quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Feliz Natal!

Na blogosfera

O S.O.S. Ponta Negra é um "espaço aberto-coletivo-democrátivo-e-livre, criado em defesa do principal cartão postal de Natal, RN: a praia Ponta Negra e o Morro do Careca", que estão sendo detonados pela especulação imobiliária. Morei anos maravilhosos da minha adolescência nessa praia linda, que hoje mal reconheço quando visito a cidade do sol.

Comércio ilegal de talco continua em Ouro Preto


Uma série de quatro reportagens especiais da Rádio CBN, que foram ao ar entre 18 e 21 de dezembro, repercutiu a denúncia do Observatório Social sobre a existência de trabalho infantil na mineração de talco em Ouro Preto (MG), na cadeia produtiva de multinacionais.

A série, de autoria da repórter Luciana Marinho, traz outra denúncia grave: apesar da interdição da mineração pelo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), o minério de talco continua sendo comercializado de forma clandestina.

Com um gravador escondido e sem revelar a identidade, a repórter negociou a compra de um caminhão do minério por R$ 1.500,00 com um dos donos de pedreiras mais conhecidos da localidade de Santa Rita, Oscar Lundes da Silva. Mais aqui

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Nova estação

Depois de dias e noites de calor senegalês - chegamos a comprar dois ventiladores -, o verão estréia nublado e ameno. O sol não deu as caras hoje.

A violência camuflada


Na revista do Observatório Social, uma reportagem de Sylvia Palma - com arte de Frank Maia - explica como se dá o assédio moral, uma violência camuflada à qual estão sujeitos milhares de trabalhadores em diversas profissões. As primeiras linhas do texto dão uma amostra dos casos estarrecedores que acontecem todos os dias:

Século 21. 2006. Brasil. Uma operária do setor fabril da região Sul é acorrentada a uma máquina têxtil. Ela só será libertada depois de cumprir sua meta de produção. Assim como todas as outras trabalhadoras que apresentaram baixa produtividade.

Outra trabalhadora, de uma empresa do Nordeste do país, para usar o banheiro durante o serviço é obrigada a fazer a limpeza dos sanitários, pias e chão. Ela decide levar um urinol para o trabalho e fazer suas necessidades fisiológicas diante das colegas.

Numa terceira empresa, na Bahia, vários trabalhadores são colocados num auditório. Os homens que não atingiram as metas de vendas são obrigados a desfilar vestidos de mulher, ornamentados com um pênis de plástico preto – os negros têm que usar o artifício de plástico branco. E as mulheres são oferecidas de brinde para programas sexuais com os colegas que atingiram as metas. As que não aceitam são queimadas com cigarros nas nádegas. (...)

Madeira e Sangue


Foi penoso, mas também gratificante fazer esta reportagem - com fotos de Sérgio Vignes - pra revista do Observatório Social. Pude conhecer de perto uma realidade de sofrimento que não é mostrada quando se divulga a pujança da indústria de Santa Catarina, líder na exportação de móveis. Apesar de o problema estar bem diagnosticado, as ações de prevenção vêm sendo adiadas sob alegação de prejuízos com a crise cambial. (!)

As mangas e eu

Tou rindo aqui sozinho com as confissões de uma desertora, em que a Dadivosa conta sobre sua relação com as ex-arquiinimigas mangas. O texto sobre sua abdução é tão delicioso quanto essas frutas - cujo único defeito, na minha opinião, é deixar fiapos nos dentes. Deixei no blog dela dois comentários com ecos da minha infância, que reproduzo aqui.

Sabe que uma de minhas primeiras lembranças de vida é comendo manga num tanque de lavar roupa? Eu devia ter uns dois anos e morava no Recife. Dizem que a melhor maneira de comer essa fruta lasciva é pelado/a, se lambuzando por inteiro. E em seguida entrar debaixo do chuveiro.

As mangas do Nordeste e do Norte são muuuuito mais saborosas, porque o calor faz elas acumularem mais açúcar. Quem nunca comeu manga dessas regiões ainda não conhece a verdadeira fruta. Minhas preferidas são manga rosa - perfumadas, boas de comer em fatias -, manga espada, ideais pra se fazer um buraquinho na casca e chupar - elas contribuíram com minha educação sentimental, pois aprendi a beijar com elas - e manga coité - enorme e suculenta, muito comum no Ceará.

Frase do dia, de um gremista

"A Terra é e será sempre azul. Agora, só está menstruada, já vai passar."

[hugs, Pato]

Em obras

Mudanças no leiaute deste blog, aproveitando os recursos do novo Blogger, o simbolismo do solstício de verão e a chegada de 2007. O conteúdo continua aleatório como sempre. Ainda falta apertar uns parafusos da repimboca. Por enquanto a visualização dos comentários na coluna da direita vai sumir, mas eles ainda podem ser feitos gratuitamente embaixo de cada texto.
~
UPDATE 13h: Os comentários na coluna ao lado voltaram! Graças à dica do meu guru pra assuntos blogosféricos aleatórios, Alexandre Gonçalves, que escreve o Coluna Extra. Você precisa de um blog corporativo ou pessoal de qualidade? Quer criar uma política de comunicação profissional na internet pra sua empresa? Fale com o Alexandre e seus problemas vão pro espaço.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Bem-vindo, verão

Sol, música arisca em pele ardida
disjuntor de neurônios fatigados,
gerador de sombra companheira,
fogaréu chucro que azeita xacras,
criador de sutileza no ocaso,
ofuscador de tant(r)a quando a pino,
aquecedor de águas e almas frias,
contato imediato com a praia,
insumo das imagens na retina,
insuperável bateria fotovoltaica,
caprichoso construtor de arco-íris,
certeza da manhã pros seres vivos,
ponto de interrogação para os astrônomos,
fonte de inspiração pros vagabundos,
alimento de tudo que se move,
bem-vindo, amigão dos sorveteiros,
neste verão que nos ensopa de suor.

~

Este é o primeiro escrito no novo blogger, que vem com um monte de novidades. A começar pelas tags - ou rótulos, ou palavras-chave, ou marcadores, como esse aí embaixo.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Procura-se parceira



Oi! Meu nome é Fanto. Sou um buldogue inglês, tenho dois anos de idade, boa índole, vacinas em dia e pedigree. Moro no Campeche, em Floripa. Procuro uma fêmea de fino trato pra relacionamento de verão. Pode deixar recado com o moço desse blog que ele me avisa.

Os riscos do trabalho

ER11 - Arte: Frank MaiaMais uma saiu do forno. A edição 11 de Observatório Social Em Revista aborda os riscos a que os trabalhadores estão sujeitos quando seus direitos são desrespeitados. Mutilações, assédio moral, lesões por esforços repetitivos, invalidez e distúrbios mentais estão entre os problemas cotidianos enfrentados por muitos brasileiros.

Estima-se que os acidentes de trabalho provoquem meio milhão de mortes por ano no Brasil. A maioria dos casos nem entram nas estatísticas oficiais. As doenças e acidentes de trabalho são, na grande maioria, evitáveis. Cumprir a lei é um bom começo. As empresas podem ir além, investindo em políticas de prevenção e envolvendo os trabalhadores como parceiros. A edição impressa pode ser solicitada por e-mail e a versão digital está aqui.

Vale a pena ser jornalista?

Este belo artigo de Fernando Evangelista foi publicado na revista Caros Amigos de dezembro.

Vale a pena ser jornalista? Eu me fazia essa pergunta enquanto soldados norte-americanos me arremessavam dentro de um carro na fronteira do Iraque. Dois militares me pegaram pelos braços, outros dois pelas pernas e, sem gritar, como se fosse um trabalho de rotina, como se fossem educados, disseram: "Desaparece". Era junho de 2003 e essa era a minha segunda tentativa frustrada de entrar no país, em menos de três dias. (...)

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Miguelices: infinito e McDonald´s

Espelho, espelho meu, esse clichê é verdade pura: o tempo voa. Num dia a gente vê o pequeno nascer, noutro ele já tá sendo batizado na capoeira e perguntando como se escreve "a letra infinito". Agora, pede pra gente levá-lo ao McDonald´s. O Bernardo lá na escolinha falou que era muito gostoso. Vou satisfazer a curiosidade dele, mas já fiz meu pequeno discurso-de-pai sobre os riscos da obesidade. Nosso desafio na cozinha agora é fazer uns sandubas bem mais gostosos. Nada do outro mundo, aliás. Receitas são bem-vindas.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Miguelices: batizado

Dia especial. Depois do encerramento do ano letivo e da chegada de Papai Noel à escola Engenho, Miguel e uma meninada foram batizados na capoeira. O cordão verde foi entregue esta noite, numa festa bonita na quadra de esportes da Escola da Lagoa, com a presença do professor Ângelo e de vários mestres. Ele chegou com um berimbauzinho que ganhou de presente da vó. Logo já tinha se enturmado e tava tocando junto com o pessoal.

Lendo: O Fio da Navalha

Peguei esse clássico de Somerset Maugham fazendo escambo num sebo aqui no Campeche.

(...) O enredo conta a história de Larry Darnell, um jovem norte-americano rico e desportista. Darnell, depois de servir na Primeira Guerra como aviador, retorna aos Estados Unidos. No entanto, abalado pela experiência da frente de batalha, não consegue se readaptar à vida burguesa de Chicago. Abandona tudo, incluindo a noiva, e parte para a Europa em busca de vivência espiritual e aperfeiçoamento interior. Nesta busca, estuda Filosofia em Paris e trabalha nas minas de carvão na Alemanha. Acaba indo para a Índia, onde toma lições de budismo com um mestre místico e torna-se iogue. Tudo isto contado com grande riqueza de detalhes no que se refere a personagens, fatos e ambientes. (...)

