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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Acervo do Prêmio Herzog vai pra internet

Os 500 e tantos jornalistas ganhadores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em suas 29 edições - incluindo este que vos tecla - recebemos uma carta bem bacana do diretor do UNIC (Centro de Informações das Nações Unidas), Giancarlo Summa:

A todos os jornalistas que já conquistaram o Prêmio Vladimir Herzog,

Como parte das comemorações do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil decidiu empreender duas iniciativas destinadas ao reconhecimento do papel decisivo dos jornalistas e da imprensa na conquista da democracia e na defesa dos direitos humanos no País.

1. Instituir o Troféu Especial de Imprensa ONU: 60 Anos da Declaração / Prêmios Vladimir Herzog. Com criação de Elifas Andreato, o prêmio será entregue uma única vez, no dia 27 de outubro de 2008, aos 5 jornalistas brasileiros que mais se destacaram na cobertura dos direitos humanos no Brasil, eleitos pelos mais de 500 ganhadores das 29 edições do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

2. Reunir e disponibilizar, ao público em geral, todas as matérias premiadas no Vladimir Herzog ao longo destas três décadas. Um novo site www.premiovladimirherzog.org.br será lançado dia 10 de dezembro de 2008, data do 60º aniversário da Declaração, como forma de democratizar, de maneira permanente, o acesso a esse precioso acervo da história brasileira.
(...)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Prêmio Herzog pra Hermínio Nunes

O repórter fotográfico Hermínio Nunes, do Diário Catarinense, recebeu menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, pela foto Limpeza da Penitenciária, que mostra através de grades uma "operação pente-fino". Fiquei muito contente com a notícia. Tive a honra de conviver com o Hermínio profissionalmente e em outras situações que envolviam a categoria - ele já foi diretor do Sindicato - e só tenho elogios a essa figura.

A preLimpeza na Penitenciária. Foto de Hermínio Nunesmiação vai ser às 19h do dia 27 no Tuca -Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O Herzog, concedido pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo em conjunto com outras entidades, é um dos prêmios mais conceituados do país. Sua trigésima edição ocorre no marco do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para comemorar a data, no dia 10 de dezembro a ONU vai lançar um saite com o acervo de todas as reportagens premiadas nessas três décadas.
~
Outros textos que publiquei aqui sobre o Prêmio Herzog.

Quem foi Vladimir Herzog e por que ele faz parte da história do Brasil.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Os eleitos do Troféu Imprensa ONU/Herzog

Caco Barcellos, Henfil, José Hamilton Ribeiro, Ricardo Kotscho e Zuenir Ventura foram eleitos para receber o Troféu Especial de Imprensa ONU: 60 Anos da Declaração/Prêmios Vladimir Herzog. A iniciativa é do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. O júri foi composto pelos mais de 500 jornalistas que receberam o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos desde sua criação, em 1979. O troféu vai ser entregue aos eleitos - e familiares do Henfil - no dia 27 de outubro durante cerimônia da trigésima edição do Prêmio Herzog, em São Paulo.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Reportagem premiada com Herzog

A reportagem A Idade da Pedra, que o Observatório Social publicou em fevereiro, vai receber Menção Honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos – categoria revista. De autoria de Marques Casara, com fotos de Sérgio Vignes e edição deste que vos tecla, a reportagem saiu na edição 9 da revista do Observatório Social. É sobre trabalho infantil de crianças na cadeia produtiva de multinacionais.

Em agosto a revista foi apreendida por liminar de uma juíza de Minas Gerais. Ela acatou versão de uma promotora de que a reportagem e as fotos teriam sido "forjadas" e mandou apreender os exemplares que ainda não tinham sido distribuídos. O Observatório recorreu da decisão, que consideramos um ato de censura.

O Herzog é a principal premiação do jornalismo brasileiro na área de direitos humanos. Foi criado três anos depois do assassinato do jornalista Vladimir Herzog por agentes da ditadura, em 1975. A entrega do prêmio vai ser dia 25 de outubro no Parlamento Latinoamericano, em São Paulo. Tem mais aqui.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A entrega do Prêmio Herzog

Marques Casara, meu convidado à cerimônia de entrega do Prêmio Herzog ontem em São Paulo, conta um pouco do que assistiu:

Três momentos de uma quinta feira chuvosa:

. Dauro Veras foi o primeiro agraciado a subir no palco do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, durante a cerimônia do 29º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Na noite de quinta 25, recebeu menção honrosa na categoria Revista pela reportagem Madeira e Sangue, que conta a vida dos trabalhadores do setor moveleiro de Santa Catarina.

