quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Mestre Arildo e um discurso sobre a abolição

Diógenes Botelho, colega jornalista que trabalha no Congresso, dá mais uma palhinha sobre o cotidiano na "casa do povo":

Arildo Dória, o jovem sábio de 73 anos que trabalha ao meu lado, acabou de receber a encomenda de um discurso sobre os 120 anos da abolição da escravatura. Quem requisitou, pediu especial destaque e elogios à "visionária" Princesa Isabel e às leis do ventre livre e do sexagenário.

Ele começou o discurso assim:

Senhoras e senhores deputados,

Há 120 anos, a escravidão foi abolida no Brasil. Antes, criaram a lei do sexagenário, que dava liberdade para o negro com mais de 60 anos quando a expectativa de vida no país era de 47. Depois criaram a lei do ventre livre como s,e ao nascer, a criança fosse jogada pela janela como filho de pato, que já nasce nadando...

Que pena que na minha época de escola não havia um professor como Arildo.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Diálogos ranzinzas: Copa de 2014

- Quando é que vão parar esse oba-oba sobre a Copa do Mundo no Brasil?
- Só em agosto. De 2014.
- Ufanismo do carai.
- Veja o lado bom: é um novo tema na roda. Quem agüenta mais seis meses de debate sobre Rolex e Tropa de Elite?
- Eu, nem mais seis segundos.
- O negócio agora é enrolex, drible, pedalada e embaixadinha.
- Bota negócio nisso. Verdade que foram doze governadores na comitiva do Lula?
- É. Pra ver de perto o que todo mundo já sabia. O Brasil era candidato único.
- Um avião desses não cai. Ó mundo injusto.
- Somos o país do futebol, cumpadi. É investimento na alegria do povo.
- Bota na conta que a CPMF paga.
- Tem dezoito cidades disputando pra ser sede dos jogos. Imagina o que isso vai movimentar...
- Se isso aqui já engarrafa com joguim do Avaí, quero só ver com Alemanha e Argentina.
- Sede pequena - isso se for escolhida. Aqui deve ter tipo Jamaica e Tunísia.
- Se depender da malacada de Floripa, a torcida no Scarpelli vai ser jamaicana desde criancinha.
- Agora, paciência. Antes tem África do Sul.
- Já vejo até a propaganda Tabajara: "Se você não conseguiu juntar dinheiro prum safári na Copa de 2010, seus problemas acabaram! Embarque hoje mesmo numa excursão de ônibus pra Cuiabá".
- Ou Natal. Ou Florianópolis.
- Seu anzol ainda tem isca?
- ... Tem nada. Anchova comeu.
- Passa a marvada aí. Um queijim suíço de tira-gosto caía bem.

Um rubro-negro em Moscou


O amigo Yan Boechat manda alguns flagrantes de sua viagem pelas estepes russas.

Mais fotos aqui

Ocaso no Campeche

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Mais um vídeo dos Camelos na Austrália



Rodrigo na maternidade de Mona Vale, em Sydney, com Marcelo e Liz.

Cinquenta livros

Minha homenagem ao Dia Nacional do Livro. Cinqüenta livros marcantes (em primeiro lugar na lista, "o monumental"):