[Maria Alzira Brum Lemos - triplov.com]

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Telefonar custa caro

Estudo da ong holandesa Somo em quatro países asiáticos - China, Tailândia, Filipinas e Índia -, publicado em novembro, revela a ocorrência de envenenamento e graves violações de direitos dos trabalhadores em fábricas de celulares que fornecem para Nokia, Motorola, Samsung, Sony Ericsson e LG. Muitos empregados foram hospitalizados por causa de contaminação por chumbo, que já foi banido dos produtos eletrônicos em vários países europeus. Em um dos casos, uma mulher precisou abortar. Mais informações no Observatório Social. A íntegra está disponível aqui (inglês, pdf, 691 kb; abre em nova janela) e pode ser reproduzida sob licença Creative Commons.

Relações




Essa aí veio do Indexed. Muito bom! Dica do Nando.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Tutty Vasques, afiado

Pesquisa

O Chile está dividido: metade do país queria que Pinochet fosse cremado vivo.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Obituario con hurras

Mario Benedetti (poeta uruguaio)

Vamos a festejarlo
vengan todos
los inocentes
los damnificados
los que gritan de noche
los que sueñan de dia
los que sufren el cuerpo
los que alojan fantasmas
los que pisan descalzos
los que blasfeman y arden
los pobres congelados
los que quieren a alguien
los que nunca se olvidan

vamos a festejarlo
vengan todos
el crápula se ha muerto
se acabó el alma negra
el ládron
el cochino
se acabó para siempre
hurra

que vengan todos
vamos a festejarlo
a no decir
la muerte
siempre lo borra todo
todo lo purifica
cualquier día

la muerte
no borra nada
quedan
siempre las cicatrices

hurra
murió el cretino
vamos a festejarlo
a no llorar de vicio
que lloren sus iguales
y se traguen sus lágrimas

se acabó el monstruo prócer
se acabó para siempre
vamos a festejarlo
a no ponermos tibios
a no creer que éste
es un muerto cualquiera

vamos a festerjarlo
a no volvermos flojos
a no olvidar que éste
es un muerto de mierda

'No lo miraria en los ojos'

Em 11 de de setembro de 2001, Adriane Canan trabalhava na Rádio FM Cultura, de Porto Alegre, e se preparava pra colocar no ar uma entrevista com Patrícia Verdugo, jornalista que escreveu o livro A caravana da morte. Esse livro foi um dos principais fundamentos usados pelo juiz espanhol Baltazar Garzón para abrir processo contra Pinochet. Patrícia teve o pai morto pela ditatura. Ela diz que não olharia Pinochet nos olhos, pois tem a sensação de que o terror das vítimas sempre fica preso nos olhos do assassino.

A matéria entraria ao meio-dia, como parte de uma programação pra marcar o aniversário do golpe militar no Chile. Com o choque dos aviões nas torres gêmeas e no Pentágono, toda a pauta foi derrubada e os jornalistas se concentraram na cobertura do atentado terrorista que mudou o século (a entrevista entrou mais tarde, no mesmo dia).

Adri tem uma ligação especial com o Chile, pois foi casada e tem uma filha com um chileno. Com a morte de Pinochet, ela resolveu compartilhar a entrevista na internet. Pra isso contou com a ajuda técnica de Alexandre Gonçalves. Você pode conferir no blog dela, Gato-e-Passarinho.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

A Perfect Mess: The Hidden Benefits of Disorder

Vou gostar de ler este livro...

Flying utterly in the face of conventional wisdom, the authors turn the world of organization on its head to examine how messy systems can be more effective than highly organized ones. Neatness for its own sake, they say, not only has hidden costs in terms of man-hours that could be spent doing other work but it turns out that the highly touted advantages may not even exist. More loosely defined, moderately disorganized people and businesses seem to be more efficient, more robust, and more creative than the obsessively neat. (...)

[David Siegfried, Amazon]

Manifesto pela retirada do Iraque

No dia 27 de novembro o cineasta Michael Moore publicou uma carta ao Congresso e ao povo dos Estados Unidos. Nela, defende a imediata retirada das tropas do Iraque. Ele lembra que o tempo de ocupação já supera o que os americanos levaram para vencer a Segunda Guerra Mundial. E que esta é uma guerra perdida, "porque jamais teve o direito de ser vencida". A tradução está no blog de Emir Sader na Carta Maior.

Não há mal que nunca acabe

Ontem - suprema ironia, dia Internacional dos Direitos Humanos - morreu Augusto Pinochet. Infelizmente, sem ser julgado por seus crimes monstruosos. Festa e pancadaria nas ruas de Santiago. Lembro de um dia no verão de 1989, quando comprei um jornal em Cuzco e a manchete anunciava a queda de Stroessner: "Não há mal que nunca acabe".

A sombra do general tinhoso continuava de certa forma aterrorizando o Chile, anos depois de sua aposentadoria do poder. Espero que agora o povo chileno possa se reencontrar mirando pra frente. Acho que essas feridas não vão sarar nunca, mas o tempo vai torná-las mais suportáveis.

Vale ecoar o comentário da Anistia Internacional: a morte do ex-ditador deve ser encarada como um "chamado" aos governos pra necessidade de uma justiça rápida, de forma a evitar que os culpados por violações de direitos humanos escapem da punição.

Em 1989, algumas semanas depois de ler a manchete sobre Stroessner, eu entrava no Chile pela fronteira peruana. Bestamente me identifiquei como "estudante de periodismo" e fui detido pra interrogatório. Foi uma experiência assustadora e ríspida, mas sem violência física e durou só meia hora. A ditadura já estava agonizante - no ano seguinte Pinochet entregaria o poder a um presidente civil eleito.

Nem ouso comparar minha prosaica experiência com os traumas que tantos milhares sofreram. Em mim o resultado foi só um frio na barriga misturado com a sensação de humilhação e raiva impotente. Dezoito anos depois, somo meu desabafo ao da gente decente desse país encantador:
- Pinochet, filho da puta, já vai tarde!
E viva o Chile.

Arte: Frank

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

No DVD: 'O mesmo amor, a mesma chuva'

Cá estou com mais uma mini-resenha "ligeiramente atrasada" de um filme lançado em 1999 que vi ontem: O mesmo amor, a mesma chuva. É o primeiro dos três que o cineasta argentino Juan José Campanella dirigiu tendo como protagonista o ator Ricardo Darín - os outros dois, que vi antes, são O filho da noiva (2001) e Clube da Lua (2004). Todos muito bons.

É uma história despretensiosa sobre os encontros e desencontros de um casal desde 1980 até o presente. Ele, jornalista que publica contos na revista Coisas, é uma promessa da literatura argentina; ela, garçonete, é aspirante a atriz e pintora. Em paralelo acompanhamos um pouco da história recente do país: ditadura militar, euforia e depois decepção com as Malvinas, frustrações com Alfonsín, neoliberalismo de Menem, crise econômica. Esse pano de fundo não chega a competir com a narrativa principal, centrada no cotidiano de pessoas comuns.

Jorge, o personagem interpretado por Darín, nos conquista por sua personalidade humanamente contraditória e complexa. Ele está apaixonado e tenta ser feliz enquanto luta contra os próprios fantasmas: egoísmo, acomodação, remorso por não corresponder à lealdade dos amigos, medo de arriscar pra viver seus sonhos. O pequeno épico caminha suave e agridoce, sem medo da emoção mas sem pieguismo. Está recheado de bons diálogos - marca registrada de Campanella - e comedidas doses de humor. Mais uma jóia fina do cinema argentino.

O rei do elogio

Tou rindo sozinho aqui. Essa vem duma rádio de Quixeramobim:

"Quero cumprimentar o meu amigo Carlinho Elói por ser uma pessoa cabriocárica...uma pessa estrogonoficamente sensível...uma pessoa inoxidável...uma pessoa que merece o respeito tecnológico..."
[via Kibeloco]

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Reflexões na sala de embarque

O jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, que coordena a ong Repórter Brasil - parceira do Observatório Social -, ia receber na quinta-feira em Brasília um prêmio da OIT, por sua atuação brilhante no combate ao trabalho escravo. Com a bagunça aérea instalada no país, tomou um chá de cadeira no aeroporto. A solenidade foi adiada, já que ele e outros premiados não conseguiram chegar. Li isso agora no blog dele, que acabo de descobrir. Saka comenta o movimento dos controladores de vôo:

(...) As classes média e alta estão dando piti agora. Bem feito. Experimentam, de leve, o que a massa de trabalhadores pobres sente todo o ano com as greves de ônibus em São Paulo, que deixam milhões a pé. Que faz moradores de bairros afastados caminharem 20 km para chegar no trabalho.

Que tal, independente de classe social, descermos ao nível da realidade e discutir a melhoria na qualidade de vida do trabalhador? Tenho fé que ou esse país dá certo para todo mundo, ou alguns poucos não vão conseguir desfrutar o seu butim.

Apóio os controladores de vôo. Apóio os cobradores e motoristas de ônibus. Apóio os bancários e metalúrgicos. Apóio os garis. Apóio os residentes médicos. Apóio o santo direito de se conscientizarem, reconhecerem-se nos problemas, dizer não à exploração e entrar em greve até que a sociedade pressione e os patrões escutem.

Mesmo que isso torne minha vida um absurdo. (...)

~

UPDATE 8.12: Leio agora sobre o atestado de incompetência gerencial do governo Lula pra cuidar desse setor, que se iguala à inépcia do governo FHC no caso do apagão:
O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que os recursos destinados à manutenção do sistema aéreo brasileiro não foram destinados de forma correta e que o comando da Aeronáutica já sabia dos problemas no espaço aereo.

Saúde pública gratuita de qualidade

Hoje levamos Bruno ao posto de saúde da Fazenda do Rio Tavares pra tomar duas vacinas. Como a da pólio tava em falta, fomos encaminhados ao posto do Campeche. Nos dois o atendimento foi de primeira, por funcionárias muito simpáticas. Dava pra sentir que elas amam o que fazem, mesmo tendo que trabalhar com recursos escassos. O tempo de espera foi mínimo - cinco minutos no primeiro, dez no segundo. E ainda ganhamos uma folha A4 com várias figuras do Zé Gotinha carimbadas pro Miguel colorir. Tive a mesma sensação boa de quando Miguel e depois Bruno nasceram no Hospital Universitário. Gratidão pela eficiência, cortesia, respeito e resultados. Tudo de graça. Bem que podia ser assim no Brasil inteiro.

