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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

De Olho na Capital se despede

A coluna De Olho na Capital, que o Cesar Valente escreveu durante quatro anos e meio pro Diário do Litoral e republicou no blog, circulou pela última vez no dia 19 de dezembro, em função do fim do contrato entre as partes. Lamento pelos leitores do Diarinho. Ficam privados do humor e da sagacidade de um comentarista político de primeira linha, daqueles raros que vão além da superfície dos factoides. De Olho na Capital prestou um grande serviço público a quem ama a capital catarinense e foi uma pedra pontuda no sapato dos governantes, que devem estar dando um (momentâneo) suspiro de alívio. Quanto ao Cesar, não é o caso de a gente se preocupar. Meu palpite é que, depois de uns bons banhos de mar, ele logo encontra outra praia na grande rede e vai ficar novamente "de olho" no que nos interessa. A vida segue.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Viagens no tempo: o curso de Jornalismo da UFSC

O Alexandre Gonçalves trouxe do fundo do baú dois vídeos que marcam os 30 anos do curso de Jornalismo da UFSC. Muito bom rever aqueles momentos, muito bom mesmo! Foram anos intensos e tenho certeza que as pessoas que compartilharam essa experiência comigo também vão sentir umas pontadas de saudade. O primeiro vídeo foi produzido pelos alunos Júlio Ettore Suriano e Laís Mezzari pra marcar os 30 anos de fundação do curso, comemorados em 2009. O outro, que copio abaixo, é de autoria dos então estudantes Felipe Seffrin e Dirceu Neto e foi exibido na abertura da 5a. Semana do Jornalismo, em julho de 2006. Agradeço a eles pela oportunidade de fazer esse mergulho na memória afetiva.

Era um tempo de privações quanto a equipamentos e espaço, mas a gente conseguia driblar a escassez e se divertia muito. Nesses corredores e salas se deu uma parte importante da formação de toda uma geração de jornalistas: debates intensos, festas loucas, experimentações de linguagem, protestos bem-humorados, risadas de corredor, descobertas de livros, filmes, sons, imagens, histórias... Contestador por natureza, o curso de Jornalismo exalava um permanente clima de paixão, que favorecia a criatividade e às vezes descambava pra brigas. Mas o que gosto de lembrar é dos momentos de alto astral coletivo, da sensação de pertencermos todos ao mesmo barco, mesmo que às vezes polarizados entre "comunicação" e "jornalismo" (um debate meio perdido no contexto de hoje, me parece). Frequentei formalmente o curso de 1986 a 1991 - e depois informalmente até 96, acompanhando a galera da Laura. Lá fiz amizades eternas com colegas e professores. Essa é a herança mais preciosa daqueles anos.

p.s.: Não faço ideia de como é o atual clima do curso, nem sou chegado a saudosismos do tipo "no meu tempo era melhor". Cada grupo faz o seu tempo do seu jeito. Mas acho legal que o pessoal que está no Jornalismo da UFSC agora conheça um pouco dessa história, pra valorizar o presente que tem nas mãos.


Jornalismo UFSC - Viagem no Tempo from DEJOR UFSC on Vimeo.

sábado, 28 de novembro de 2009

A cobertura jornalística da Novembrada

Recebi da Zeca Baldessar e passo adiante na íntegra. Vale conferir a aula de história e de jornalismo.
Na próxima segunda-feira, 30, o site www.cotidiano.ufsc.br  trará um especial multimídia sobre a cobertura jornalística realizada durante a Novembrada, revolta popular ocorrida em Florianópolis em novembro de 1979. Produzido pelos bolsistas e coordenadores do site, o especial relata o episódio e a apuração dos fatos a partir do ponto de vista de doze jornalistas que estiveram diretamente envolvidos na cobertura da manifestação.

Os Entrevistados
Impresso:
Carlos Damião  
Laudelino Sardá 
Moacir Loth 
Nelson Rolim  
Osmar Teixeira
Sérgio Rubim  

TV:

Aderbal Machado 
Aldo Grangeiro
Roberto Alves
Valter Souza

Rádio:

Antunes Severo
Valter Souza

Foto

Orestes Araújo
Dario de Almeida Prado
Jones Jõao Bastos

Acesse e confira.