Seu nome foi anunciado pelos jornalistas Mônica Waldvogel e Heródoto Barbeiro, que o convidaram ao palco. Com a serenidade que lhe é peculiar, recebeu calmamente o diploma, fez uma reverência e estampou amplo sorriso. Nada disse e nada lhe foi perguntado.

Guardou o diploma na mochila e recostou-se na cadeira, ao lado desde jornalista e do presidente da Fenaj, Sérgio Murillo.

– Não precisei falar nada – proferiu.

Parecia aliviado ao fazer a afirmativa, afinal, o que era para ser dito estava ali, em sua reportagem.

. Caco Barcellos, um dos premiados, tomou o microfone e falou por cinco minutos. Em meia dúzia de palavras, demoliu o filme Tropa de Elite. De forma didática, revelou como as mídias constroem alianças com o que há de mais podre na sociedade. Não vou aqui reproduzir as palavras de Barcellos, pois não foram anotadas, mas não posso deixar de destacar uma frase. Disse: Na época da ditadura, os jornalistas ou eram contra os grupos de extermínio ou eram omissos. Hoje não são nem contra nem omissos. Hoje apóiam as tropas de elite, os esquadrões da morte que em seis meses matam mais do que mataram os militares da ditadura.

. Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos mais corajosos defensores de presos políticos durante a ditadura, fez um discurso emocionado em defesa dos direitos humanos e do papel dos jornalistas como defensores da justiça e da liberdade.

Assistir a cerimônia de entrega do Prêmio Herzog é algo que todo jornalista deveria fazer. Dali saem referências que nos orientam sobre nosso papel e sobre o quanto o jornalismo é importante para a construção de um mundo melhor.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Menção honrosa no Prêmio Herzog

A notícia me pegou ontem tão de surpresa que fiquei sem saber o que dizer além de eebaa!!!!!! Uma reportagem que publiquei em outubro de 2006 na revista do Observatório Social ganhou menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais importantes do jornalismo brasileiro. É o terceiro reconhecimento público de destaque que nossa revista ganha em apenas 12 edições de existência: em 2003 levamos um Esso na categoria meio ambiente e em 2006, coincidentemente, também menção honrosa no Herzog.

A reportagem é sobre mutilações de trabalhadores na indústria moveleira de Santa Catarina. Fico feliz com a premiação porque ela dá visibilidade ao descaso de muitas empresas com as condições de saúde e segurança dos empregados. Se a repercussão desse prêmio ajudar a salvar dedos em fábricas Brasil afora, missão cumprida.

Procurei enfatizar que a responsabilidade pelos acidentes não é só das empresas, embora elas tenham, sim, culpa no cartório - omissão também mutila e mata. Uma mudança real nessa tragédia brasileira passa pela educação. Pelo amor ao próprio corpo e à mente. Quem trabalha não pode deixar sua saúde e segurança nas mãos dos outros. Isso vale pras atividades consideradas "perigosas" e também pras que parecem até inofensivas - há quanto tempo não limpam o ar-condicionado de sua sala e ninguém reclama?

Esse princípio da Não-Delegação foi sintetizado nos anos 60 pelo movimento sindical italiano e incorporado pelo movimento sindical cutista: o convencimento de que os trabalhadores não podem mais entregar a ninguém o controle sobre as suas condições de trabalho. Outro princípio herdado dos italianos é o da Validação Consensual: o julgamento sobre o nível de bem-estar ou de intolerabilidade de determinada situação de trabalho deve ser expresso pelos trabalhadores. Sei que estamos a anos-luz de uma epifania desse nível no Brasil, mas existem avanços.

