sexta-feira, 29 de junho de 2007

Cinco coisas que adoro nos meus meninos

  1. O carinho. Os dois são muito afetuosos com pai e mãe e entre eles. Expressam isso com freqüência, com abraços, beijos e palavras ("Te amo" tá sempre em alta). Às vezes tem umas rabujices, implicâncias, brincadeiras rudes seguidas de chororôs. Mas no fim a harmonia impera. A cena-síntese da união de irmãos é quando os dois estão dormindo na nossa cama - espaço que adotaram como deles e toleramos a contragosto - e ficam aninhados com as cabeças encostadas uma na outra.
  2. As perguntas. Fico deliciado com a curiosidade do Miguel quando quer saber como se escreve "começar", o que é "tropical", se bicho-preguiça arranha com as garras ou se "totem" é uma palavra do inglês - essa última, tive que procurar no Houaiss: "etimologia: ing. totem (c1776) 'id.', do ojibua oto'te'man 'seu totem'; f.hist. 1899 tótem". Será que eu perguntava tanta coisa assim na idade dele? Aprendo ensinando, ensino aprendendo.
  3. O crescimento. Coisa linda de ver o Bruno ganhando a cada dia mais confiança no andar, incorporando novas palavras no vocabulário, fortalecendo a autonomia nas brincadeiras, nas preferências de paladar. E os avanços do Miguel na alfabetização, que formalmente ainda nem começou. Letras, rimas, sonoridades de sílabas, leitura de placas. E já escreve o próprio nome.
  4. O bom humor. Ninguém tem obrigação de ser bem humorado o tempo inteiro, muito menos quando se tem quatro anos e meio e um ano e três meses. Mas de maneira geral, os meninos adoram abrir o sorriso e fazer os outros rirem. Valem piadas, trocadilhos, sons engraçados com a boca, puns, esconde-enconde ("Achou!"), cócegas, cambalhotas, imitações...
  5. O espírito viajante. Estão puxando aos pais. Miguel adora viajar, seja ao centro da cidade ou ao Ceará. Bruno ainda não foi muito longe, mas se deixar a porta aberta ele escapa pra explorar o jardim ou o quintal. E quando vê alguém saindo sem levá-lo, abre o berreiro. Também curtem muito a natureza - árvores, praia, dunas... São ambos mochileiros em potencial.

Minhas festas juninas de outrora

Hoje é dia de São Pedro. Uma das datas festivas mais importantes do Nordeste, só perde pra São João e pro carnaval. Tenho recordações bonitas das festas juninas de minha adolescência em Natal. O São João da Rua Bacopari, em Ponta Negra, fez história na primeira metade dos anos 80 - chegou a ser considerado o melhor da cidade.

Os preparativos já eram uma festa em si. Durante um mês inteiro envolviam toda a comunidade da rua e arredores. As pessoas colocavam cadeiras nas calçadas e botavam o papo em dia com os vizinhos. Os ensaios de quadrilha eram momentos deliciosos pra conhecer gente nova, paquerar as gatinhas - praticamente ninguém comia ninguém, o clima era de alegria e excitação ingênua.

Tinha decoração com bandeirinhas e palhas de coqueiro, iluminação, montagem da fogueira, busca dos músicos. O sanfoneiro era contratado pra tocar forró enquanto tivesse gente dançando ou até o sol raiar, o que viesse primeiro. Preparava-se o aluá, uma bebida de origem indígena feita com milho fermentado por quinze dias, mais especiarias... Quentão, adivinhações e simpatias, bolos de milho, pé-de-moleque...

Com o tempo a festa da Bacopari definhou e terminou morrendo, em parte pela mudança ou morte de alguns moradores que eram dínamos da mobilização. Ou talvez pelo natural ciclo de vida das organizações humanas. Mas as festas juninas continuam vivas e muito bem de saúde nas cidades nordestinas. Vim pro Sul, em que isso não tem a mesma força cultural, mas há coisas que não tem lá, como a bernunça e o jaraguá. Nunca mais pintei bigode, botei cadeira na calçada nem dancei quadrilha.

Partidas: NoMínimo

Cinco anos, 150 mil assinantes, 3 milhões de acessos. Com esses números e uma lista de colaboradores de alto naipe, a revista digital NoMínimo resistiu até hoje. Um editorial anuncia oficialmente o fim do projeto, pede desculpas pela falta de espírito empreendedor e agradece os leitores.

(...) Seus realizadores também sentem muito o triste fim desse espaço livre, democrático e criativo de trabalho, mas se despedem com a sensação de dever cumprido com o jornalismo e a camaradagem que nos une. Foi bom, foi muito bom enquanto durou. Quantos no país têm a oportunidade de tocar seus próprios projetos com prazer, independência e alegria? (...)
Vai fazer falta. Mas o prazer, independência e alegria vão germinar em outras paragens, espero.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Caminhos das Américas: acidente de percurso

Acabo de ler no blog do Serginho Severino que ele capotou o Land Rover na Guatemala, num acidente envolvendo um caminhão. Mas ele está bem. O post foi escrito dia 18. Pelo que li nos comentários, Serginho tá procurando peças de reposição. Então a viagem ao Alasca continua.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Uma campanha para os pouco avantajados

Da BBC Brasil/UOL: na Austrália, uma campanha publicitária está associando alta velocidade a pênis pequeno. A idéia surgiu da constatação de que a estratégia de mostrar desastres e feridos não estava surtindo muito efeito entre os motoristas jovens - acostumados à violência na mídia e em jogos de computador. Faz parte da campanha um anúncio na internet oferecendo camisinhas "extra extra pequenas" aos que se excedem na velocidade. A idéia é tornar o ato de pisar fundo no acelerador um comportamento socialmente inaceitável. Olha só a expressão de desdém da mulher da foto :)

Miguelices: hora da bagunça

- O pessoal da minha turma é engraçado. Eles fazem bagunça quando não é hora de bagunçar. Mas quando é hora, não bagunçam.
- Por quê?
- Vergonha.