Um abraço, Maria José Baldessar e  equipe Cotidiano

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ultimate fight journalism


Uma cena patética na esplanada dos ministérios, esse bate-boca entre a repórter da Record e a da Globo por causa da entrevista com um secretário do Ministério de Minas e Energia sobre o apagão. Errou a assessoria de imprensa. Num assunto dessa relevância, tinha que chamar entrevista coletiva. Aliás, faltou bom senso a todos.

~
p.s.: Matéria e vídeo no Comunique-se.
 p.s.2: O título deste post é emprestado de um tuit de @exucaveiracover, que propõe a criação de um "reality show" só com brigas de jornalistas. Pode se tornar um sucesso, já pensou?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Devastação S/A é finalista do Prêmio Esso

A reportagem Quem se beneficia com a devastação da Amazônia, que fiz junto com os colegas Marques Casara, André Campos, Carlos Juliano Barros, Leonardo Sakamoto, Paola Bello e Sérgio Vignes, é finalista do Prêmio Esso de Jornalismo 2009! Para apontar os 38 trabalhos finalistas, as comissões examinaram 520 reportagens, séries de reportagens ou artigos. Estamos entre os três selecionados na categoria Informação Científica, Tecnológica e Ecológica. A reportagem investigativa, publicada na revista do Instituto Observatório Social, mostrou como funciona o esquema de "esquentamento" de madeira extraída ilegalmente da floresta amazônica. Também revelou os nomes de várias empresas brasileiras e estrangeiras que ganham com o negócio da madeira ilegal. O Esso é o mais importante e tradicional prêmio de reconhecimento do mérito jornalístico no Brasil, com 54 anos de existência. Os resultados vão ser anunciados pela comissão julgadora no dia 8 de dezembro no Rio de Janeiro.
~
Em 2003, a reportagem Mineração predatória na Amazônia Brasileira, de autoria de Marques Casara, que editei para a revista do Observatório Social, ganhou o Esso na mesma categoria em que concorremos agora.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Existe vida fora da grande mídia

Pela primeira vez um site de notícias ganha o conceituado Prêmio Esso de Jornalismo. O Congresso em Foco foi o ganhador deste ano na categoria Contribuição à Imprensa. Pela primeira vez, também, os jurados decidiram com base em reportagens - neste caso, a série sobre a farra das passagens, de autoria do amigo Lúcio Lambranho (ex-estudante de jornalismo na UFSC), junto com Edson Sardinha e Eduardo Militão. O reconhecimento ao Congresso em Foco é mais uma evidência de que há um espaço importante de jornalismo investigativo a ser ocupado fora da área de influência da grande imprensa. Parabéns ao editor Eumano Silva e a toda a equipe.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Castelo dos Sonhos: entrevista com Tatiana Cardeal

Há poucas semanas contei sobre um prêmio que minha amiga Tatiana Cardeal, fotógrafa documentarista, foi receber na China. Pois mal retornou ao Brasil, ela já recebeu outro: o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em parceria com Marques Casara, com a reportagem Castelo dos Sonhos [pdf], sobre exploração sexual de crianças e adolescentes ao longo da BR-163. Nesta entrevista, Tatiana conta como foram os bastidores dessa apuração.

DVeras em Rede - Como foi o desafio de fazer uma reportagem fotográfica sobre um tema que envolve tantos aspectos delicados do ponto de vista psicológico, legal e de segurança?


Tatiana Cardeal - Foi difícil, mas desafiador, e eu gosto muito dos desafios que me trazem um sentido. Não sou exatamente uma fotojornalista, meu trabalho é mais documental e bem mais lento, então, em no início achei que poderia não funcionar bem, mas acabei me surpreendendo bastante com minhas próprias reações. Fotografar escondida ou em risco não é a minha rotina, nem algo que eu tenha prazer em fazer. Houve momentos em que tive muito medo e outros em que surpreendemente me vi coordenando a situação com certa excitação para obter a melhor momento/ângulo de uma foto. Havia uma série de cuidados sobre o que fotografar e quando fotografar, não dava pra chegar clicando. Também havia o desafio de encontrar imagens fortes e/ou sensíveis que contassem a história e que fossem publicáveis, já que não se pode expor as imagens das vítimas da exploração sexual.

O que mais a impressionou? Houve momentos em que você hesitou em clicar?