Com o perdão pelo clichê - verdade pura -, jornalismo é trabalho de equipe. Compartilho essa menção honrosa com algumas pessoas em especial:

minha família, pela paciência em enfrentar o transtorno que as viagens de trabalho provocam no cotidiano de casa; Maria José H. Coelho, "mãe" da revista; Sandra Werle, a "madrinha", que a diagramou por tantos anos; Zé Álvaro Cardoso, do Dieese/SC, que fez a ponte com o sindicato; Marques Casara, parceirão, um dos melhores repórteres que conheço; Sérgio Vignes, repórter fotográfico que me acompanha há tempo em aventuras e roubadas; Frank Maia, autor da arte e infografias desta e outras reportagens; Jeanine Will, suporte logístico nota dez; Kjeld Jakobsen, apoio fundamental ao jornalismo investigativo na organização; todos os demais colegas e ex-colegas do Observatório Social, que este mês apaga dez velinhas de aniversário; e aos trabalhadores e trabalhadoras de São Bento do Sul.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Castelo dos Sonhos: entrevista com Marques Casara

Meus amigos Marques Casara e Tatiana Cardeal ganharam menção honrosa na trigésima-primeira edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais conceituados do Brasil. A reportagem deles, Castelo dos Sonhos [pdf], publicada na revista da ong Childhood Brasil, desvenda uma rede criminosa de exploração sexual de crianças de adolescentes na BR 163. Nos últimos anos, Marques tem faturado vários prêmios "correndo por fora" da grande mídia. Suas reportagens investigativas bancadas por organizações do terceiro setor são um grande incentivo para quem acredita que é possível fazer jornalismo independente com qualidade. Fiz esta entrevista com ele por e-mail.


DVeras - Sobre o que é a reportagem Castelo dos Sonhos e o que ela traz de novo?

Marques Casara - A pauta foi proposta para a revista da organização não governamental Childhood Brasil, que desenvolve projetos ligados ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O objetivo seria percorrer a BR 163 e identificar locais de exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas, em postos de combustível e prostíbulos. O projeto foi aceito e financiado pela ONG.

Ao chegar na região Norte do Mato Grosso, a reportagem tomou outra proporção, pois identificou uma rede criminosa organizada de aliciamento de crianças e adolescentes nas cidades de Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto Azevedo, todas localizadas próximas à divisa com o Pará. Os aliciadores levavam as adolescentes para a cidade de Castelo de Sonhos, um distrito de Altamira localizado a 1.200 km da sede do município. O lugar é de difícil acesso, o que facilita o trabalho das redes de exploração. Tem apenas 3 policiais militares e um delegado que anda a pé por falta de viatura. Uma região sem lei e onde a exploração sexual de crianças e adolescentes acontece a céu aberto. O único jornalista da cidade passou 10 dias escondido no forro de uma casa para não ser morto e hoje recebe proteção especial do governo. A reportagem serviu para alertar as autoridades e mobilizar o governo do estado a tomar providências em relação ao problema das adolescentes. Uma reportagem como essa sempre muda o cenário, alerta as autoridades e outros jornalistas.


Conte um pouco sobre como foi a apuração. Durou quanto tempo? Quais foram as principais dificuldades e surpresas?

Casara - O assunto veio à tona em conversa com uma fonte na região. A apuração durou duas semanas. Foi trabalhoso localizar as famílias das adolescentes e mais trabalhoso ainda convencer mães e avós a contar o problema. Além do medo de represálias, sempre há um certo constrangimento em admitir que uma ou mais filhas foram aliciadas por redes que lucram com a exploração sexual. As famílias moram em cidades na divisa do Mato Grosso com o Pará. Chegar a Castelo de Sonhos também foi muito trabalhoso. São 200 km de uma estrada praticamente intransponível a partir da divisa. Cerca de 40 quilômetros após a partida, estourou o amortecedor dianteiro direito. A opção era desistir ou seguir em frente. Fomos em frente, arriscamos.

