesmo. Não dá pra sair acreditando em qualquer um... :)
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Enquanto o twitter não volta
Twitter "baleiou" feio hoje. É a maior instabilidade no sistema em vários meses, lembra o Mashable (citado pelo Alexandre Gonçalves no Facebook, que tá sendo usado como sucedâneo). O Facebook tá com falhas esporádicas também. Não sou de teorias da conspiração, mas a primeira coisa que pensei foi num ataque organizado pra lembrar os 64 anos de Hiroshima. Enquanto isso, aí vão três prototuitadas.
Hoje 17h na Academia Catarinense de Letras, oficina de crônicas abre com Flávio José Cardozo.
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Dia 20 a Regininha Carvalho fala sobre humor na crônica.
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Já sou avô. Meu filho Bruno, de três anos, é pai do coelhinho Fufim e do cachorrinho Cleite.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Kommbo Express Floripa

Amigos das antigas, agora tuitando. Da esquerda pra direita: @frankmaia, @rogeriomosimann, @esquerdafestiva (Ulysses Dutra) e eu. Foto de @danielguilhamet.
Mais fotos do Kommbo aqui.
Ontem à noite fui conferir o Kommbo Express, evento promovido na Art Chopp da Lagoa da Conceição pela ZeroTrack Inteligência Digital. A divulgação, feita basicamente via twitter, blogs, e-mails e boca-a-boca, garantiu casa lotada. Duas palestras rápidas sobre criatividade no meio digital abriram a noite, seguidas de música dançante e muita networking tuiteira - pululavam pessoas com crachás iniciando em @. Não usei crachá, mas foi engraçado ter sido reconhecido pelo @geraldoprotta, que, assim como outras pessoas, transmitiu imagens do evento ao vivo pelo qik. Pra molhar o bico, chope e cervejas da Eisenbahn, com preço salgado, mas deliciosas.
Gostei da minipalestra do @tiagomx ("Construindo o Digital"). Em 20 minutos ele resumiu ideias interessantes e casos de sucesso/fracasso em intervenções digitais, falou de amizades, sanduíches e rizomas de maneira informal e divertida (confesso que pouco captei da segunda palestra, exceto a observação de alguém de que não é bom negócio a profissão de barbeiro na Argentina, mas àquela altura já eram várias cervejas na cabeça). Mas senti falta da boa e velha interatividade, com perguntas, interrupções e questionamentos. Bom, essa é uma observação limitada ao presencial, pois enquanto as coisas aconteciam na choperia, um monte de gente participava de outras formas, tuitando, fotografando e filmando, o que permitiu ampla participação virtual. Depois das palestras rolou som com os DJs Ulysses Dutra (@esquerdafestiva), @fabiobianchini, Marquinhos Espíndola (@marquinhose), Jhon (@joaomdm), Tiago Franco (Blog da Devassa) e Victor A.
Conheci gente legal com quem só tinha trocado ideia virtualmente, como o próprio Tiago, o Marquinhos e o Alexandre Silva (@trektrek). E encontrei uma cambada de broders de longa data: Frank Maia (@frankmaia), Caio Cezar (@cambalhota), Rogério "Magrão" Mosimann (@rogeriomosimann), Ulysses Dutra (@esquerdafestiva), Zé Dassilva (@zedassilva, de passagem pela Ilha), Vincent Pasquier (@vinzbrazil, firme e forte, se recuperando de uma queda de moto), Alexandre Gonçalves (@agenteinforma) e o recente amigo Rodrigo Lóssio (@lossio). Cumprimentei a Dora (@dora_), o Felipe (@obrer) e outras pessoas de passagem, não deu tempo de conversar. Em resumo, foi uma noite bem divertida. Gosto dessa combinação informal de palestra+festa. Sugestões pros próximos: mais estímulo à participação das pessoas no debate; foco em temas menos genéricos e mais polêmicos; espaço físico maior e mais arejado. Fecho com comentário do amigo @johnniezanatta, que não pôde ir e foi conferir as fotos: "Nem só de nerds vive a rede social". :)
Por Dauro Veras às 15:46 |
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segunda-feira, 6 de julho de 2009
Frase da vez, bastante atual
'Blessed is the man who, having nothing to say, abstains from giving wordy evidence of the fact'.