Tatiana - Muitas coisas me impressionaram. Como cena, uma das mais impressionantes foi quando chegamos e passamos pela "avenida principal" de Castelo. Um grupo de cerca de sete meninas, muito novas (acho que entre 12 e 15 anos), semivestidas, sentadas na mesa de bilhar da varanda do boteco/bordel. A ausência do poder público alí impressiona, assim como as péssimas condições da estrada de terra (foram 6 horas para cobrir os 200 km), que separa Castelo da "civilização", uma área erma onde praticamente não se encontra nada. Como referência, a região é próxima de onde caiu o Boeing da Gol em 2006, e que foi uma enorme dificuldade de mobilidade para o próprio exército. Também me impressionou muito a cena de uma garota franzina de 12 anos amamentando seu bebê; e em especial a "normalidade cultural" com que o sexo com menores é tratado, ao mesmo tempo em que provoca vergonha e receio nas famílias da vítimas.

O momento em que hesitei não foi pela imagem da foto em si, mas pela pressão psicológica em que estava. A gente já sabia da fama violenta da cidade... um conselheiro tutelar de outra cidade entrou em pânico quando o Marques decidiu que precisávamos ir lá. Mas já em Castelo, depois de entrevistar o jornalista que estava ameaçado de morte, e ele mostrar uma série bizarra de fotos que fez dos assassinatos da região (que não aguentei ficar vendo, porque não eram somente corpos assassinados, mas mortes decorrentes de violência bizarra e brutal, com técnicas de tortura requintadas e sádicas, que expunham os corpos posteriormente como "mensagem" para a população local), e eu ainda precisava fazer duas últimas fotos, em público, na avenida principal e na delegacia. Eu estava tão chocada com o depoimento e a brutalidade das imagens do jornalista, que o Marques praticamente me empurrou pra fora do carro para fotografar.

Pode contar um pouco sobre o lado técnico de fazer uma cobertura fotográfica na umidade amazônica? Como você lida com o dilema entre a necessidade de carregar equipamento pesado e a de ser discreta?

Tatiana - Bom, a Amazônia é gigantesca, e oferece condições climáticas variadas. No caso dessa região no norte do Mato Grosso, não fomos na época das chuvas, então eu tinha mais preocupação com o poeirão vermelho da estrada de terra do que com a umidade, vivia protegendo a câmera e limpando. Já no Amazonas, em São Gabriel da Cachoeira encontramos temperaturas altíssimas com extrema umidade, a ponto de a cola do espelho da minha câmera derreter (e da filmadora parar de funcionar subitamente algumas vezes). Consegui colar novamente o espelho com uma versão enigmática de SuperBonder, a TreeBonder, única alternativa disponível na cidade indígena... por sorte colou e resolveu. Outra coisa que ajudou é ter uma mochila tropicalizada, que veda 100% contra chuva, e até protege na queda do equipamento na água (a mochila fica boiando no caso de uma voadeira virar...).

Normalmente não carrego muito equipamento. De mais pesado são duas cameras, três lentes médias e um flash. Se não ía muito longe, só uma camêra. Mas nada que não caiba em uma mochila média e que eu não possa levar.

Admiro a maneira como você reorientou a carreira bem-sucedida de diretora de arte para recomeçar - e obter reconhecimento internacional - na fotografia de temas sociais. O que moveu você nessa mudança e como ela se deu?

Tatiana - Obrigada, Dauro, mas saiba que essa mudança de carreira não foi nada muito planejado. Acho que tive uma boa dose de sorte, pois ao sair da Editora Abril eu já sabia que queria continuar na área social e não queria mais fazer revista puramente comercial. Estava fazendo uma pós graduação em Mídias Interativas, algo meio novo e experimental na época, e que me deixou bastante antenada com as possibilidades da internet. Fui publicando imagens de temas que me interessavam e pesquisas visuais que eu fazia como estudo e hobby. Aí fui recebendo um grande feedback que me encorajou a continuar produzindo mais e que aos poucos tornou-se trabalho. Ainda naquele período, algumas redes que eu frequentava e publicava só falavam em inglês, e acredito que foi aí que o trabalho ganhou alguma projeção fora daqui.

~

Leia também a entrevista com Marques Casara.