Castelo de Sonhos é um lugar sem Lei, sem Poder Público, sem força policial. O lugar é muito violento. Chegamos disfarçados e passamos uma noite. Na manhã seguinte, tivemos a sorte de encontrar uma amortecedor da mesma marca e modelo do carro. Só então revelamos nossa condição de jornalistas. A partir dai, foi uma corrida contra o tempo. Em três horas visitamos os locais onde ocorrem a exploração e fizemos as entrevistas e as fotos. Precisávamos sair da cidade antes de qualquer reação. No caminho de volta fomos seguidos por cerca de 80 quilômetros por uma caminhonete ocupada por três homens. A perseguição parou quando entramos em um canteiro de obras de uma barragem que está sendo erguida na região da Serra do Navio. Paramos em frente a um restaurante. A caminhonete nos seguiu e parou a menos de 30 metros. Após alguns minutos, deu meia volta e retornou a Castelo de Sonhos. Sem sair do carro, comemos duas latas de atum com pão e guaraná. Pegamos a estrada e chegamos a Guarantã do Norte sem maiores problemas. Se não tivessemos encontrado o amortecedor certo, teríamos um pouco mais de trabalho.


Como é a logística de fazer uma reportagem investigativa na Amazônia, lidando com um tema delicado e potencialmente arriscado tanto para vítimas quanto para repórteres?

Casara - A logística é imitada pelos recursos. A apuração é limitada pelos riscos. Estávamos com um carro de passeio quando deveríamos estar em um 4x4. Isso aumenta os riscos de quebrar o carro. Também dificulta uma saída rápida em caso de necessidade. A reportagem também é limitada pelas distâncias e pelas condições das estradas, o que torna tudo mais caro e trabalhoso. O assunto é complexo, as famílias não gostam de falar sobre isso. A corrupção também dificulta a apuração e aumenta os riscos, pois autoridades ganham dinheiro acobertando criminosos.

É preciso jogar com todos esses fatores. É preciso também antever os riscos, estar sempre um passo à frente. É necessário jogar com o fator surpresa, com a rapidez e com toda a experiência acumulada. Os principais erros acontecem por causa da afobação e do medo. Os três segredos da reportagem de risco são os seguintes: 1) Mantenha a calma; 2) Mantenha a calma; 3) Mantenha a calma.


Você acredita que a reportagem de vocês pode transformar a realidade dessas adolescentes? Já transformou desde que foi publicada?

Casara - Reportagens como essa sempre mudam o cenário. Servem de alerta, inspiram novas matérias. Uma violência como essa, quando vem a tona, atrapalha a vida dos criminosos e estimula as autoridades. Algumas autoridades são estimuladas a aumentar o valor da propina, outras, honestas, são estimuladas a resolver o problema.


Este é o seu segundo prêmio Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O que isso representa para você como jornalista que atua com entidades do terceiro setor, sem o apoio da grande mídia?

Casara - Não me interesso mais pela grande mídia. Desde o ano 2001 atuo exclusivamente para organizações que não estão vinculadas ao jornalismo industrial. Posso fazer um jornalismo mais libertário e revolucionário. Não estou limitado pelos interesses comerciais das empresas de comunicação. Hoje, o que dá lucro para essas empresas é o jornalismo de entretenimento, mesmo quando disfarçado de "investigativo". Desde que sai desse circuito ganhei um Prêmio Esso e dois Herzog. É um bom referencial. Estou construíndo um caminho próprio, sem holofotes mas com muita realização pessoal. Uma dica pra quem tá começando na profissão: todo jornalismo é investigativo. Se não é investigativo, não é jornalismo.

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Leia também a entrevista com Tatiana Cardeal.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Prêmio Herzog, educação e direitos humanos

A edição 2008 do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos está me dando muitas alegrias. Acabo de saber que a colega Thais Gurgel ganhou menção honrosa na categoria revista com a reportagem Inclusão, só com aprendizagem, publicada em outubro de 2007 na revista Nova Escola (com fotos da minha amiga Tatiana Cardeal e colaboração de Débora Didonê e Paulo Araújo). É a mesma categoria em que ganhei menção honrosa no ano passado com a reportagem Madeira e sangue, sobre mutilações de trabalhadores na indústria de móveis. Fiquei especialmente feliz - e a Thais também - porque é um reconhecimento importante de que educação inclusiva tem tudo a ver com direitos humanos. A premiação vai ser no dia 27 em São Paulo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Mais um amigo premiado com o Herzog

O Botelho acaba de dar o furo: nosso amigo Lúcio Lambranho, repórter do Congresso em Foco, em Brasília, ganhou menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Ele fez uma série de reportagens sobre um acidente que matou 14 agricultores piauienses na Bahia. Prêmio merecido. O Lambra é um cara aplicado e gosta de ir a fundo nas histórias. Na apuração dessas matérias, me contava ele outro dia, teve que encarar muitas horas de ônibus até o interior do Piauí, com orçamento ultra apertado. Imagina o que ele não vai fazer se lhe deram melhores condições... Parabéns!