Indenização por atraso em vôos

Passou a noite em chão de aeroporto? Perdeu um negócio importante? Chegou atrasada ao altar? Seus problemas não acabaram, mas o estrago pode ser ressarcido em parte. O Idec - Instituto de Defesa do Consumidor - colocou à disposição do público um modelo de ação que pode ser usada junto ao Juizado Especial Cível (pequenas causas, até 20 salários mínimos) para pleitear das empresas aéreas indenização pelos prejuízos sofridos com os atrasos dos vôos.

Olé: espanhol com desconto no verão

Não tou ganhando nada com o anúncio, mas faço questão de divulgar a escola do André Gassen e do Rafa. Fica na Agronômica, em Floripa, perto do Centro Integrado de Cultura.

Olé idiomas - Cursos de Espanhol no Verão
Promoção de Aniversário com 40% de desconto!
Cursos regulares ou intensivos
Aulas particulares, semi-particulares ou em grupo
Professores da Espanha, Argentina e Colômbia
Método igual ao utilizado pelas escolas da Comunidade Européia
(Adaptado ao Marco de Referência Europeu)
Informações: (48) 3333-4629 ou no site www.olefloripa.com.br

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Miguelices: tecnologia

Conversa na mesa do jantar.
- Sabia que quando eu era criança não tinha computador nem internet lá em casa?
- Não?
- Tinha não. Nem celular. Nem telefone.
- Roubaram tudo?!

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Lendo: Hemingway e Kaiser

Tou alternando: de manhã leio Do outro lado do rio entre as árvores, uma das obras mais intimistas de Hemingway. De noite e madrugada, ataco o dionisíaco Tempos Heróicos, de Jakzam Kaiser.

O curioso é a diferença radical de ritmos entre os dois romances. No primeiro só aconteceu basicamente isso até a metade do livro: o protagonista, coronel americano cinqüentão com doença terminal, chegou de carro em Veneza - pelo caminho veio apreciando a paisagem e recordando os tempos de guerra -, se instalou no hotel, foi a um bar, tomou martínis secos com a amada italiana de 19 anos, filosofaram sobre o amor e a vida, saíram caminhando de volta ao hotel, olharam jóias numa vitrina, ela lhe deu um brinco de esmeralda de presente, subiram pro quarto dele, se beijaram diante da janela e ela retocou a maquiagem. Agora se preparam pra jantar.

No segundo livro, também já pela metade, o protagonista, jovem estudante de Porto Alegre, já comeu várias gatas, se envolveu em brigas de rua, saiu de casa e foi morar sozinho, fez as pazes com o pai, pegou caronas, entrou de penetra em festas, acampou no litoral catarinense, fumou um monte de baseados, comeu cogumelos, virou a noite em bares, leu Bukowski e Henry Miller, participou do congresso da UNE em Salvador, apanhou da brigada militar em passeatas, pichou muros, foi preso, fez panfletagem em porta de fábrica, se apaixonou, passou no vestibular em duas faculdades, abandonou engenharia e escolheu jornalismo...

Fecho as páginas de um e retorno ao outro. Sopra um vento frio em Veneza. O jantar vai ter como entrada lagosta fria com maionese.

Brunitezas: tchauzinho

Bruno completou oito meses no domingo. Tá um fofo cheiroso e gostoso de apertar. Já senta sozinho no tapete - às vezes cai de lado, mas cada vez menos -, e se arrasta atrás dos brinquedos. Tem um baita apetite, adora frutas e papinha. Hoje de manhã, pela primeira vez, acenou pra mim quando eu saía pro trabalho.

Wikipediando: Alberto Fuguet

Acho que já escrevi dele aqui. Bom, a repetição tem lá seu valor. Descobri Alberto Fuguet meio por acaso numa livraria de Valparaíso. Li dele Sobredosis (contos, 1994), Mala Onda (traduziram "Baixo Astral") e Os Filmes de Minha Vida. A literatura dele é urbana, mordaz e despojada dos artifícios do realismo fantástico. Mala Onda é sobre um adolescente chileno de classe média-alta nos anos 80, em meio aos problemas e prazeres cotidianos da sua faixa de idade e ao clima de asfixia da ditadura Pinochet (que, aliás, está quase batendo as botas esses dias; é impressionante como esses crápulas são longevos). Os Filmes... é um relato meio autobiográfico sobre a vida de um chileno que foi criado na California e depois retornou a Santiago. A história é pontuada pela lembrança de filmes marcantes que ele viu.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Where the hell is Matt?

Esse aí viaja pouco... Idéia de uma simplicidade genial.
[vídeo no Youtube]

Quase verão

37° l'après midi.

Polêmica pra fotógrafos

O colunista de tecnologia do NY Times, David Pogue, fez um teste com cem pessoas e assegura em seu blog: não há diferença perceptível entre a qualidade de uma foto com câmera digital de 5 megapixels e uma de 12 MP até o tamanho de uma reprodução em cartaz pequeno. A pessoa que aperta o botão faz diferença, a lente influencia, mas o número de pixels, a partir de um certo ponto, não altera a maneira como o olho humano percebe a imagem.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Diálogo possível no comércio varejista

Ao interfone na porta de uma loja, às 13h30 de um dia de semana:
Cliente: - Boa tarde.
Lojista: - Só abrimos às duas.
Cliente: - Então tá, eu não vou lhe dar trabalho.

[by Laura]

Miguelices: café-da-manhã

- Pai, quero pão.
- Tem pão italiano.
- E pão Brasil, tem?

Memento sonoro: Vangelis

Na Superinteressante deste mês tem uma materinha sobre o escritor Philip K. Dick, "o mestre cyberpunk", autor do livro que deu origem ao clássico filme de ficção científica Blader Runner (1984) e também ao mais recente Minority Report. A matéria conta que no começo de 2007 vai ser lançado no Brasil mais um filme baseado na obra dele: A Scanner Darkly ("O homem Duplo"), uma ficção animada. Keanu Reeves vive um policial que toma drogas do futuro e passa a ter dupla identidade. É uma história com pitadas autobiográficas, pois o escritor teve umas crises esquizofrênicas em que pensava ser perseguido pela CIA e pela KGB. Pois bem, li toda essa matéria ouvindo, direto da gaveta da mente onde se guardam as lembranças sonoras, a trilha de Blade Runner. Ela foi composta pelo grego - confiro na Wikipedia - Evángelos Odysséas Papathanassíu, mais conhecido como Vangelis.

Documentário: Sem Limites

Eu devia ter escrevido isso antes, mas ainda tá em tempo. Nos sábados 2 (já foi), 9 e 16 de dezembro, a RBS exibe, antes do Jornal do Almoço, o documentário "Sem Limites-Histórias de Verdade", da dupla Tetê Kaiser e Daniel Ferraz. São histórias de cinco pessoas que têm comum a determinação em conquistar seus objetivos e a capacidade de superar limites. Conta o Jakzam:

"O destaque é o roteiro, construído com as falas dos personagens, que vão se encaixando e formando frases, como se estivessem seguindo um roteiro pré-determinado. Mas nada foi combinado previamente, as conversas são espontâneas e esta costura foi feita depois: todo o texto foi construído a partir do material captado. Uma fala liga na outra, que liga na outra, que liga na outra. É bem interessante, deve ter dado um trabalhão!

A força do documentário está nos personagens. Um cego que dá aula de filosofia pro Ensino Médio, ensina violão e dança todo o sábado no Bar do Tião, é sensação no local. Um jovem com problema neurológico cerebral que montou e dirige o museu dos polacos em Campo Alegre (acho, não tenho certeza) e ainda descobriu um meteorito, que leva seu nome. Uma moça paraplégica que é campeã paraolímpica de natação. Um médico tetraplégico. Um margarida que acumula tragédias (mortes de marido, filhos) mas leva a vida com alegria. Os depoimentos são fortíssimos, mas são todos pessoas positivas, e suas histórias são contadas de forma delicada, sem qualquer concessão pro piegas.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

'Grande Sertão: Veredas' em pdf

Pra comemorar os 50 anos de lançamento de Grande Sertão: Veredas, as editoras Nonada Cultural, Nova Fronteira e a Tess Advogados estão liberando pela internet o download gratuito do livro de Guimarães Rosa. O arquivo pdf vai ficar disponível até dezembro. São 608 páginas do mais puro deleite lingüístico. Claro que o mais confortável é ler o romance no bom e velho livro de papel - bem devagar, frase a frase, pra demorar a chegar no fim. Mas a versão eletrônica já serve pra saciar a curiosidade de quem nunca teve a chance de folhear essa obra-prima da literatura universal - parece exagero, mas não é, o livro é um monumento.

Um trechinho aleatório que pesquei da página 23 (tive que copiar no método tradicional, porque o pdf não permite Control C + Control V):

O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão.
[via Adauri]

Frase da vez


"Haja Hoje para tanto Ontem."

(Paulo Leminski)


De abraço

Quem conta essa é a Fê Medeiros:

minha mãe ligou para o meu sobrinho hj cedo:
- joão, tou ligando para dar um abraço pelo teu aniversário
- abraço é coisa de velho. eu quero é um beijo na boca

Imagina quando ele tiver uns 15 anos... :)

Brasil na mídia alemã


O repórter Geraldo Hoffmann, amigo brasileiro que vive na Alemanha, começou a publicar várias reportagens especiais para a Deutsche Welle sobre o Brasil - parte de uma série que também inclui Bolívia, Chile e Venezuela, países cobertos por colegas dele. Geraldo conta que ongs alemãs apóiam índios em conflito com a Aracruz Celulose no Espírito Santo. Em outra reportagem, mostra que projetos sociais em favelas de Floripa e do Rio de Janeiro podem contribuir com a redução da criminalidade.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Ajuda Extra

Alexandre Gonçalves, autor do Coluna Extra e meu consultor informal pra assuntos aleatórios ligados à blogosfera, agora oferece um serviço de consultoria especializada pra pessoas ou empresas que querem criar blogs: o Ajuda Extra. Bacana!