1. Grande Sertão - Veredas (Guimarães Rosa)
2. O apanhador no campo de centeio (J.D. Salinger)
3. Pergunte ao pó (John Fante)
4. Cem anos de solidão (Garcia Márquez)
5. Histórias Extraordinárias (Allan Poe)
6. O Alef (Jorge Luís Borges)
7. Reinações de Narizinho (Monteiro Lobato)
8. Amor nos tempos do Cólera (Garcia Márquez)
9. Crônica de uma morte anunciada (Garcia Márquez)
10. O jogo de amarelinha (Julio Cortázar)
11. Madame Bovary (Gustave Flaubert)
12. Flores do Mal (Baudelaire)
13. Coração das trevas (Joseph Conrad)
14. O falecido Mattia Pascal (Luigi Pirandello)
15. Relato de um certo oriente (Milton Hatoum)
16. Kaputt (Curcio Malaparte)
17. As pelejas de Ojuara (Nei Leandro de Castro)
18. De ratos e homens (John Steinbeck)
19. A geografia da fome (Josué de Castro)
20. Vidas Secas (Graciliano Ramos)
21. Morte e vida Severina (João Cabral de Mello Neto)
22. O inventor da solidão (Paul Auster)
23. Se um viajante numa noite de inverno (Ítalo Calvino)
24. Meu último suspiro (Luís Buñuel)
25. A casa dos espíritos (Isabel Allende)
26. Cai o pano (Agatha Christie)
27. Ms. Smilla´s feeling for snow (Peter Hoeg)
28. Glosa Glosarum (Celso da Silveira)
29. Contos (Mário Benedetti)
30. O povo brasileiro (Darcy Ribeiro)
31. On the road (Jack Kerouac)
32. Os vagabundos iluminados (Kerouac)
33. A volta ao mundo em 80 dias (Julio Verne)
34. Memórias póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
35. O ganhador (Ignácio de Loyola Brandão)
36. O jogador (Fiodor Dostoievski)
37. Lolita (Vladimir Nabokov)
38. Trópico de Câncer (Henry Miller)
39. 37°2 le matin (Philippe Dijian)
40. Os eleitos (Tom Wolfe)
41. O talentoso Ripley (Patricia Highsmith)
42. El siglo de las luces (Alejo Carpentier)
43. A spaniard in the works (John Lennon)
44. Viva o povo brasileiro (João Ubaldo Ribeiro)
45. O grande mentecapto (Fernando Sabino)
46. O vermelho e o negro (Stendhal)
47. O fio da navalha (Somerset Maugham)
48. Um homem (Oriana Fallaci)
49. Adeus às armas (Ernest Hemingway)
50. L'Étranger (Albert Camus)

O que viram em Tropa de Elite

Jeanne Callegari, autora de Meus biscoitos, dá seu pitaco sobre Tropa de Elite. Posso não concordar, mas que ela argumenta bem pra caramba, argumenta.

O que eu vi em Tropa de Elite

Meus dois vinténs sobre o filme mais falado do ano:

Tropa de Elite, apesar da abordagem rasa de questões importantes, tem méritos. A começar porque despertou o debate sobre violência, tortura, corrupção, papel do estado e das ongs, relações de causa e efeito entre tráfico e consumo. É preciso relativizar esse mérito, porque Diogo Mainardi e as matérias-lixo da Veja também motivam debates. Mas a gente aprende com os filmes ruins.

Acho válida a opção de apresentar a história pelo ponto de vista do policial-matador. Coppola fez o mesmo com os mafiosos na trilogia The Godfather - com resultados beem superiores, claro. Imaginar como o outro pensa - o outro diferente, não o parecido - é um exercício rico. Se uma parte do público aplaude o capitão como herói, credito isso menos às artes manipulatórias do filme (existentes, sim) que ao lado fera assustada das pessoas que esperam a salvação num líder do esquadrão da morte. O discurso conservador encontra eco nos conservadores ou que tendem a isso.

O filme é pobre e incompleto pela ausência do contraditório. Confunde simplicidade com simplismo, tem personagens esquemáticos - os dirigentes da ong parecem rascunhos ridículos do primeiro tratamento do roteiro. E usa de maneira desnecessária a narração em primeira pessoa - que nem sempre é um pecado, diga-se. Goodfellas (Scorsese, 1990) é um exemplo de como isso pode ser feito com qualidade.

Uma boa comparação pra perceber essa visão capenga é com os dois ótimos filmes-gêmeos de guerra de Clint Eastwood, Cartas de Iwo Jima e A conquista da honra: eles mostram uma mesma batalha da segunda guerra mundial no Pacífico pelo ponto de vista dos japoneses e dos americanos. Não há vencedores nem vencidos. Enfim, faltou a Tropa de Elite a densidade pra, como obra de arte, ir além da reprodução de um discurso limitado. A história ficou incompleta.

Será que o povão tem a capacidade de aprender com filmes ruins? Acredito que sim. Especialmente se puder fazer a comparação com filmes bons, como Cidade de Deus e esses outros que citei, todos disponíveis em locadoras. Conversar sobre isso com a família e os amigos. Buscar contrapontos. Tropa de Elite pode ajudar outros cineastas a contar essa história bem melhor.

Cenas do Curdistão









Fotos de Matt Corner, italiano que acompanhou Fernando Evangelista a reportagens no Iraque, Palestina e Líbano.

La vie en rose

Julie Philippe, filha do Vianney e da Márcia, nossos amigos e vizinhos de bairro, interpreta trecho de La vie em rose para a promoção de lançamento do filme Edith Piaf no Brasil. Gravação de vídeo por Jade Philippe.

