terça-feira, 8 de julho de 2008

Mais frases da vez: brincadeira

"Brincar não é perder tempo, é ganhá-lo".
Carlos Drummond de Andrade

"O prazer estético se baseia no livre jogo das nossas funções mentais, em face do objeto belo e na harmonia lúdica das nossas capacidades de imaginação e entendimento".
Kant
(citados neste artigo de Ilona Hertel)

Frase da vez: caminhar e viver

De uma palestra do médico Dráuzio Varella em Joinville, no blog da Aline:

"Se o seu estilo de vida não permite tirar 30 min pra andar, você está vivendo errado".

O Grande Irmão e a internet brasileira

Este texto do Marcos Donizetti (Hedonismos), explica como um projeto de lei do senador Eduardo Azeredo representa ameaça de censura à internet no Brasil e o que podemos fazer pra pressionar os senadores a barrar a proposta. Também dá link pra vários textos sobre o assunto em outros blogs.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A cor da voz

O Diário Catarinense de hoje traz entrevista da repórter Alícia Alão com meu irmão Leonardo Camillo sobre dublagem. Neste fim de semana ele fez uma oficina pra 15 crianças e pré-adolescentes durante a 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Se você já viu filmes dublados com Nicolas Cage, John Travolta, Kevin Costner, Pierce Brosnan (007), o Jesus de Zefirelli, o Ikki de Fênix da série de animação Cavaleiros do Zodíaco e o dinossauro Barney, entre tantos outros, com certeza já ouviu a voz dele. Trecho:

DC - E o mercado, como está?

Camillo
- É um mercado restrito em termos de elenco. Porque formar um elenco de dublagem não é da noite pro dia. É diferente de qualquer outro meio de interpretação, do teatro, da TV, do cinema. É uma coisa muito específica e não trabalha só com interpretação, mas também com uma parte técnica que muita gente não consegue se adaptar. Muitos entram na dublagem e não têm paciência pra crescer na área, porque no começo não compensa financeiramente. Você acaba se afastando. Fica quem realmente gosta. Transformar um dublador para fazer grandes papéis, papéis centrais, demora no mínimo uns cinco anos. O elenco acaba sendo umas 300 pessoas, mais ou menos, e só em RJ e SP. Mas trabalho tem bastante!

DC - O dublador não tem tanto reconhecimento do público quanto um ator de TV ou teatro. O que você acha disso?

Camillo
- Nunca fui um carreirista, que faz para aparecer. Meu objetivo sempre foi interpretar. Eu me sinto com sucesso. Acontece que a dublagem sempre foi muito presa ao estúdio, anônima mesmo. Eu costumo dizer que dublagem tem um divisor de águas, há uns 12 anos, antes e depois de Cavaleiros do Zodíaco. Depois do Cavaleiros, começou um movimento nacional de fãs de anime. Tem eventos de anime em todas as regiões do país, todos os anos. E eles veneram o trabalho dos dubladores. Sabem tudo o que a gente faz, respeitam, reconhecem, querem saber, pedem autógrafos. Semana que vem estarei em Fortaleza, na outra em Recife, sempre nesses eventos, dando palestras, fazendo oficinas. Depois de Cavaleiros do Zodíaco, a coisa saiu do estúdio, os fãs sabem muito mais que eu das coisas que eu faço. Então saiu do anonimato.
p.s.: Alícia é uma repórter de texto sensível e afiado, com grande senso de observação pros detalhes, como o que ela captou pra abrir a matéria e virou título. Uma das melhores coberturas da Mostra tem sido a dela. Feliz do editor que pode contar contar com alguém assim na equipe.

Os bastidores de Glosa Glosarum

O leitor Elí de Araújo, do Rio Grande do Norte, me escreve sobre um livro engraçadíssimo e admirável do poeta Celso da Siveira, que li há muitos anos: Glosa Glosarum. Caso o editor a quem ele se refere - sem citar o nome - queira apresentar sua versão da história abaixo narrada, o espaço também está aberto. Pelo bem do público que ainda não conhece o escritor potiguar, espero que o impasse editorial se resolva e seja possível lançar novas edições dessa jóia rara.