Amigo poeta ganha prêmio

Ademir Demarchi, editor da revista de poesia Babel, de Santos, foi meu primeiro chefe no ofício de jornalista aqui em Floripa. Ele coordenava a revisão - função hoje extinta nas redações - no jornal O Estado. Naquela minúscula sala aprendi a consultar dicionário e curti belos momentos com um timaço que incluía Frank Maia, Joca Wolff, Giane Severo, Ricardo Carle, Mara, Denise, Edson e outras figuras bacanas. A gente brincava direto com as palavras, apostando cerveja sobre a grafia correta, fazendo trocadilhos e filosofando.

"Ademonho", como às vezes o chamávamos, era um grande chefe, justo, amigo e divertido. Um poeta cabeção. Depois que se mudou nunca mais o vi, mas vez em quando tenho notícias dele. Acabo de saber pelo Adauri que Ademir ganhou um prêmio na categoria poesia num concurso de edição de livro promovido pela Secretaria da Cultura de SP. Ele vai receber grana pra publicar mil exemplares de "Os mortos na sala de jantar". São 110 poemas que vêm sendo escritos há 15 anos, tendo como tema a idéia de morte na história, na antropologia, na cultura e na literatura. Uma amostra:

FIAT CÉSIO

ademir demarchi

como aura divina os lábios azuis-claros resplandecem
a radioatividade do cérebro e do lixo
apagando o vermelho intenso do coração
beijam sentidos calcificados que se derramam em baba
balbuciam inaudíveis, autômatos de pilha falha
o frio da solidão se intensifica
e os corpos se aproximam uns dos outros
em busca de um calor inexistente
aumentam a luz dos novos cogumelos simbólicos
que se amontoam como o lixo aos cantos
meninos e meninas sentem náusea física da infância
vão perdendo com dor os belos dedos acesos pela luz
definham como a carga de uma bateria e vão morrendo
urrando luz com olhar de ovários arrancados
com tez iluminada de azul celeste
angelicalmente estáticos e passivos
como se assistissem a tevê no domingo em preto e branco

Raindrops falling on my head

Êta chuvinha que não pára. A lista é inevitável: dez coisas boas pra fazer em dias de chuva (tirando as óbvias "comer, dormir e transar").

  • abrir aquele tinto
  • organizar os CDs
  • ouvir os CDs e bagunçar tudo de novo
  • retomar aquele livro que ficou pela metade
  • plantar uma árvore no quintal
  • pegar quatro filmes na locadora, ver e pegar +4
  • montar robôs de lego com o filho
  • tentar mais uma vez fazer origamis
  • tomar banho quente bem demorado
  • acordar de madrugada e escrever uma carta com papel e caneta
Sugestões?

Fotógrafo do Ano

A BBC News divulgou os 12 finalistas e o vencedor da edição 2006.

Homem sobre fundo vermelho

Sou fã do Ivan Jerônimo. Neste quadro ele dá umas pinceladas à la Van Gogh. Clicando na imagem dá pra ver melhor a textura da tela e a expressão dos olhos. Aproveite pra conhecer mais do trabalho dele.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Viajandona de A a Z

A humanidade não cansa de me surpreender. Uma mochileira inglesa, Victoria, tem um método inusitado pra traçar seu roteiro de viagem. Seu plano: percorrer 26 cidades/lugares europeus, cada uma em um país diferente, seguindo as letras do alfabeto. No post mais recente em seu blog, de 16 de agosto, ela se preparava pra chegar à letra X - Xertigny, na França. Chegará a Zagreb? Eis o X a questão.

[tks Aidan]

As Pelejas de Ojuara

Solino, amigo de Natal, me deu essa dica sobre as filmagens da adaptação de As pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro, um dos livros mais hilários que já li e muito bem escrito:

as filmagens das pelejas foram por aqui mesmo, no interior, acari, nesses cantos. marcos palmeira faz o caboclo ojuara e o filme deve se chamar "o homem q desafiou o demônio". naum sei pq naum deixaram o título original, mt mais de acordo com a história e a temática. mas eu conversei com flavio (filho de nei leandro) e ele me disse q uma vez vendidos os direitos, o pai dele naum podia mais pitacar. vamos aguardar a estréia :)
Imagino que mudaram o nome do filme porque "Peleja" é um termo pouco usual fora da região Nordeste. O livro conta a história do caboclo Araújo, pau-mandado pela mulher e pelo sogro, que um dia, depois de muito agüentar, recebe o espírito de um guerreiro índio, muda de nome - Ojuara é Araújo de trás pra frente - e chuta o balde. Aí sai em busca de aventuras que envolvem sexo, poesia, muita risada e vários lances de realismo fantástico.

Tive a honra de conhecer um dos personagens, poeta Luís Carlos Guimarães, com quem fiz um curso de criatividade literária. Também conheci o autor, tio de um grande amigo meu, Marcello Castro. Marcello morava com seu pai, Airton, na frente da nossa casa em Ponta Negra, Natal. Os dois estão entre as pessoas mais espirituosas e pândegas que já conheci. É de família. Nei Leandro, que já colaborou nos tempos áureos do Pasquim, tem outro livro ótimo chamado O Dia das Moscas, em que um personagem tem Síndrome de Down.

~

UPDATE, 30.11.06. Jakzam observa que "peleja" é palavra bem comum aqui no Sul, sim: "Tem um ditado gaúcho que diz: não tá morto quem peleia. Este peleia é do verbo pelejar".

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Jece Valadão

Assim são os desígnios do destino. Foi-se um cafajeste do cinema - mais de cem filmes! -, ficam os da vida real.

Fatos e gatos

A reflexão blogueira da semana é de Gu Cabral, grande fotógrafo e ativista pelo bem-estar dos felinos:

Acho que gosto de gatos porque eles levam a vida que eu gostaria de ter. Tirando partes nojentas como lamber a própria bunda, claro.

Trabalho infantil e multinacionais

Arte: FrankA reportagem sobre trabalho infantil na cadeia produtiva de multinacionais, que publicamos na revista do Observatório Social no começo do ano, teve seu conteúdo confirmado por uma investigação independente do Ministério Público Federal de Minas Gerais. De autoria de Marques Casara com fotos de Sérgio Vignes e editada por este que vos tecla, a reportagem recebeu em outubro menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

Drops domésticos

Ando tão pé no chão que até peguei um bicho-de-pé.
~
Mudas de árvores recém-plantadas no quintal: abacateiro, goiabeira, pinheiro, cajueiro (parece que não resistiu), nin (a árvore milagrosa indiana). Uma amoreira aguarda o transplante.
~
Branquito, o terrível felino preto&branco, trouxe mais um passarinho morto pra dentro de casa.
~
As 5+ do mês nas paradas do sucesso infantil: trilha de Vila Sésamo; Fa-faro-fafá; Bia Bedran; Palavra Cantada; música de capoeira.
~
As 5+ do mês nas paradas do sucesso adulto: João Gilberto; Madeleine Peyroux; The Gotan Project; George Benson; Duke Ellington.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Minha Vidinha: Barney




Mano Leo nas tirinhas da série Minha Vidinha, do Zé Dassilva.

Miguelices: papo de som

- Pai, esse CD toca música?
- Isso aqui não é um CD não, filho. É um LP.
- LP?!
- É. Coisa antiga, do século passado.
- Toca música?
- Toca. O disco fica rodando e uma agulha passa aqui, ó, nesses risquinhos.
(ele passa o dedo pelo disco)
- A música fica aqui? Maneiro.
- Mas a gente não tem aparelho pra tocar, nem a agulha. Hoje não fabricam mais esses discos.
(ele perde o interesse e vai brincar de outra coisa)
~
p.s.: O LP é de frevos-canções de Olinda.

Esse povo inventa

Deu na Info: um estudante japonês inventou um guarda-chuva que navega na web. Dá pra ver as imagens projetadas no tecido pelo lado de dentro, tirar fotos, filmar, enviar e receber arquivos. Só não sei se agüenta chuva. Ele colocou um vídeo de demonstração no youtube.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Peitos e puritanismo

Hipocrisia doentia e falso moralismo. Quem conta é a Denise Arcoverde do Síndrome de Estocolmo: nos Estados Unidos, Emily Gillette foi expulsa de um avião (!) por estar amamentando sua filha. A mãe está processando a empresa aérea.

Anteontem, dezenas de mães fizeram uma em aeroportos americanos, pedindo punição à empresa e urgência na votação de uma lei federal de proteção dos direitos civis de proteção ao aleitamento materno.

Denise também traz pro debate a sexualização dos seios, um direito da mulher, tanto quanto o de amamentar:

Para horror de algumas ativistas de amamentação americanas e canadenses (não são todas assim, mas existem exageros em todo lugar), sempre disse que muito me agrada o papel sexual dos meus seios e não abro mão dele.

Não estou falando na exploração da imagem dos seios pra vender cerveja, mas por que teríamos que abrir mão do prazer e da sedução, na qual os seios também têm lugar?

Minha posição é que o seio é meu. O seio é das mulheres, não dos bebês, nem dos companheiros.

Fazemos o que bem entendemos com eles, podem ser fontes de prazer e/ ou de nutrição, cada um na sua hora (ou às vezes até meio mesclado). Mas, a decisão de amamentar ou não, onde, quando e como tem de ser exclusiva da mulher.

A Fome

O cartunista Lukas, de Maringá [dica do Adauri], comenta sobre fome, cita uma lista de bons romances sobre o tema e critica os que acusam o governo de assistencialismo.

(...) "Tio Lukas já passou fome de grudar no colchão de tanta fraqueza. A fome é horrível. Por isso eu digo pra essa turminha: deixa o homem dar comida!!"

