segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Anotação de leitura sobre infância

...pensar a criança como um outro, ir ao seu encontro como alguém diferente de nós, adultos, diferente de nossas expectativas, daquilo que projetamos para ela, como alguém que rompe com as nossas certezas, que coloca o presente numa situação crítica, provocando a mudança do nosso olhar e a possibilidade da transformação.
Texto de autoria desconhecida, citando Larossa (1999).

A boa ação do domingo

Salvei a vida de uma rolinha. Ela já estava com a cabeça inteirinha dentro da boca do Branquito, que se preparava pra completar o serviço. Segurei por trás do pescoço dele, forcei sua mandíbula e a peguei com cuidado, ante o olhar frustrado do felino. Mal se recuperou do susto ela voou, deixando umas penas de recordação. Faltou fotografar. Mas outra hora eu faço isso - a primavera tá só começando.

Em um cibercafé

Segunda-feira, fim de férias, agenda cheia. Micro 1 deu pau. Micro 2 tá na assistência técnica pra limpeza e upgrade. Até outra hora...
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18h: Parece que foi superaquecimento do processador. Mais um indício da chegada da primavera.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Cadê o twitter que tava aqui?

Pequena utopia de escritor: criar entrelinhas em textos de uma linha.
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Os microcontos são um bom exercício nesse sentido.
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O twitter com seus 140 caracteres, então... Viciante.
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Twitter fora do ar. Paciência. Sobreviveremos.

Uma tarde qualquer no Pântano do Sul (3)



CC DVeras, agosto 2007.

Uma tarde qualquer no Pântano do Sul (2)



CC DVeras, agosto de 2007.

Uma tarde qualquer no Pântano do Sul


Nativos da vila de pescadores ao sul da Ilha de SC.

CC DVeras, agosto de 2007.

Ave Canen

Frank, desejando pros amigos um ótimo feriado, recorda um clássico:

Ave Canen
Vinícius de Moraes

O cão é o afeto em quatro patas
Amigo na alvorada ou noite escura
Pois ainda que faminto, a fuçar latas
Fiel nos segue em dita ou desventura

É chama e é sombra, paz e alerta
Renúncia consentida, amor doado
Lealdade que não falta na hora incerta
É luz de quem não vê, cego ou extraviado

Arrimo igual, irmão, só na bebida
Naquele "twelve years" especialmente
É tudo que ora digo, face erguida

Qual sóbrio porta-voz da boêmia gente
E lanço, copo à mão, novo ditado:
"O uísque é o cão engarrafado"

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Você precisava ver como ela tremia

Bom demais acordar dando risada. Quem me ajudou nisso hoje foi o blog de Rafael Galvão e sua enciclopédica série As alegrias que o Google me dá. Ele comenta as frases que aparecem nas estatísticas de busca (cheguei via Inagaki, que escreve aqui sobre os caça pára-quedistas do Google). Uma pequena amostra:

simpatias para homem ser só seu
Arranje um homem feio, burro e pobre. Você deve ser do tipo que prefere comer um prato de bofe sozinha a dividir uma porção de caviar.

por que o brasileiro não reconhece suas qualidades
Porque passa tanto tempo sem ver as coitadas, sem ligar para elas, sem nem saber que existem, que quando as encontra por acaso na rua não sabe mais quem são.

sorte de hoje com o amor
A sua, minha filha? Nenhuma. Nenhuma, mesmo. Jogue no bicho que você ganha mais.

manual do suicídio
Juro que se tivesse um eu te dava. Te mandava por Sedex, até entregava pessoalmente. Porque se até para se matar você precisa de um manual, a coisa está realmente feia e você não tem mais jeito.

frases no preterito mais que perfeito
O pretérito mais que perfeito é um absurdo da língua portuguesa que deveria ser imediatamente extinto. Porque não existe um passado perfeito, muito menos um "mais que perfeito": todos eles são imperfeitos, em todos mudaríamos alguma coisa, de todos nos arrependemos.

eu quero ver fotos de goiania
Por quê? Tanta coisa bonita por aí -- Paris, Roma, Praga, Salvador ou Rio -- e você quer ver fotos de Goiânia. Já sei: você é michê, né?