As matérias:

Corrente (PI): 13 anos de uma tragédia ignorada
(9/jul) Acidente rodoviário com 79 trabalhadores rurais revela uma face escondida do trabalho escravo no país. O repórter Lúcio Lambranho visitou sobreviventes e familiares dos 14 mortos para contar, na série que começa hoje, o drama dos catadores de feijão esquecidos pela Justiça.

Corrente (PI): famílias acusam advogado de ficar com o seguro
(10/jul) Familiares de oito dos 14 mortos em acidente no Piauí denunciam defensor que sacou R$ 40 mil do seguro obrigatório e não entregou o dinheiro aos parentes das vítimas, como Norato Nunes (foto). Processo criminal continua engavetado na Justiça baiana.

Carvoarias impulsionam trabalho escravo no Piauí
(11/jul) Na última reportagem da série sobre a tragédia de Corrente, o Congresso em Foco mostra como a expansão da fronteira agrícola levou o estado a se tornar um dos principais exploradores desse tipo de mão-de-obra no país.

O resgate de uma tragédia
Após 13 anos, autoridades de Direitos Humanos vão investigar a tragédia que matou 14 trabalhadores rurais no interior da Bahia

Transporte de alto risco
Falta de fiscalização e sucateamento de veículos foram principais causas dos 6.486 acidentes no transporte de trabalhadores rurais entre 2004 e 2006

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Repórter Brasil, menção honrosa no Herzog

O documentário "Correntes", produzido e dirigido por Caio Cavechini, Ivan Paganotti e Evelyn Kuriki, recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, categoria Documentário. Correntes é uma realização da ong Repórter Brasil e foi exibido na TV Brasil, do sistema Radiobrás, e na TV Sesc. O ganhador principal da categoria foi "Falcão - Meninos do Tráfico", de Frederico Neves, exibido pelo Fantástico. A outra menção honrosa foi para Vera Carpes, com o vídeo "Scuderie Le Cocq I e II", transmitido pela TV Justiça e TV Cultura.
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Leonardo Sakamoto, jornalista e pesquisador que coordena a Repórter Brasil, tem sido um grande parceiro do Observatório Social na cobertura do tema trabalho escravo. Sua ong faz um trabalho de inestimável valor pro país. Grande abraço!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Castelo dos Sonhos: entrevista com Tatiana Cardeal

Há poucas semanas contei sobre um prêmio que minha amiga Tatiana Cardeal, fotógrafa documentarista, foi receber na China. Pois mal retornou ao Brasil, ela já recebeu outro: o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em parceria com Marques Casara, com a reportagem Castelo dos Sonhos [pdf], sobre exploração sexual de crianças e adolescentes ao longo da BR-163. Nesta entrevista, Tatiana conta como foram os bastidores dessa apuração.

DVeras em Rede - Como foi o desafio de fazer uma reportagem fotográfica sobre um tema que envolve tantos aspectos delicados do ponto de vista psicológico, legal e de segurança?


Tatiana Cardeal - Foi difícil, mas desafiador, e eu gosto muito dos desafios que me trazem um sentido. Não sou exatamente uma fotojornalista, meu trabalho é mais documental e bem mais lento, então, em no início achei que poderia não funcionar bem, mas acabei me surpreendendo bastante com minhas próprias reações. Fotografar escondida ou em risco não é a minha rotina, nem algo que eu tenha prazer em fazer. Houve momentos em que tive muito medo e outros em que surpreendemente me vi coordenando a situação com certa excitação para obter a melhor momento/ângulo de uma foto. Havia uma série de cuidados sobre o que fotografar e quando fotografar, não dava pra chegar clicando. Também havia o desafio de encontrar imagens fortes e/ou sensíveis que contassem a história e que fossem publicáveis, já que não se pode expor as imagens das vítimas da exploração sexual.

O que mais a impressionou? Houve momentos em que você hesitou em clicar?