George Eliot
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Irreverência brasileira no twitter
Acontecimento do domingo: como a palavra "chupa" chegou ao primeiro lugar mundial nos "trending topics" do twitter - um ranking em tempo real dos assuntos mais comentados na ferramenta de microblog. Foi uma espécie de resposta coletiva espontânea ao ator Ashton Kutcher, que ficou zoando a seleção brasileira no primeiro tempo do jogo Brasil x EUA. Tá no Update or Die e no twitter brazilians.
~
E pra quem - como eu - não viu a virada do Brasil contra os Estados Unidos na final da Copa das Confederações, tá aqui um compacto com os gols.
domingo, 28 de junho de 2009
Golpe em Honduras
Acordei tarde, abri o twitter e me inteirei do golpe militar em Honduras. Fui de imediato ao portal G1, da Globo, procurar mais informações. Na capa não encontrei nada. Mas tinha um ótimo tutorial sobre os passos de Moonwalk. Acessei o UOL. Honduras estava lá, na terceira chamada, abaixo de uma matéria sobre futebol. A manchete ao meio-dia e pouco era "Depoimento de médico de Jackson foi inconclusivo", semelhante à do G1. É isso que chamam de "infotainment"?
Foto de Roberto Brevé.
A volta ao mundo sem sair da poltrona
Duas historinhas que podem parecer banais pra quem vive no mundo conectado desde criança, mas que me maravilham pelo potencial extraordinário da internet pra aproximar as pessoas:
1.
Na noite da morte de Michael Jackson, o broder Hélio Matosinho, editor da TV Record News em São Paulo, me ligou pelo Skype pra perguntar se eu tinha o telefone da 'Megui' - como é mais conhecida minha amiga Gisele Losso, que mora em Los Angeles. Ele queria oferecer a ela um frila - boletins ao vivo - e precisava fazer contato urgente. Eu não tinha o número, apesar de termos estado juntos numa jam session campechana poucos dias antes, no fim das férias dela. Entrei no Facebook, Megui tava offline e deixei mensagem. Como imaginei que ela não voltaria a tempo, perguntei no twitter se alguém conhecia quem fizesse um frila em L.A. Em menos de 2 minutos, @riqfreire (Ricardo Freire, blogueiro do excelente Viaje na Viagem) me disse que @pedrotourinho tava tuitando direto do hospital. Consegui teclar com Pedro (até aquele instante, um completo desconhecido pra mim) e fiz a ponte. Quase ao mesmo tempo a Megui entrou no Facebook e passei o celular dela pro Matosinho. Conexões feitas, fui dormir. Como de hábito, não vi TV no dia seguinte, mas acho que tudo se arrumou. E pensar que, quando comecei a trocar correspondência com pen-friends pra aprender inglês, uma carta levava sete dias pra chegar...
2.
Escrevo a segunda historinha ouvindo na web o uruguaio Jorge Drexler pela Rádio Latina, um programa da rádio comunitária australiana Bay FM. Agora é madrugada de domingo no Sul do Brasil, início da tarde de domingo na costa leste da Austrália - é como se o futuro estivesse chegando até meus ouvidos por um portal mágico. Como cheguei a essa estação? O Celso Martins (que bloga no Sambaqui na Rede 2) me deu um toque agora há pouco, via GTalk, que a filha dele, Anita, está com um programa de música brasileira nessa rádio australiana. Sintonizei a tempo de ouvir a voz de Anita ao vivo, num inglês fluente e agradável, abrir o programa tentando explicar o que é boi-de-mamão pra apresentar uma música típica da tradição açoriana de Floripa. E na sequência colocando uma série de músicas super bacanas do sul da América: Brasil, Peru, Paraguai, Argentina, Uruguai... Enquanto escuto o programa aqui no Campeche, Celso, lá no Sambaqui, também acompanha a filha e me conta que ajudou a Anita a fazer a seleção musical. Neste exato instante, do outro lado do mundo, toca o clássico da banda Dazaranha, Vagabundo Confesso. Que viagem!
Por Dauro Veras às 01:18 |
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
M de miguelice
Dever de casa do Miguel: recortar e colar palavras e figuras que comecem com M. Escolheu "mundo", "melhor", "mar", "macaco" e "mcdonald's".