Castelo dos Sonhos: entrevista com Marques Casara

Meus amigos Marques Casara e Tatiana Cardeal ganharam menção honrosa na trigésima-primeira edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais conceituados do Brasil. A reportagem deles, Castelo dos Sonhos [pdf], publicada na revista da ong Childhood Brasil, desvenda uma rede criminosa de exploração sexual de crianças de adolescentes na BR 163. Nos últimos anos, Marques tem faturado vários prêmios "correndo por fora" da grande mídia. Suas reportagens investigativas bancadas por organizações do terceiro setor são um grande incentivo para quem acredita que é possível fazer jornalismo independente com qualidade. Fiz esta entrevista com ele por e-mail.


DVeras - Sobre o que é a reportagem Castelo dos Sonhos e o que ela traz de novo?

Marques Casara - A pauta foi proposta para a revista da organização não governamental Childhood Brasil, que desenvolve projetos ligados ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O objetivo seria percorrer a BR 163 e identificar locais de exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas, em postos de combustível e prostíbulos. O projeto foi aceito e financiado pela ONG.

Ao chegar na região Norte do Mato Grosso, a reportagem tomou outra proporção, pois identificou uma rede criminosa organizada de aliciamento de crianças e adolescentes nas cidades de Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto Azevedo, todas localizadas próximas à divisa com o Pará. Os aliciadores levavam as adolescentes para a cidade de Castelo de Sonhos, um distrito de Altamira localizado a 1.200 km da sede do município. O lugar é de difícil acesso, o que facilita o trabalho das redes de exploração. Tem apenas 3 policiais militares e um delegado que anda a pé por falta de viatura. Uma região sem lei e onde a exploração sexual de crianças e adolescentes acontece a céu aberto. O único jornalista da cidade passou 10 dias escondido no forro de uma casa para não ser morto e hoje recebe proteção especial do governo. A reportagem serviu para alertar as autoridades e mobilizar o governo do estado a tomar providências em relação ao problema das adolescentes. Uma reportagem como essa sempre muda o cenário, alerta as autoridades e outros jornalistas.


Conte um pouco sobre como foi a apuração. Durou quanto tempo? Quais foram as principais dificuldades e surpresas?

Casara - O assunto veio à tona em conversa com uma fonte na região. A apuração durou duas semanas. Foi trabalhoso localizar as famílias das adolescentes e mais trabalhoso ainda convencer mães e avós a contar o problema. Além do medo de represálias, sempre há um certo constrangimento em admitir que uma ou mais filhas foram aliciadas por redes que lucram com a exploração sexual. As famílias moram em cidades na divisa do Mato Grosso com o Pará. Chegar a Castelo de Sonhos também foi muito trabalhoso. São 200 km de uma estrada praticamente intransponível a partir da divisa. Cerca de 40 quilômetros após a partida, estourou o amortecedor dianteiro direito. A opção era desistir ou seguir em frente. Fomos em frente, arriscamos.

Castelo de Sonhos é um lugar sem Lei, sem Poder Público, sem força policial. O lugar é muito violento. Chegamos disfarçados e passamos uma noite. Na manhã seguinte, tivemos a sorte de encontrar uma amortecedor da mesma marca e modelo do carro. Só então revelamos nossa condição de jornalistas. A partir dai, foi uma corrida contra o tempo. Em três horas visitamos os locais onde ocorrem a exploração e fizemos as entrevistas e as fotos. Precisávamos sair da cidade antes de qualquer reação. No caminho de volta fomos seguidos por cerca de 80 quilômetros por uma caminhonete ocupada por três homens. A perseguição parou quando entramos em um canteiro de obras de uma barragem que está sendo erguida na região da Serra do Navio. Paramos em frente a um restaurante. A caminhonete nos seguiu e parou a menos de 30 metros. Após alguns minutos, deu meia volta e retornou a Castelo de Sonhos. Sem sair do carro, comemos duas latas de atum com pão e guaraná. Pegamos a estrada e chegamos a Guarantã do Norte sem maiores problemas. Se não tivessemos encontrado o amortecedor certo, teríamos um pouco mais de trabalho.


Como é a logística de fazer uma reportagem investigativa na Amazônia, lidando com um tema delicado e potencialmente arriscado tanto para vítimas quanto para repórteres?

Casara - A logística é imitada pelos recursos. A apuração é limitada pelos riscos. Estávamos com um carro de passeio quando deveríamos estar em um 4x4. Isso aumenta os riscos de quebrar o carro. Também dificulta uma saída rápida em caso de necessidade. A reportagem também é limitada pelas distâncias e pelas condições das estradas, o que torna tudo mais caro e trabalhoso. O assunto é complexo, as famílias não gostam de falar sobre isso. A corrupção também dificulta a apuração e aumenta os riscos, pois autoridades ganham dinheiro acobertando criminosos.

