quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Reflexões na sala de embarque

O jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, que coordena a ong Repórter Brasil - parceira do Observatório Social -, ia receber na quinta-feira em Brasília um prêmio da OIT, por sua atuação brilhante no combate ao trabalho escravo. Com a bagunça aérea instalada no país, tomou um chá de cadeira no aeroporto. A solenidade foi adiada, já que ele e outros premiados não conseguiram chegar. Li isso agora no blog dele, que acabo de descobrir. Saka comenta o movimento dos controladores de vôo:

(...) As classes média e alta estão dando piti agora. Bem feito. Experimentam, de leve, o que a massa de trabalhadores pobres sente todo o ano com as greves de ônibus em São Paulo, que deixam milhões a pé. Que faz moradores de bairros afastados caminharem 20 km para chegar no trabalho.

Que tal, independente de classe social, descermos ao nível da realidade e discutir a melhoria na qualidade de vida do trabalhador? Tenho fé que ou esse país dá certo para todo mundo, ou alguns poucos não vão conseguir desfrutar o seu butim.

Apóio os controladores de vôo. Apóio os cobradores e motoristas de ônibus. Apóio os bancários e metalúrgicos. Apóio os garis. Apóio os residentes médicos. Apóio o santo direito de se conscientizarem, reconhecerem-se nos problemas, dizer não à exploração e entrar em greve até que a sociedade pressione e os patrões escutem.

Mesmo que isso torne minha vida um absurdo. (...)

~

UPDATE 8.12: Leio agora sobre o atestado de incompetência gerencial do governo Lula pra cuidar desse setor, que se iguala à inépcia do governo FHC no caso do apagão:
O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que os recursos destinados à manutenção do sistema aéreo brasileiro não foram destinados de forma correta e que o comando da Aeronáutica já sabia dos problemas no espaço aereo.

Saúde pública gratuita de qualidade

Hoje levamos Bruno ao posto de saúde da Fazenda do Rio Tavares pra tomar duas vacinas. Como a da pólio tava em falta, fomos encaminhados ao posto do Campeche. Nos dois o atendimento foi de primeira, por funcionárias muito simpáticas. Dava pra sentir que elas amam o que fazem, mesmo tendo que trabalhar com recursos escassos. O tempo de espera foi mínimo - cinco minutos no primeiro, dez no segundo. E ainda ganhamos uma folha A4 com várias figuras do Zé Gotinha carimbadas pro Miguel colorir. Tive a mesma sensação boa de quando Miguel e depois Bruno nasceram no Hospital Universitário. Gratidão pela eficiência, cortesia, respeito e resultados. Tudo de graça. Bem que podia ser assim no Brasil inteiro.

Indenização por atraso em vôos

Passou a noite em chão de aeroporto? Perdeu um negócio importante? Chegou atrasada ao altar? Seus problemas não acabaram, mas o estrago pode ser ressarcido em parte. O Idec - Instituto de Defesa do Consumidor - colocou à disposição do público um modelo de ação que pode ser usada junto ao Juizado Especial Cível (pequenas causas, até 20 salários mínimos) para pleitear das empresas aéreas indenização pelos prejuízos sofridos com os atrasos dos vôos.

Olé: espanhol com desconto no verão

Não tou ganhando nada com o anúncio, mas faço questão de divulgar a escola do André Gassen e do Rafa. Fica na Agronômica, em Floripa, perto do Centro Integrado de Cultura.

Olé idiomas - Cursos de Espanhol no Verão
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Aulas particulares, semi-particulares ou em grupo
Professores da Espanha, Argentina e Colômbia
Método igual ao utilizado pelas escolas da Comunidade Européia
(Adaptado ao Marco de Referência Europeu)
Informações: (48) 3333-4629 ou no site www.olefloripa.com.br

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Miguelices: tecnologia

Conversa na mesa do jantar.
- Sabia que quando eu era criança não tinha computador nem internet lá em casa?
- Não?
- Tinha não. Nem celular. Nem telefone.
- Roubaram tudo?!

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Lendo: Hemingway e Kaiser

Tou alternando: de manhã leio Do outro lado do rio entre as árvores, uma das obras mais intimistas de Hemingway. De noite e madrugada, ataco o dionisíaco Tempos Heróicos, de Jakzam Kaiser.

O curioso é a diferença radical de ritmos entre os dois romances. No primeiro só aconteceu basicamente isso até a metade do livro: o protagonista, coronel americano cinqüentão com doença terminal, chegou de carro em Veneza - pelo caminho veio apreciando a paisagem e recordando os tempos de guerra -, se instalou no hotel, foi a um bar, tomou martínis secos com a amada italiana de 19 anos, filosofaram sobre o amor e a vida, saíram caminhando de volta ao hotel, olharam jóias numa vitrina, ela lhe deu um brinco de esmeralda de presente, subiram pro quarto dele, se beijaram diante da janela e ela retocou a maquiagem. Agora se preparam pra jantar.

No segundo livro, também já pela metade, o protagonista, jovem estudante de Porto Alegre, já comeu várias gatas, se envolveu em brigas de rua, saiu de casa e foi morar sozinho, fez as pazes com o pai, pegou caronas, entrou de penetra em festas, acampou no litoral catarinense, fumou um monte de baseados, comeu cogumelos, virou a noite em bares, leu Bukowski e Henry Miller, participou do congresso da UNE em Salvador, apanhou da brigada militar em passeatas, pichou muros, foi preso, fez panfletagem em porta de fábrica, se apaixonou, passou no vestibular em duas faculdades, abandonou engenharia e escolheu jornalismo...