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Comentário da @ladyrasta no twitter:'"Quando meu filho começou na escola veio contar que a professora colocava 'tipo um símbolo da Nike' ao lado das respostas certas!"
quinta-feira, 26 de março de 2009
A nova escola britânica em construção
Proposta de revisão no currículo das escolas primárias do Reino Unido dá mais liberdade aos professores para ensinar sobre Twitter, blogs, podcasts e Wikipedia, conta The Guardian. Até 11 anos as crianças devem adquirir fluência na escrita a mão e no uso do teclado; aprender a escrever corretamente e usar o corretor ortográfico. A proposta também prevê o reforço no ensino da cronologia dos fatos, mudanças e períodos históricos; e mais ênfase em saúde, dieta e atividade física. O período vitoriano e a Segunda Guerra Mundial não são mais obrigatórios, pois fazem parte do currículo curso médio. Enquanto isso, aqui no Brasil, o Congresso discute a proibição de celulares nas escolas.
[ via @belcolucci e @garotasemfio ]
Links: Doc Online
Revista Digital de Cinema Documentário. Tem periodicidade semestral. Em português, castellano, English e français.
[via @garapa no twitter]
quarta-feira, 25 de março de 2009
Viaje na Viagem
O blog Viaje na Viagem, de Ricardo Freire, está de endereço novo. Pra quem gosta de viajar (sim, há quem não goste), está na busca de dica quentes e curte um texto inteligente e espirituoso, vale conferir. No post mais recente ele lista as 20 reclamações mais bizarras de turistas, tais como "a praia estava muito arenosa" e “ninguém nos contou que haveria peixes no mar. As crianças ficaram apavoradas!”
p.s.: O twitter dele é @riqfreire
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
DVeras Awards 2008: serviços na web
Menções honrosas:
- Blip.fm. Pra muita gente que ama descobrir, (re)ouvir e comentar de música, foi o achado do ano. Rendeu até algumas experiências sinestésicas, aleatórias e coletivas bacanas. Usei muito por um tempo (um grande barato dele é a integração ao twitter), depois enjoei, mas de vez em quando volto. Agora, por exemplo, tou ouvindo Buddy Guy, (You Give Me) Fever.
- Gengibre. Esse "twitter de voz" pra compartilhar na web as mensagens enviadas por celular é uma idéia matadora. Ainda não testei porque, assim como o Inagaki (que testou), acho estranho ouvir minha voz gravada. Mas só de pensar nas possibilidades pro jornalismo e educação, entre outras, já viajo. Qualquer hora dessas crio coragem e vou "aliviar a garganta" (grande slogan).
- Gmail. O webmail do Google continua imbatível e é o que melhor atende minhas necessidades. Uso o serviço há uns dois anos e ele sempre me surpreende com novidades, algumas úteis, outras irrelevantes, que posso optar por incluir ou não. Tou testando agora o novo módulo experimental Tasks, pra inclusão de listas de tarefas.
Twitter. Tudo era apenas uma brincadeira, e foi crescendo, crescendo e, pra minha sorte, continuou brincadeira :) Comecei a usar o twitter a convite do Nando, a princípio com a intenção de ver qual era a onda e sartar fora. Mas essa coisa de microblogar em 140 caracteres vicia. Como isso converge com minha busca da síntese no texto, passei a publicar uns microcontos e poemitos - às vezes do ônibus, via celular. Conheci gente legal e terminei incorporando a ferramenta na coluna à direita deste blog (seção Rapidinha). O recente uso pra divulgação instantânea de avisos de utilidade pública na enchente de SC reforçou o que eu já observava: o twitter e similares ainda vão dar muito o que falar. Não vão substituir nada, e sim se somar aos meios que já existem pra dar uma experiência mais significativa de expressão social.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
DVeras Awards 2008: software
Menções honrosas:
- Twhirl. Serve pra publicar e ler no Twitter e outras redes sociais de microblogs. Funciona com a plataforma Adobe Air, que ainda não entendi direito o que é. Bem melhor que o Twitterfox que eu usava antes.
- Media Player Classic. É free, estável e roda diversos padrões de vídeo. Tem outro muito bom, também free, o coreano KMPlayer.
- µTorrent. Cliente de bitTorrent pra Windows. Não é novidade pros geeks, mas passei a conhecer e usar este ano pra baixar (e subir, no espírito do compartilhamento) música e vídeo.
Torproject. Permite navegar com privacidade e anonimato na internet, burlando monitoramentos e bloqueios. É bastante usado por ativistas e jornalistas em países onde há censura à rede. Deixa a navegação mais lenta, mas é bastante eficaz, embora não 100%, como eles mesmo advertem. O projeto é tocado por voluntários de diversos países.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
" Jornalismo é mais que 140 caracteres"
Reproduzo artigo de Luiz Weis que a Daniela Bertocchi colocou na lista Intermezzo. Rende boas provocações pra debate, mas por enquanto vou limitar meu comentário a 95 caracteres: cada meio tem função e características próprias; quando se complementam, tendem a ganhar força.