putaria com velho
A única putaria que se pode fazer com velho é tirar a roupa na frente dele e cantar: "A pipa do vovô não sobe mais..."

pensamentos pequenos
É.

você precisava ver como ela tremia
Pois é. É nisso que dá comer velhinhas com Mal de Parkinson.

omenagem amae
O melhor presente que você pode dar a sua mãe neste Dia das Mães é tão simples, meu filho: um diploma do Mobral. Ela vai chorar de emoção, você vai ver.

basicamente o que é o racismo brasileiro
Basicamente é o seguinte: branco sacaneando preto. E se você não percebe nem isso, você está basicamente com um sério problema.

como o capitalismo influencia na minha vida?
Para que eu explique isso, é preciso que antes você faça um depósito na minha conta.

posição sexual melhor para mulher gorda
No escuro.

mulheres reclamam penis pequeno
É uma medida extremamente válida de proteção feminina contra a canalhice masculina. É usada como último recurso. Se você a tratar bem, ela vai relevar essas miudezas. Mas não apronte com ela. Porque você dificilmente sobreviverá à crueldade de uma mulher magoada.

qual o tamanho do pinto de um japones
É maior que o seu. Ou seja: nem isso você vai ter como consolo. Conforme-se.

bater punheta cresce o penis?
Diz aí: se aumentasse você hoje seria um sujeito feliz e enooooorme, não é?

como é uma vagina fotos
Quando eu parar de rir, te explico.

A diversão de Rafael também rende contos hilários, como Branca de Neve, baseado nas palavras-chave historia branca de neve contada pelo anao.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Implicações da internet nos jornais

Alexandre Gonçalves já contou no blog dele, mas faço questão de dar o bis. Está disponível na internet a dissertação de mestrado "Implicações da internet nos jornais e a presença da RBS na web", defendida em maio na Pós-Graduação em Geografia na UFSC pelo amigo jornalista Rogério Mosimann. Estive na defesa do Magrão e fiquei impressionado com a qualidade da pesquisa, que envolveu rigoroso trabalho de apuração com abordagem interdisciplinar. O foco é na atuação da RBS em Florianópolis, através do jornal Diário Catarinense e do saite ClicRBS.

Um dos grandes méritos do trabalho é que vai além da observação acadêmica - tem também a vivência de quem ralou nesse mercado como repórter de jornais impressos e empreendedor da web. Rogério atualmente é professor de internet e mídia digital na Faculdade Estácio de Sá, de São José, mas começou a mexer no tema em circunstâncias bem mais arriscadas e incertas. Nos jurássicos anos 90, criou a revista Latinidad, pioneira na cobertura jornalística da América Latina para a web em português.

Em 1998 tivemos o prazer de trabalhar juntos no desenvolvimento do Trix, um dos primeiros portais de informação na internet brasileira, vinculado ao provedor Matrix. Fizemos dobradinha na cobertura jornalística online da II Cúpula das Américas, em Santiago do Chile (indispensável a menção ao Nando, meu bloguru, que ficou na base editando o material). Pudemos testar a divulgação de notícias "em tempo real" e com baixíssimo orçamento (não recomendo a ninguém pegar o metrô de Santiago na hora do rush abraçado a um notebook). Em 2000, auge da "bolha da internet", trabalhei com ambos em projetos no Rio de Janeiro - experiência frustrante, mas cheia de ensinamentos.

Esta dissertação me oferece uma oportunidade pessoal ímpar. Posso observar a abordagem científica de um processo que acompanhei como "peão" no dia-a-dia da imprensa catarinense das últimas duas décadas (xi, tou ficando véio), primeiro como revisor e repórter do jornal O Estado, depois como repórter de A Notícia, Jornal de Santa Catarina e Diário Catarinense. Neste último, recordo de ter sido o primeiro repórter da redação a dispor de um e-mail, em 1993, depois de muito insistir pra que o jornal fizesse um convênio experimental com a UFSC. O próprio Rogério chegou a oferecer um projeto à RBS para criação de um portal na web, mas na época a idéia não avançou.