Fecho as páginas de um e retorno ao outro. Sopra um vento frio em Veneza. O jantar vai ter como entrada lagosta fria com maionese.

Brunitezas: tchauzinho

Bruno completou oito meses no domingo. Tá um fofo cheiroso e gostoso de apertar. Já senta sozinho no tapete - às vezes cai de lado, mas cada vez menos -, e se arrasta atrás dos brinquedos. Tem um baita apetite, adora frutas e papinha. Hoje de manhã, pela primeira vez, acenou pra mim quando eu saía pro trabalho.

Wikipediando: Alberto Fuguet

Acho que já escrevi dele aqui. Bom, a repetição tem lá seu valor. Descobri Alberto Fuguet meio por acaso numa livraria de Valparaíso. Li dele Sobredosis (contos, 1994), Mala Onda (traduziram "Baixo Astral") e Os Filmes de Minha Vida. A literatura dele é urbana, mordaz e despojada dos artifícios do realismo fantástico. Mala Onda é sobre um adolescente chileno de classe média-alta nos anos 80, em meio aos problemas e prazeres cotidianos da sua faixa de idade e ao clima de asfixia da ditadura Pinochet (que, aliás, está quase batendo as botas esses dias; é impressionante como esses crápulas são longevos). Os Filmes... é um relato meio autobiográfico sobre a vida de um chileno que foi criado na California e depois retornou a Santiago. A história é pontuada pela lembrança de filmes marcantes que ele viu.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Where the hell is Matt?

Esse aí viaja pouco... Idéia de uma simplicidade genial.
[vídeo no Youtube]

Quase verão

37° l'après midi.

Polêmica pra fotógrafos

O colunista de tecnologia do NY Times, David Pogue, fez um teste com cem pessoas e assegura em seu blog: não há diferença perceptível entre a qualidade de uma foto com câmera digital de 5 megapixels e uma de 12 MP até o tamanho de uma reprodução em cartaz pequeno. A pessoa que aperta o botão faz diferença, a lente influencia, mas o número de pixels, a partir de um certo ponto, não altera a maneira como o olho humano percebe a imagem.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Diálogo possível no comércio varejista

Ao interfone na porta de uma loja, às 13h30 de um dia de semana:
Cliente: - Boa tarde.
Lojista: - Só abrimos às duas.
Cliente: - Então tá, eu não vou lhe dar trabalho.

[by Laura]

Miguelices: café-da-manhã

- Pai, quero pão.
- Tem pão italiano.
- E pão Brasil, tem?

Memento sonoro: Vangelis

Na Superinteressante deste mês tem uma materinha sobre o escritor Philip K. Dick, "o mestre cyberpunk", autor do livro que deu origem ao clássico filme de ficção científica Blader Runner (1984) e também ao mais recente Minority Report. A matéria conta que no começo de 2007 vai ser lançado no Brasil mais um filme baseado na obra dele: A Scanner Darkly ("O homem Duplo"), uma ficção animada. Keanu Reeves vive um policial que toma drogas do futuro e passa a ter dupla identidade. É uma história com pitadas autobiográficas, pois o escritor teve umas crises esquizofrênicas em que pensava ser perseguido pela CIA e pela KGB. Pois bem, li toda essa matéria ouvindo, direto da gaveta da mente onde se guardam as lembranças sonoras, a trilha de Blade Runner. Ela foi composta pelo grego - confiro na Wikipedia - Evángelos Odysséas Papathanassíu, mais conhecido como Vangelis.

Documentário: Sem Limites

Eu devia ter escrevido isso antes, mas ainda tá em tempo. Nos sábados 2 (já foi), 9 e 16 de dezembro, a RBS exibe, antes do Jornal do Almoço, o documentário "Sem Limites-Histórias de Verdade", da dupla Tetê Kaiser e Daniel Ferraz. São histórias de cinco pessoas que têm comum a determinação em conquistar seus objetivos e a capacidade de superar limites. Conta o Jakzam:

"O destaque é o roteiro, construído com as falas dos personagens, que vão se encaixando e formando frases, como se estivessem seguindo um roteiro pré-determinado. Mas nada foi combinado previamente, as conversas são espontâneas e esta costura foi feita depois: todo o texto foi construído a partir do material captado. Uma fala liga na outra, que liga na outra, que liga na outra. É bem interessante, deve ter dado um trabalhão!

A força do documentário está nos personagens. Um cego que dá aula de filosofia pro Ensino Médio, ensina violão e dança todo o sábado no Bar do Tião, é sensação no local. Um jovem com problema neurológico cerebral que montou e dirige o museu dos polacos em Campo Alegre (acho, não tenho certeza) e ainda descobriu um meteorito, que leva seu nome. Uma moça paraplégica que é campeã paraolímpica de natação. Um médico tetraplégico. Um margarida que acumula tragédias (mortes de marido, filhos) mas leva a vida com alegria. Os depoimentos são fortíssimos, mas são todos pessoas positivas, e suas histórias são contadas de forma delicada, sem qualquer concessão pro piegas.