Jornalismo é mais que 140 caracteres
Postado por Luiz Weis em 1/12/2008 às 5:48:02 PM
Em tempos de catástrofe – Santa Catarina, Mumbai – a utilização maciça da internet para alertar, informar e mobilizar, influindo no curso dos acontecimentos a ponto de salvar vidas, dá a impressão de que, comparada com os novos recursos da comunicação instantânea, sucinta, de livre acesso e infinitas mãos de direção, a chamada imprensa
convencional é uma anciã entrevada.
O problema é que essa comparação peca pela base. Em papel ou na tela, o jornalismo de fato não dá para a saída em matéria dos atributos que fizeram do Twitter, por exemplo, a mais recente sensação das redes sociais virtuais, explorando a plataforma que já passou à frente do computador: o celular.
Nos atentados em Mumbai, mensagens via Twitter – de até 140 caracteres cada – seguiam à razão de uma por segundo [segundo uma reportagem do New York Times, que no entanto não esclarece como se chegou a esse número].
Mas o jornalismo não pode ser avaliado por sua capacidade de enviar mensagens urgentes de 140 caracteres. Se, nessas horas, diz ou não diz a que vem, será por ter estado, ou não, à altura do que dele é justo esperar.
Quando se fala em jornalismo, aqui, fala-se ainda, em primeiro lugar, do jornalismo escrito, alcance ele o público pelo meio que for.
Isso porque, embora a TV possa mostrar as coisas "como as coisas são", enquanto ocorrem – com todo o seu inseparável componente de espetáculo, quando não de espetáculo pelo espetáculo –, a imprensa escrita continua imbatível como sistema de produção e transmissão de informações articuladas, a partir das quais o leitor pode ter uma noção, caso a caso, de como funciona o mundo.
Não em 140 caracteres, naturalmente.
Dito de outro modo, trata-se de dois serviços distintos de utilidade pública. Um, prestado por legiões de pessoas agindo por iniciativa própria ou reagindo espontaneamente a iniciativas alheias. Outro, prestado por organizações criadas para vender notícias – e, infelizmente, cada vez mais, para vender essa lavagem chamada entretenimento de massa.
O Twitter, ou coisa do gênero, é uma forma escandalosamente superior de fazer circular aos quatro ventos, entre outras coisas, fatos que os emissores e receptores (cujos papéis são intercambiáveis) consideram essenciais em dada circunstância.
Por exemplo, no caso dos atentados terroristas em Mumbai, os endereços de hospitais para doação de sangue. É o que faz o bom e velho rádio, mas deixando o registro por escrito em alguns centímetros quadrados na palma da mão das pessoas.
Quanto mais esse tipo de recurso se propagar, levando a patamares inimagináveis há poucos anos o fluxo e a amplitude da informação tópica, pontual – de varejo, em suma, por importante que seja para os interessados – mais a imprensa terá de oferecer o que está além do alcance dos Twitters deste mundo: a informação no atacado.
Com isso se quer repetir, com sintonia ainda mais fina, o que se passou a cobrar do jornalismo impresso quando a televisão se instalou como o meio por excelência de difusão de notícias em escala global: perspectiva, ou, com perdão da má palavra, contextualização.
E com isso se quer dizer informações não apenas certificadas – o calcanhares de Aquiles do reportariado amador, também conhecido como jornalista-cidadão – mas articuladas entre si e, eventualmente, com as que digam respeito a situações, processos e protagonistas, presentes e passados, de esferas diferentes daquelas que são o objeto direto de cada cobertura.
Certa vez, Cláudio Abramo, um dos maiores jornalistas de sua geração, mesmo pelos padrões internacionais mais exigentes, dizia, brincando, que o jornal de seus sonhos seria aquele que traria uma única notícia. Ou seja, o produto de um jornalismo capaz de integrar todas as matérias de que se ocupasse a cada dia.
Quanto menos distante dessa fantasia ficar um jornal ou uma revista – aliás, os semanários nasceram com uma preocupação aparentada a essa: além de resumir a semana, articular os eventos que se prestassem a isso de forma a "separar aquilo que é notícia daquilo que só é barulho", como dizia um anúncio da Time [em inglês soa melhor: "what
makes news from what just makes noise"].