Murmúrios e mugidos no Planalto Central

De Diógenes Botelho, nosso correspondente para assuntos aleatórios em Brasília - e que não sossega nem com o pé quebrado:

O que se ouve nos corredores do Planalto Central:
Do jeito que a coisa anda no Congresso Nacional, o único jeito de combater a corrupção é aplicar vacina contra febre aftosa em todo parlamentar.
Como deixou seu cargo quase que vitalício de governador do DF, o senador Roriz resolveu arrumar uma novilha para não ficar longe das tetas.
Com medo dos grampos da polícia, agora os políticos só conversam ao telefone em diálogos "chifrados".

Brasil Plural: cinema brasileiro na Europa

Adri, ontem à noite eu tava ocupado e não pude teclar com você. Aí quando me liberei você já tava offline. O Alexandre se adiantou. Então lá vai, reproduzo o post dele:

Minha amiga Adriane Canan avisa:

Atenção curta-metragistas: já estão abertas as inscrições para o Brasil Plural 10, mostra itinerante de cinema brasileiro na Europa, que acontece no segundo semestre de 2007. O regulamento e a ficha de inscrição estão no site www.brasilplural.org. Quem quiser saber mais sobre o que aconteceu na última edição pode encontrar as informações no blog http://blog.brasilplural.org.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Claudinha no ano da loucura



Nesta terça 26, às 19h, a editora Letras Brasileiras lança na Livraria da Travessa Ipanema, no Rio, o livro Claudinha no ano da loucura, do grego Alexandros Evremidis. Quarta 27, também às 19h, é a vez de São Paulo, na Saraiva Megastore do Xopin Center Norte. Quinta 28 é na Mercearia São Pedro, na Vila Madalena. Em todos os lugares, quem comprar o livro tem direito a quebrar um prato.

É a história de uma Lolita da zona norte do Rio - sem a complicação de Nabokov -, que acaba na cama de um homem maduro e errante. "Juntos fazem a experiência do já experimentado", comenta Carlos Heitor Cony. "E talvez seja essa a melhor definição para o romance: 'gênero literário, gênero de vida'".

Aguinaldo Silva diz sobre o livro: "Evremidis preferiu um tipo de linguagem que assusta até mesmo os autores que não enfrentam maiores problemas com as palavras: o coloquial. Para uma história tão íntima, ele escolheu o tom exato, uma linguagem 'íntima'. Essa escolha (sem dúvida uma escolha, e não obra do acaso) já serve para testemunhar o talento do escritor".

E mais não digo, porque ainda não li. Mas já comecei a gostar.

Por que dar cantadas em loiras não dá certo?

A lista é longa, escolhi só esta:

PAQUERADOR: - Eu quero o seu amor, gata!
LOIRA: - Espera só um pouquinho... Amô-or! Tem um moço aqui querendo você!

As pistas falsas do oráculo Google

O Google é uma ferramenta bastante útil, mas traz muitos resultados equivocados se usado de maneira genérica. Veja, por exemplo, três buscas curiosas que trouxeram visitantes a este blog nos últimos 30 dias:

  • coletivo de cachorro e lobos
  • desenho de um casal de ciganos
  • exemplos de mapas de piratas

sábado, 23 de junho de 2007

Partidas: Olívio Lamas, repórter fotográfico

Encontrei Hermínio no CIC e ele me deu a notícia triste: o Lamas morreu hoje de manhã em sua casa em Garopaba. Pessoa extraordinária e um dos melhores repórteres fotográficos que já conheci. Há meses lutava contra o câncer. Este texto do colega Celso Martins, publicado na revista Mural, de março de 2007, dá a dimensão da estatura do homem.

Convivi pouco com ele, sou de uma geração mais nova - ou menos velha. Mas há tempos já o conhecia de nome e fama. Repórter fotográfico de olhar sensível e atento, sempre pronto a aproveitar as oportunidades para registrar os dramas humanos, as injustiças, os ângulos inusitados dos fatos relevantes e cotidianos. Não por acaso juntou um monte de prêmios na trajetória profissional.

Uma vez, numa festa beneficente, comprei uma foto do Lamas. Um barquinho ancorado na água tranqüila da Lagoa de Ibiraquera - onde ele morava - sob uma luz maravilhosa. Minha intenção era emoldurar e botar na parede da sala, mas as constantes mudanças de casa adiaram o plano. A foto está guardada em alguma caixa, esperando o dia em que eu remexa os papéis e a reencontre. Sempre que eu avistar um barquinho com aquela luz, vou lembrar dele.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Se você ler esse livro numa noite de inverno

A nova estação me lembrou deste "hiper-romance" de Ítalo Calvino: Se um viajante numa noite de inverno. O leitor é o protagonista de uma história múltipla, que reflete sobre o sentido de todas as narrativas. Acho o título também especial, cheio de possibilidades sugeridas.

California Dreams for Brazilians

Megui, nossa correspondente para assuntos aleatórios na Califórnia, dá dicas pra brasileiros que querem viver e trabalhar em Los Angeles.

quinta-feira, 21 de junho de 2007