Cavaleiros do Zodíaco

Meu irmão Leonardo Camillo no Oscar da Dublagem 2003 - 1º Anime Friends, fazendo a voz de Ikki de Fênix, neste vídeo de um fã com mãos trêmulas.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Peitos que salvam vidas

Da Dinamarca, país famoso pela liberalidade dos costumes, vem uma idéia inovadora pra reduzir a velocidade do trânsito: loiras com os seios de fora seguram placas indicando a velocidade máxima permitida. Mas a eficácia da campanha está sendo questionada. Em alguns pontos deu baita engarrafamento. Veja o vídeo.

Lista de cinema 3

33) Filme de horror favorito?
Não gosto do gênero, mas O Iluminado é um filmaço.

34) Comédia Favorita?
Adoro comédias. Dos mais antigos, a versão original de A gaiola das loucas. A vida de Brian, do grupo Monty Python. Um peixe chamado Wanda. Tem um ótimo de Fellini que não é propriamente uma comédia, mas rende boas risadas: Os boas-vidas. Também gosto do humor de Woody Allen. E das atuações hilárias de Roberto Benigni em Daunbailó e Uma noite sobre a Terra. O jantar dos malas, francês que vi recentemente, é muito engraçado. Entrando numa fria, com Ben Stiller, é despretensioso e bem bonzinho. Aguardem pra breve o longa brasileiro As pelejas de Ojuara, baseado no romance de Nei Leandro de Castro. Se for fiel ao livro, é de mijar de rir.

35) Ficção-científica favorita?
2001, Odisséia no Espaço, de Kubrick. Também gostei bastante de Inteligência Artificial, de Minority Report e das duas versões de Solaris, embora o clássico de Tarkovsky seja longo demais.

36) Suspense Favorito?
A trilogia O Poderoso Chefão, sem dúvida. Menção honrosa pra Apocalypse Now.

37) Filme açucarado favorito?
Antes do Amanhecer, sobre um encontro romântico de um casal de mochileiros em Viena, e sua continuação feita dez anos depois com os mesmos atores em Paris, Antes do Pôr do Sol. Adorei.

38) Épico favorito?
E o vento levou.

39) A pior coisa de se ver um filme no cinema?
Clichês são irritantes, mas pior que isso são os filmes ruins e pretensiosos - os pretensiosos bons são perdoados.

40) A melhor coisa de se ver um filme no cinema?
O escurinho mágico diante da tela grande.

41) Se você pudesse ser qualquer personagem do cinema, quem seria?
O Homem Aranha.

41) Se você pudesse transar com qualquer personagem, com qual seria?
Satine em Moulin Rouge.

42) Se você pudesse viver "feliz para sempre" com um personagem, com quem seria?
Camila Lopez de Pergunte ao Pó (teria que mudar o final).

43) Crítico de cinema preferido?
Passo.

44) Roteirista favorito?
Paul Auster.

45) Diretor Favorito?
Federico Fellini.

46) Filme brasileiro Favorito?
Bye-Bye Brasil, de Cacá Diegues. Empatado com Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.

47) Chaplin ou Keaton?
Os dois, cada um a seu modo.

É melhor ser alegre que ser triste

Ricardo Sabbag, citado pelo Alexandre Inagaki, comenta sobre como é bom não perder o senso crítico sobre o Natal, mas também aproveitar a data da melhor maneira possível com as pessoas amadas.

"Um dia feliz é melhor que um dia triste, independente da data que seja".
Inagaki completa:
O apego à tristeza é escolha de cada um; minha opção é de manter constantemente um viés otimista sobre as coisas. Porque a vida, como reitera meu mantra pessoal, é boa e cheia de possibilidades. :)
E eu balanço a cabeça, concordando.

Arroz de castanha de caju e cenoura

Longa vida à Dadivosa, que nos enche o cotidiano de receitas deliciosas como esta, com ingrediente vindo direto de Natal. Deixei uma sugestão de variante nos comentários dela.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Xadrez, aula um

Ontem dei a primeira aula de xadrez pro Miguel: os nomes das peças, onde ficam no começo do jogo e como se movem. Ele ficou bem contente - eu tinha dito que a gente ia começar quando ele completasse quatro anos. Se concentrou nas explicações por uns uns dez minutos e logo passou a brincar com as peças que estavam fora do tabuleiro. Gosta especialmente desse lance de o cavalo pular por cima das outras peças. Ensinar xadrez é um dos maiores presentes que posso dar pra ele. Quem conhece esse jogo mágico sabe por quê.

E por falar em cinema...

...morreu hoje aos 80 anos o diretor americano Robert Altman. Vi pouca coisa dele, mas o fantástico Shortcuts, de 1993, é mais que suficiente pra admirá-lo. É uma adaptação de um brilhante livro de contos com o mesmo nome escrito por Raymond Carver, escritor de contos e poemas minimalistas. São histórias de moradores de Los Angeles, que combinam rotina com sensações de inadequação e pequenas bizarrices cotidianas.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Lista de cinema 2

16) Spielberg preferido?
A lista de Schindler. Também gostei muito de E.T. e Munique.

17) Argentino preferido?
Diretor: Fernando Solanas. Ator: Ricardo Darín, de O filho da noiva, Nove rainhas e O Clube da lua. Três excelentes filmes, aliás.

18) Ator morto favorito?
Marcello Mastroiani. Genial em todos os filmes. Gosto especialmente da atuação dele nas obras-primas fellinianas La dolce vita e Oito e meio.

19) Ator vivo favorito?
Leonardo Camillo. Meu irmão.

20) "Character Actor" preferido de todos os tempos?
Doutor Smith, de Perdidos no Espaço.

21) Atriz morta favorita?
Dina Sfat.

22) Atriz viva favorita?
Fernanda Montenegro.

23) "Character Actress" preferida de todos os tempos?
A que fazia o seriado Jeannie é um Gênio. Na época ela povoava as fantasias sexuais da garotada.

24) Personagem cinematográfico animado favorito?
Papaléguas. Nos tempos mais recentes, a menina japonesa Chihiro (A viagem de Chihiro).

25) Trilha sonora favorita?
Pergunta difícil. Hmmm... O poderoso chefão é marcante. Outras que ficaram na minha cabeça um tempão foram as de Betty Blue, Amélie Poulain, Assédio, Noites de Cabíria.

26) Tema musical preferido de uma trilha sonora?
A música-tema de O poderoso chefão.

27) Canção favorita?
Bye-Bye Brasil, de Chico Buarque, no filme de mesmo nome. A Hard Day´s Night, em Os reis do iê-iê-iê. Que será será, daquele filme de Hitchcock (Intriga internacional, acho). E outras tantas.

28) Filme de Natal favorito?
Não consigo entrar no clima dos filmes de Natal. Deve ser por causa do contraste da neve na tela com o calor do verão.

29) Gênero cinematográfico favorito?
Não importa o gênero - comédia, noir, bangue-bangue, drama, romance, histórico, guerra, ficção científica, documentário -, desde que seja uma boa história. Não curto filmes de violência gratuita e musicais, com honrosas exceções.

30) Filme da Disney favorito?
Fantasia.

31) Faroeste favorito?
Os imperdoáveis, de Clint Eastwood.

32) Musical favorito?
Hair. Dá vontade de virar hippie e se perder por aí.

Lista de cinema 1

Peguei essa lista de perguntas no Mina de Letras, que por sua vez pegou em Tudo que é sólido desmancha no ar. É grande, mas divertida.

1) Primeiro filme que você viu no cinema?
Os Aristogatas. Adorei. Dia desses revi em DVD com o Miguel, que também curtiu bastante.

2) Primeiro ingresso que você comprou para um filme com censura 18 anos?
Lembro não. É curioso eu lembrar dos Aristogatas e ter esquecido disso.

3) Lanche de cinema preferido?
Prefiro comer depois do filme.

4) Melhor sessão de cinema?
Nenhuma em especial que eu me lembre. As que fui bem acompanhado foram as melhores, mas também já peguei sessões ótimas sozinho. Gosto particularmente quando tou numa cidade ou país diferente. Dá a sensação de que o ato de entrar numa sala de cinema me integra um pouquinho mais com o lugar.

5) Melhor coisa que te aconteceu numa sessão de cinema?
A epifania de me descobrir completamente apaixonado por essa arte. Foi aos vinte anos, vendo o ciclo de Buñuel no cinema do CIC: O anjo exterminador, Los olvidados, A bela do dia... Uma tarde, caminhando da faculdade pro cinema, a simples antecipação do ato de comprar o ingresso e entrar na sala escura me deu uma grande euforia. Senti que aquilo era o começo de alguma coisa importante pra mim.

6) Pior sessão de cinema?
Várias. Melhor nem lembrar. Mas em se tratando de cinema, até quando é ruim é bom. Raramente deixei uma sessão antes do fim.

7) Coisa mais idiota que você já fez depois de ter visto em um filme?
Encher a cara e vomitar. O filme era ruim.

8) Filme preferido de zumbi?
Não gosto não.

9) Já pagou para ver um filme e entrou escondido em outro?
Não. Já fui barrado num cinema em Campo Grande (MS) porque tava usando camiseta sem manga. Fui a uma loja, comprei uma camiseta e voltei. Era um filme descartável.

10) Já transou dentro de um cinema?
Prefiro comer depois do filme.

12) Almodóvar preferido?
Tudo sobre minha mãe e Fale com Ela, empatados.

13) Woody Allen preferido?
A Era do Rádio. Encantador.

14) Bertolucci preferido?
Assédio. Pela história e pela trilha sonora lindíssima.

15) Hitchcock preferido?
Difícil dizer, são tantos. Vá lá, Psicose.

Continua.

Worldometers

Amantes de estatísticas atualizadas em tempo real, divirtam-se. Hoje, por exemplo, nasceram até este exato momento 252.139 pessoas no planeta e morreram 103.712. O software traz informações sobre água, alimentos, energia, saúde, desmatamento, livros publicados, páginas de jornais etc etc. Dá pra fazer estimativas pra datas futuras.

