sábado, 14 de dezembro de 2002

O adeus do cacique

Foto José Pinto

Foi-se Orlando, o último dos quatro irmãos Villas Bôas, adorado pelos índios do Xingu. "Perdemos nosso pai", diziam o cacique Raoni e os guerreiros Megaron e Bepkum, chorando durante o velório na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Que história de vida admirável! De onde vêm a fibra e a generosidade com que se fazem homens assim?

sexta-feira, 13 de dezembro de 2002

Anarquismo
E por falar em livro, no dia 16 a partir das 20h30, no Café Matisse, Fábio Brüggemann vai lançar Para que serve o Estado? e outras questões sobre Direito e Cidadania. "Trata-se de um diálogo que mantive por e-mail durante dois anos com o promotor público de Itaiópolis, SC, Pedro Roberto Decomain, sobre diversas questões relativas ao direito e, como diz o título, à existência do Estado", conta o amigo autor. "Claro que não chegamos a nenhuma conclusão e por isso o título é interrogativo, mas o fato de duas pessoas de áreas distintas publicarem um diálogo sobre o tema, ao mesmo tempo tão presente e pouco debatido, torna o livro, apesar de eu ser suspeito pra tal comentário, interessante. Mantivemos a coloquialidade de uma conversa eletrônica, o que torna o livro também palatável, sem o discurso empolado dos juristas".

Ilhas
A amiga Helô Dallanhol lançou ontem no Café Matisse Quinze ilhas em um ano. No livro ela conta, de forma ficcional com boas pitadas autobiográficas, um pouco sobre suas aventuras em várias ilhas onde morou ou por onde passou, como a de Santa Catarina, as Canárias e as Baleares. Editora Letras Contemporâneas, R$ 25,00, capa de Fábio Bruggemann com ilustração de Zé Dassilva, ambos presentes na seção ArteAmigos de meu saite.

Nova fase
Miguel completou um mês de nascido ontem. Agora, tecnicamente, não é mais um RN (recém-nascido), e sim um lactante jovem. Ontem ele ganhou de presente uma chupeta. Conversamos com o pediatra sobre os prós e contras e ele nos sugeriu experimentar, já que nosso lactante jovem adora ficar pendurado no peito por horas e horas, chupetando. A recomendação é usar de forma moderada - sempre tirar depois que ele dorme - e tirar em definitivo aos nove ou dez meses de idade, pra não prejudicar a arcada dentária.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2002

O dilema da chupeta
Coloquei uma msg numa lista de amigos, perguntando aos painhos e mãinhas o que achavam do uso da chupeta pelos bebês. Resposta do Frank:
é quinem birita...beber ou não beber? pode crer q eles sentem um prazer danado de bom nisso. mas faz mal se demorar muito a tirar...entorta os dentinhos. Aí vc troca a chupeta com o Coelhinho da Páscoa por um ovo de chocolate tamanho 72. Qdo ele terminar de comer um troço desse tamanho já vai estar indo pro exército.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2002

Joca

Pateta em Nova Yorque,
do brodinho Joca Wolff, vai ser lançado no dia 17 de dezembro (terça-feira), a partir das 19h30, na Loja Sintonia/Café em Si (em frente ao Lagoa Mix), na Lagoa da Conceição. O livro, publicado pela editora Letras Contemporâneas, de Florianópolis, é uma coleção de 40 poemas-piada escritos no Harlem, o bairro negro da cidade, entre 2000 e 2001. Tem um rap-ente mais longo como poema-título, que brinca com o Poeta en Nueva York, famoso poema de García Lorca. Trilha sonora do livro – e do lançamento: música negra nacional, isto é, internacional...