Tatiana - Muitas coisas me impressionaram. Como cena, uma das mais impressionantes foi quando chegamos e passamos pela "avenida principal" de Castelo. Um grupo de cerca de sete meninas, muito novas (acho que entre 12 e 15 anos), semivestidas, sentadas na mesa de bilhar da varanda do boteco/bordel. A ausência do poder público alí impressiona, assim como as péssimas condições da estrada de terra (foram 6 horas para cobrir os 200 km), que separa Castelo da "civilização", uma área erma onde praticamente não se encontra nada. Como referência, a região é próxima de onde caiu o Boeing da Gol em 2006, e que foi uma enorme dificuldade de mobilidade para o próprio exército. Também me impressionou muito a cena de uma garota franzina de 12 anos amamentando seu bebê; e em especial a "normalidade cultural" com que o sexo com menores é tratado, ao mesmo tempo em que provoca vergonha e receio nas famílias da vítimas.

O momento em que hesitei não foi pela imagem da foto em si, mas pela pressão psicológica em que estava. A gente já sabia da fama violenta da cidade... um conselheiro tutelar de outra cidade entrou em pânico quando o Marques decidiu que precisávamos ir lá. Mas já em Castelo, depois de entrevistar o jornalista que estava ameaçado de morte, e ele mostrar uma série bizarra de fotos que fez dos assassinatos da região (que não aguentei ficar vendo, porque não eram somente corpos assassinados, mas mortes decorrentes de violência bizarra e brutal, com técnicas de tortura requintadas e sádicas, que expunham os corpos posteriormente como "mensagem" para a população local), e eu ainda precisava fazer duas últimas fotos, em público, na avenida principal e na delegacia. Eu estava tão chocada com o depoimento e a brutalidade das imagens do jornalista, que o Marques praticamente me empurrou pra fora do carro para fotografar.

Pode contar um pouco sobre o lado técnico de fazer uma cobertura fotográfica na umidade amazônica? Como você lida com o dilema entre a necessidade de carregar equipamento pesado e a de ser discreta?

Tatiana - Bom, a Amazônia é gigantesca, e oferece condições climáticas variadas. No caso dessa região no norte do Mato Grosso, não fomos na época das chuvas, então eu tinha mais preocupação com o poeirão vermelho da estrada de terra do que com a umidade, vivia protegendo a câmera e limpando. Já no Amazonas, em São Gabriel da Cachoeira encontramos temperaturas altíssimas com extrema umidade, a ponto de a cola do espelho da minha câmera derreter (e da filmadora parar de funcionar subitamente algumas vezes). Consegui colar novamente o espelho com uma versão enigmática de SuperBonder, a TreeBonder, única alternativa disponível na cidade indígena... por sorte colou e resolveu. Outra coisa que ajudou é ter uma mochila tropicalizada, que veda 100% contra chuva, e até protege na queda do equipamento na água (a mochila fica boiando no caso de uma voadeira virar...).

Normalmente não carrego muito equipamento. De mais pesado são duas cameras, três lentes médias e um flash. Se não ía muito longe, só uma camêra. Mas nada que não caiba em uma mochila média e que eu não possa levar.

Admiro a maneira como você reorientou a carreira bem-sucedida de diretora de arte para recomeçar - e obter reconhecimento internacional - na fotografia de temas sociais. O que moveu você nessa mudança e como ela se deu?

Tatiana - Obrigada, Dauro, mas saiba que essa mudança de carreira não foi nada muito planejado. Acho que tive uma boa dose de sorte, pois ao sair da Editora Abril eu já sabia que queria continuar na área social e não queria mais fazer revista puramente comercial. Estava fazendo uma pós graduação em Mídias Interativas, algo meio novo e experimental na época, e que me deixou bastante antenada com as possibilidades da internet. Fui publicando imagens de temas que me interessavam e pesquisas visuais que eu fazia como estudo e hobby. Aí fui recebendo um grande feedback que me encorajou a continuar produzindo mais e que aos poucos tornou-se trabalho. Ainda naquele período, algumas redes que eu frequentava e publicava só falavam em inglês, e acredito que foi aí que o trabalho ganhou alguma projeção fora daqui.