Dia 06 passado você postou no blog substantivo plural, perguntando pelo Glosa Glosarum de Celso da Silveira. Celso, meu pai, faleceu em janeiro de 2005, deixando encaminhada a edição do Glosa. O editor, entretanto, publicou o livro sem o aval dos herdeiros, estando até hoje sem prestar contas, apesar de ter sido instado amistosamente, por diversas vezes, a fazê-lo. Lamentável porém verdadeiro. O mesmo editor, depois da morte de Celso colocou uma capa de extremo mau gosto no livro, que certamente meu pai recusaria. Além disso, editou mais recentemente, coletânea de poetisas do estado, onde incluiu minha mãe - Myriam Coeli - mais uma vez sem pedir autorização e sem prestar contas. Trata-se, como pode ver, meu caro Dauro, de um facínora das letras. Atenciosamente, Elí de A.

Caio Cambalhota de volta à blogolândia

Caio Coletivo Operante Cezar está de volta ao universo blogueiro com seu Cambalhota, espaço de rodopios, arremessos e cruzcredinhagens. Ah, e também de chamirrinealidades múltiplas.

Tuitadas marqueteiras

Tem uma agroindústria avícola me seguindo no tuíter. Só porque comi não quer dizer que a gente tenha que casar...

Casamento, batizado e histórias japonesas

Fim de semana movimentado e emocionante. No sábado a cunhada e comadre Sônia casou com meu compadre Antônio Gerassi Neto, depois de uns 15 anos de união que já geraram uma filha e um filho. A cerimônia foi na capelinha do Campeche, com um pequeno grupo de familiares e amigos. Domingo Laura e eu fomos padrinhos de batizado do Eduardo, filho de 11 anos do irmão dela, Carlos, e da Cristina. No meio de preparativos, idas a aeroporto e rodoviária e comemorações, ainda trabalhei na 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Que teve no sábado um dia inteiro de homenagens ao centenário da imigração japonesa no Brasil. Também no fim de semana o mano Leonardo Camillo ministrou uma oficina de dublagem pra crianças de oito a doze anos. O resultado das atividades da criançada foi exibido ao público ontem à tarde, ficou muito legal.

Um ponto alto foi a presença das tias Maria e Cecília Tuyama, que vieram de ônibus de Santo André/SP depois de muita insistência minha. Elas são irmãs do querido Augusto, pai da Laura e meu segundo pai, que nos deixou em fevereiro. Conversar com elas era quase como revê-lo. São muito parecidas com ele, não só na fisionomia como no jeito de encarar a vida, com humor e tranquilidade. Tia Maria, a mais velhinha, sempre serena, contou várias histórias da infância dela em Nagasaki - ela veio do Japão com cinco anos de idade, num navio que o pai dela, Shungiro, ajudou a construir. Falou sobre a mãe, Ito, que teve uma premonição sobre a bomba atômica e insistiu pra emigrar. Lembrou da dificuldade dos primeiros tempos, da dureza que foi se alfabetizar em outra língua, de Augusto pequeninho que não queria dormir sozinho.

Tia Cecília, sorridente e doce, estava sempre se oferecendo pra fazer massagem em todos da família: "Deixa eu fazer um carinho em você". Sua intuição lhe dizia o que o corpo da pessoa precisava, onde estavam as dores, as articulações travadas. Minha tensão nos ombros se evaporou. Tia Cecília é herdeira dos dons especiais da mãe - consegue antever situações que ainda não ocorreram. Quando isso acontece e a previsão é trágica, reza muito e às vezes a tragédia é evitada. Ela nos contou isso com naturalidade e lembrou que todas as pessoas têm esse poder, só que algumas aprendem a desenvolvê-lo e outras não. Foi um fim de semana muito especial mesmo, cheio de risadas, amor e amizade.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A China pelo olhar de Sônia Bridi

Minha ex-colega de curso na UFSC, Sônia Bridi, hoje correspondente da TV Globo em Paris, está lançando pela editora Letras Brasileiras o livro Laowai (Estrangeiro). Numa mistura de reportagem e diário de viagem, Sônia conta das experiências que ela mais o marido, o cinegrafista Paulo Zero, e um filho de três anos viveram em 2005 e 2006 na China, onde montaram a primeira base da emissora na Ásia.

