Vi ontem Gaviões e Passarinhos, de Pasolini, que em 1966 concorreu à Palma de Ouro em Cannes. É uma parábola sobre o universo dos marginalizados e o discurso dos intelectuais de esquerda. Pai e filho, proletários, viajam a pé e são acompanhados por um corvo falante. O animal faz reflexões filosóficas e lhes conta a história de dois monges seguidores de São Francisco, encarregados pelo santo de converter gaviões e passarinhos. Algumas passagens são datadas, disparam contra alvos daquela conjuntura dos anos sessenta. Mesmo assim vale conferir o humor ferino e a crítica política do diretor italiano, que, como a abertura do filme diz, "colocou a reputação em risco" ao dirigir o filme. 93/100.
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