[pesquei no bookmark del.icio.us do Rogério Mosimann]

domingo, 19 de novembro de 2006

Vida na floresta

Em janeiro vão se completar nove anos que viajei com Laura à reserva extrativista de seringueiros do Rio Cautário, em Rondônia, perto da fronteira com a Bolívia. Foi uma experiência extraordinária. O Cautário é um dos lugares mais remotos onde já estive e uma das raras comunidades brasileiras que não têm luz elétrica nem tevê. Tão marcante quanto a presença poderosa da selva foi a hospitalidade dos ribeirinhos. Escrevi este relato com fotos de Laura e webdesign de Taíssa Abdala. O garoto da foto de chama Divino e tinha onze anos na época. Gostaria muito de saber como vive hoje.

Aí é luta, patuléia!

A repórter Vanessa Bárbara fez uma saborosa matéria sobre palíndromos na segunda edição da revista piauí. Conta até que existe um medo mórbido de palíndromos chamado aibofobia, palavra que não tem raiz latina nem grega, mas funciona também de trás pra frente. E que há uma desavença fonética opondo a jovem guarda aos tradicionais praticantes dessa arte. Alguns palíndromos citados no texto:

Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces.
(Rômulo Marinho)

Rir, o breve verbo rir.
(Laerte)

Até Reagan sibarita tira bisnaga ereta.
(Chico Buarque)

Lá vou eu em meu eu oval.
(Marina Wisnik)

Ô padre, meu, que merda, pô!
(Sofia Mariutti)

Aí é luta, patuléia!
(Paulo Werneck)

Alzira no colo: coloco nariz lá.
(Chico Mattoso)
~
“Para os que amam as palavras, o palíndromo representa uma espécie de felicidade em estado puro: é a frase espelho, a perfeição na simetria, ou a serpente que morde a própria cauda, o ingresso no círculo mágico dos vocábulos que não têm fim”.
Claude Gagnière, poeta francês, citado neste ótimo artigo de Rômulo Marinho.

sábado, 18 de novembro de 2006

Brunitezas: primeiras palavras

Tá tá tá. Tá tá tá.
Quero crer que é "papai".
Laura acha que é "batata".

Brunitezas: alguns apelidos caseiros

  • Brunito
  • Brunocas
  • Bono
  • Pé de pão
  • Xocotó
  • Cheiroso
  • Dingo Diringo
  • Tico-Tico
  • Fraldinha

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Mundo bizarro: celibato obrigatório

Vaticano reafirma o celibato dos padres. Deus proteja as criancinhas.

Como remover odores do microondas

Não tenho microondas nem planejo comprar, mas achei essa dica da Dadivosa muito legal e compartilho com vocês. Aliás, ô blog saboroso o dessa garota prendada.
~
Por que não compro um microondas? Sei lá, gosto do poder do fogo.
~
No feriadão fiz uma roda de fogo no quintal. Cavei um buraco de 1,2o m de diâmetro por 40 cm de profundidadade e forrei as paredes com três camadas circulares de tijolos. Falta conseguir umas pedras bonitas pra colocar ao redor do círculo cabalístico.

Os dez mais no ranking do IDH

Os dez melhores países pra se viver, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU:

  1. Noruega
  2. Islândia
  3. Austrália
  4. Irlanda
  5. Suécia
  6. Canadá
  7. Japão
  8. Estados Unidos
  9. Suíça
  10. Holanda
Conheço superficialmente 1, 5, 7, 8, 9 e 10. Eu não escolheria nenhum deles pra viver. Talvez um tempo em Amsterdã...

My baby this week: 7 1/2 months

Your baby is beginning to understand a lot about how things in his world work. Some of the concepts may seem basic to you, but they're revelations to an infant. One example is "object permanence," or understanding that an object continues to exist even after it disappears from sight. Earlier, he may have been distressed by your disappearance (even if it was just to hide your face in your hands): He didn't understand where you went. But he now knows that when you cover your face, you're still right there — and he's delighted to discover he was right when you move your hands away and gently say "Boo!" You can play a variation of this game by covering a toy with a blanket or holding it behind your back for a few seconds.

Similarly, if your baby drops a toy or his pacifier out of his crib, he may look over the edge for it — whereas in the past he cried for the object because it had "gone missing." This is one more exciting baby step away from the complete helplessness of an infant and toward the increasing self-reliance of an older baby.
[Babycenter]

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Pesquisa na internet

Zotero é uma ferramenta gratuita para organizar e compartilhar pesquisas bibliográficas e outras na internet. É uma extensão do Firefox com vários recursos interessantes. Ainda não testei. Esta resenha é bem elogiosa.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

5 life quotes

Life is pleasant. Death is peaceful. It's the transition that's troublesome.
Isaac Asimov (1920 - 1992)

Life is what happens to you while you're busy making other plans.
John Lennon (1940 - 1980), "Beautiful Boy"

Life is a sexually transmitted disease.
R. D. Laing

Life is a moderately good play with a badly written third act.
Truman Capote (1924 - 1984)

Life is something that everyone should try at least once.
Henry J. Tillman

[...]

Blogagem interrompida por sons estranhos vindos da goela do Branquito. Debaixo do sofá da sala ele tentava vomitar as penas do passarinho que jantou. Dei-lhe um incentivo pra se mandar pro quintal. Céu estrelado, frio de primavera quase verão. Noite boa pra gato passear. Ele vai superar essa.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Os Camelos chegaram

Os Camelos, Marcelo e Liz, nos visitaram. Direto da Austrália, onde moram, pra férias na Ilha de Santa Catarina. É bom demais passar algumas horas com gente tão legal e do bem. Estão felizes. Falamos de Sydney, das praias, estradas e desertos. De seu cotidiano - ele numa empresa de software pra games, ela professora de uma pré-escola. Do Australian way of life e da vida de brasileiro em terra estrangeira. De jet lag, de surf, de volta ao mundo, das comparações com o Brasil. De presente e futuro e filhos. E mais um monte de outras coisas. Bruno adorou o colo de Liz. Miguel ficou arredio no começo - ele pensava que eram camelos mesmo. Mas logo botou a timidez de lado e já tava brincando com nossos amigos queridos. Fim de tarde precioso.

Dez pequenos prazeres

  • Escrever num papel macio com uma boa caneta.
  • Ouvir uma música especial e depois o eco na memória.
  • Fazer uma trilha e aspirar fundo o cheiro de mato molhado.
  • Lagartear na praia com a cabeça vazia de pensamentos.
  • Entrar numa livraria e folhear livros, mesmo sem dinheiro.
  • Ir pra cama depois do almoço numa tarde de chuva.
  • Jogar uma partida de xadrez tomando vinho com um amigo.
  • Fazer um clique perfeito com a câmera fotográfica.
  • Olhar as crianças e os animais brincarem.
  • Curtir o ócio num feriado de meio de semana.

Aproveite você também.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Três sinais da primavera

1.
Miguel: - Olha, pai, que engraçado! Uma mosca em cima da outra.
Eu: - É assim que nascem as mosquinhas, filho.

2.
No sábado, Branquito engoliu um passarinho com pena e tudo. Dessa vez não tive tempo de salvar. Nesta época a quantidade de passarinhos é grande, sempre sobra um distraído que não vê o gato branco se aproximar.

3.
Laura me diz agora que nasceram duas corujinhas, filhotes do casal de corujas que mora num buraco em frente à casa do nosso vizinho. "São lindas, peludinhas e assustadiças", conta. "Quando elas vêem alguém, correm pra toca. E a coruja mãe fica na frente".

Parabéns, filho

Ontem, há quatro anos, num dia lindo de sol sem nenhuma nuvem, nascia nosso amado Miguel. A comemoração foi simples e deliciosa: almoço em família com um dos seus pratos preferidos - camarão - e depois, bolo de cenoura feito pela mamãe Laura. A tarde de brincadeiras junto com a prima Maria Rosa, as amiguinhas Lina e Elis e o mano Bruno se prolongou até 11 da noite, iluminada por uma fogueira no quintal. Amanhã vai ser a festa na escolinha. Tema: homem-aranha, um dos meus heróis preferidos da infância.

Quebrando a rotina antes que ela nos quebre

Se você percorre sempre o mesmo trecho de calçada, experimente um dia ir pelo outro lado. É uma espécie de mini-viagem pra fora do corpo, com resultados surpreendentes.

Exclusão digital e sanitária



Uma brilhante dobradinha de Frank e Nega.

Testando...

Alguém aí está tendo problemas pra visualizar este blog? Foto de abertura desviando pro lado direito, coluna da direita escorregando pra baixo? Por favor informe aqui e diga qual é o seu navegador.

Folhetim em blog

Carlito, do Bobagera, começou a publicar hoje a segunda parte da série de ficção Tempestades, continuação de A Ilha. A história se passa na Ilha de Santa Catarina.

Passo a passo atrás do sonho

O japonês Toru Yamaguchi, de 35 anos, já concluiu mais da metade do seu sonho: ir a pé da Terra do Fogo ao Alasca. Ele se inspira no personagem de cinema Forrest Gump, interpretado por Tom Hanks. Sou um grande admirador de pessoas assim.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Busquemos o pássaro voando

Alexandre Inagaki, do Pensar Enlouquece, escreveu ontem um texto maravilhoso sobre a presença na internet de pessoas que já morreram, por meio de perfis no orkut e outras homenagens dos amigos, parentes e amantes. É uma pequena jóia escrita sem medo da emoção, que ajuda a refletir sobre como a sociedade da era virtual se relaciona com a vida e a morte das pessoas amadas. Um pequeno trecho:

Afirmou Sêneca: "Morremos mil vezes do medo de morrer". Mais do que a morte, é preciso dissipar em nós o medo de viver. Saber que a vida é um rascunho definitivo é conscientizar-se de que ela não deve ter gosto de obra inacabada. Busquemos o pássaro voando.