Diz o texto do convite da Letras Brasileiras: "Uma história divertida, intensa e delicada, que provoca risos e lágrimas, sem apelações ou pieguices. ... Um retrato pitoresco, emocionado e extremamente requintado da sociedade chinesa,...com olhar perspicaz de repórter e viajante experiente e uma perspectiva feminina que dá ao relato um sabor especialíssimo".

Um livro de reportagem e histórias sobre a China, por si só, já me deixaria curioso (em 93 estive em Taiwan e Hong-Kong, o que me deixou com água na boca pra conhecer melhor essa cultura fantástica). Escrito pela Sônia, então - uma das repórteres de tevê mais brilhantes que conheço -, não dá pra deixar de ler. O lançamento com presença da autora vai ser no dia 10 de julho às 19h na Livraria Cultura de São Paulo (Conjunto Nacional); 15 de julho às 19h na Livraria da Travessa em Ipanema, Rio de Janeiro; e 17 de julho às 19h na Livraria Saraiva, em Floripa. Pena que estarei viajando, mas vou reservar meu exemplar.

O som pop de Floripa nos anos 90



Finalmente está na web, pelas mãos do Ulysses (Esquerda Festiva), o vídeo Sete Mares e uma Ilha, produzido em 1999 pela doutora em Psicologia Social Kátia Maheirie e pelo jornalista André Gassen. O documentário apresenta sete bandas que embalaram o cenário musical pop de Floripa nos anos 90: Dazaranha, Tijuquera, Stonkas y Congas, Phunky Buddha, Iriê, Primavera nos Dentes e Rococó ( que se tornaria John Bala Jones). São músicas bem evocativas. Quem curtiu a noite ilhoa nessa época certamente já ouviu alguma ou várias dessas bandas. Boa parte desses músicos continua na ativa.

p.s.: Dedico este post ao Philo Ranks, meu amigo de Trinidad e Tobago com quem dividi casa por um tempo e que foi vocalista dos Stonkas.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Mostra itinerante em Palhoça

Nesta quarta-feira às 14h30, 220 crianças se acomodaram nas cadeiras do Clube 7 de Setembro, em Palhoça, pra mais uma sessão itinerante da 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Muitas delas, vindas de bairros carentes, tiveram que caminhar meia hora pra chegar ao local da exibição. O esforço compensou. Quando as luzes se apagaram, a tela iluminada se refletiu em olhos brilhantes de encantamento. Em um município onde as opções culturais pro público infanto-juvenil são quase inexistentes, 1.200 crianças foram beneficiadas nos últimos dias. Estive lá com os colegas Cleide e Vinicius pra fazer uma matéria e o making-of da Mostra. Adorei ver aquilo de perto. As coisas mais bonitas da vida são assim, de uma simplicidade quente como a luz projetando histórias e o cheiro de pipoca.

Foto: Cleide de Oliveira

Pintura que liberta

Uma tela gigante com o tema Eu no mundo está sendo produzida no Centro Integrado de Cultura (CIC) por 15 crianças do Projeto Esperança, vindas da comunidade Chico Mendes, na parte continental da capital. Elas participam da oficina Palavra Pintada, que integra a 7ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Ministrada pela artista Sofia Camargo e pelo percussionista e massagista Marcelo Melão, a oficina motiva as crianças a expressar o que pensam de si mesmas e do mundo, por meio da dança, do canto e do conhecimento do próprio corpo. O resultado do trabalho vai ser apresentado ao público na abertura do show do Grupo Palavra Cantada, que encerra a Mostra no dia 13 de julho. Ontem acompanhei um pouco da oficina e depois entrevistei a Sofia. Fiquei emocionado com o alcance desse trabalho. Quem dera houvesse mais Sofias e Marcelos por esse Brasilzão pra levantar a auto-estima da meninada desamparada.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Cinema infantil de qualidade - dez mandamentos