É preciso jogar com todos esses fatores. É preciso também antever os riscos, estar sempre um passo à frente. É necessário jogar com o fator surpresa, com a rapidez e com toda a experiência acumulada. Os principais erros acontecem por causa da afobação e do medo. Os três segredos da reportagem de risco são os seguintes: 1) Mantenha a calma; 2) Mantenha a calma; 3) Mantenha a calma.


Você acredita que a reportagem de vocês pode transformar a realidade dessas adolescentes? Já transformou desde que foi publicada?

Casara - Reportagens como essa sempre mudam o cenário. Servem de alerta, inspiram novas matérias. Uma violência como essa, quando vem a tona, atrapalha a vida dos criminosos e estimula as autoridades. Algumas autoridades são estimuladas a aumentar o valor da propina, outras, honestas, são estimuladas a resolver o problema.


Este é o seu segundo prêmio Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O que isso representa para você como jornalista que atua com entidades do terceiro setor, sem o apoio da grande mídia?

Casara - Não me interesso mais pela grande mídia. Desde o ano 2001 atuo exclusivamente para organizações que não estão vinculadas ao jornalismo industrial. Posso fazer um jornalismo mais libertário e revolucionário. Não estou limitado pelos interesses comerciais das empresas de comunicação. Hoje, o que dá lucro para essas empresas é o jornalismo de entretenimento, mesmo quando disfarçado de "investigativo". Desde que sai desse circuito ganhei um Prêmio Esso e dois Herzog. É um bom referencial. Estou construíndo um caminho próprio, sem holofotes mas com muita realização pessoal. Uma dica pra quem tá começando na profissão: todo jornalismo é investigativo. Se não é investigativo, não é jornalismo.

~

Leia também a entrevista com Tatiana Cardeal.

domingo, 18 de outubro de 2009

Manual do Repórter de Polícia

Está disponível pra download no site Comunique-se a edição atualizada do Manual do Repórter de Polícia (arquivo pdf). O autor é Marco Zanfra, daqui de Floripa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Jornais de papel e a China

Marques Casara, recém-chegado da China, comenta o fim dos jornais impressos - um dos seus temas preferidos - e a atuação dos jornalistas no país asiático:

Produtos jornalísticos impressos em papel estão fadados à extinção.

Teremos a oportunidade de assistir em vida.

Na China ainda se lê muito jornal de papel. A internet é restrita. Tiragens modestas imprimem 2 milhões de exemplares por dia. As redações estão abarrotadas, os repórteres viajam e vão a campo. Dificilmente fazem como aqui, tudo por telefone sem apurar porra nenhuma. Cinegrafistas e fotógrafos usam equipamentos novíssimos, super atualizados.

Lá só é proibido falar mal do regime e do Tibet, o resto ta liberado, inclusive reportagens investigativas com câmera oculta. O incrível é que a população não se sente oprimida, como nas ditaduras “normais”.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Observatório de Ética Jornalística

Reproduzo mensagem do jornalista Rogério Christofoletti sobre uma iniciativa bem-vinda:

Eu e o professor Francisco José Karam convidamos a conhecerem o Observatório de Ética Jornalística (objETHOS), novo grupo de pesquisa do Departamento de Jornalismo da UFSC. A partir de agora, o objETHOS é a nossa base operacional para reunir conteúdos sobre deontologia jornalística, para desenvolver pesquisas na área, promover eventos e incentivar a reflexão e o debate em torno da ética no jornalismo.

Em nosso blog, reunimos referências bibliográficas e cinematográficas, artigos e outros conteúdos relacionados. Por lá, também compartilharemos os resultados de nossas pesquisas.


Um abraço

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Repórter Brasil, 8 anos

A ong Repórter Brasil, especializada em reportagens sobre direitos humanos (com foco em trabalho escravo), está completando oito anos de serviços preciosos ao jornalismo e ao país. Recebi convite de seu coordenador, Leonardo Sakamoto, pra festa de comemoração e passo adiante a quem estiver em São Paulo no dia 21.