O trabalho de Rogério pode dar bons insights pra novos e interessantes estudos sobre a transformação das empresas de mídia impressa diante das novas tecnologias de comunicação.

Twitterias

Mudei o título da seção com atualizações do Twitter de Curtas pra Rapidinhas. Este blog tava precisando de mais inferências libidinosas.
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Inagaki, um dos textos mais brilhantes da internet [Pensar Enlouquece], resolveu "follow" dauroveras. Mui honrado. Tou te seguindo também.
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Lido ontem no Twitter:

- Peidei.
[minutos depois:]
- Agora a grande revelação. Eu não peidei, era apenas marketing viral.

Computadores fazem arte: felino em fotoxópi

- Ah, pára, foto de novo! Vai dormir, vai!



segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Por onde andará Will Robinson?

Aos que, como eu, curtiram as aventuras da família Robinson em Perdidos no Espaço, dois vídeos pra recordar no youtube: um apresenta os temas de abertura (3'24") das temporadas da série americana. Muito boa a trilha. O outro conta onde estavam os atores em 2006 (4'08"). Dois deles já morreram: Guy Williams - nos anos 50 havia interpretado o Zorro - fazia o professor John Robinson, que comandava a expedição para Alfa Centauri; Jonathan Harris era o doutor Smith, a princípio um personagem coadjuvante, o vilão que colocou a nave fora de rota, mas roubou a cena interpretando em tom de comédia um tripulante covarde e preguiçoso. A série foi criada por Irwin Allen, que também fez outras atrações da minha infância, Túnel do Tempo e Terra de Gigantes. Lost in Space foi ao ar nos Estados Unidos de 1965 a 1968, na CBS. Fez grande sucesso, mas foi encerrada por contenção de despesas. Ah, Billy Mumy, o sardento simpático que fazia o menino Will, tem atualmente uma banda de rock. O robô diria: "Perigo, Will Robinson, perigo!"

sábado, 1 de setembro de 2007

De Philips, Piauí e porta de geladeira de bar

Nosso correspondente para assuntos aleatórios no planalto central, Diógenes Botelho, de olho nos detalhes:

Tomei uma num bar aqui em Brasília chamado Embaixada do Piauí. Na estufa tem lingüiça frita, no balcão um pernil para fatiar e na prateleira algumas conservas de ovos verdes. Em cima da geladeira uma TV com uma fita isolante cobrindo o nome do fabricante.
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Se você buscar no Google as palavras Philips +Piauí, vai encontrar 195 mil resultados.

Diários do Paquistão

Sakamoto (à esquerda) no PaquistãoEm 2004 tive a satisfação de conhecer o jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto quando ele colaborou com uma publicação que editei sobre trabalho escravo. Ele coordena a ong Repórter Brasil, dedicada ao jornalismo social. Sua atuação como profissional e ativista em defesa das pessoas injustiçadas já lhe rendeu o reconhecimento da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Como se não bastassem a consistência, o rigor técnico e a coragem de se arriscar pelo que acredita, o cara também escreve bem demais.

Uma boa oportunidade para conhecer seu trabalho é a reportagem especial Diários do Paquistão. Acompanhado de Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra (outra personalidade fascinante, um herói dos despossuídos da Amazônia), Leo Saka passou nove dias no país asiático. Eles foram conhecer projetos de combate ao trabalho forçado por lá - estimativas apontam que há 1 milhão de paquistaneses escravizados. As impressões dos dois sobre o tema - e também sobre o povo, a cultura, a política e a religião - são uma leitura que recomendo com ênfase.

p.s. 1) Leonardo Sakamoto mantém um blog sobre trabalho decente, meio ambiente e questão agrária, onde também reproduziu o relato.

p.s. 2) Sobre o papel da imprensa no combate ao trabalho escravo no Brasil - me alegro de ter contribuído com a causa -, leia aqui.

p.s. 3) Levei três horas pra escrever estas linhas, com pausas pra trocar fralda, botar a janta dos meninos, encaminhar banho, escovação de dentes e ida pra cama.

p.s. 4) Miguel acaba de me dizer: - Pai... Te amo.