Os dez mandamentos para uma programação audiovisual de qualidade voltada ao público infantil, segundo segundo pais e mães - a fonte é a MídiaQ, do Midiativa - Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes:

1. Confirmar valores (transmitir conceitos como família, respeito ao próximo, solidariedade);
2. Incentivar a auto-estima (não reforçar preconceitos nem estereótipos);
3. Preparar para a vida (propor temas importantes para a futura vida profissional e social);
4. Gerar curiosidade (despertar o gosto pelo saber);
5. Não ser apelativo (não banalizar a sexualidade e a violência; não induzir ao consumismo);
6. Ser atraente (ter música, competições, ação, humor; falar a linguagem do público infanto-juvenil);
7. Despertar o senso crítico (fazer a criança e o jovem refletirem, mostrar a diversidade);
8. Mostrar a realidade (apresentar limites e conseqüências, sem agressividade);
9. Gerar identificação (mostrar dúvidas e situações próprias da infância e da adolescência);
10. Ter fantasia (estimular a brincadeira, a fantasia e fazer sonhar).

terça-feira, 1 de julho de 2008

Balanço semestral de leitura e blogagem

Começou o segundo semestre. Antes de tudo, parabéns ao Ulysses, do Esquerda Festiva, que faz aniversário hoje, e à Nega Balbys, que fez ontem. Tenham um grande dia! Meia volta do planeta em torno do sol. Tempo inventado, metade do ano. Sensação de que 2008 tá "passando rápido e não fiz quase nada", misturada com a de que vivi, nesses seis meses, experiências que valem por uma vida inteira. Ambas as impressões são verdadeiras, é a tal história do copo metade cheio e metade vazio, ou da zebra branca de listras pretas que também é preta de listras brancas. Tempo de recalibragem de rota. No meio do caminho, a busca do caminho do meio. Efeméride efêmera, que ao menos rende frases zen e assunto pra blogar.

Começo o balanço pelo índice de investimento em literatura. Nos seis primeiros meses de 2008 li 13 livros (lista na coluna da direita), o que dá uma média de 2,2 livros por mês. Posso dizer a meu favor que foram todos livros bons, alguns excelentes. Mas 2,2 é pouco. Tive que aplicar tempo considerável lendo profissionalmente vários calhamaços técnicos e pedagógicos. Outros cinco livros estão em andamento simultâneo e em releitura, alguns quase no fim. Se fossem considerados, elevariam a marca do semestre pra 18 e a média mensal pra 3. Por isso sou pé atrás com estatísticas, tudo depende do critério adotado. Bem, vou tentar ler 50 até o fim do ano, o que vai exigir muito sacrifício em indolentes tardes na rede do quintal.

Vamos ao índice de assiduidade no blog. Foram 320 posts de janeiro a junho, uma média de 53,3 por mês e 1,8 por dia, entre textos, fotos e charges. Março foi o mês de mais blogagem, com 69 posts, e fevereiro o mais rarefeito, com 33 - quem acompanha o blog sabe por quê. Se confirmada a projeção, vou fechar 2008 com 640 posts, superando o recorde de 639 obtido no ano passado. Aí talvez me dê um prêmio - e um descanso aos leitores - de um mês inteiro sem publicar aqui... Mas deixemos isso pro verão. De janeiro a junho foram 418 comentários, média de 70/mês, 2,3/dia. Alguns comentários foram meus mesmo, respondendo aos outros e involuntariamente inflando esta estatística. E chega de balanços por ora. Vamos ao segundo semestre.