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Leia também a entrevista com Marques Casara.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

A Idade da Pedra, um ano depois

Arte: Frank MaiaAnteontem o jornal O Globo repercutiu a denúncia feita há um ano pela revista do Observatório Social sobre trabalho infantil na cadeia produtiva de multinacionais. A reportagem, de autoria de Marques Casara, com fotos de Sérgio Vignes e editada por mim, ganhou menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 2006.

O jornal informa que Basf, Tintas Coral e Faber-Castell, apontadas como compradoras da matéria-prima, serão intimadas pelo Ministério Público do Trabalho a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). Das três multinacionais envolvidas, só a Basf não reconhece o problema. Tintas Coral e Faber-Castell romperam relações com os fornecedores de talco, tomaram medidas para reforçar o controle dos fornecedores e repudiaram com veemência o uso de trabalho infantil. A Faber-Castell doou material didático para as escolas da região.

O Globo também mostra com exclusividade que a empresa Minas Talco, que pagava pelo minério empilhado pelas crianças, admite, pela primeira vez, não ter nenhum tipo de controle sobre a cadeia produtiva. Mais aqui

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Troféu Especial de Imprensa ONU

Há uns dias eu comentei aqui que o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro) vai conceder em 27 de outubro o Troféu Especial de Imprensa ONU, como parte das comemorações pelos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Todos os profissionais de comunicação que já ganharam o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos podem votar em até cinco jornalistas (e podem ser votados) pra concorrer ao troféu, que vai ser concedido uma única vez. Escolha difícil, pois a lista está cheia de feras. Meu voto foi para:

  • Ângela Bastos, do Diário Catarinense, por sua brilhante cobertura na área dos direitos da infância.
  • Fernando Evangelista, correspondente de guerra, atento observador de conflitos urbanos e fundiários, atualmente professor da Estácio/SC.
  • Marques Casara, grande repórter investigativo de pautas como exploração sexual de crianças e adolescentes, trabalho infantil e escravo.
  • Eliane Brum, da Época, autora de belas reportagens sobre conflitos de terra na Amazônia, o mundo do garimpo e outras.
  • Caco Barcellos, por sua contribuição contra a violência policial (com o clássico "Rota 66") e na formação de "focas" - jornalistas em início de carreira.

sábado, 1 de setembro de 2007

Diários do Paquistão

Sakamoto (à esquerda) no PaquistãoEm 2004 tive a satisfação de conhecer o jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto quando ele colaborou com uma publicação que editei sobre trabalho escravo. Ele coordena a ong Repórter Brasil, dedicada ao jornalismo social. Sua atuação como profissional e ativista em defesa das pessoas injustiçadas já lhe rendeu o reconhecimento da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Como se não bastassem a consistência, o rigor técnico e a coragem de se arriscar pelo que acredita, o cara também escreve bem demais.

Uma boa oportunidade para conhecer seu trabalho é a reportagem especial Diários do Paquistão. Acompanhado de Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra (outra personalidade fascinante, um herói dos despossuídos da Amazônia), Leo Saka passou nove dias no país asiático. Eles foram conhecer projetos de combate ao trabalho forçado por lá - estimativas apontam que há 1 milhão de paquistaneses escravizados. As impressões dos dois sobre o tema - e também sobre o povo, a cultura, a política e a religião - são uma leitura que recomendo com ênfase.

p.s. 1) Leonardo Sakamoto mantém um blog sobre trabalho decente, meio ambiente e questão agrária, onde também reproduziu o relato.

p.s. 2) Sobre o papel da imprensa no combate ao trabalho escravo no Brasil - me alegro de ter contribuído com a causa -, leia aqui.

p.s. 3) Levei três horas pra escrever estas linhas, com pausas pra trocar fralda, botar a janta dos meninos, encaminhar banho, escovação de dentes e ida pra cama.

p.s. 4) Miguel acaba de me dizer: - Pai... Te amo.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Trabalho infantil e multinacionais

Arte: FrankA reportagem sobre trabalho infantil na cadeia produtiva de multinacionais, que publicamos na revista do Observatório Social no começo do ano, teve seu conteúdo confirmado por uma investigação independente do Ministério Público Federal de Minas Gerais. De autoria de Marques Casara com fotos de Sérgio Vignes e editada por este que vos tecla, a reportagem recebeu em outubro menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.