P.S.: Se você gostou do vídeo, dê um pulo aqui e vote nele pro concurso que a Embaixada da França está promovendo aos intérpretes da Piaf. O prêmio é uma viagem a Paris.


sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Do Curdistão

Fernando Evangelista - nosso correspondente especial para assuntos aleatórios em Malta - esteve este ano no Curdistão com sua mulher, a também jornalista Juliana Kroeger. Eles publicaram uma matéria na edição de maio da Caros Amigos, em que previram a invasão do Iraque pelas tropas turcas. A reportagem foi republicada no saite da revista.

À espera do nu militante da Binoche

Juliette Binoche, de 43 anos, vai ser capa de novembro da Playboy francesa. Diz ela em matéria da Folha:

"Eu fui convencida por uma jovem equipe que quer mudar a "Playboy" como falar do corpo de uma maneira diferente, em lhe dar alma. Nós temos uma tendência de separar o corpo do espírito, o corpo das emoções. Nós colocamos o prazer à parte. De certa maneira, reivindicar este tipo de corpo nas páginas da revista é um ato militante", afirmou a atriz francesa.
Há negociações avançadas pra colocar a Binoche na capa de dezembro da edição brasileira. Em meio à expectativa ("Acendi uma vela em cima do monitor. Eu acho essa mulé uma coisa", diz um amigo), nosso rapper de elite Zé Dassilva arrisca uns versos:
"Esperaremos em dezembro a edição /
Desde já, em estado de ereção /
Espero que até lá eu não broche /
Para poder ver o nu da Binoche"

A entrega do Prêmio Herzog

Marques Casara, meu convidado à cerimônia de entrega do Prêmio Herzog ontem em São Paulo, conta um pouco do que assistiu:

Três momentos de uma quinta feira chuvosa:

. Dauro Veras foi o primeiro agraciado a subir no palco do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, durante a cerimônia do 29º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Na noite de quinta 25, recebeu menção honrosa na categoria Revista pela reportagem Madeira e Sangue, que conta a vida dos trabalhadores do setor moveleiro de Santa Catarina.

Seu nome foi anunciado pelos jornalistas Mônica Waldvogel e Heródoto Barbeiro, que o convidaram ao palco. Com a serenidade que lhe é peculiar, recebeu calmamente o diploma, fez uma reverência e estampou amplo sorriso. Nada disse e nada lhe foi perguntado.

Guardou o diploma na mochila e recostou-se na cadeira, ao lado desde jornalista e do presidente da Fenaj, Sérgio Murillo.

– Não precisei falar nada – proferiu.

Parecia aliviado ao fazer a afirmativa, afinal, o que era para ser dito estava ali, em sua reportagem.

. Caco Barcellos, um dos premiados, tomou o microfone e falou por cinco minutos. Em meia dúzia de palavras, demoliu o filme Tropa de Elite. De forma didática, revelou como as mídias constroem alianças com o que há de mais podre na sociedade. Não vou aqui reproduzir as palavras de Barcellos, pois não foram anotadas, mas não posso deixar de destacar uma frase. Disse: Na época da ditadura, os jornalistas ou eram contra os grupos de extermínio ou eram omissos. Hoje não são nem contra nem omissos. Hoje apóiam as tropas de elite, os esquadrões da morte que em seis meses matam mais do que mataram os militares da ditadura.

. Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos mais corajosos defensores de presos políticos durante a ditadura, fez um discurso emocionado em defesa dos direitos humanos e do papel dos jornalistas como defensores da justiça e da liberdade.

Assistir a cerimônia de entrega do Prêmio Herzog é algo que todo jornalista deveria fazer. Dali saem referências que nos orientam sobre nosso papel e sobre o quanto o jornalismo é importante para a construção de um mundo melhor.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007


Flor, originally uploaded by dveras.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Sexo e jurisprudência internacional

Da revista Consultor Jurídico:

Esperma é propriedade da mulher, decide Justiça dos EUA

Usar esperma para engravidar, sem autorização do homem, pode render processo mas não caracteriza roubo porque “uma vez produzido, o esperma se torna propriedade” da mulher. O entendimento é de uma corte de apelação em Chicago, nos Estados Unidos, que devolveu uma ação por danos morais à primeira instância, para análise do mérito. (...)

Comentário do Botelho:
"Nós homens não mandamos mais em porra nenhuma".