Vai sem dizer que isso não pode se dar às custas ou à desconsideração de tudo mais que o periódico deve entregar ao leitor em troca do seu dinheiro: clareza, leveza (não confundir, pelo amor do que se queira, com ligeireza), brevidade, diversidade de focos e pontos de vista, atratividade – e "humanidade".
É secundário, a rigor, se a mídia convencional ficou ou não a reboque de uma legião de não-jornalistas com seus celulares, informando o mundo do que se passava ali onde os repórteres profissionais não conseguiam chegar, ou não chegaram a tempo, em Mumbai ou em Blumenau.
A pergunta é: as organizações jornalísticas foram ou não capazes, lá e cá, de dar uma visão dos fatos (ou mais de uma) que fizesse sentido, porque escorada em apurações exaustivas e não restrita ao imediatismo das situações?
Escreveu-se no parágrafo anterior "organizações" de propósito. Pois é esse sistema – o modo de produção da notícia, a partir de redações estruturadas e de procedimentos padronizados – que dá a um jornal ou revista as condições necessárias, ainda que não suficientes, para que faça o que se propõe.
E é o que os diferencia de tantas quantas redes informais de coletores de informação surjam quando algo motiva os seus membros – com os quais, diga-se desde logo, os jornalistas terão de interagir cada vez mais e sem preconceitos.
Quando o jornalismo organizado não funciona, a culpa não é de ser organizado, mas da mutilação das redações – que representam a encarnação desse conceito – perpetrado pelos mãos-de-tesoura das empresas jornalísticas.
E aí se cai no pior dos mundos possíveis – em que a imprensa perde em agilidade para os twitteiros e blogueiros, e ao mesmo tempo, por falta de estrutura, recursos e qualidade de suas equipes, perde em aptidão para fazer o que não está ao alcance daqueles: montar o quebra-cabeça dos acontecimentos do dia-a-dia.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
A tragédia e a blogosfera
Uma grande rede de comunicação alternativa e solidária se formou espontaneamente como complemento à cobertura da mídia sobre o desastre climático em Santa Catarina. Em muitos casos as informações chegam mais rápido e mais completas.
Alexandre Inagaki, um dos blogueiros mais lidos da internet brasileira, publicou hoje um importante texto sobre como ajudar os desabrigados.
O Alles Blau, blog coletivo sobre notícias de Blumenau, tem feito um trabalho extraordinário de divulgação de informações sobre a tragédia no município, talvez o mais gravemente atingido.
Paulo Henrique de Sousa, em seu blog ph ácido, traz relatos em primeira mão sobre o que está ocorrendo na cidade onde mora, Balneário Camboriú.
Destaque especial para o blog Coluna Extra, do Alexandre Gonçalves, que indexou no topo da página o que as pessoas estão publicando no twitter com as palavras-chave #chuva, #blumenau, #itajaí e #floripa.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
A chuva em SC e a internet
O Alexandre Gonçalves, do blog Coluna Extra, é um dos exemplos de como a população de Santa Catarina está se mobilizando pela internet pra se informar e informar sobre a maior tragédia climática de todos os tempos já registrada aqui no estado. No topo de seu blog é possível seguir os comentários no twitter para as palavras-chave #chuva, #floripa e #blumenau.
Diarinho na Chuva
O Diarinho do Litoral, um dos jornais mais irreverentes e bons de briga do Brasil, lançou um blog de emergência porque sua edição impressa não vai circular amanhã - Itajaí está debaixo dágua. Quem quiser pode também acompanhar pelo recém-criado perfil no tuíter ( http://twitter.com/diarinho ) - uma iniciativa do Alexandre Gonçalves. Reproduzo foto de um leitor, "Veneza Peixeira".
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Mais censura na internet
Outra vez o judiciário exorbita das suas funções, atropela a Constituição e decreta censura prévia. Como se não bastasse, há o agravante da inépcia. A liminar tirou do ar o alvo errado. Quando é que o Supremo vai proibir o uso indiscriminado desse tipo de algemas digitais? Quando censurarem o blog de algum banqueiro?
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Atualização: depois de uma enxurrada de protestos, o erro foi corrigido e o TwitterBrasil voltou ao ar. O que não significa um ponto final à história, pois o próximo alvo deve ser o próprio Twitter.