Festa Repórter Brasil, 8 anos
Quando: 21 de setembro (segunda-feira), a partir das 21h.
Local: Fun House (uma das melhores baladas de São Paulo) - Rua Bela Cintra, 567.
Há dois convites: um de R$ 10 e outro de R$ 20. O de R$ 20 dá direito ao sorteio a uma passagem de ida e volta para qualquer lugar do país (exceto Fernando de Noronha - não perguntem o porquê). Podem ser comprados com antecedência ou na porta.

Os recursos arrecadados ajudarão a bancar o 1º Encontro Nacional do "Escravo, Nem Pensar!", que será realizado durante o feriado de 12 de outubro. Trata-se de um evento, organizado pela Repórter Brasil, que reunirá centenas de professores e lideranças populares de diversas regiões do país em Açailândia, no Maranhão.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aviso de pauta: China

Aviso de pauta de Marques Casara:

Dia 13 tô indo para a China. Minha mulher, a fotógrafa Tatiana Cardeal, vai receber um prêmio de fotografia em Guangzhou, a uns 600 Km de Pequim. Depois, seguimos em direção ao Sul até a fronteira com o Laos, fazendo reportagens sobre comunidades tradicionais.

Aceitamos pedidos de matéria de texto, foto e vídeo.

p.s. vou levar minha camisa do Inter pra ir comemorando ao longo do caminho. Os chineses adoram vermelho e detestam azul.

Ô raça pra gostar de censura


Frank mais uma vez mata a cobra e mostra o pau. Leia mais sobre a iniciativa dos parlamentares trogloditas na Agência Senado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O povo escolheu o porco

Matéria no Diário Catarinense de hoje. Gostei do título. A escolha por júri popular tem um gostinho especial.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lido & Leno: Superinteressante; A vida como ela é

Gosto de revistas, aprendi a ler com a ajuda delas. Mas ultimamente quase não compro, por causa da abordagem rasa e da recorrente impressão de déjà-vu que despertam. Entre as poucas que me atraem pela criatividade de algumas pautas estão a Wired, a Trip, a piauí e a Superinteressante. Ontem comprei a Super que traz reportagem de capa tratando de revisões históricas sobre a Segunda Guerra Mundial. Muito legal a matéria - destruidora de mitos. Pena que é curta demais. Matéria de revista brasileira é que nem ejaculação precoce: quando a coisa começa a ficar boa, acaba. Bem que podiam ser um pouco como a New Yorker, que não se acanha em publicar bons textos longos, às vezes em páginas inteiras sem ilustrações. Mas devo ser um leitor das antigas mesmo. Nada contra os infográficos, bem pelo contrário. Mas eles não têm a função de substituir o texto de qualidade.
~
Lendo A vida como ela é, do grande Nelson Rodrigues.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Nicarágua, 30 anos



O amigo Lúcio Lambranho, repórter da publicação digital Congresso em Foco, recentemente esteve em Honduras cobrindo o golpe de Estado e está agora na vizinha Nicarágua. De lá, tem enviado uma série de reportagens sobres os 30 anos da revolução sandinista. Recebi um tocante e-mail dele e reproduzo uns trechos:

...Os dias aqui tem sido emociantes demais. ...Os hondurenhos, tomara que eu esteja errado, já estão a bordo de uma guerra civil de consequências totalmente imprevisíveis.

Já na Nicarágua, que também está nessa lista dos três mais pobres junto com a vizinha Honduras e o Haiti, as emoções têm sido muito à flor da pele. Já chorei várias vezes nesses dias. De tristeza por não poder fazer algo mais efetivo por eles e com suas histórias de sofrimento e muita coragem. Não é fácil chutar a bunda, como eles fizeram, ao mesmo tempo de um ditador genocida e dos Estados Unidos.

Mas espero que no Brasil, minhas matérias possam conscientizar pelo menos algumas pessoas sobre a dureza em que vivem os mais pobres na América Central. Pelo menos é essa minha missão e estou trabalhando duro pra cumpri-la.

E chorei de alegria também. É como a realização de um sonho estar esses dez dias aqui e nessa data tão marcante. Era algo que buscava desde a faculdade e no dia que ganhei o Veias Abertas da América Latina da minha querida mãe há mais de 20 anos.
Parafraseando Bukowski sobre os escritos de John Fante, finalmente um repórter que não tem medo da emoção.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

S.O.S. Ilhabela


Trailer do documentário S.O.S. Ilhabela, que estreia em agosto em São Paulo. A produção é da Papel Social Comunicação.