Onírico
Sonho doido high-tech: o berço de Miguel tinha um microcomputador acoplado, com um programa que dava o log das mamadas. Informava a hora, a duração, quantos ml consumidos e se ele tinha arrotado ou não. Hmm, com certeza não substitui o instinto de mãe e pai :-))

sábado, 7 de dezembro de 2002

Auto-pingpong dos sentidos
um toque: pele
dois sons: mar; Tom
três cheiros: neném; café; chuva
quatro gostos: água; fruta; vinho; peixe
cinco imagens: rostos; plantas; horizonte; lua; estrelas

Deu no jornal
Vincent, meu pintor favorito, continua despertando paixão e cobiça. Roubaram dois quadros dele ontem do Museu Van Gogh, em Amsterdã, informa a AE/Ansa. As duas obras são da fase holandesa dele - Igreja Protestante de Neunen, de 1884, e Vista da Praia de Scheveningen com Tempestade, de 1882. Estive nesse museu em 97 e confesso que, apenas como exercício de imaginação, cheguei a pensar em como alguém faria pra surrupiar uma daquelas obras. Mas juro que sou inocente.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2002

Argumento de um conto
Inverno rigoroso, escala de vôo numa capital do Leste Europeu. O avião não pode decolar por causa da neve. A contragosto, os passageiros precisam esperar e são levados a um hotel, pago pela companhia aérea. O homem aproveita para lembrar da família, mulher e filho pequeno que estão em Montevidéu. No dia seguinte, vai ao aeroporto e tenta embarcar, mas a tempestade de neve continua forte. Retorna ao hotel. A noite transcorre parecida com a anterior: banho, jantar e cama. De manhã cedo ele tenta mais uma vez. Novo adiamento. A rotina se repete, como num limbo. Na manhã seguinte ele retorna ao aeroporto e finalmente o informam que seu vôo vai partir. No saguão, fica próximo de um casal de adolescentes de seus 17 anos e escuta a conversa deles. Aparentemente, conheceram-se na viagem e se sentem atraídos um pelo outro. Contam suas vidas. O rapaz diz que é uruguaio e comenta: "Neste mesmo aeroporto, há muitos anos, meu pai morreu de acidente aéreo durante uma tempestade de neve". O homem olha bem para o rosto do rapaz e toma um susto: é seu próprio filho!

O autor do conto (que é bem melhor que meu resumo) é Mário Benedetti, grande poeta e dramaturgo uruguaio. Li há seis anos, durante uma longa viagem de ônibus à Patagônia, e fiquei bastante impressionado.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2002

Reflexão sobre o tempo
- "Às vezes, quando me encontro com velhos amigos, lembro-me de como o tempo passa depressa. E isso faz com que eu me pergunte se utilizamos nosso tempo bem ou não. A utilização adequada do tempo é de extrema importância. Enquanto tivermos esse corpo e especialmente esse assombroso cérebro humano, creio que cada minuto é algo precioso. Nossa existência diária é repleta de esperança, embora não haja nenhuma garantia quanto ao nosso futuro. Não há nenhuma garantia de que amanhã a esta hora estaremos aqui. Mesmo assim, trabalhamos para isso apenas com base na esperança. Portanto, precisamos fazer o melhor uso possível do nosso tempo. Creio que a melhor utilização do tempo é a seguinte: se for possível, servir aos outros, a outros seres sencientes. Se não for possível, pelo menos tentar não prejudicá-los. Creio que esta é toda a base da minha filosofia".
Dalai Lama, em A Arte da Felicidade

terça-feira, 3 de dezembro de 2002

Sonho
Estamos numa caverna, estudando hieroglifos de povos antigos. De repente encontro alguns sinais muito familiares. É meu próprio blog!

Estado especial
Ano fértil esse 2002... Mais duas gravidezes recém-anunciadas por amigos: Nynne e Nikolaj, de Copenhague; e Duda e Sérgio, de Salvador.

Amazônia
Belo texto de Giorgia sobre Adelson, um ribeirinho que ela e o marido conheceram na Amazônia.

Evolução
Anteontem caiu o coto umbilical de Miguel. O que seria do homem sem seu umbigo?