Rock Popular Brasileiro

Quer escutar três músicas da banda Coletivo Operante, aqui de Floripa? Clique aqui. Entre os seus integrantes estão meus amigos Caio Cézar, Luís Maia (ambos ex-Stonkas y Congas) e Ulysses Dutra (ex-Phunky Buddha) - todos músicos de alto quilate e belos seres humanos. O quinteto se completa com Guilherme Ledoux e Luciano Py - que, se são amigos dos meus amigos, também são gente fina. Eles se definem assim:

A banda Coletivo Operante orgulha-se de não ter um estilo definido: "é rock-funk-samba-soul-reggae-ska-eletro-blues-de-raiz-psicodélico", tenta resumir - e falha miseravelmente - o guitarrista Ulysses Dutra. Guilherme Ledoux, o homem das baquetas, é quem consegue sintetizar, "Acho que é RPB. Rock Popular Brasileiro".

Arroz pingueiro

Bem interessante essa receita da Dadivosa. Aproveitei pra deixar lá uma receita de pelao, prato caribenho que aprendi com meu amigo Philo, de Trinidad-Tobago.

Mundo bizarro: no dos outros é refresco

O governo de Cingapura anunciou ontem que pretende discriminalizar o sexo oral e anal entre heterossexuais maiores de 16 anos, mas a prática continuará proibida entre homossexuais. A decisão preconceituosa foi criticada por ativistas gays. O ministro das Relações Interiores disse querer modernizar as leis “para estar na linha mais social e dentro das tendências da sociedade emergente”, o que, segundo ele, “não inclui a homossexualidade”.

Não é o cúmulo do autoritarismo legislar sobre os usos do fiofó?

Efemérides: The Doors

A banda liderada por Jim Morrison faria quarenta anos hoje. Ouvi muito - há uns vinte anos - L.A. Woman, Light my Fire, Love her Madly, Strange Days, Universal Mind, The End e outras músicas deles que viraram clássicos do rock.

Brunitezas: my baby this week

Sete meses e uma semana. Beijos babões e tentativas de beber em xícara.

Your baby is learning to recognize emotions and moods, and he's finding new ways to demonstrate how he feels emotionally. One wonderful example: He may start giving you kisses. They may be drooly and gummy at first, but they'll still taste just as sweet! When your baby is bored, he may squawk fretfully or squeal just to get your attention.

He may also be ready to try drinking from a cup, so if you haven't tested that out on him, you might give it a shot. (Consider it a "dry run" for the bottle-fed set: Experts say it's a good idea to wean a baby from the bottle by around age 1, to prevent overattachment to it and help forestall dental problems, and early familiarity with a cup can definitely ease the transition.) A sippy cup with two handles makes learning to use a cup a lot easier, as your baby can grab onto it with both hands. Expect messiness or even resistance at first, but with persistence and practice, he should easily get the hang of it.

[babycenter.com]

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

As feridas da floresta

Iberê Thenório, da ONG Repórter Brasil, mostra nesta reportagem - com imagens de satélite - os cinco pontos mais críticos de desmatamento na Amazônia brasileira: a Terra do Meio, no centro do Pará, a rodovia Cuiabá-Santarém, o extremo norte do Mato Grosso, a margem esquerda do rio Amazonas, próximo a Santarém (PA), e a Rodovia BR-319, no Sudoeste do estado do Amazonas.

A vida é uma piada: fila de banco

Contribuição da Marli Henicka pro nosso sorriso do dia-a-dia:

Uma vez, quando eu trabalhava no setor financeiro da editora, tinha uma pessoa, um fornecedor, cujo sobrenome era Sardá, e com a qual eu precisava resolver um assunto qualquer. Estava eu na fila dos caixas do Banco do Estado de Santa Catarina - BESC e tinha ao meu lado um senhor muito parecido com o dito cujo com o qual eu precisava falar. Bem, meio em dúvida se era ele ou não, me dirigi ao homem e perguntei:

- Sardá?

Ele respondeu:

- Não, depositá.

Sério. Eu quase tive um treco tentando conter o riso...

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

DVeras Awards 2006: ferramenta de pesquisa

Sou usuário satisfeito do Del.icio.us faz um tempo. É uma ótima ferramenta de bookmark social (e anti-social, quando não me interessa compartilhar o link), com interface limpa e fácil de usar. É por meio dela que mostro na coluna aí do lado alguns saites interessantes por onde navego e uma tagcloud com os rótulos mais freqüentes. Por isso, quando testei o Diigo, não tinha grandes expectativas. Mas a surpresa foi boa. A ferramenta faz tudo o que o Del.icio.us faz e um pouco mais. Com a vantagem de a gente poder integrar uma na outra com bookmark simultâneo das mesmas páginas. Depois de instalada a barra de ferramentas, um simples clique com o botão direito do cursor abre vários recursos. Você pode destacar trechos do saite, deixar anotações públicas ou privadas, ler as anotações públicas dos outros, enviar sua pesquisa pra alguém e inserir rótulos com facilidade. O DVeras Awards 2006 pra ferramenta de pesquisa vai pro Diigo.

Varejo em blog

A jornalista Cléia Schmitz, minha colega no blog coletivo +D1 - no momento, fechado pra reformas - acaba de lançar o Blog do Varejo, onde vai compartilhar com os leitores sua experiência como repórter especializada no setor varejista. Texto bom de gente inteligente e antenada é sempre bem-vindo!

Comentários aditivados

Raul, Dadivosa, Ivan, Maurício, Giorgia... Vocês são as primeiras "cobaias" do novo recurso de interatividade que instalei no blog nesta madrugada insone. Vejam no alto da coluna da direita: os comentários recentes aparecem aí com o nome da pessoa e um trecho do que escreveu. Fica mais fácil seguir os bate-papos aleatórios e participar. Faço minhas as palavras do Maurício no Fogo-Fátuo (pô, Maurício, foi comprar uma coca ali na esquina, sumiu por meses e voltou com um neném no colo, hein? Sentimos falta dos teus posts): "Escreva um comentário e concorra ao prêmio de 'Comentário da Semana', que lhe dará o direito de escrever quantos comentários quiser".

O nome desses penduricalhos - uns bem úteis, outros divertidos, outros inúteis e irritantes - é widget. São "componentes de software que viabilizam a interação com o usuário", diz a Wikipedia. Tem gente apostando que nos próximos anos eles vão transformar completamente a maneira como se faz blogs hoje. Os blogs vão ganhar mais e mais ferramentas pra se tornarem páginas iniciais personalizadas segundo as necessidades de cada um. Há vários saites onde até um semi-analfa em informática como eu pode pesquisar e instalar com facilidade essas traquitanas no seu blog. O Widgetbox, por exemplo.

Ducha poética

Água bendita:
banha o baby
e os hibiscos.
[inspirado no regador que Laura botou embaixo da banheira do Bruno]

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Conversa no banco


EU
- Bom dia!
Quero encerrar minha conta.

A GERENTE
(expressão surpresa)
- Bom dia! Por quê?

EU
- Abri conta em outro banco e não preciso mais desta.
A tarifa é muito alta.

A GERENTE
(responde rápido)
- Vamos fazer o seguinte:
dou 100% de isenção da sua tarifa por seis meses.

EU
- Você me convenceu.
Daqui a seis meses a gente volta a conversar.

~
Experimente você também e depois me conte.

DVeras Awards 2006: ferramentas de produtividade

O DVeras Awards 2006 começa começa com ferramentas de produtividade. A campeã é o leitor de RSS Google Reader. Depois de testar o Pluck, o Sage e o RSSReader, há poucas semanas adotei o leitor do Google, que ganha disparado. Nele acompanho notícias em geral, informações de trabalho, atualizações de blogs e das fotos dos amigos no Flickr. Em poucos minutos dá pra ver um resumo do que há de novo em dezenas de saites, abrir só os que interessam e sair pra tomar um cafezinho. Tem várias teclas de atalho no teclado, opções de marcar com rótulos e pode ser acessado de qualquer computador. Outro recurso legal, que ainda não usei, é compartilhar os itens assinados numa página específica gerada pelo programa.

Eco da memória

Que Sera Sera - Doris Day

When I was just a little girl,
I asked my mother, 'What will I be?
Will I be pretty?
Will I be rich?
Here's what she said to me:

Que Sera Sera,
what ever will be, will be;
The future`s not ours to see.
Que Sera Sera,
What will be, will be

When I grew up and fell in love,
I asked my sweetheart, what lies ahead,
will we have rainbows
day after day?
Here´s what my sweetheart said:

que sera, sera,
whatever wil be, will be
the future's not ours to see.
que sera, sera,
what will be; will be

Now I have children of my own
they ask their mother what will I be
will I be handsome?
will i be rich?
I tell them tenderly

que sera, sera,
whatever will be, will be;
the future's not ours to see.
que sera, sera,
what will be, will be.

Que sera, sera

Tela 21: Cadeira Estropiada

O olhar de Ivan Jerônimo captou essa ruína na oficina de pintura e a imortalizou.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Seis segredos

Costumo deletar sem pena as correntes que recebo. Mas vou abrir exceção pra este desafio de Solino, que contribui pro meu autoconhecimento pessoal de mim mesmo: contar seis coisas sobre minha vida que ninguém ou pouca gente conhece. Deixo as confissões escabrosas pra revelar aos mais íntimos em alguma improvável balada movida a tequila em conjunção astral favorável. Se seis leitor@s resolverem dar seguimento à corrente, estarei livre da mardição e vamos nos conhecer melhor.

  1. Aos cinco anos pulei a janela do quarto onde meu primo taxista tirava uma soneca e peguei dez centavos do bolso dele. Foi o começo e o fim de minha carreira criminal.
  2. Aos dez anos, um colega me agrediu com uma rasteira e não revidei. A decepção foi maior que a dor. Eu achava que o filho da puta era meu amigo.
  3. Aos 14, me apaixonei por uma menina da escola e confidenciei a um colega. O canalhinha contou pra ela e paguei o maior mico. Passei a escolher melhor os amigos.
  4. Já fiquei dois meses isolado, pintando aquarelas e achando que tinha pirado. Depois rasguei tudo e toquei pra frente. As belas artes não perderam nada.
  5. Na borda de um fiorde de 600 metros de altura, tive uma vertigem-epifania sobre o poder do meu livre arbítrio.
  6. Já tive pelo menos duas evidências fortes da existência de fenômenos paranormais. Sem contar as sincronicidades.
~

UPDATE: Maurício acha que o #6 rende um novo post. É, pode ser. Também acho que o 4 e o 5 rendem. Uma hora dessas eu conto.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Rede movida a sol

Bacana essa notícia da Agência Brasil: comunidades do Maranhão vão ter acesso à internet alimentada por energia solar. Sou fascinado pelas fontes alternativas de energia como solar, eólica, das ondas. Se eu fosse engenheiro ia me dedicar a isso. Em 1998 Laura e eu estivemos numa comunidade de seringueiros em Rondônia, perto da fronteira boliviana, a Reserva Extrativista do Rio Cautário. Foram dois dias extraordinários subindo o rio numa lancha "voadeira", no meio da mata fechada, num lugar tão remoto que fazia divisa com terras de índios ainda não-contactados.

Uma das casas onde pousamos era a única em toda a reserva onde havia luz elétrica. Lá funcionava um rádio amador movido a energia solar, que também alimentava uma lâmpada de 25 watts. Graças à doação de uma ong norueguesa, eles tinham esse meio de comunicação com outras comunidades de toda a Amazônia. São soluções simples, relativamente baratas e que fazem a diferença na vida das pessoas.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

A ressaca da eleição

Em 2002 fui comemorar a eleição de Lula na Beira-Mar Norte, onde encontrei um monte de conhecidos no meio da multidão que sorria de alma lavada e agitava bandeiras. Ontem fiquei em casa, abri uma garrafa de vinho e me joguei no sofá diante da tevê. Minha celebração comedida se deve em parte à situação pessoal de agora ter dois filhos pequenos. Também ao peso que mais quatro anos no espinhaço adicionam à preguiça de sair de casa. Mas também tudo a ver com o aumento do meu ceticismo quanto a esse modelo de democracia representativa (parece até que tou ouvindo o chavão: "É um sistema ruim, mas ainda não inventaram outro melhor") que leva, entre outras coisas, à necessidade de alianças no mínimo incoerentes.

De qualquer forma, ainda acredito que Lula lá é o melhor pro país. E que a promessa de entrarmos no tão falado ciclo virtuoso de crescimento pode mesmo se concretizar. O resultado retumbante das urnas afasta do horizonte, ao que parece, o risco de golpismo. O maior inimigo do governo é ele próprio. Fiquei de pé atrás quando vi a entrevista de Lula em que ele comenta quais erros devem ser evitados no futuro. Não disse nada sobre a arrogância petista que levou aos conhecidos escândalos. Vamos aguardar pra ver no que vai dar isso. Com esperança em doses moderadas.

Os quatro cantos do sol

O jornalista Celso Martins, com quem tive a honra de trabalhar no jornal A Notícia no fim dos 80, lança dia 7 de novembro o livro Os quatro cantos do Sol - Operação Barriga-Verde. O lançamento é a partir das 19 horas no bar Canto Madalena (Rua Medeiros de Albuquerque, 471, Vila Madalena, SP). Oitavo livro dele, é uma grande reportagem em 392 páginas sobre a prisão, no dia 5 de novembro de 1975 pela ditadura militar, de 42 pessoas acusadas de pertencer ao PCB em Santa Catarina.

sábado, 28 de outubro de 2006

Da vez

O tempo não pára.

Cazuza

A poluição interior

Ótima reportagem de David Ewing Duncan para a National Geographic. Tá em português na edição brasileira da revista. O jornalista fez uma série de exames caríssimos - 15 mil dólares - pra descobrir que substâncias químicas artificiais estavam em seu corpo. O resultado é no mínimo preocupante. O simples ato de voar de avião já nos contamina com produtos que retardam a combustão. E outros atos cotidianos como fritar um ovo em frigideira não-aderente ou lavar a cabeça com xampu.

[dica da Giorgia, que pegou da Denise]

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Ficção científica com apenas seis palavras

A revista Wired lançou um desafio a vários escritores de ficção científica, fantasia e terror. Escrever microcontos de até seis palavras, a exemplo de um clássico de Ernest Hemingway que, diz-se, ele considerou sua melhor obra ("For sale: baby shoes, never worn"). Selecionei dez. Meu favorito é o último.

TIME MACHINE REACHES FUTURE!!! … nobody there …
- Harry Harrison

Epitaph: Foolish humans, never escaped Earth.
- Vernor Vinge

I’m your future, child. Don’t cry.
- Stephen Baxter

Computer, did we bring batteries? Computer?
- Eileen Gunn

His penis snapped off; he’s pregnant!
- Rudy Rucker

Heaven falls. Details at eleven.
- Robert Jordan

Osama’s time machine: President Gore concerned.
- Charles Stross

Rained, rained, rained, and never stopped.
- Howard Waldrop

Death postponed. Metastasized cells got organized.
- David Brin

Vacuum collision. Orbits diverge. Farewell, love.
- David Brin

Tempos heróicos

Meu amigo Jakzam Kaiser, jornalista e sócio da editora Letras Brasileiras, lança no dia 31 na Feira do Livro de Porto Alegre seu romance Tempos Heróicos, ficção com grandes pitadas autobiográficas sobre o cotidiano de um jovem da geração política, sexo, drogas & roquenrrol. Tou curioso pra ler. Ele vem cozinhando esse texto há anos.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Herzog

A entrega do prêmio é hoje em SP. Marques, autor da reportagem, vai receber a menção honrosa em nome da nossa equipe.

Eleições e indígenas

"Como filho das Primeiras Nações do Brasil, sabemos que nosso potencial não está na quantidade de votos que outros setores sociais são possuidores como os irmãos afros, as mulheres ou os jovens entre outros, que de alguma forma conseguiram manter sua representação no Congresso Nacional e no Governo Federal.

As questões indígenas passaram sem qualquer menção da parte dos dois candidatos. Nada se falou nem por uma questão de elegância, qual seria o status de relacionamento no futuro Governo. Talvez nossas terras não sejam prioridades para a Soberania Nacional, ou as águas potáveis, a biodiversidade, os recursos minerais, e principalmente, a sustentabilidade sócio-econômica de nossas aldeias e comunidades. "

Marcos Terena
Presidente do Comitê Intertribal - ITC
[via Tatiana Cardeal]

Marketing de guerrilha



"Um em cada dez vítimas de acidentes de trânsito é pedestre." Campanha de segurança nas estradas holandesas, por Ogilvy Netherlands. Vi aqui.

Testemunha ocular

O Witness é um projeto interessante lançado em parceria com o Global Voices. Seu objetivo é usar o poder do vídeo pra denunciar abusos contra os direitos humanos; dar condições pra que organizações de diversos países possam melhor documentar e divulgar as violações. Nestes tempos de crescente difusão de vídeos artesanais pela internet, é uma iniciativa relevante e bem-vinda.

Dica quente de passeio em Floripa

O barco Ondança faz passeios pela Lagoa da Conceição e mar dos arredores. É conduzido pelo simpático casal Dieter e Annemaria - ele suíço, ela holandesa. Lotação pra 14 pessoas com conforto, charters de dia e de noite, banheiro e bar a bordo, escada pra mergulho, equipamentos de segurança ok, atendimento em português, espanhol, inglês, holandês e alemão. Fiz esse passeio no verão passado e adorei.

(48) 3232 1965 / 8803 3772
ondanca@gmail.com

Second life

Quer uma segunda chance na vida? Second Life é um mundo digital online imaginado e criado pelos seus próprios residentes.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Miguelices: pai entrevista filho

Fiz esta entrevista em setembro de 2005, quando Miguel tinha 2 anos e 10 meses de idade. A pedido dos amigos, republico.

- Miguel, o que é o vento?
- É aquilo que derruba as folhas. Eu acho que ele não tem mão.
- E o passarinho?
- É aquilo que voa e pousa, voa e pousa...
- E o boi?
- É aquilo que come capim, igual ao cavalo.
- O que é flor?
- É aquilo que abre e fecha.
- E nuvem?
- É o que escurece e chove.
- E chuva?
- É o que faz barulho no vidro do carro.
- E livro?
- É aquilo que lê e fecha.
- O que é futebol, filho?
- É assim, ó [mostra]: chuta e cai! Não pode deixar o Ronaldinho chutar. Depois leva o goleiro no médico.
- O que é notícia?
- Notícia é um fogo que pega no avião.
- E avião?
- É aquilo que faz uma corrida no céu.
- O que é mar?
- É aquela coisa salgada que não dá pra comer. É aquilo que leva as crianças embora.
- E herói?
- É aquilo que corre assim, ó [mostra], pra matar os "anemigos".
- O que é neném?
- É aquilo que chora bastante e faz xixi na calça.
- Por que o neném tá dentro da barriga?
- Porque o neném nada.
- E skate?
- É muito radical.
- O que é radical?
- É o skate que sobe pelo vidro e corta o olho do gato amarelo.
- O que é música?
- É aquilo que toca no berimbau. Na capoeira.
- O que é o dia?
- É de sol.
- Onde fica o Japão?
- Fica lá longe.
- Onde é longe?
- Onde tem o Japão.
- O que é um animal feroz?
- Aquilo que faz assim, ó: uéééé!!!!
- O que é choro?
- Quando a mamãe vai trabalhar.
- Pra que serve o travesseiro?
- Pra deitar e sonhar com a girafa.


Caminhada

"... o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia".
Guimarães Rosa [citado por Tutaméia]

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

outdoor glitch

if you are lucky to be near when something breaks, you are rewarded with a complete x-ray of the system in question, a valuable information you can use to infer the system at any time.

Betatester